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Design sustentável: integrando experiências locais e globais

Silva, Paulo Roberto; Alcoforado Neto, Manoel Guedes

Actas de Diseño Nº25

Actas de Diseño Nº25

ISSN: 1850-2032

XIII Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” IX Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño

Año XIII, Vol. 25, Julio 2018, Buenos Aires, Argentina | 260 páginas

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Resumen:

Este artículo hace una reflexión sobre el papel del diseño en el desarrollo de productos y procesos sustentables, discutiendo como algunas recomendaciones y directrices generales de sustentabilidad pueden ser aplicadas a un contexto local. Creemos que las experiencias de grandes y pequeñas industrias pueden ser reaplicadas y compartidas para ampliar el conocimiento en soluciones sostenibles. A partir de esa visión, presentaremos el caso de un proyecto de extensión universitaria titulado “Intervención del diseño en los juguetes educativos y procesos productivos de la Art Gravatá” donde fueron aplicadas directrices generales sustentables. Analizaremos los resultados obtenidos y algunas experiencias que pueden ser reaplicadas para otras dimensiones

Palabras clave: Sustentabilidad - Producto - Diseño Sustentable - Juguetes educativos - Procesos sostenibles.

1. Introdução 

O aumento crescente da indústria de desenvolvimento de produtos, acelerada pela competitividade advinda de um processo contínuo de globalização e uma crescente demanda de consumo da população mundial (cada vez mais espelhada pelos padrões de consumo da Europa e do EUA), que estimula o desenvolvimento de uma grande diversidade de produtos, com ciclos de vida cada vez menores, somado ao crescente esgotamento dos recursos energéticos, hídricos e de materiais, fazem com que o termo sustentabilidade deixe de ser apenas um problema local, ou apenas de alguns países, e passe a ser um problema de todos, conectados e influentes em uma escala global. 

Isso tem levado a comunidade científica a propor diversas soluções, sejam elas soluções incrementais, através de caminhos que apontam para uma racionalização e controle do sistema produtivo através de uma gestão do ciclo de vida dos produtos, onde se propõe a redução no uso de energia e recursos naturais, uso de tecnologia limpas e redução de refugos, projetos de produtos que considerem as propriedades dos materiais, promovendo a reciclagem, o reuso e a remanufatura ou soluções radicais, que apontam para a necessidade de redução do consumo e produção, novos estilos de vida, adoção de soluções coletiva e detrimento a soluções individuais, substituição de produtos por serviços, aumento do tempo de uso dos produtos, aplicação de maiores impostos a determinados produtos, substituição de produtos, processos e materiais. Um fato relevante a ser considerado é a importância que as pequenas decisões, muitas vezes tomadas e empregadas em contextos locais podem exercer em contextos globais. A partir da consideração da teoria do caos e do efeito borboleta de Edward Lorenz (MIT), acreditamos que elas podem ter uma forte influência na composição de um cenário sustentável, seja de forma direta, através de mudanças no próprio cenário local, melhoria de vida em harmonia com os contextos, seja de forma indireta, através de exemplos que poderão estimular outros acontecimentos ou escalonamento de soluções para outras dimensões. A partir dessa visão, acreditamos no potencial das solu- ções locais, na contribuição que essas podem dar para a criação de cenários sustentáveis e no compartilhamento informações locais e globais, seja no compartilhamento das soluções entre a indústria de grande e pequeno porte, seja na observação de pequenas soluções individuais, de pequenos grupos ou comunidades e sua ampliação para outras dimensões sociais. Esse artigo tratará dessas rela- ções, apresentando um exemplo prático de intervenção do design em uma realidade produtiva local, as influências e contribuições do contexto global e os desdobramentos possíveis para ampliação desse contexto local para aplicação em outras dimensões. Para isso estruturamos o artigo nas seguintes sessões:

•Sessão 1: Princípios de sustentabilidade 

•Sessão 2: Soluções sustentáveis 

•Sessão 3: Case: Intervenção do design em um sistema produtivo local 

•Sessão 4: Contribuições e conclusão

2. Princípios de sustentabilidade 

O desenvolvimento sustentável pode ser definido como o processo de crescimento sustentável das condições sociais, políticas, culturais, econômicas, educacionais e ambientais de uma comunidade, com base na tomada de consciência individual e uma responsabilidade coletiva sobre a realização de iniciativas locais produtivas ou não. Isso implica na solidariedade entre as gerações, para satisfazer as necessidades básicas da população, através de um contínuo processo de equidade social, em uma perspectiva de sobrevivência com qualidade de vida das gerações atuais e futuras (Oliveira, 2006). 

Manzini e Vezzoli (2005) descrevem duas dimensões de uma sociedade sustentável: (1) A dimensão econômica e produtiva e a (2) dimensão social e cultural. 

A dimensão econômica e produtiva visa construir uma sustentabilidade econômica, considerando o contexto capitalista, através do equilíbrio das forças produtivas e ecológicas. O objetivo é atingir um ponto de estabilidade, ou seja, onde se possa manter a sustentabilidade econô- mica: empregos, salários, consumo, de forma equilibrada com os aspectos ecológicos, relacionados à preservação e manutenção dos recursos naturais. Desse princípio nasce o nosso conceito de desenvolvimento sustentável. A dimensão social e cultural seria um processo de mudança de consciência, um novo olhar do mundo, novos estilos de vida, de consumo e de bem estar, ou seja, uma descontinuidade de modelos sociais consolidados em busca de um novo modelo, que possam promover uma sustentabilidade em uma escala global, através de comunidades cada vez mais interconectadas por um objetivo comum. Isso envolve todos os fatores humanos: ética nos negócios, responsabilidade social e responsabilidade ambiental (Melo Neto e Brennand, 2004). 

Manzini e Vezzoli (2005) apontam quatro níveis fundamentais de interferência do design: (1) O redesign ambiental existente (2) Projeto de novos produtos ou serviços que substituam os atuais (3) Projeto de novos produtos-serviços intrisicamente sustentáveis e (4) Proposta de novos cenários que correspondam ao estilo de vida sustentável. 

Um ponto importante a ser observado é a relação entre: (1) o tempo da natureza em gerar ou renovar um recurso (2) o tempo de consumo, que corresponde ao tempo de utilização dos produtos (do uso ao descarte) e (3) o tempo de reabsorção ou transformação dos resíduos pela natureza. O que observamos é um profundo descompasso nessas relações de tempo, que podem chegar ao extremo no caso de produtos como copos, garrafas e sacolas descartáveis. Eles são desenvolvidos normalmente a partir de termoplásticos como poliestireno (PS) e Polietileno de baixa Densidade (PEBD), derivados do petróleo, que possui um tempo de geração e renovação na natureza na casa dos milhões de anos, pode ter um tempo de consumo na casa de segundos e um tempo de reabsorção pela natureza na caso das centenas de anos. Esse descompasso, juntamente com a dificuldade para se encontrar reservas de petróleo em alta profundidade, vem fazendo com que a indústria do petróleo preveja a sua escassez em torno de 40 anos. Existe uma teoria bem interessante que diz que um sapo tem reações diferentes quando colocado diretamente em contato com a água quente e quando a água vai esquentando lentamente. Acredito que isso tem uma relação direta com a situação que estamos vivenciando, o problema vem sendo percebido e alertado ao longo das últimas décadas e temos percebido uma reação de relativa inércia em relação à gravidade do problema. 

Existem diversos caminhos sugeridos por diversos estudos para que a sustentabilidade deixe de ser apenas um discurso, passando a se tornar uma lista de possibilidades prática e viáveis de serem alcançadas. Podemos sintetizar essas diretrizes nos seguintes itens:

1. Facilitar desmontagem e separação para favorecer a reciclagem dos materiais e reutilização dos componentes. 

2. Projetar novos produtos ou serviços que possam ser mais favoráveis ecologicamente 

3. Favorecer o uso de recursos renováveis e reduzindo e otimizando o uso de recursos não renováveis. 

4. Favorecer a implantação de soluções que favoreçam o coletivo em detrimento de soluções individuais. 

5. Favorecer o uso de recursos e soluções locais em detrimento a uso de outros recursos. 

6. Prolongar ao máximo o ciclo de vida dos produtos mantendo sua eficiência ecológica, através da reposição, adaptação, atualização, reutilização, remanufatura. 

7. Incentivar a desmaterialização e o sentido de posse individual, através do uso coletivo e substituição de produtos por serviços.

Alguns caminhos de sustentabilidade baseados nessa problemática apontam para o emprego dos princípios da: (1) biocompatibilidade e dos biociclos, ou seja, uso de sistemas produtivos baseado em recursos inteiramente renováveis, dentro dos níveis de renovação natural e que possam ser inseridos em sistemas naturais de biodegradação (como lixões) ou acelerados através de técnicas como compostagem. (2) tecnociclos, desenvolvimento de sistemas de produção fechados, onde todos os resíduos são reaproveitados dentro da própria cadeia produtiva como matéria prima ou energia, fazendo com que a exploração de recursos naturais virgens tenda a zero. (3) Ecologia industrial, onde um conjunto de indústrias se aglutina e compartilha recursos comuns, ou seja, recursos que seriam descartados por uma, passar a ser fonte de matéria prima para outras, explorando o mínimo de recursos virgens (retirados da natureza) e diminuindo ao máximo a quantidade de refugos industriais que seriam descartados.

2. Soluções sustentáveis 

Um dos caminhos mais importantes para a ampliação do desenvolvimento de produtos sustentáveis é a difusão de conhecimentos dentro de uma comunidade ou entre os profissionais envolvidos na cadeia de desenvolvimento. Além dos caminhos tradicionais como: publicação em artigos, revistas, periódicos, outras alternativas estão sendo exploradas como: (1) criação de comunidades e portais como: Center for sustainable design do grupo AIGA (http://www.sustainability.aiga.org/); Global Green USA (http://www.globalgreen.org/greenbuilding/index. html); Score Network (http://www.score-network.org); The Centre of Sustainable Design (http://www.cfsd.org. uk) Ambiente virtual de aprendizagem de arquitetura e design da UFSC (http://www.ead.ufsc.br/hiperlab/ avaad/moodle/prelogin); Núcleo de Design e Sustentabilidade da UFPR (http://www.design.ufpr.br/nucleo/); programa para o ambiente da UNEP (http://www.unep. org/) (2)softwares como: ECO-it, Cathedra (3) simpósios específicos locais como: o I Simpósio Brasileiro de Design Sustentável (SBDS | Curitiba, 2007) e (4) exposições de produtos e diretrizes de qualidade industrial como: QFE (Design for Environment), DFD (Design for desassembly), DFS (Design for service), (Rozenfeld, 2006).

A comunidade produtiva mundial tem adotado algumas soluções sustentáveis, no que se refere à utilização de materiais naturais orgânicos, como é o caso das madeiras, entre as quais estão: O uso de madeiras processadas como: madeiras aglomeradas, MDF’s (médium density fiberboard), Madeiras reconstituídas (Celotex, Eucatex e Duratex) e OSB’s (Oriented Stand Board), projetos utilizando madeiras sarrafiadas e machetaria e a pró- pria orientação de uso através de classificações em: (1) Madeiras reflorestáveis (Eucalipto citriodora, Eucalipto Grandis, Greviléia robusta, Pinus eliotis, Teca,…) (2) Madeiras Nativas Recomendadas (Andiroba, Castelo, Goiabão, Ipê, Jacareúba, Jatobá, Louro Faia, Macaúba, Marupá, Muacatiara, Muicapiranga, roxinho) (3) Madeiras Nativas (em preservação do IBAMA), Canela, cedro, freijó, mogno, pau-ferro, pau marfim, peroba, sucupira, Vinhático,...), (Magalhães, 2006). Isso tudo contribui para que possamos compartilhar informações que favorecem a adoção de soluções sustentáveis no design de produtos.

4. Case: Intervenção do design em um sistema produtivo local 

Manzini e Vezzoli (2005) define que o papel do design industrial pode ser sintetizado como a atividade que, ligando o tecnicamente possível com o ecologicamente necessário, faz nascerem novas propostas que sejam socialmente e culturalmente apreciáveis. Isso faz com que o design seja o fator central da humanização inovadora de tecnologias, um fator crucial para o intercâmbio cultural e econômico (ICSID, 2006). 

A partir da dimensão econômica e produtiva, tratada anteriormente, onde se visa construir uma sustentabilidade econômica a partir do equilíbrio de forças produtivas e ecológicas, desenvolvemos um projeto de intervenção do design em uma pequena empresa do setor produtivo local. O intuito seria aplicar os conhecimento design e os princípios de sustentabilidade, de forma a contribuir para o melhor posicionamento da empresa no mercado, bem como melhorar a qualidade dos produtos e do processo produtivo como o todo. 

Manzini e Vezzoli (2005) tratando do papel das empresas, afirma que para as empresas possam agir verdadeiramente como agentes da sustentabilidade, usando da melhor maneira os recursos que dispõem, é necessário que as suas atividades sustentáveis sejam orientadas e traduzidas no caminho da competitividade. Em nosso caso específico, a competitividade viria não apenas de uma visão puramente econômica e capitalista, mas da valorização do processo produtivo artesanal e da cultura local, da missão social da empresa e da valorização do produto produzido em concordância com os princípios de sustentabilidade social e ecológica. 

A empresa escolhida foi a Art Gravatá, uma pequena fá- brica de brinquedos educativos situada em Gravatá-PE (80 km do Recife) e o projeto ficou intitulado de “intervenção do design no processo produtivo e brinquedos educativos da Art Gravatá”. A empresa funciona em regime de cooperativa e os membros fazem parte da associação círculo dos trabalhadores cristãos de Gravatá. Uma empresa que além de produzir brinquedos para uma finalidade valiosa, que é a educação, mantém uma escola de marcenaria e outra do primeiro grau para crianças carentes. Tínhamos em mão um bom produto, porém grandes desafios.

Como a intervenção se tratava de uma disciplina que se transformou em projeto de extensão universitária, tínhamos como objetivo primário a integração da formação acadêmica com a necessidade das comunidades. Nesse ponto, contávamos apenas 01 aluna bolsista de extensão e 01 aluno voluntário orientados por mim e é claro muita vontade de corrigir problemas da empresa já verificados anteriormente durante a disciplina projeto de produto (pertencente à graduação em design), primeira fase do projeto. Entre os princípios que norteavam intervenção estavam:

Objetivos gerais: 

1. Fortalecer a missão da empresa e ampliar a visibilidade de seus produtos, fortalecendo a visão de sua finalidade educativa. 

2. Analisar e propor alterações incrementais no sistema produtivo. 

3. Ampliar a linha de brinquedos educativos a partir de novas demandas de mercado. 

4. Desenvolver embalagens e mobiliário que melhorasse a visibilidade dos brinquedos e favorecesse a interação das crianças com os produtos educativos em lojas e exposições. 

5. Ampliar a rede de relações com consumidores e ONG’s que poderiam favorecer a vendas através inclusive do comércio solidário.

Objetivos específicos: 

1. viabilidade produtiva dentro da realidade tecnológica da Art Gravatá, (2) utilização matéria-prima certificada e de fontes renováveis. 

2. racionalização do uso de matéria-prima e do processo produtivo 

3. direcionamento para uma demanda do mercado, possibilitando a geração de renda através da comercialização dos produtos criados. 

Com a finalidade de conhecer a realidade da empresa foram realizadas visitas periódicas à fábrica e entrevista com os cooperados, a partir de uma metodologia de trabalho colaborativa e participativa, onde as idéias eram tratadas, discutidas e aprovadas com a participação de todos. Os bolsistas e alunos passaram a compreender melhor os processos e as técnicas produtivas, o maquinário disponível, as matérias-primas utilizadas, as necessidades da empresa, o imaginário dos funcionários e cooperados e assim, coletaram todos os dados necessários para o desenvolvimento do projeto. 

Na primeira fase, ainda dentro da disciplina, foram desenvolvidos proposta de brinquedos educativos que pudessem atender as novas demandas de mercado e abrir novas redes de relacionamento para venda de produtos da empresa. Os alunos deveriam visitar escolas, centro de reabilitação, institutos, universidades e realizar entrevistas com professores, profissionais e alunos, para que pudessem ser levantadas demandas e dados para o desenvolvimento de seus projetos. 

A partir daí, seguindo as fases tradicionais das metodologias de design (análise, desenvolvimento e realização), foram desenvolvidas diversas propostas de brinquedos, como um brinquedo de montagem 3D direcionados a portadores de necessidades especiais, um relógio para o aprendizado de horário em inglês, brinquedos para o aprendizado de matérias escolares, brinquedos sociais e direcionados à coordenação motora. Sendo ao final desenvolvido um piloto de produção para cada um dos produtos desenvolvidos, ou seja, protótipos desenvolvidos com mesmo processo produtivo do produto final, visando avaliar o desempenho de tempo e custo, e conseqüente validação do produto à produção dentro da realidade produtiva da Art Gravatá. 

Durante a fase de levantamento, realizada na Art Gravatá, percebemos que as necessidades da empresa iam muito além da ampliação da linha de brinquedos educativos. Existiam necessidades emergenciais de: (1) gerenciamento da produção: aproveitamento de matéria prima, fluxo da linha de produção, segurança de trabalho, aquisição de matéria prima,... (2) marketing da empresa: site na internet, a marca, embalagens, folders, catálogo, mobiliário voltados para interatividade com os brinquedos no ponto de venda, vendedor comercial,... (3) Linha de brinquedos voltados para adultos, visando o mercado internacional, aberto a partir da exportação de brindes para empresas na Holanda. 

Durante a fase extensionista, procuramos atender os pontos que considerávamos prioritário, já que o tempo e os recursos que tínhamos a nossa disposição eram escassos. Concentramos a atenção e os esforços nos seguintes pontos: (1) o desenvolvimento do site da empresa e registro de seu domínio www.artgravata.com.br, já que a mesma só possuía um photolog e não tinha ainda o domínio (2) Redesign da marca da empresa, tornando mais moderna e infantil, (3) criação de toda linha de material gráfico como: folders, catálogos, cartões, já que os mesmos eram antigos, estavam acabando e a empresa já não possuía mais a arte original para novas impressões (4) fluxo produtivo, racionalização de matéria-prima, segurança, redução de tempo, energia e conseqüente custos produtivo, além da priorização de fornecedores locais e uso de matérias primas de fontes renováveis. (5) mobiliário para exposição e interação das crianças com os brinquedos educativos, contribuindo para uma melhor compressão da finalidade educativa dos brinquedos, ampliando a sua visibilidade, favorecendo as vendas e um conseqüente aumento nas encomendas de produtos da empresa. 

5. Contribuições e conclusão 

Acreditamos com essa intervenção termos evoluído na compreensão do papel social e sustentável do designer, não pelo esgotamento dos problemas da empresa, mas por ter contribuído com aumento da sua visibilidade e do número de clientes, que agora compreendem melhor a sua missão. Além da melhoria incremental dos produtos e processos.

Esse projeto gerou um aprendizado valioso, não apenas pelo sentido acadêmico, mas, sobretudo pelo sentido humano e projetual. A equipe de designers envolvida ampliou a sua capacidade de projetar melhores soluções diante de grande quantidade de limitações, exercendo uma capacidade primordial ao design sustentável, a desenvolver soluções simples, que não devem ser confundidas aqui com simplórias (como dizia um antigo professor universitário) e sim soluções que fazem mais com menos. No sentido humano, acredito que as contribuições vão além do que pode ser descrito, talvez aí repouse boa parte da compreensão do termo sustentabilidade, um caminho de amor à vida e aos outros. 

Esse artigo contribui para que possamos compreender como as diretrizes da sustentabilidade podem ser aplicadas a uma realidade local, a partir de uma intervenção do design, que a nosso ver deve ser personalizadas, ou seja, observando caso a caso as necessidades específicas de cada empresa, o que abre as expectativas e possibilidades de atuação do designer. 

Acreditamos que as experiências de sucesso locais podem e devem ser ampliadas a outras dimensões sociais, fazendo com que essas experiências das pequenas indústrias, artesanais ou semi-artesanais possam ser compartilhadas com as indústrias de grande e médio porte e vice-versa, contribuindo para a ampliação de experiências sustentáveis locais e globais.

Referências 

Birkeland, J. (2005). For Sustainability: a sourcebook of integrated eco-logical solutions. London: EarthScan. 

Kazazian, T. (2005). Haverá a idade das coisas leves. Tradução Eric Roland Rene Heneault. São Paulo: Editora SENAC SP. Lima, M. (2006) Introdução aos materiais e processo para Designers. Rio de Janeiro: Ciência Moderna. Melo Neto, F y Brennand, J. (2004). Empresas Socialmente Sustentá- veis: o novo desafio da gestão moderna. Rio de Janeiro: QualityMark. Manzini, E y Vezzoli, C. (2005). O desenvolvimento de produtos sustentáveis. Tradução Astrid de Carvalho. 1 ed 1 reimpr. São Paulo: Ed da USP. 

Moggridge, B. (2006). Designing Interactions. Mit Press. 

Oliveira, M. (2006). Associativismo e Cooperativismo no desenvolvimento local. In associativismo e desenvolvimento local. Santos, Maria Salett Tauk e Callou, Ângelo Brás Fernandes (organizadores). P. 171. Recife: Bagaço. 

Rozenfeld, H; et al. Gestão de desenvolvimento de produtos: uma referência para melhoria do processo. São Paulo: Editora Saraiva 2006. 

Schiavo, M. (2004). Glossário Social. 3ª ed. p. 98-99. Rio de Janeiro: Comunicarte. 

Walker, S. (2006). Sustainable by Design. London: EarthScan

Abstract:

This article reflects on the role of design in the development of sustainable products and processes, discussing how some recommendations and guidelines of sustainability can be applied to a local context. We believe that the experiences of large and small industries can be reapplied and shared to increase awareness on sustainable solutions. From this vision, we will present the case of a university extension project entitled “Intervention design in educational toys and production processes of the Art Gravatá” where were applied sustainable guidelines. We will analyze the results and some experiences that can be reapplied for other dimensions.

Key words:

sustainability - product - sustainable design - educational toys - sustainable processes

Resumo:

Esse artigo faz uma reflexão sobre o papel do design no desenvolvimento de produtos e processos sustentáveis, discutindo como algumas recomendações e diretrizes gerais de sustentabilidade podem ser aplicadas a um contexto local. Acreditamos que as experiências de grandes e pequenas indústrias podem ser reescaladas e compartilhadas para ampliação do conhecimento em soluções sustentáveis. A partir dessa visão, apresentaremos um case de um projeto de extensão universitária, intitulado “Intervenção do design nos brinquedos educativos e processos produtivos da Art Gravatá” onde foram aplicadas diretrizes gerais sustentáveis. Analisaremos os resultados obtidos e algumas experiências que podem ser reescaladas para outras dimensões.

Palavras chave:

Sustentabilidade - Produto - Design Sustentável - Brinquedos educativos - Processos sustentáveis

(*) Paulo Roberto Silva. Msc Design/UFPE. Manoel Guedes Alcoforado Neto. Doutorando Design/DINTER-UNESP-UFPE. 


Design sustentável: integrando experiências locais e globais fue publicado de la página 124 a página128 en Actas de Diseño Nº25

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