1. Diseño y Comunicación >
  2. Publicaciones DC >
  3. Actas de Diseño Nº6 >
  4. Proyecto Superficie Marca

Proyecto Superficie Marca

Pessôa, Vicente

Actas de Diseño Nº6

Actas de Diseño Nº6

ISSN: 1850-2032

III Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo" Auspicios. Resúmenes de conferencias. Actividades Tercer Plenario del Foro de Escuelas de Diseño. Propuestas. Conclusiones. Apuntes.

Año III, Vol. 6, Marzo 2009, Buenos Aires, Argentina. | 261 páginas

descargar PDF ver índice de la publicación

Ver todos los libros de la publicación

compartir en Facebook


Licencia Creative Commons Esta obra está bajo una Licencia Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0 Internacional

Apresentação

O projeto 'Superfície Marca', ora apresentado para o Prêmio Minas Design 2007, nasce da realização de uma pesquisa de caráter acadêmico, a qual será descrita a seguir em suas diferentes etapas de desenvolvimento, produção e resultados alcançados. A leitura do texto é de grande importância para a compreensão do contexto em que se deu a elaboração do projeto 'Superfície Marca' bem como de suas características, funções e benefícios.

A proposta aqui apresentada surge então como um desdobramento dos trabalhos da pesquisa e também como uma possibilidade de aplicação dos resultados obtidos.

Introdução e fundamentação O presente trabalho é resultado de uma pesquisa iniciada em junho de 2006, quando do surgimento do interesse pela azulejaria e pela possibilidade de criação de imagens e padrões por repetição e arranjo de células/módulos.

Primeiramente foi realizado um levantamento de material bibliográfico e fotográfico para conhecimento das maneiras como a azulejaria foi utilizada até então em diferentes lugares e períodos históricos. Empregados na maioria dos casos enquanto conjunto de células organizadas para revestimento de superfícies, observou-se que o uso de células modulares para a criação de padrões era condicionado, muitas vezes, a um encaixe unidirecional das partes por apenas um dos lados do azulejo –a rotação dos mesmos, ainda que possível, impossibilitava a formação do padrão como planejado inicialmente.

A sistemática adotada, além de não projetar a rotação dos módulos enquanto pré-requisito para a formação de uma imagem, também não explorava, no momento da escolha da imagem contida no azulejo, tal possibilidade de encaixe multi-direcional para a formação de novas configurações de padrões.

A pesquisa propõem, então, uma tentativa de explorar dois momentos da produção de células/módulos e de padrões de forma simultânea, tendo as atenções voltadas para a imagem a ser produzida e também para os arranjos os quais ela formaria, através de repetição e rotação. Essa percepção simultânea é de fundamental importância no momento da confecção da imagem da célula/módulo, pois atribui uma dimensão projetual prévia acerca das possíveis combinações entre uma mesma célula/módulo. Esse tipo de pensamento articulador se fazia ausente na estruturação, enquanto unidade e conjunto, na maioria dos trabalhos em azulejaria pesquisados anteriormente.

Objetivos A pesquisa tem como objetivo a exploração das possibilidades de rotação, repetição e arranjo de uma única célula/módulo para criação de padrões diversos. É importante observar que tais padrões criados, dentro de suas delimitações de área, podem ser vistos não apenas enquanto conjunto de células organizadas, mas também como novas imagens independentes. Cada uma dessas imagens, por sua vez, pode ser lida como uma nova célula/ módulo, passível também de ser repetida, rotacionada e arranjada para criação de novos padrões. Desta forma, a célula/módulo é projetada desde o início para proporcionar possibilidades de arranjos articuláveis infinitos, estabelecendo-se assim uma relação de continuidade.

Cada maneira de organização cria características formais particulares, mas sempre partindo de uma mesma célula/módulo, o que proporciona uma relação de conexão interna no padrão criado.

Metodologia Em junho de 2006 iniciaram-se estudos acerca da construção de células/módulos e padrões tratada, antes de tudo, como um raciocínio sobre as relações de proporção numa forma geométrica eqüilátera. Após a construção das primeiras células/módulos, foram realizados estudos relacionados às possibilidades de arranjos, criação de padrões e imagens obtidas pela articulação de células/módulos.

Através dessas análises foram apontadas variações formais nos diferentes padrões criados, bem como surgimento de novas imagens pelo encaixe de células/módulos. Os dados obtidos nessa nova etapa da pesquisa conduziram à investigação da possibilidade de construção de narrativas gráficas dentro dos padrões criados, e também pelas relações estabelecidas entre diferentes padrões.

A partir de setembro de 2006 iniciou-se um segundo momento da pesquisa quando a mesma foi associada aos estudos do conceito organicista da sociedade1, de Èmile Durkheim, resultando na elaboração de um projeto de intervenção urbana denominado 'organicidade'. O projeto consistiu na produção de células/módulos reproduzidas em papel, que foram posteriormente afixados em diferentes regiões de Belo Horizonte, formando séries de padrões. Esses padrões variavam de acordo com as características do espaço, conformando-se ora enquanto superfície de 16 x 16 células, ora enquanto uma linha de células/módulos contínua, aplicados à muros, pisos, parapeitos, etc.

Como um desdobramento do projeto inicial, em novembro de 2006, células/módulos foram enviadas à Buenos Aires, Argentina, onde foram afixadas em diferentes partes da cidade por pessoas até então não envolvidas nos trabalhos da pesquisa. Ao receberem essas células, tais pessoas tinham liberdade de organização das mesmas em um espaço, conformando arranjos e padrões diferentes daqueles criados em Belo Horizonte.

Vale ressaltar que tal liberdade se faz presente independente dos participantes dessa etapa dos trabalhos estarem envolvidos no momento de produção das imagens contidas nas células/módulos.

Em dezembro de 2006 o projeto 'organicidade' integrou a exposição Acasacai, realizada no hall da Associação Mineira de Imprensa em Belo Horizonte. A exposição tinha como propósito a criação de um ambiente doméstico a partir da adoção de materiais encontrados meio ao entulho de imóveis em processo de demolição. A intervenção feita em tais materiais e a disposição dos mesmos no espaço expositivo foi aliada à criação de desenhos nas paredes e aplicação das células/módulos reproduzidas em papel formando padrões para revestimento de superfícies. Tal configuração e junção de elementos pretendia gerar a separação e identificação de diferentes cômodos domésticos criados no espaço expositivo. Nesse contexto as células/módulos sofreram alterações de cor como instrumento de diferenciação de espaços.

Nesse momento da pesquisa, tendo-se em mente questões variadas ressaltadas pelas experimentações realizadas, iniciou-se uma etapa de investigação que pensasse a aplicação desse estudo para a criação de um produto.

A proposta inicial era que esse produto estivesse inserido no universo da azulejaria –ponto de partida de todo o trabalho. Os baixos custos de manutenção, a alta resistência quando exposto ao tempo, a facilidade de limpeza e o valor agregado ao imóvel são os principais motivos para a utilização de azulejos, porém, em relação a outros métodos de acabamentos, o azulejo possui um elevado custo inicial.

A escolha dos azulejos também foi influenciada pelo envolvimento do autor com o universo da cerâmica, resultado do trabalho no atelier do artista Máximo Soalheiro iniciado durante o projeto Tipografia/Cerâmica e que se estende até hoje. O projeto de união dos universos da gráfica e da olaria, resultou em um livro e exposições em diferentes cidades. Dentre elas, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo e no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.

Em janeiro de 2007 foram iniciados estudos que buscavam apurar a viabilidade técnica e econômica da produção de células/módulos em azulejos cerâmicos. Foi realizado levantamento e análise de diferentes aspectos e dados referentes à produção desse material, tais como: tipos de argila utilizados; variações de tamanho das placas de cerâmica; métodos de impressão nas placas de argila e cerâmica; possibilidade de obtenção de diferentes cores de acordo com o tipo de esmaltação utilizada; tipo de esmalte; temperatura e tempo de queima; quantidade de queimas; atmosfera de oxidação e redução do forno; custos para obtenção de matéria prima; mão-de-obra especializada e energia. Constatou-se que os custos com a produção de azulejos que fossem projetados à partir dos estudos de células/módulos em escala industrial, após as despesas com implementação, seriam inferiores aos custos com quais se arca correntemente no produção atual da azulejaria convencional.

A quantidade reduzida de cores e a possibilidade de reutilização de uma mesma matriz para a produção dos azulejos baseados em células/módulos seriam os principais elementos redutores dos custos com a produção em larga escala. Ao comparar os custos de produção em pequena e média escala de azulejos convencionais e azulejos de células/módulos, verificou-se que a diferença nos custos não é significativa, já que os gastos com a geração de matrizes não são diluídos nas mesmas proporções quando comparamos às duas produções em larga escala.

No caso da confecção de azulejos em células/módulos exclusivos, carecendo da criação de uma matriz com finalidade específica e utilização limitada, torna-se mais viável economicamente a adoção de processos semi-artesanais de produção. Essa situação é verificada tanto na produção de azulejos convencionais como dos azulejos baseados em células/módulos. No entanto vale ressaltar, que, tendo à mão uma tiragem exclusiva e reduzida de azulejos baseados em células/módulos e azulejos convencionais, o primeiro conjunto garante ao consumidor a liberdade de organização e articulação dos azulejos células/módulos, estabelecendo-se assim a geração de diferentes padrões.

Após os estudos do azulejo enquanto produto a ser desenvolvido a partir da pesquisa, novas possibilidades de aplicação foram vislumbradas. Configurou-se, assim, o projeto 'Superfície Marca' a ser apresentado a seguir.

Projeto 'Superfície Marca' A partir do processo de pesquisa e experimentação, apresentamos o projeto 'Superfície Marca', o qual propõem a utilização do raciocínio de estruturação e articulação de células/módulos em padrões diversos aplicados à uma série de situações, partindo assim de diferentes metodologias de trabalho.

. Criação de marcas e logotipos que funcionem também como células/módulos para criação de padrões diversos. Esse raciocínio prévio na elaboração da marca ou logotipo faz com que o mesmo possa ser aplicado e adaptado para diferentes situações, criandose assim uma identidade visual diversificada mas sempre conectada e reafirmada pela utilização repetida da mesma marca / logotipo. Em algumas situações a identificação da marca como módulo repetido é posterior à apreensão da imagem como um todo – o padrão final construído. Esses diferentes momentos de leitura e percepção da imagem e da marca criam uma dinâmica particular, deixando clara a grande possibilidade de articulação de uma mesma estrutura formal enquanto conformadora de composições diversas. Algumas situações de aplicação dos padrões seriam: têxteis; cerâmica; papelaria; azulejaria para diferentes espaços;

. Utilização de marcas/logotipos já existentes enquanto ponto de partida para a criação de uma estrutura de células/módulos a ser repetida para geração de diferentes padrões. As possíveis aplicações dessa estrutura seriam as mesmas descritas e apresentadas anteriormente.

. Aplicações decorativas: criação de azulejos em células/ módulos a serem utilizados em residências e demais edificações. Nessa situação vale ressaltar a liberdade de articulação do arranjo de azulejos que é dada ao consumidor.

Notas 1. Durkheim, Emile. As regras do método sociológico. 11a. ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1984.

Referências bibliográficas

- Borges, Jorge Luis. Esse Ofício do Verso. Cap. 4 - Música da Palavra e Tradução. São Paulo. Editora Companhia das Letras. 2000.

- Dias-Pino, Wlademir. Processo: Linguagem e Comunicação. Petrópolis. Editora Vozes. 1971.

- Riley, Nöel. A arte do azulejo. Lisboa. Editora Estampa. 2004

- Durkheim, Émile. A divisão do trabalho social. São Paulo. Editora Ática. 1990.

- Rubim, Renata. Desenhando a superfície. São Paulo. Editora Rosari. 2005

- Rothenberg, Polly. Manual de Cerâmica Artística. Barcelona. Ediciones Omega S.A. 1981

Esta conferencia fue dictada por Vicente Pessôa (Atelier Soalheiro - Brasil) el jueves 31 de julio en el Tercer Encuentro Latinoamericano de Diseño 2008. Facultad de Diseño y Comunicación, Universidad de Palermo, Buenos Aires, Argentina.


Proyecto Superficie Marca fue publicado de la página 165 a página167 en Actas de Diseño Nº6

ver detalle e índice del libro