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Design gráfico e jornalismo. A experiência do jornal laboratório

Pivetti, Michaela; De Oliveira, Dennis

Actas de Diseño Nº8

Actas de Diseño Nº8

ISSN: 1850-2032

IV Encuentro Latinoamericano de Diseño 2009 Diseño en Palermo Comunicaciones Académicas.

Año IV, Vol. 8, Marzo 2010, Buenos Aires, Argentina. | 264 páginas

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Se o trabalho da forma é o de tornar visível e concreto aquilo que não estava ali antes, dando corpo a tudo aquilo que se encontra no plano da abstração (Donis A. Dondis, em Sintaxe da linguagem visual), para o jornalismo impresso a afirmação ganha um sentido particular, uma vez que a linguagem jornalística se define tal qual ela é, somente a partir de sua linguagem visual, com estrutura e gramática próprias. Esta se resume na diagramação, ou mise en page, ou, ainda, mise en valeur de um conteúdo editorial/jornalístico –modalidade gráfica que nasce com a informação, a comunicação da sociedade moderna.

Como descreve Robert Escarpit,

O jornal se expressa por meio de sua diagramação, igualmente ou mais, do que pelo texto propriamente dito. É somente no século XIX que a imprensa começou a dominar, de fato, esta linguagem. (...) A página do jornal se desvincula da ordem seqüêncial do códex e torna-se um espaço livre e autônomo, não prisioneiro de um contexto, no qual a informação organiza-se segundo um equilíbrio que lhe permita uma exploração documental, a mais rápida e precisa possível.

“Conhecer as imagens que nos cercam quer dizer também expandir as possibilidades de contatos com a realidade; quer dizer enxergar mais e compreender mais”. (Bruno Munari, Design e Comunicação Visual) Mas a familiaridade com a Comunicação Visual, para o estudante de Jornalismo, vai além de um manejo fundamental do repertório gráfico para aprender a se comunicar na linguagem do seu ofício. Também o ajuda a desenvolver espírito crítico sobre uma comunicação, a das imagens, que, embora ancestral, encontra-se hoje ‘diluída’ entre os muitos dispositivos áudio visuais disponíveis –um domínio crítico da linguagem favorável ao próprio pensamento escrito.

Existe, enfim, outro sentido que relaciona visão e informação e, indiretamente, design e jornalismo. Compreender de que imagens se forma (e se formou) o mundo, e a sociedade em que vive, ajuda o estudante a tomar consciência, tanto de si, quanto do tempo histórico no qual atua –condição sine qua non para que o futuro jornalista possa servir de ponte entre diversos segmentos sociais, alguns deles marginais ou periféricos, conseguindo trazer à luz informações de que, sem um trânsito consciente entre universos distintos, dificilmente saberia levar ao conhecimento da própria sociedade. Pelo menos, não com a amplitude e sistematicidade que o jornalismo tem potencial de oferecer.

Identificar quem é e como vive o público de um jornal dirigido a uma comunidade carente que vive na periferia de uma grande cidade universitária, e buscar o diálogo por meio de soluções gráfico-jornalísticas, pode representar um bom ponto de partida para a colocação em prática das experiências de aprendizado –mais ainda num país com dramáticas diferenças sociais. No Brasil, alunos de primeiro ano de Jornalismo da Universidade de São Paulo (USP) produzem/confeccionam o Jornal Notícias do Jardim São Remo, principal jornal do bairro homônimo, originado de uma favela urbanizada vizinha ao campus da USP.

Dois professores se revezam em seus respectivos campos de atuação, ministrando matérias distintas –Jornalismo e Design Gráfico– e se unem num laboratório integrado para produzir o JNSR (Jornal Notícias do Jardim São Remo).

NJSR

Breve histórico

O Jardim São Remo é um bairro formado pela urbanização de uma favela localizada atrás do campus Butantã da Universidade de São Paulo. Boa parte dos seus moradores trabalha na universidade tanto como funcionários públicos efetivos como empregados de empresas terceirizadas que realizam os serviços operacionais ou ainda nas lanchonetes particulares que funcionam no campus.

Desde meados dos anos 90, a universidade desenvolve vários projetos de atendimento à comunidade.

Historicamente, há uma situação de proximidade e conflito dos moradores deste bairro, com todas as suas carências sociais, com a vizinha universidade, tida como a maior do país e que concentra pessoas de segmentos sociais privilegiados. Segundo levantamento ainda em conclusão feito pelo Projeto Alavanca (uma das ONGs que atuam no bairro) existem no Jardim São Remo cerca de 2.300 moradias e uma população estimada em 6.000 habitantes.

O projeto

O jornal laboratório Notícias do Jardim São Remo (NJSR) iniciou-se em 1994, no formato de jornal mural, idealizado pelo professor Manuel Carlos Chaparro na USP. A tiragem do mural era de 300 exemplares e afixado em locais públicos dentro da comunidade do bairro Jardim São Remo, na zona oeste da cidade de São Paulo. Este periódico é uma atividade desenvolvida com os alunos do primeiro ano do curso de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP e se insere na série de projetos de extensão desenvolvidos pela USP neste bairro.

Desde 2000, o jornal deixou o formato mural e passou a ser um standard de oito páginas, de periodicidade quinzenal, com 1.500 exemplares distribuídos gratuitamente na comunidade pessoalmente pelos alunos. Já em 2006, o formato do jornal foi alterado para tablóide, 16 páginas com a mesma tiragem e forma de distribuição.

Em 2008, alunos e professores mudam o projeto gráfico do jornal e atualizam a proposta editorial e didática, desenvolvendo uma série de atividades integradas entre Design e Jornalismo.


Design gráfico e jornalismo. A experiência do jornal laboratório fue publicado de la página 125 a página125 en Actas de Diseño Nº8

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