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Ensino do Design e Identidade cultural

Santos de Oliveira, Alexandre

Actas de Diseño Nº10

Actas de Diseño Nº10

ISSN: 1850-2032

V Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo" Primer Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño

Año V, Vol. 10, Marzo 2011, Buenos Aires, Argentina | 264 páginas

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Os autores e os textos: objetivos, problemas e métodos

Ono (2006) e Silva (2000) tal como serão identificados ao longo do texto, possuem formações diferenciadas. Ela, Maristela Ono, teve toda sua formação transitando entre o Design e a Arquitetura.

O texto que escolhi como referência para esta discussão é parte do livro Design e Cultura: sintonia essencial, publicado em 2006 e fruto da tese de doutorado defendida pela autora na FAU-USP.

Tomaz Tadeu da Silva possui uma formação interdisciplinar.

Graduado em Matemática, efetuou estudos nas áreas de filosofia e sociologia e como pesquisador tem dedicado atenção às questões referentes à identidade e o currículo no campo da Educação. Silva (2000) no texto A produção social da identidade e da diferença tem como objetivo discutir a possibilidade de uma teoria da identidade e da diferença.

Ono (2006) por sua vez, se propõe discutir os conceitos de cultura e identidade no contexto da globalização e suas implicações para o Design. É importante observar que, no caso de Ono (2006) o problema em discussão é motivado pelos imperativos de padronização e diversificação no contexto da globalização, num cenário no qual as discussões sobre diversidade cultural, como expressão de identidade, são fundamentais para o entendimento do papel do Design no desenvolvimento de produtos para a sociedade.

Em Silva (2000) o problema gira em torno da ausência de uma teoria da identidade e da diferença, em face da crescente importância que tem sido dada às questões multiculturais. Ao problematizar a ausência, o autor questiona a posição liberal que defende a tolerância e o respeito, que tem cercado o debate sobre a diversidade e a diferença cultural, bem como as implicações de tal postura e discurso, no campo da Educação.

No que respeita ao método aplicado pelos autores para conduzir a discussão, observei que Ono (2006) efetua a revisão de conceitos tais como cultura, diversidade e identidade, procurando situá-los historicamente. Silva (2006), por sua vez, procura justificar seu argumento analisando as relações e inter-relações entre os termos, com um forte apoio no pós-estruturalismo de Derrida (Derrida, 1991 apud Silva,2000).

Ono (2006) opta por apresentar o conceito de cultura como marco referencial utilizando o recurso da cronologia e da análise comparativa entre os termos e conceitos.

Silva (2000) também opera uma análise comparativa.

Fica, no entanto, evidente a utilização de pólos dicotômicos no encaminhamento da discussão que empreende.

Cultura e identidade

Ao apresentar uma panorâmica sobre o conceito de cultural Ono (2006 p. 9) chama a atenção do leitor para a crítica ao conceito de cultura amparado no relativismo e na aculturação. Apoiada em Cuche, a autora argumenta que a noção de relativismo cultural, baseada numa visão ingênua do poder, não pode ser adotada sob uma perspectiva extrema e que descarte a possibilidade de julgar um outro contexto cultural por meio de relativização (Cuche, 1996 apud Ono, 2006).

O foco da discussão de Silva (2000) caminha margeando a cultura através do conceito de identidade e diferença.

Para ele só é possível marcar a identidade quando são consideradas no mesmo contexto de análise identidade e diferença.

Um elemento interessante apresentado por Silva (2000) para pensar a questão da identidade e da diferença é a perspectiva de que elas se constituem atos da linguagem e, por conseguinte, criaturas do mundo cultural e social.

Considero que Ono (2006) aproxima-se das idéias de Silva (2000) em sua tratativa do tema, pois entende que existe a possibilidade de, em uma mesma cultura, coexistirem valores diversos, sendo esta diversidade e simultaneidade o que proporciona aos indivíduos o reconhecimento de si diante do outro, ou seja, a noção de uma identidade cultural só é possível ante o reconhecimento da diferença.

Por outro lado, ao analisar conceitos tais como os de aculturação e relativismo cultural, Ono aponta para as implicações que os mesmos trouxeram para o campo da cultura, em contraposição aos modelos de produção da sociedade capitalista que tendem à homogeneização.

Apoiada nas idéias de Canclini, a autora ressalta, ainda, que a compreensão da cultura enquanto fenômeno complexo e dinâmico se constitui em agente transformador e emancipador, necessário para uma visão da diversidade e da diferença (Ono, 2006, p. 9).

É importante observar que pensar a cultura sob a perspectiva da relativização abriu um precedente para a idéia de que na cultura cabe tudo e cabem todos. No entanto, é na idéia de uma teoria interpretativa da cultura que o tudo e o todo passam a ser “compreendidos à partir dos significados tecidos pelo homem nas sociedades nas quais ele desenvolve sua conduta e sua análise, e por meio das quais ele dá significado à própria vida” (Ono, 2006 p. 9).

Nesta perspectiva, meu olhar se volta para o Design ao considerar que, enquanto envolvido com o processo de concepção de produtos e processos, e estes como fenômenos culturais e de “referência no contato do indivíduo com o mundo” (Ono, 2006 p. 29), o Design é co-responsável pela quantidade e qualidade dos artefatos criados e disponibilizados na sociedade enquanto produtos/atos de significação e de interpretação do mundo circundante.

Assim, a responsabilidade pela criação de uma identidade cultural se coloca também como um problema para o Design, uma vez que o produto (compreendido aqui em toda a sua amplitude), não desempenha apenas uma função técnica ou de uso (Ono, 2006 p. 29), mas agrega também elementos simbólicos que não podem ser compreendidos fora dos sistemas de significação que lhes dão suporte.

Ono (2006), destaca anteriormente que a teoria interpretativista de Geertz procurou se distanciar da visão mecanicista e das verdades absolutas e universais. Tal perspectiva abriu espaço para a emergência do discurso da diversidade cultural.

A questão da identidade cultural “cuja discussão é fundamental para a compreensão do papel do Design, que atua na concepção de artefatos, participando da composição dos espaços e influenciando o modo de agir e pensar dos indivíduos nas sociedades” (Ono 2006 p. 10), será oportunamente discutida no presente trabalho.

Pensar na cultura e por extensão no Design como campo que trabalha com a mediação de significados culturais, remete à perspectiva da linguagem trazida por Silva (2006 p. 78), pois para ele os fenômenos da identidade e da diferença “não podem ser compreendidos fora dos sistemas de significação nos quais adquirem sentido”.

Nesta perspectiva, o discurso de Silva, baseado numa vertente pós-estruturalista, traz a subjetividade sígnica como elemento intrínseco à cultura, onde o caráter fluido, indeterminado e instável são resultado de um processo de produção simbólica calcado em relações de poder.

Identidade cultural e relações de poder

Ao posicionar-se sobre a questão da diversidade cultural, Silva (2000) adota uma postura critica diante do tema.

Para ele, o discurso da diversidade precisa ser problematizado, uma vez que na disputa pela identidade está envolvida uma disputa mais ampla por outros recursos simbólicos e materiais da sociedade. Segundo o autor, “a afirmação da identidade cultural e a enunciação da diferença, traduzem o desejo de diferentes grupos sociais de garantir acesso privilegiado aos bens sociais” (Silva, 2000 p. 81).

A desigualdade no que diz respeito ao acesso privilegiado aos bens sociais é uma questão discutida também por Ono (2006). Segundo a autora, existe uma percepção sobre o fato de que os bens, tal como são concebidos, produzidos, disponibilizados e comercializados, traduzem tal processo de diferenciação. Esta dimensão coloca o Design no centro de um grande debate, pois está em jogo aqui a afirmação de que o Design (e o designer), são sujeito e objeto da dinâmica cultural e por extensão das identidades criadas por meio do seu fazer e do resultado deste.

Nesta perspectiva, entendo, alinhado com as idéias de Silva, que as questões da identidade e da diferença estão envoltas em relações de poder, presentes por meio de processos de inclusão e exclusão, pela demarcação de fronteiras, por processos de classificação e normalização, onde quem classifica, normatiza, inclui e exclui, exerce uma relação de poder diante daqueles que são classificados, nomeados, incluídos ou excluídos.

Sobre esta questão, Ono (2006) discute a perspectiva e a extensão do conceito de nação, enquanto espaço de enunciação das identidades. Para ela, o Estado-Nação moderno é visto como um espaço demarcado, símbolo de unidade econômica, social e política e, por extensão, espaço de unidade cultural.

Ao reconhecer, a partir do olhar de Ianni, o Estado-nação como espaço em que se altera por meio do jogo de forças vigente, a autora reconhece a presença das relações de poder no processo de constituição do fenômeno da cultura, da identidade e da diferença (Ianni, 1992 apud Ono, 2006).

A idéia de um Estado-nação, como pontuada por Ono, remete às discussões sobre poder anunciadas por Silva (2000), com destaque para a força homogeneizadora das identidades pois, à medida que se define aquilo que cabe ou que pertence a uma determinada cultura, presume-se a existência de elementos homogêneos, naturais e dos quais participam todos os membros daquela cultura, onde “a definição do normal depende da definição do anormal” (Silva, 2000 p. 84).

Os planos binários de inclusão/exclusão, homogêneo/heterogêneo, trazem com frequência equívocos e limitações que, muitas vezes, excluem muito mais que acolhem. Estes dualismos, levados às últimas conseqüências, colocam em evidência grupos que não são hegemônicos e que não cabem em nenhuma das classificações propostas, ou seja, não estão incluídos e nem excluídos. Isto é o que nos leva a crer, juntamente com os autores, que nos interstícios culturais existem outras micro identidades híbridas.

Até aqui é possível observar que a cultura está longe de se constituir uma ação deslocada do conjunto maior da sociedade e das intenções daqueles que detém o poder de determinar as categorias de pertinência. Nesta perspectiva, qualquer ação que vise identificar ou definir as características de uma cultura se constitui reducionista, beirando o autoritarismo que, apesar de indignar a todos, ainda exerce uma forte poder de coerção quando se trata de fixar uma determinada identidade cultural.

Fixação e subversão Para Silva (2000 p. 84) o processo de fixação da identidade oscila entre dois momentos: os que tendem a fixar e estabilizar a identidade e os que tendem a subvertê-la e a desestabilizá-la. Ele afirma que, “tal como a linguagem, a tendência da identidade é para a fixação”. Para que este processo de concretize, observa-se que a recorrência aos mitos fundadores se constitui num recurso de fixação.

Utilizando o conceito de comunidades imaginadas de Benedith Anderson, Silva (2000 p. 85) afirma que é necessário criar laços imaginárias que permitam ligar pessoas que, sem eles, seriam simplesmente indivíduos isolados, sem nenhum sentimento de terem qualquer coisa em comum. Tais mitos funcionam, segundo o autor, como mecanismos para dar à identidade nacional o sentimento de afetividade que lhe garante um ar de homogeneidade, de liga e de fixação, necessário ao senso de unidade (Anderson, 1983 apud Silva, 2000).

Discorrendo sobre esta questão Ono (2006 p. 13) ressalta que as tradições transcendem a realidade social concreta integrando o popular e o nacional em um único discurso, em uma só identidade, corroborando assim a idéia de pertencimento.

Neste sentido, a noção de unidade é fixada por meio de processos de representação que envolvem, segundo a autora, rotulações necessárias à constituição de uma idéia de identidade cultural.

Entretanto, a percepção de que no processo de fixação podem ocorrer empréstimos, roubos e permutas, conforme atesta Ono (idem), abre espaço para pensar que as simplificações muitas vezes não dão conta do mosaico complexo que permeia as culturas, face a multiplicidade cultural dos indivíduos e grupos sociais, na tentativa de preservar, unificar, homogeneizar, categorizar e legitimar aquilo que, para Ono, é ilegitimável. Por outro lado, o ilegitimável pode se constituir numa oportunidade de subversão das identidades num movimento contrário ao processo de fixação.

Para Silva (2000 p. 86) existem movimentos que conspiram para complicar e subverter a identidade. “Hibridização, miscigenação, sincretismo, travestismos”, são apontados pelo autor como “metáforas que aludem a alguma espécie de mobilidade entre os diferentes territórios da identidade”. Nesta perspectiva, a hibridização questiona a homogeneidade e a fixação afirmando que as novas identidades que se formam “não são mais integralmente nenhuma das identidades originais, embora guarde traços delas” (Silva, 2000 p. 87).

Esta constatação coloca por terra a idéia de uma identidade fixa, homogênea e estável, e esta postura força uma revisão tanto dos mitos fundadores, como da recorrência às tradições como forma de demarcação da identidade cultural. Por outro lado, o discurso da hibridização ou ainda do terceiro espaço proposto por Bhabha (citado por Silva, 2000 p.87), parece interessante por subverter a idéia de fixação, uma vez que a hibridização não é determinada nunca unilateralmente, por uma identidade hegemônica, uma vez que ele tal conceito, introduz uma diferença que constitui, segundo Silva (2000), a possibilidade de seu questionamento.

Ono (2006 p. 16), por seu turno, partilha desta mesma percepção no tocante ao fenômeno da subversão ao observar que, no mundo moderno marcado pela circulação e mobilidade, a descentralização e desterritorialização, acentuada pelo processo de globalização, traz implicações diretas para a identidade cultural dos povos e indivíduos.

Por outro lado, este mesmo processo de globalização, segundo a autora, tem provocado outro fenômeno que no meu entendimento soa subversivo: a voz de grupos antes silenciados pela pseudo-idéia de homogeneidade.

Ono (2006) apoiada em Wallerstein declara ainda que podem ser identificados contra-movimentos caminhando em direção à particularização, à diferenciação e individualização, caminhando na contra-mão do processo de hibridização numa atitude aberta de rejeição à sua vertente homogeneizadora.

No entanto, é importante observar que este discurso responde a determinados interesses de fixação de uma determinada identidade, necessária muitas vezes à sobrevivência econômica de determinados grupos e ao marketing cultural que tem envolvido comunidades ao redor do globo. No entanto, o exame desse fenômeno pode se constituir instigante no sentido de apresentar as formas de negociação bem como os mecanismos de representação por meio dos quais se dão a fixação e a subversão das identidades culturais na contemporaneidade (Wallerstein, 1979 apud Ono, 2006).

Representação e performatividade

No início deste texto, à partir de uma citação de Ono (2006), coloquei em destaque a questão da identidade cultural como fundamental para a compreensão do papel do Design. Pois bem, a partir do pressuposto de que a representação constitui categoria que interessa ao Design, é importante destacar que os processos de representação ao mesmo tempo que são resultado de diferenças culturais, funcionam como influenciadores dos comportamentos e identidades que os indivíduos assumem no espaço social.

Silva (2000 p. 89-91) fornece pistas para compreender esta questão. Baseado na teoria cultural contemporânea, o autor afirma que “a identidade e a diferença estão estritamente associadas a sistemas de representação”. Ele ressalta que a representação é entendida aqui a partir de sua concepção primeva, que busca formas apropriadas de tornar o real passível de ser apreendido por meio de sistemas de significação.

É importante entender a representação enquanto sistema de poder porque, representar é matéria primeira do Design e “é por meio da representação que a identidade e a diferença adquirem sentido” (Silva, 2000 p. 91). Para Silva, quem tem o poder de representar tem o poder de definir e determinar a identidade, e neste sentido, torna-se imperativo no processo de questionamento da identidade por em questão os sistemas de representação que lhe dão suporte e sustentação. Assim, pode-se compreender que ao campo do Design compete questionar-se a si mesmo sobre a produção de identidades culturais por meio dos atos de representação.

Ono (2006 p. 17), discutindo a questão da cultura de massa apoiada em Baudrillard, corrobora esta questão ao ressaltar a existência de uma manipulação sistemática de signos, onde um objeto ganha sentido mediante sua relação com outros signos e se personaliza mediante o processo de diferenciação, diferenciação esta, apontada pela autora como uma barreira à uniformização cultural e causa/conseqüência da diferenciação existente entre classes sociais (Baudrillard, 1993 apud Ono, 2006).

Igualmente, se a manipulação de signos se constitui atividade de representação, é importante retomar a questão inicial pontuada por Ono (2006) na definição do problema central de sua discussão, qual seja, o papel do Design no desenvolvimento de produtos para a sociedade. No entanto, para além do caráter de representação, seria interessante pensar a relação entre Design e identidade cultural sob a ótica da performatividade.

Para Silva (2000 p. 92) o conceito de performatividade de Judith Butler desloca a ênfase da identidade enquanto mera descrição para a idéia do vir a ser da identidade em sua perspectiva de transformação. A performatividade, tal como é apresentada por Silva, não elimina a perspectiva de repetição enquanto elemento característico da representação (Butler, 1999 apud Silva, 2000). O autor chama a atenção para o fato de que a representação só é possível por conta de sua força de repetição.

A repetibilidade é o que garante e reforça as identidades, mas também o que possibilita a interrupção das identidades hegemônicas e a construção de novos significados, pois, “a identidade pode ser interrompida, a repetição pode ser questionada e contestada” (Silva 2000 p. 95).

É importante observar que Ono (2006 p. 26-27), apesar de não trabalhar com esta categoria não está alheia ao conceito de performatividade, tal como ele é proposto por Silva. Ela identifica a existência de manifestações particulares dos indivíduos no âmbito da ação social e cultural como o lócus de pluralidade e daquilo que ela denomina “relativização do paradigma binário e polar na análise das relações interculturais”, considerando em seu discurso a existência de processos emblemáticos e de ruptura no âmbito da cultura.

A partir da análise dessas duas categorias, representação e performatividade, fica claro que as identidades culturais adquirem sentido por meio dos mecanismos de representação que lhe dão suporte. O campo do Design, em suas várias instâncias, enquanto ocupado com as questões de representação, opera por meio da manipulação de signos, com vistas à manutenção desta cadeia, no âmbito da cultura, com impacto direto sobre a performance das identidades culturais.

Por outro lado, a idéia de performatividade, trazida por Silva, reforça o caráter cíclico da representação, uma vez que, a performatividade aqui, é vista como reiteração e repetição que garante e reforça a noção de identidade.

No entanto, a possibilidade de interrupção deste ciclo, provocando rupturas no âmbito da cultura, se apresenta como um viés importante para entender a dinâmica na qual o conceito de identidade está envolto, bem como as possibilidades e oportunidades para pensar o Design sob a ótica da cultura.

Arremates

Apresentadas as principais questões discutidas por Ono e por Silva, ressalto provisoriamente, alguns resultados que podem ser observados à partir das questões de identidade cultural até aqui trabalhadas e que são pertinentes para pensar o ensino do Design.

Para Ono (2006) fica clara a necessidade de buscar caminhos que conduzam os indivíduos e sociedades a práticas emancipatórias fundadas nas desigualdades sociais e nas relações de dominação e seus efeitos sobre as identidades culturais. Este caráter emancipatório na ótica de Silva (2000) é necessário por estar, a identidade cultural e conseqüentemente as atividades de ensino, envoltas em relações de poder onde a sua superação/subversão se constitui numa construção que tem a hibridização como possibilidade recursiva e discursiva.

Outro aspecto discutido pelos autores, no processo de constituição da identidade cultural, é o fato de estarem as identidades ligadas a sistemas de representação que lhe conferem a dimensão de poder, cujo alargamento da questão só é possível através da recorrência às fissuras provocadas pela noção de performatividade discutida por Silva (2000).

Tal como Silva (2000) propõe no final do seu texto, a necessidade de uma teoria que problematize a identidade cultural no campo da educação e do currículo, pode ser extendida ao ensino do Design, uma vez que o encontro com diferentes cenários de produção, novas demandas, públicos cada vez mais heterogêneos e com necessidades as mais diversas; assim como as relações de poder que envolvem o processo de produção de bens e serviços, o esgotamento de recursos ou o uso consciente e responsável, requisitam do Design e do designer, um amplo conhecimento das dimensões do seu fazer no âmbito da cultura.

Antes da tolerância e da política de boa vizinhança, no tocante às diferenças percebidas no campo da identidade cultural, importa ao Design e ao ensino do Design, problematizar as relações de poder e os processo de diferenciação que produzem ou reproduzem a identidade cultural.

Acredito que não existe mais lugar para uma postura de concepção, criação e projetação calcada na homogeneidade ou ainda na imposição de casos particulares a situações gerais, num flagrante processo de imposição cultural.

Referências bibliograficas

Ono, M. M. Design e cultura: sintonia essencial. Curitiba: Edição da Autora, 2006.

Silva, T. T da. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.


Ensino do Design e Identidade cultural fue publicado de la página 109 a página113 en Actas de Diseño Nº10

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