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Design Social aplicado: Casa dos Girassóis

Merino, Giselle; Merino, Eugenio ; Bitencourt, Anita

Actas de Diseño Nº7

Actas de Diseño Nº7

ISSN: 1850-2032

IV Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo" Comunicaciones Académicas Julio 2009, Buenos Aires, Argentina

Año IV, Vol. 7, Julio 2009, Buenos Aires, Argentina. | 263 páginas

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Introdução

O design vem ganhando reconhecimento pela sociedade brasileira, através de trabalhos em diversas áreas, com diversos enfoques, permitindo que um número cada vez maior de pessoas passe a conhecer, entender e respeitar esta área, reconhecendo a importância que ela tem para o desenvolvimento social e econômico.

Especificamente, no caso deste projeto, de cunho social e inclusivo, pretende-se colaborar com uma organização sem fins lucrativos, que tem como foco central o auxílio aos mais carentes, potencializando através do ensino de técnicas e atividades manuais a melhoria da sua qualidade de vida. O publico alvo é a comunidade de Mont-Serrat, localizada no centro de Florianópolis (Santa Catarina, Brasil) que se caracteriza como uma população carente.

Atualmente o grupo possui uma casa, doada, passando por reformas. O grupo já possui um nome Casa dos Girassóis, e precisa de todo tipo de auxílio. Neste sentido o design vem contribuir especificamente com o desenvolvimento de uma identidade (marca), suas diversas aplicações, bem como os elementos que possam auxiliar na divulgação e reconhecimento do grupo por parte da sociedade.

O processo proposto apóia-se na participação de todos os envolvidos, potencializando de esta forma um resultado mais próximo das necessidades e realidades. Sendo assim, buscou-se que os envolvidos (comunidade e voluntários), estivessem presentes em todas as etapas do projeto. Uma ação desta natureza mobiliza todos os parceiros, envolve uma gestão participativa, levantamento de informações, reuniões com os envolvidos, visitas ao local, pesquisas, dentre outras inúmeras atividades, que se não forem bem articuladas, inviabilizam qualquer resultado. Neste sentido utilizando uma proposta de integração tanto de ações quanto de competências, conhecimentos e habilidades foi possível obter resultados positivos.

Neste sentido, as metas da casa dos girassóis são propiciar a formação global da criança e do adolescente em situação de risco social alicerçada no amor integral. Nos seus objetivos específicos estão, organizar e estruturar o espaço físico para o desenvolvimento de ações e projetos na Comunidade Mont Serrat; desenvolver projetos facilitadores do desenvolvimento natural, progressivo e transformador da criança e do adolescente; desenvolver oficinas, cursos, serviços e campanhas que promovam a formação específica e global em diferentes dimensões, tais como: intelectuais, afetivas, estéticas, físicas, sociais e espirituais; manter grupos permanentes de colaboradores (voluntários) para desenvolver pesquisas com objetivos de aprimorar os processos e métodos adotados no decorrer dos projetos e ações desenvolvidas.

Sendo assim, o projeto de design se propõe auxiliar de forma concreta na materialização das metas definidas no projeto Casa dos Girassóis. O objetivo geral é criar elementos de identificação de uma organização com fins sociais através do design, desenvolvendo sua identidade visual, suas aplicações e o projeto conceitual da sinalização do local. Tudo isto potencializará um impacto, tendo em vista a incorporação deste empreendimento numa realidade social, prevendo uma maior visualização e reconhecimento por parte da sociedade e principalmente por parte dos próprios envolvidos.

O por quê de um projeto desta natureza?

Nos dias de hoje a sociedade dos grandes centros e de praticamente todas as capitais brasileiras sofrem pela violência originada por diferentes fatores. Os projetos e ações governamentais atendem parcialmente diferentes problemas emergenciais, ficando as escolas e as famílias com uma sobrecarga de responsabilidades no sentindo de educar a criança para um mundo melhor.

As famílias de classe média e alta buscam uma vida melhor, fortalecendo a formação de seus filhos e em muitos casos os recursos financeiros não são capazes de combater o uso de drogas e a prostituição. É evidente que as classes menos favorecidas sofrem muito mais, pois vivem num mundo em que a falta de água e alimento é usual no seu dia-a-dia.

O que pode ser feito? Muitos tentam responder a esta pergunta. Daí o grande número de entidades filantrópicas que surgem no seio da sociedade e tentam atender de forma emergencial, principalmente a fome e a sede.

Mas é preciso muito mais! Neste sentido esta proposta de projeto se justifica plenamente ao buscar uma aproximação efetiva junto à sociedade, e neste caso específico reforçando um grupo de voluntários, que busca o bem e a melhoria das condições de vida de quem assim necessita. O Design e a sua pratica, ainda são pouco conhecidos por uma grande parte da sociedade e acredita-se que um Design mais solidário, poderá mostrar para todos, o papel que ele tem e sua verdadeira contribuição.

Desta forma, acredita-se que se estará contribuindo com este projeto, de uma forma concreta com saber fazer do design, e permitindo que os alunos, docentes e profissionais participem efetivamente do processo social, tão necessário aos dias de hoje, bem como, possibilitar que a Universidade Federal de Santa Catarina tenha mais uma ação concreta e efetiva junto a sociedade.

Desenvolvimento

O projeto se iniciou pelo desenvolvimento da identidade visual, que a partir das informações coletadas junto aos membros da casa dos girassóis foi elaborado. Após a definição da identidade visual, foram feitas as especificações técnicas e aplicações, para posteriormente passar ao estudo da sinalização.

Identidade visual

Identidade visual pode ser definida como um “Sistema de normatização para proporcionar unidade e identidade a todos os itens de apresentação de um dado objeto, através de seu aspecto visual”1. Este sistema é constituído por: logotipo, símbolo, marca cores institucionais e alfabeto institucional.

O conceito da identidade desenvolvida partiu dos princípios que norteiam a proposta da casa, neles busca-se acolher as crianças da comunidade num ambiente agradável, alegre, tranqüilo e seguro. Outro ponto verificado foi à localização da casa, que fica na encosta de um morro, onde predominam as cores verde do morro e azul do céu. No caso específico do nome casa dos girassóis, este já faz parte do grupo desde sua fundação há aproximadamente 10 anos, veio em razão do significado do girassol que representa a força positiva do sol, transmitindo calor, força e integridade. A sua cor representa felicidade, alegria, orgulho e amizade.

Com base nestes conceitos, passou-se ao processo criativo onde foram propostas várias alternativas, que após analisadas resultaram na identidade apresentada a seguir, que foi aprovada pelos responsáveis da casa, bem como pelos representantes da comunidade.

Foi definida a família tipográfica Humanst 521 BT para a logotipia. A escolha permitiu uniformizar as aplicações sem dificuldades para o usuário, sendo que esta é de fácil acesso. Também foi incorporada a identidade visual, a família tipográfica Trebuchet MS, aplicado em textos corridos e nas papelarias em geral, por sua legibilidade, fácil acesso e capacidade de adaptação em diversos meios.

Alguns ajustes de traços e formas foram realizados em função da reprodutibilidade da identidade visual. Traços muito finos dificultavam a sua redução e reprodução em algumas técnicas de impressão. Malha construtiva, também conhecida como diagrama de construção, é um diagrama com linhas que servem de referência para ampliar, reduzir ou reposicionar elementos visuais, como símbolo ou logotipo.

Foram definidas as versões policromáticas para aumento das possibilidades de reprodução padronizada. Versões em preto e branco, monocromáticas para redução de gastos sem alterações que danificassem a identidade da Casa dos Girassóis.

Para manter a identidade visual livre de interferências de elementos que lhe circundam, foi delimitada uma área de proteção, ou área de não interferência. Neste perímetro não é permitido colocar elementos que concorram com a marca.

Estas definições resultaram no Manual de Identidade Visual. Neste, se inserem os padrões de formas, cores, famílias tipográficas, versões cromáticas da marca, aplicações na papelaria, além instruções de como proceder e explicações relevantes ao seu uso.

Sinalização

Um item necessário ao correto funcionamento da casa, e onde certamente o design pode auxiliar com seu conhecimento é a sinalização. Considerando que a casa está em processo de reforma, foram feitos estudos para definir conceitualmente a sinalização, aguardando o momento que as partes estruturais e dimensionais estejam definidas, e conseqüentemente seria dada a continuidade ao projeto elaborando protótipos, fazendo testes in loco e posteriormente implementando a mesma.

Os tipos de sinalização são2: • Permanente: Sinalização utilizada nas áreas e espaços cujas funções já estejam definidas, identificando os diferentes espaços ou elementos de um ambiente ou de uma edificação. No mobiliário, deve ser utilizada para identificar os comandos.

• Direcional: Sinalização utilizada para indicar a direção de um percurso ou a distribuição espacial dos diferentes elementos de um edificio. Na forma visual, associa setas indicativas de direção, (...) textos, figuras ou símbolos.

• De emergência: sinalização utilizada para indicar rotas de fuga e saídas de emergência das edificações, dos espaços e do ambiente urbano, ou para alertar quanto a um perigo iminente.

• Temporária: sinalização utilizada para indicar informações provisórias ou que podem ser alteradas periodicamente.

Após esta definição foi estudado o layout da casa, bem como os fluxos que nela aconteceriam. As disposições dos locais de atividades favorecem o fluxo de pessoas de diferentes faixas etárias em todos os ambientes. Devido a este fator, o layout da sinalização, precisou ser projetado de acordo com um público heterogêneo, que inclui crianças em fase de alfabetização.

A partir dos fluxogramas foram identificados os públicos aos quais se destinam as atividades da Casa, a partir da entrada principal, onde estará localizada a recepção.

Depois dessa identificação, é possível se aprofundar no estudo do fluxo, através da análise pro parte de cada situação, neste sentido foram analisados os fluxo dos pacientes (saúde), o fluxo dos tutores (atividades de ensino), fluxo dos funcionários (administrativas e manutenção), fluxo de alunos, fluxo de visitantes, etc. Após estas analises foi possível determinar a localização dos elementos de sinalização.

Definições in loco

A análise da planta baixa da casa possibilitou a categorização da forma de sinalizar, já utilizando o projeto final. Foi definido que a sinalização da Casa seria predominantemente do tipo permanente ou informacional, sendo que existirão dois pontos onde se requer o uso da sinalização do tipo direcional. São eles a Recepção na parte superior da Casa, e no pavimento inferior, de frente a escada, como mostram as plantas a seguir: A ênfase na sinalização foi dada na questão direcional, em seguida, foi definido a fonte e o seu tamanho que iriam fazer parte das placas. A fonte aplicada foi à mesma padronizada para uso corrente pelo projeto: MS Trebuchet.

Sua alta legibilidade fez com que não houvesse motivos para a troca, estando ela de acordo com as recomendações3 para textos de orientação: “recomenda-se a utilização de letras sem serifa, evitando-se padrões ou traços internos, fontes itálicas, recortadas, manuscritas, com sombras, com aparência tridimensional ou distorcidas (aparentando serem excessivamente largas, altas ou finas)”.

Foi definido que nas placas seriam utilizados pictogramas, que ajudariam na orientação e identificação dos ambientes. Para o uso de símbolos na sinalização, o desenho precisa de: “contornos fortes e bem definidos; simplicidade nas formas e poucos detalhes, forma fechada, completa, com continuidade, estabilidade da forma, simetria”4. Os pictogramas podem ser classificados em: • Figurativo: representa um objeto ou uma ação referente a este, sendo que seu desenho está bem próximo à coisa representada.

• Semântico: cujos traços gráficos são simplificados, sugerindo esquematizadamente a idéia, ação ou comportamento através de simples contornos que as pessoas entendam, pois aprenderam, pelo uso constante, a entender; • Abstrato: que não representa um objeto específico, mas que faz parte ou cria um código que será entendido por aquelas pessoas que aprenderam como usá-lo.

De base a estas informações conceituais, no momento que a casa esteja com sua parte estrutural definida e concretizada seria desenvolvido o projeto propriamente dito.

Conclusões

Projetos desta natureza podem ser de grande valia tanto para o design quanto para a própria sociedade. Observase que o design começa a desmistificar sua aplicabilidade, ainda que de forma tímida, atingindo setores que desconheciam seu potencial. Ao visualizar resultados consistentes, refletidos numa identidade visual, que representa de forma clara e inequívoca a finalidade da ação.

Somado a isto, mostrando as diversas soluções com um padrão gráfico definido, que transformam as informações da Casa dos Girassóis em elementos de identificação em todos os setores, isto pode ser exemplificada nos convites, folders, camisetas, etc., que ao reforçar a identidade visual, formam uma cultura visual de identificação e reconhecimento.

Acredita-se que casos aplicados a setores carentes, podem e devem ser desenvolvidos pelo design, como forma de mostrar todas as suas potencialidades e principalmente responsabilidades sociais que se tem, principalmente num mundo atual, onde a desigualdade e a dificuldade de acesso de alguns setores é uma constante. Finalmente o registro do agradecimento a casa dos girassóis pela oportunidade e buscar novas formas de dar continuidade a projetos de esta natureza é o próximo desafio!

Notas

1. Peón, M. L. Sistemas de Identidade Visual. Rio de Janeiro: 2AB. 2000:15.

2. ABNT 9050 – Associação de Normas Brasileiras. 2004:16.

3. ABNT 9050 - Associação de Normas Brasileiras. 2004:23.

4. ABNT 9050 - Associação de Normas Brasileiras. 2004:25.

Referências bibliográficas

- Costa, J. Imagen corporativa en el siglo XXI.Argentina: La Crujia, 2001.

- Chaves, N. La imagen corporativa: teoria y metodologia de la identificacion institucional. Barcelona: Gustavo Gili. 1999.

- Frascara, J. Diseño gráfico y comunicación. Buenos Aires: Ediciones Infinito, 1998.

- Frascara, J. Diseño gráfico para la gente. Buenos Aires: Ediciones Infinito, 2000.

- Salgado, L. F. O valor do design. São Paulo: Editora Senac. 2003.

- Strunk, G. Como criar identidades visuais para marcas de sucesso. Rio de Janeiro: Rio Books. 2007.

Giselle Merino. Licenciada em Artes, docente, pesquisadora do Núcleo de Gestão de Design da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)

Eugenio Merino. Designer, docente e coordenador do Núcleo de Gestão de Design da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil).

Anita Bitencourt. Graduando em Design Gráfico, bolsista de extensão do Núcleo de Gestão de Design da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)


Design Social aplicado: Casa dos Girassóis fue publicado de la página 244 a página246 en Actas de Diseño Nº7

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