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Conforto Térmico: Aplicação ao Produto

Neves, María Manuela

Actas de Diseño Nº8

Actas de Diseño Nº8

ISSN: 1850-2032

IV Encuentro Latinoamericano de Diseño 2009 Diseño en Palermo Comunicaciones Académicas.

Año IV, Vol. 8, Marzo 2010, Buenos Aires, Argentina. | 264 páginas

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Introdução

O conforto na utilização do calçado é facilmente identificado pelos utilizadores. Contudo, perceber como estes desenvolvem a sua percepção de conforto é, certamente, uma tarefa mais complexa.

Tal complexidade estará, provavelmente, ligada ao facto da sua percepção poder ser influenciada por inúmeros aspectos, tais como a pressão exercida no pé, o amortecimento do impacto vertical, a forma de pé, a sensibilidade do pé e as condições térmicas no interior do calçado (Havenith e Heus, 2004; Au e Goonetilleke, 2007).

Quando se trata de avaliar o conforto na utilização de um determinado objecto, como um sapato, pretende-se sobretudo avaliar o seu desempenho funcional sob o ponto de vista ergonómico, ou seja, de adaptação ao utilizador.

Contudo, avaliar o conforto relativamente a um aspecto específico, como o térmico, pode ser uma tarefa complexa (González et al., 2001).

Tal complexidade advém, sobretudo, do facto da percepção de conforto manifestada pelos seus utilizadores poder ser influenciada por múltiplos aspectos, como por exemplo, aqueles que estão relacionados com a configuração do calçado e dos materiais utilizados (Yung-Hui e Wei-Hsien, 2004) e não especificamente com os parâmetros térmicos que se pretende analisar. A questão do conforto na utilização de calçado já foi objecto de diversos estudos, como por exemplo os de González et al. (2001), Mündermann et al. (2002) e Llana et al. (2002).

No entanto, a avaliação subjectiva da percepção térmica do calçado é um assunto raramente analisado e, nos poucos casos existentes, é limitada à avaliação do conforto final.

Da revisão bibliográfica neste domínio parece existir um consenso quanto à necessidade de se estudar o conforto térmico em diferentes secções do pé, bem como no estudo das propriedades da permeabilidade da água dos tecidos utilizados para o interior do calçado (Diebschlag et al., 1976).

O principal objectivo deste estudo consistiu na definição e avaliação dos parâmetros térmicos que possam ter um papel relevante no conforto e ergonomia do calçado, em particular no conforto térmico. Esta avaliação incluiu duas abordagens, uma avaliação objectiva das características térmicas dos tecidos e uma avaliação subjectiva da percepção do conforto térmico.

Metodologia

No que diz respeito à metodologia, este estudo envolveu duas fases distintas. A primeira parte incluiu uma avaliação objectiva do conforto térmico, envolvendo diversas tarefas, como por exemplo, a concepção e desenvolvimento de tecidos a utilizar no forro das botas.

A segunda fase consistiu numa avaliação subjectiva, utilizando para o efeito protótipos de botas desenvolvidos para a realização dos ensaios. A avaliação subjectiva de conforto foi realizada através de um questionário, o qual incluiu uma escala de avaliação do conforto, bem como a simulação de uma situação “real” de utilização do calçado, desenvolvida em laboratório.

Desenvolvimento do tecido interior das botas

O desenvolvimento e estudo dos materiais a utilizar no interior do calçado é fundamental este elemento poderá ter um efeito muito significativo na sensação de humidade.

Se o suor não for transferido da pele para o ar circundante, ou para as camadas exteriores do calçado, esta sensação é então interpretada como sendo desconfortável.

O design de uma malha com dupla face procura responder aos problemas de transporte de humidade e de manutenção de uma temperatura óptima do pé. Este desempenho da malha será conseguido através da estrutura e das matérias-primas utilizadas na sua produção. Assim, seleccionou-se o seguinte conjunto de matérias-primas: o algodão (CO), milho (PLA), soja (SPF) e bambu (BAM), como fibras hidrófilas e, o polipropileno (PP) e poliéster (PES), como fibras hidrófobas. As malhas foram produzidas em três estruturas diferentes de modo a colocar a fibra hidrófoba numa face e a fibra hidrófila na outra face e em oito combinações diferentes de matérias-primas.

Após a produção das possíveis combinações, as malhas foram caracterizadas e realizados ensaios laboratoriais para avaliar propriedades de transferência de calor, de transferência de humidade, de permeabilidade ao ar e de capilaridade. Foi utilizado ainda o manequim térmico para a determinação do isolamento térmico.

Avaliação do Conforto

Os ensaios consistiram em simular uma utilização normal do calçado a testar, avaliando-se subjectivamente o mesmo através do preenchimento de um questionário individual. Para além das questões subjectivos pretendeu-se, igualmente, quantificar alguns parâmetros de natureza objectiva, nomeadamente, a humidade nas meias dos utilizadores e a temperatura da pele ao nível de duas zonas distintas do pé. As medições subjectivas são muito comuns quando se pretende avaliar o conforto na utilização de determinados objectos ou ferramentas.

A maior parte destas análises são focadas na sensação de desconforto (Llana et al., 2002; Kuijt-Evers et al., 2007).

Contudo, a avaliação subjectiva apresenta também algumas desvantagens (Kuijt-Evers et al., 2007), por exemplo, requer um número significativo de sujeitos e, por isso, é muito demorada, sendo também muito influenciada pelas preferências pessoais dos sujeitos de testes. Para além disso, existem determinadas fontes de incerteza associadas a este tipo de abordagem, tal como o efeito que o contexto pode ter (Annet, 2002). Por vezes, factores não directamente ligados ao conforto ou ao desconforto poderão influenciar os resultados e, por isso, a utilização de medidas objectivas são utilizadas em paralelo.

Desta forma, pretendeu-se também avaliar quantitativamente dois parâmetros objectivos, nomeadamente, a temperatura na superfície da pele e a acumulação de humidade resultante da utilização do calçado. Estas características forma seleccionadas tendo por base as propriedades dos tecidos e a revisão bibliográfica levada a cabo (Au e Goonetilleke, 2007).

Conclusôes

De entre as matérias primas testadas pôde concluir-se que a combinação PLA/PES se mostra mais adequada a um clima frio em função do seu isolamento térmico, enquanto que a combinação BAM/PP seria a escolhida para um clima quente pois em oposição apresenta um baixo valor de isolamento térmico e boa capilaridade.

Os resultados obtidos parecem evidenciar que a percepção subjectiva do desconforto térmico é mais influenciada pelo aumento da temperatura do que pela retenção de humidade no pé. A independência entre a avaliação subjectiva do conforto térmico e do conforto geral, demonstrada pela baixa correlação obtidas entre estas duas variáveis, mostra que é possível que a metodologia utilizada tenha permitido “diferenciar” estas duas facetas da avaliação subjectiva.

Finalmente a identificação de zonas do pé com maior desconforto térmico permitirá, de futuro, que a definição do projecto de calçado tenha em consideração a especificidade de tais zonas tendo em consideração a necessidade de conceber zonas diferenciadas e de usar tecidos interiores com comportamento térmicos diferenciados.

Referências bibliográficas

Havenith, G, Heus, R. A test battery related to ergonomics of protective clothing. Applied Ergonomics, vol. 35, pp. 3-20, 2004.

Au, EY, Goonetilleke, RS. A qualitative study on the comfort and fit of ladies’ dress shoes. Applied Ergonomics, vol. 38, pp. 687-696, 2007.

González, JC, Alcántara, E, Bataller, C, García, AC. Physiological and Subjective Evaluation of Footwear: Thermal Response Over Time.

Proc. of the 5th Symp. on Footwear Biomechanics, 2001, Zuerich/ Switzerland, (Eds. E. Hennig, A. Stacoff), pp. 40-41, 2001.

Yung-Hui, E., Wei-Hsien, H. Effects of shoe inserts and heel height on foot pressure, impact force, and perceived comfort during walking. Applied Ergonomics, vol. 36, pp. 355-362, 2004.

Mündermann, A, Nigg, BN, Stefanyshyn, DJ, Humble, RN. Development of a reliable method to assess footwear comfort during running. Gait and Posture, vol. 16, pp. 38-45, 2002.

Llana, S, Brizuela, G, Durç, J, García, A. A study of the discomfort associated with tennis shoes. Journal of Sports Sciences, vol. 20, pp. 671-679, 2002.

Diebschlag, W, Mueller-Limmroth, W, Mauderer, V. Influence of Several Socks and Linings on the Microclimate in Shoes with Upper Material of Leather or Synthetic, Journal of the American Leather Chemists Association, vol. 71, nº. 6, pp. 293-306, 1976.

Kuijt-Evers, LF, Bosch, T, Huysmans, MA, de Looze, MP, Vink, P. Association between objective and subjective measurements of comfort and discomfort in hand tools. Applied Ergonomics, vol. 38, pp. 643-654, 2007.

Annet, J. Subjective rating scales: science of art?. Ergonomics, vol. 45, nº. 14, pp. 966–987, 2002.


Conforto Térmico: Aplicação ao Produto fue publicado de la página 246 a página247 en Actas de Diseño Nº8

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