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Vestuário e infância: entre a adequação e as determinações sociais

Aguiar Barbosa, Rita Claudia; Quedes, Walkiria

Actas de Diseño Nº5

Actas de Diseño Nº5

ISSN: 1850-2032

III Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo" Comunicaciones Académicas. Julio y Agosto 2008, Buenos Aires, Argentina.

Año III, Vol. 5, Julio 2008, Buenos Aires, Argentina. | 259 páginas

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Resgatando os antecedentes históricos da infância

O conceito referente à infância é relativamente novo na história da humanidade. Somente no final século XVI, a criança passa a ser olhada como um ser com características específicas a essa fase da vida. Porem e no século XIX que a infância se constitui como uma categoria socialmente construída. Em cada período da história da humanidade a sociedade privilegia mais uma idade do que outra. A infância teria sido valorizada no século XXI.

O historiador Philippe Áries relata em sua obra a história social da infância e da família, em 1960, que durante muitos séculos a construção do sentimento de amor pelas crianças era inexistentes. Suas pesquisas através de fonte histográficas e iconográficas da Idade média, retrata que as crianças eram consideradas como adultos em miniatura um ser que não se distinguia do adulto.

O homem na idade média tinha sua vida regida pela religião, fenômenos da natureza, astrologia, lendas e mitos. Esses elementos influenciavam a sociedade nas decisões de produção, em seus ritos, assim como na representação das idades da vida.

Segundo Áries (1986) as forma de representar a cronologia humana passou por várias mudanças, indicando diferentes formas de representar as idades da vida. Tais representações constituíam-se muitas vezes de conotações abstratas, e que na idade média um dos parâmetro utilizado foi a astrologia. E assim as diferentes fases da vida eram divididas em sete que representava os planetas.

As quatro primeiras eram: a primeira idade ia até os sete anos e era denominada de “infância”; a segunda chamava-se pueritia que se estendia até os 14 anos; depois vinha a adolescência que terminava aos 21; e a quarta fase era considerada juventude que findava aos 45 ou 50 anos.

É evidente que nesse período da humanidade poucas eram as crianças que conseguiam atravessar todas as fase da vida. Período de guerras e de doenças, a Europa era castigada com a morte de sua população. Como exemplo, temos a o ocorrido em meados do século XIV, uma doença, peste Negra ou bubônica, devastou a população européia. Alguns historiadores asseguram que aproximadamente um terço dos habitantes morreram desta doença. Transmitida através da picada de pulgas de ratos doentes a doença contou para a sua rápida disseminação com as precárias condições de higiene das cidades medievais.

E interessante ressaltar que o descaso ou até mesmo a desvalorização a criança antecede a idade media. Na antiguidade a prática do infanticídio e do abandono era comum em todas as classes de renda. Cabia ao pai a decisão quanto ao destino do menor A primeira herança da Antigüidade não é nada boa: a vida da criança no mundo romano dependia totalmente do desejo do pai. O poder do pater familias era absoluto: um cidadão não tinha um filho, o tomava. Caso recusasse a criança –e o fato era bastante comum– ela era enjeitada. Essa prática era tão recorrente que o direito romano se preocupou com o destino delas. E o que acontecia à maioria dos enjeitados? A morte. O status da criança nessas sociedades era praticamente nulo. Sua existência dependia do poder do pai: se fosse menina ou nascesse com algum problema físico, poderia ser rejeitada.

Seu destino, caso sobrevivesse, era abastecer os prostíbulos de Roma e o sistema escravista. Até o final da Antigüidade as crianças pobres eram abandonadas ou vendidas; as ricas enjeitadas –por causa de disputas de herança– eram entregues à própria sorte (COSTA, 2006).

Considerando a ausência de sentimento moderno de infância (até aproximadamente o século XVII), é evidente que as essas não eram vistas nem tratadas como um ser em desenvolvimento, com características psicossociais próprias a sua idade ,sendo vistas como homens pequenos onde a vida cotidiana se dava ao meio da vida dos adultos sem separação. Essas por volta dos 7 anos, quando já adquiriam uma certa autonomia de sobrevivência passavam a dividir com os adultos tarefas, lazer e outras atividades.

Tais questões são discutidas por Heywood (2004) que ao resgatar o trabalho de Áries cita que no momento em que as crianças tivessem condições de sobreviver sem os cuidados da mãe ou ama, entre as idades de 5 e 7 anos, eram lançadas na “grande comunidade dos homens.” Elas se juntavam aos adultos em seus jogos e passatempos e, fossem cortesãos ou trabalhadores, adquiriam um ofício ao se lançar em suas rotinas cotidianas, vivendo e trabalhando com quem já houvesse adquirido as condições necessárias a praticar essas atividades.

Rocha (2002) chama a atenção sobre a infância e seu cotidiano no período medieval ...as crianças foram tratadas como adultos em miniatura: na sua maneira de vestir-se, na participação ativa em reuniões, festas e danças. Os adultos se relacionavam com as crianças sem discriminações, falavam vulgaridades, realizavam brincadeiras grosseiras, todos os tipos de assuntos eram discutidos na sua frente, inclusive a participação em jogos sexuais. Isto ocorria porque não acreditavam na possibilidade da existência de uma inocência pueril, ou na diferença de características entre adultos e crianças. (Rocha, 2002, p. 51).

No século XVII, chegamos mais próximos a nossas noções contemporâneas de infância do mundo ocidental.

Os pensadores desse período afirmaram com segurança que as crianças são importantes em si, em vez de serem simplesmente adultos imperfeitos. Para alguns deles, como Rousseau, as crianças tem características próprias nessa fase de vida como pensar, sentir e raciocinar.

Heywood (2004) mostra essa noção de Rousseau: A infância tem formas próprias de ver, pensar, sentir, e, particularmente sua própria forma de raciocínio, “sensível”, ”pueril”, diferentemente da razão “intelectual” ou “humana” do adulto. Os muitos jovens não deveriam ter o encargo da distinção entre Bem e Mal. Como inocentes, poderia-se deixar que respondessem à natureza, e nada fariam que não fosse bom, podendo fazer mal, mas não com a intenção de prejudicar (Heywood,2004, p.38) A concepção romântica de infância, que surgiu pela primeira vez durante o final do século XVIII e início do século XIX, trouxe uma mudança sutil na noção de inocência defendida por pensadores anteriores. Os românticos, ao contrário, apresentavam as crianças como “criaturas de profunda sabedoria, sensibilidade estética mais apurada e uma consciência mais profunda das verdades morais duradouras”, para citar o historiador de literatura David Grylls (Heywood, 2004).

O século XX constitui-se de um século de grandes transformações em várias áreas do conhecimento humano.

Com relação a infância passou-se de um período de um sentimento inexistente, até ao século 17, para uma época de extrema exaltação da infância e chega-se ao final do século XX e inicio do XXI com uma infância reduzida.

Temos então o apogeu da Adolescência e nunca em toda a história da humanidade se exaltou tanto essa fase de vida.

De acordo com Heywood (2004) a roda deu um giro completo desde a época medieval, com o “desaparecimento” da infância durante o final do século XX. Niel Postman seguiu Áries ao supor que a idéia da infância uma invenção relativamente moderna, e, a seguir, tentou atualiza-la (em 1982) ao observar que, para toda parte que se olhe, se pode ver que o comportamento, a linguagem, as atitudes e os desejos- até mesmo a aparência física- dos adultos e das crianças estão se tornando cada vez mais indistinguíveis.

Chegamos ao século XXI com uma infância cada vez mais reduzida. De uma época inexistente transcorremos pelo um período de grande exaltação, e chegamos hoje tão precocemente ao final da infância. O ingresso da criança cada vez mais cedo em espaços fora do lar, como creches e berçários, se torna uma realidade cada dia mais freqüente. A convivência, antes restrita a casa e família nos primeiros anos de vida, conta agora com um universo bem mais amplo. Vocabulário, alimentação, vestuário, lazer, etc., são fortemente influenciados por fatores externos como a mídia.

A evolução da moda infantil

As pinturas do século XVI ao XIX, retratavam as crianças vestidas e enfeitadas como adultos em miniaturas.

Os sentimentos expressos na face, a posse, assim como a musculatura, mostravam que não existia distância do mundo das crianças e dos adultos. A criança exercia dentro da organização social as atividades impostas aos mais velhos, variando essas de acordo com a condição social da família. Para as famílias nobres aos 7 anos eram levadas a ter aulas como de escrita, e música. Já para a menos abastadas, restavam as tarefas da economia familiar, e o aprendizado e ajuda em nos ofícios dos pais.

Como a vida cotidiana era vivenciada sem separação do adulto, é evidente que o vestuário refletisse essa situação o primeiro ano de vida das crianças era uma verdadeira tortura. Da cabeça aos pés elas eram totalmente envoltas em faixas que mantinham o corpo aquecido e davam sustentação. De um a cinco anos de idade, usavam túnicas simples, de cor única (preta, vermelha ou marrom), com fendas laterais para facilitar o movimento das pernas, sem distinção entre menino e menina. Da simples túnica quase monástica, passou-se a um modelo mais produzido, totalmente abotoado (Marco, 2002).

Rufos elaborados, armadura, jóias, saia com volume e pesadas, assim como roupas extremamente bordadas, eram utilizadas sem distinção pelas crianças e adultos.

É evidente que com essa indumentária a criança estava impossibilitada de exercer as atividades que hoje é exercida por nossas crianças.

Em grandes obras de arte desse período, vemos crianças pequenas vestindo roupas desconfortáveis, com golas franzidas, anquinhas, calções bufantes, mangas cheias de ornamentos, saias compridas e pesadonas e até espartilhos.

Também exigia-se que os pequeninos nobres usassem complementos como sapatos de salto alto e chapéus enfeitados com pequenas flores.

Conforme constata Áries (1981,p.69) A indiferença que existiu ate o século XIII (...) pelas características próprias da infância não aparece apenas no mundo das imagens: o traje da época comprovava o quanto a infância era então pouco particularizada na vida real. Assim que deixavam os cueiros, ou seja, a faixa de tecido que era enrolada em torno de seu corpo, ela era vestida como os outros homens e mulheres de sua condição.

Essa situação começou a modificar-se paulatinamente no século XVII. Foi somente porém a partir do século XVIII que as roupas se tornam mais leves e com uma conotação infantil.

È o inicio da liberação da modelagem dos trajes infantis, que começa no final do século XVIII e início do século XIX, graças às idéias do filósofo, sociólogo e pedagogo Jean - Jacques Rousseau, para quem a infância era um estado natural e com características próprias. Ele reivindicava que as crianças não deveria ser encaradas como adultos em tamanho reduzido. Dizia que o melhor para as crianças era o uso de batas durante o maior tempo possível e, então, prover-lhes roupas folgadas, sem tentar definir as formas. (Gontijo, 1987) As idéias de Rosseau influenciaram positivamente o uso adequado do vestuário infantil. Com o apoio de grande parte da sociedade tem-se a utilização de tecidos mais leves, e cores mais claras. As roupas assim passaram a ter materiais, modelagem e design mais apropriada a criança.

Jean Jacques Rousseau provocou por volta de 1762 uma verdadeira revolução na vestimenta infantil. Rousseau que combatia a moda que não dava liberdade às crianças, teoria que tinha apoio de educadores, médicos e filósofos. Este movimento, lentamente, influenciou a adoção de tecidos leves e cores mais claras, eliminando as armações das saias. (Rocha, 2002) Moutinho (2000) afirma, que essa liberdade na modelagem infantil perdurou até 1860. Desse período até o ano de 1900, as roupas voltaram a ficar desconfortáveis, principalmente na modelagem das roupas femininas.

A forma passou a ser a mesma das modelagens adultas, apenas o comprimento variava entre a altura dos tornozelos e / ou abaixo dos joelhos. Embora houvesse famílias que adotavam para os filhos uma moda mais informal. Porém, a roupa “oficial” era a de estilo marinheiro, usada por meninos e meninas. A única diferença era que as meninas usavam saias com modelagem pregueada. No inverno, usava-se azul-marinho e o preto debruado de branco e, no verão, ao contrário (branco com debrum escuro). Essa moda foi inspiradas na popularização da prática dos banhos-de-mar, pelos adultos que usavam trajes de banho listrados de azul-marinho e branco.

No início do século XX, surgem para as meninas os vestidos com modelagem mais cintada, conhecidos como “rober à l’americaine”. Os meninos vestiam culotes com meias curtas e jaquetas, e, eventualmente, eram com padrões escoceses.

As décadas de 10 e 20 do século XX, alteram profundamente o estilo de vida das crianças, com as modelagens de vestidos curtos, soltos e mangas curtas para as meninas; e os meninos passaram a usar calções curtos, ao estilo dos escoteiros. Com isso, fica assegurada a liberdade e o conforto das modelagens infantis e as crianças ganharam mais liberdade para brincar.

Assim , partindo do séculos em que as crianças se vestia como adulto, chegamos ao traje especializado da infância que nos e familiar. Observa-se porem que o final do século XX, trouxe muitas mudanças no vestuário infantil.

Mesmo as sociedade com um forte sentimento de infância, as roupas passaram a apresentar fortes características da dos adultos.

Uma proposta para o vestuário infantil

Os estudos existentes referentes ao Vestuário mostram que o mesmo sofre influencia do momento histórico em que está inserido, do espaço geográfico, e de diversas categorias culturais como idade, raça, etnia, sexo e religião.

É evidente que as diversas formas de produção desse produto variaram ao longo da história da humanidade.

Observa-se, que foram vários os recursos e técnicas utilizadas na produção da roupa. Na medida que temos um avanço nas forças produtivas sociais os processos de produção da roupa são alterados e a própria vestimenta muda seja nas suas formas estéticas seja nas suas praticas de uso.

Quando contemplamos o vestuário no que diz respeito a sua modelagem tornara-se importante considerar as várias modificações que o mesmo apresentou em épocas e lugares. Nem sempre o melhor design era o mais adequado para o uso. É sabido que o vestuário desde os seus primórdios é um elemento utilizado em todos as culturas como proteção, pudor e enfeite.

As primeiras vestes tinham a necessidade de proteger o corpo, constituindo-se de peles adquiridas pela a atividade da caça. A princípio, simplesmente jogadas sobre o corpo, com pelos, mais tarde com a descoberta da técnica de curtimento e das agulhas de osso, surgem as primeiras manifestação de modelagem, pois segundo Laver (1996), essas descobertas permitiram que as peles fossem cortadas e modeladas no corpo, tornando possível costurá-las.

Observa-se que mesmo em períodos remotos da história da humanidade, a medida que o homem desenvolve seus instrumento de trabalho, desenvolve-se com ele a necessidade de produzir o vestuário de uma maneira adequada ao seu corpo num sentido que lhe permitisse os movimentos necessários para as atividades cotidianas.

A modelagem surgem assim como um elemento de suma importância na produção do vestuário na medida em que esta tende a adaptar a roupa ao corpo que a veste. Nesse sentido, faz-se necessário quanto ao vestuário infantil, que a modelagem seja elaborada de forma a proporcionar conforto e liberdade de movimentos às crianças.

As roupas infantis devem estar de acordo com o desenvolvimento físico, personalidade e atividades praticadas pelos infantes. Roupas apropriadas contribuem para a formação do seu caráter e encorajam seu acesso à responsabilidade e cooperação.

O design da roupa infantil requer conforto tanto na modelagem como nos tecidos utilizados. Criança precisa de liberdade de movimentos para andar, correr, pular, brincar e roupas desconfortáveis dificultam esses movimentos podendo até acarretar problemas de saúde, como postura, reações alérgicas, má circulação causada por roupas apertadas, de transpiração por tecidos com má condutibilidade de calor, problemas psicológicos pela imposição dos pais ao fazer a criança usar roupas desconfortáveis e inadequadas, entre outros.

A tendência atual, segundo Araújo (1996), é no sentido de as empresas utilizarem o “design” com o objetivo de mais eficazmente produzirem “ o produto certo, para o mercado certo, na altura exata”. Neste contexto, a modelagem no design do vestuário, tem o dom de modernizar, dar leveza e embelezar a criação. Sair do papel e tornar-se tridimensional, é o passo para a concretização do sonho. As proporções devem ser estudadas com carinho, para que o detalhe escolhido seja realmente valorizado e todo o restante da obra sirva de suporte para este detalhe.

Souza (1999), entende o design como uma atividade projetual que propõe formas alternativas para produtos. É um processo de inovação que se busca de várias formas, sendo pelo menos três de responsabilidade direta dos designers: o uso de novas tecnologia e/ou materiais, atendimento à novas demandas de funcionalidade e atendimento às novas demandas estéticas ou simbólicas.

As roupas precisam para ter melhor caimento e conforto de movimentos uma modelagem adequada ao usuário, pois a criança contemporânea, é muito exigente, determinada, observadora, e têm acesso fácil a todo o tipo de informação. No momento em que a roupa infantil vem sendo apresentada como miniatura da roupa adulta, nem sempre adaptada a realidade da criança, devemos criar coleções para brincar, pular, correr, usar, sair... com a qualidade e resistência necessárias, dentro das tendências da moda, nas cores, formas, texturas, aviamentos, com tecidos diferenciados, que apresentam toque sedoso, confortáveis, flexíveis, com lavagens de amaciamento, além de práticos de lavar e passar.

Inserido na indústria de confecção está o setor de modelagem, que trata-se de um setor de grande importância para o desenvolvimento do produto e é responsável pela elaboração do design dos moldes para o corte e fabricação das peças, tendo como técnico responsável, o modelista. O papel do modelista na história da moda é de fundamental importância, é um artesão que trabalha com gráficos que modelam um corpo, e essa experiência é insubstituível, mesmo diante da tecnologia inserida no mercado confeccionista.

O modelista, segundo Araújo (1996), é o interprete de uma linguagem muito especial, baseado no desenho e anotações de estilistas e comerciais. O seu objetivo consiste em produzir moldes, que após o tecido ter sido cortado e montado reproduzam o desenho e estejam de acordo com as medidas. A tabela de medidas é imprescindível para a criação da base, e a partir desta base, fazer a diferença, porque a moda muda e novas modelagens se fazem necessárias, desde que mantidas as bases e obedecendo a tabela de medidas, pois o consumidor deve confiar que a modelagem cairá bem.

É, portanto, de responsabilidade do modelista adaptar as medidas da tabela conforme o modelo da roupa que será utilizada pelas crianças e de responsabilidade de quem cria os modelos, de determinar o melhor tecido e modelos adequados à idade da criança.

Um erro que ocorre com grande freqüência, ainda segundo Araújo, relaciona-se com o tamanho dos decotes.

A cabeça das crianças é proporcionalmente maior que o corpo, quando comparada com os tamanhos de adultos e mesmo de jovens. Ocorrem muitas rejeições em blusas e camisolas de crianças pelo fato de não passas na cabeça ou passar muito apertado. Outro erro que ocorre, embora com menos freqüência, são os pijamas de criança com pé. Quando estes são muito afunilados na região dos tornozelos, o pé da criança não passa e se passar é com muita dificuldade, tornando-se uma peça incômoda, desconfortável.

As meias infantis também devem ser produzidas sem muita pressão no elástico do tornozelo, pois pode causar problemas de circulação, assim como elásticos de cintura de shorts, calças e saias.

Existem normas de ajustamento do vestuário, que Araújo define como normas que consistem na utilização de cinco conceitos: Folga, alinhamento, correr do tecido, equilíbrio e assentar. A folga deve estar presente em primeiro lugar, a fim de permitir a avaliação de outras normas.

Se não existir folga numa peça, vestí-la e assentá-la ao corpo torna-se difícil.

O alinhamento refere-se geralmente ao sentido das costuras, centros e contornos da silhueta de uma peça do vestuário. O correr do tecido é o sentido que o tecido toma o corpo, determinado pela direção em que o molde é colocado no risco. O equilíbrio é a inter-relação das diferentes partes da peça umas com as outras, incluindo a forma como caem no corpo do utilizador. O assentar de uma peça, devido à sua dependência na postura e configuração do corpo, é talvez a característica menos óbvia em qualquer parte da peça. Assentar bem consiste na ausência de rugas numa peça quando vestida.

Seguindo-se estas e outras regras básicas, as modelagens infantis proporcionarão, além de um produto com qualidade estética, o conforto necessário para dar liberdade de movimentos às crianças. Cabe aos estilistas, figurinistas ou desenhistas de moda, aliar estas técnicas aos modelos por eles criados. Modelos que tenham viabilidade técnica e que tragam a beleza e o conforto necessário de que as crianças necessitam, sem esquer que criança deve vestir-se de acordo com a sua idade e as transformações que ocorrem com seu corpo a medida que vão crescendo.

Algumas reflexões finais Esse trabalho sobre o vestuário infantil, numa perspectivar histórica da construção da infância, mostra que as crianças tiveram somente um período muito curto da história utilizando roupas adequadas para essa fase da vida.

Conclui-se que a criança do século XXI, no que diz respeito ao vestuário, é o adulto em miniatura da idade média.

Referências bibliográficas

- Araújo, Mario. Tecnologia do Vestuário. Lisboa. Fundação Gulbenkian, 1996.(p.92 a 121)

- Ariés, Phillipe. História social da criança e da família. 2a.ed. Rio de Janeiro: Companhia das Letras. 1986

- Costa, Ricardo. A educação infantil na idade mèdia. II Jornada de Estudos Antigos e Medievais: Transformação social e Educação. Universidade Estadual de Maringá, (UEM),2002. Disponível em. Acesso em: 16/10/2006

- Gontijo, Silvana. 80 Anos de Moda no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.

- Heywood, Colin. Uma história da infância. Porto Alegre: Artmed, 2004

- Laver, James. A roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo: Cia das Letras, 1996.

- Lurie, Allison. A linguagem das roupas. Rio de Janeiro: Rocco. 1997

- Marco, Reginadi. Históriada Moda Infantil. Disponível em: www.belezain.com.br/estilo/moda_infantil.asp>. Acesso em: 07/09/2006.

- Moutinho, Maria Rita. A Moda no século XX. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2000.

- Rocha, Rita de Cássia. História Da Infância: Reflexões Acerca de Algumas Concepções Correntes. Revista ANALECTA, Editora Unicentro. Guarapuava, Paraná v. 3 n 0, 2 p. 51-63 jul/dez. 2002.

- Souza, Sidney Cunha de. Introdução à Tecnologia da Modelagem Industrial. Rio de Janeiro. Senai/Cetiqt 1997.

- Souza, Sidney Cunha de. Introdução à Tecnologia da Modelagem Industrial. Rio de Janeiro. Senai/Cetiqt 1997.


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