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Design e processo de concepção: guia de orientação para o desenvolvimento de embalagens

Merino, Eugenio; Carvalho, Roberto, Luiz; Merino, Giselle

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Actas de Diseño Nº13

Actas de Diseño Nº13

ISSN: 1850-2032

VII Encuentro Latinoamericano de Diseño 'Diseño en Palermo'.
Comunicaciones Académicas

Año VI, Vol. 13, Julio 2012, Buenos Aires, Argentina | 260 páginas

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Los embalajes además de posibilitar el acondicionamiento, transporte y protección de productos, han respondido con un significativo avance en términos de tecnología con nuevos materiales, contribuyendo en la economía con un aumento exponencial de l

Introdução

As embalagens além de possibilitar o acondicionamento, transporte e proteção de produtos, vem respondendo por um significativo avanço em termos de tecnologia com novos materiais, contribuição na economia com um aumento exponencial de produção e conseqüentemente reflexos em todos os níveis da sociedade e a incorporação de áreas emergentes e consolidadas, dentre as quais podemos citar a sustentabilidade, nanotecnologia, dentre outras. Sendo assim há uma necessidade de formatar sistemáticas que potencializem o desenvolvimento de projetos considerando a maior quantidade de fatores intervenientes possíveis.

O entendimento do termo embalagem vem sendo gradativamente ajustado a realidade, mas ainda assim o mesmo não perdeu suas finalidades básicas que são a de um recipiente de contenção do seu conteúdo, ao mesmo tempo em que é uma ferramenta de divulgação, promoção e apresentação do produto (Devismes, 1995; Giovanetti, 200; Mestriner, 2001; Swann, 1995).

A base do Guia de Orientação está num princípio comum, que é a gestão participativa dos envolvidos, aplicando a proposta de Integração e Inovação - 2I’s, utilizando o design como estratégia competitiva, considerando a diferenciação e a sustentabilidade (Merino, 2002).

Um fator fundamental nas embalagens, que não pode ser negligenciado é a função comunicacional, que se traduz em fazer com que as embalagens sejam visualizadas, entendidas, integradas, memorizadas e, sobretudo, desejadas pelos consumidores (Giovanetti, 2000).

Procedimentos

Tendo como base a experiência adquirida nos últimos anos em pesquisas e projetos na área de embalagem do Núcleo de Gestão de Design da Universidade Federal de Santa Catarina, utilizando-se de literaturas de design gráfico, design de produto, design de embalagem, e outras áreas correlatas, vêm estruturando e desenvolvendo um Guia de Orientação para o desenvolvimento de projetos de embalagens.

A estratégia adotada apóia-se no efetivo uso da Inovação e Integração - 2I’s, que se apresentam como elementos fundamentais do processo de gestão de design. A inovação constante dos produtos, juntamente com uma integração eficaz de todas as áreas envolvidas, utilizando-se de um modelo de gestão participativa onde se valorizam todos os envolvidos no processo (Merino, 2002).

Pretende-se com este guia, organizar e oferecer uma seqüência de ações, potencializando que o design de embalagem seja realizado de forma consciente e consistente, considerando o maior número de aspectos importantes no projeto, e respondendo de forma positiva aos objetivos fixados para o produto (Mestriner, 2001). Somado a isto, destaca-se que não se trata de uma sistemática unidirecional, muito pelo contrário, foi concebida com uma filosofia flexível e adaptativa, permitindo ajustes, inclusões e retiradas de itens de acordo ao tipo do projeto e a sua realidade, seja social, econômica ou tecnológica.

Guia de orientação para o desenvolvimento de embalagens - GODE

A base do Guia de Orientação é formada por cinco etapas básicas iniciando-se pela etapa 0 que trata da encomenda do trabalho, habitualmente feito pelo cliente. Após esta etapa que também servira para entender com maior clareza a demanda e principalmente verificará a viabilidade técnica e financeira do projeto, é proposta a etapa 1 que ser apresenta como o momento de levantamento de informações consistentes e estudo de campo. De posse de estas e outras informações se propõe a etapa 2 que seria a análise, interpretação e organização dos dados, seguida da etapa 3 chamada de criação, na qual seriam materializadas e representadas de forma gráfica as idéias e conceitos advindos das etapas anteriores. Finalmente a etapa executiva (4) onde o projeto se materializa de forma real, entrando no ciclo produtivo.

Este guia se apresenta como um modelo conceitual metodológico para o desenvolvimento de embalagens, através de uma seqüência de trabalho flexível, que deve ser aplicada de acordo com a pertinência dos seus itens dependendo de cada situação de projeto. 

Etapa 0

Habitualmente, o cliente é quem surge com a demanda, e contrata a equipe que possa apresentar uma solução de design. Após a encomenda do trabalho feita pelo cliente, é tarefa do designer obter uma descrição do seu objetivo essencial, da sua necessidade, bem como de um quadro de referência de informações o mais completo e consistente possível (Frascara, 1998).

Antes mesmo da primeira reunião oficial com o cliente recomenda-se que sejam adotadas medidas para tomar conhecimento de alguns dados inerentes ao produto/ embalagem, de modo a fornecer um suporte básico de informações para a reunião principal: reunião de briefing.

As tarefas anteriores à reunião de briefing são: visita preliminar a campo; estudo da concorrência; visitas à Web Sites das empresas (complementado com outras fontes) e cronograma Inicial.

Recomenda-se também que seja elaborada uma proposta de trabalho, que contemple ao menos as informações que foram levantadas, bem como um registro das solicitações do cliente, cronograma inicial executivo e financeiro, dentre outros itens.

Etapa 1 O consumidor/usuário do produto é tão importante quanto o próprio cliente - fabricante do produto. As suas aspirações, seus desejos, bem como satisfazer as suas expectativas, e se possível, superá-las, recomenda-se que estejam presentes na embalagem (Frascara, 1998). Em síntese esta etapa tem como finalidade definir o projeto.

Um item fundamental é o briefing, onde são elencadas as informações-chave relevantes para o projeto, são compreendidos os objetivos mercadológicos do cliente, bem como do seu produto e da sua embalagem. Na reunião de briefing recebe-se a solicitação oficial do que deve ser buscado e alcançado pelo design na embalagem final (Mestriner, 2001).

Estudos e levantamentos são necessários, dentre eles o Estudo de Campo, no qual é efetuado uma investigação e um estudo do mercado do produto. São examinados cuidadosamente quais são os potenciais competidores do cliente, bem como qual a real posição do produto no mercado. É feita nesta fase a análise de preço, qualidade e imagem de mercado (Swann, 1995). Juntamente a este é realizado outro levantamento no ponto-de-venda, onde o produto será apresentado em grupo, ao lado de seus concorrentes e dentro de sua categoria, e durante o estudo do ponto de venda busca-se posicionar visualmente o produto de forma que se obtenham vantagens competitivas (Mestriner, 2001).

Análise de preço, qualidade e imagem do produto também são analisadas, podendo ser realizadas após o levantamento das categorias de produto. Essas análises podem antecipar imprevistos e situações de risco, colaborando positivamente para o desenvolvimento da estratégia de design (Baxter, 1998).

No Levantamento de dados e números de categoria, a equipe de design poderá buscar em empresas e instituições de pesquisa –Nielsen, Datamark, IBGE– e em associações de classe da indústria e do comércio, dados numéricos referentes à categoria da qual pertence o produto (Mestriner, 2002).

Ao final de cada etapa do projeto, a equipe de design poderá realizar uma análise global das atividades que foram realizadas, em contraste com o que foi planejado e o que foi efetivamente atingido. Desta análise, possíveis ajustes poderão surgir bem como novas idéias e encaminhamentos para a continuidade do projeto. Através deste sistema de feed-back, a equipe de design torna-se pró-ativa diante do seu planejamento e adquire maior flexibilidade e versatilidade na condução das atividades no decorrer do projeto.

Etapa 2

A síntese é a principal característica desta etapa, juntamente com a correlação das informações coletadas nas etapas anteriores, desenvolvendo uma análise aprofundada dos atributos da embalagem, de modo a definir os parâmetros de projetos.

Pode ser utilizado no início desta etapa um Checklist da embalagem a ser projetada. Este deverá contemplar os atributos, características e informações essenciais que o produto possui e deve conter, bem como quais serão os aspectos mais importantes envolvidos no desenvolvimento do projeto da embalagem.

Após coletadas e verificadas as informações referentes ao produto e a sua embalagem, será efetuada uma análise aprofundada do produto através de listas técnicas de verificação (uso, função, estrutura, morfologia, etc.). O objetivo desta análise é de preparar o campo de trabalho para, posteriormente, entrar na fase de criação, desenvolvimento de propostas e definição de alternativas. As análises servem para esclarecer à problemática projetual, colecionando e interpretando informações que serão relevantes ao projeto (Bonsiepe, 1984).

A estratégia de design é uma síntese objetiva das etapas anteriores, de modo que se estabeleçam as premissas básicas do projeto e sejam traçadas as diretrizes a serem seguidas na seqüência do trabalho. Ela compreende quatro etapas: definição do problema; relatório do estudo de campo; premissas básicas de design e definição da(s) estratégia(s) de design (Devismes, 1995).

Em posse de todas as informações possíveis acerca do produto e da embalagem a ser desenvolvida, bem como munida de uma estratégia de design já definida, a equipe reformulará o cronograma inicial (cronograma reformulado).

Etapa 3

Esta fase chamada de criação começa, com a definição do conceito a ser estabelecido para a embalagem, e termina com o protótipo completamente desenvolvido e testado. A definição conceitual do design a ser desenvolvido, tem o objetivo de produzir princípios (parâmetros) para a nova embalagem. O projeto conceitual deve mostrar como a nova embalagem será criada e produzida para atingir a meta da problemática do projeto (Baxter, 1998).

Uma das formas de desenvolvimento de conceitos é a Análise da Tarefa, que explora as interações entre a embalagem do produto e seu usuário, através de observações e análises. Os resultados dessas análises são usados para gerar conceitos de novas embalagens, e até mesmo novos produtos (Baxter, 1998).

Desenvolver processos de design, que permitam estar em sintonia com o contexto ambiental, social e financeiro é um dos grandes desafios do design, pois praticamente todas as fases do projeto, desde os processos de fabricação à construção da embalagem, devem ser reestruturadas. 

Tendo em vista que os paradigmas da sustentabilidade já romperam com os conceitos de concepção, projeto e desenvolvimento de produtos, o design sustentável deixou de ser uma escolha e tornou-se uma necessidade (BCSD, 2007).

Devem-se fornecer suficientes informações e diretrizes para a criação da embalagem, para que esta possa ser elaborada com objetivos claros e marcos de referência, que possam ajudar a selecionar e organizar os elementos visuais no seu desenvolvimento (Frascara, 1998). Dentre elas destaca-se a legibilidade, identificação regional, aspectos culturais e grafismos.

Os Fatores técnicos e de fabricação, são fundamentais e devem estar considerados no projeto, podem ser citados a modo de exemplo: registro da marca; normas e legislação; código de barras; etiqueta e rótulo; plantas, desenhos técnicos e especificações; materiais possíveis e orientações para reciclagem.

Outro aspecto importante que pode ser incorporado ao projeto é o Design da informação, que permite um claro entendimento do projeto ao estudar e analisar a informação.

Neste sentido, pode ser usado o mapa conceitual da embalagem como ferramenta de apoio. (Nasa, 2007).

Tendo-se alcançado uma solução para a configuração da embalagem, é necessário verificar se essa solução atende aos objetivos propostos, e para tal torna-se necessário construir e testar o protótipo da nova embalagem (Baxter, 1998).

Neste momento a equipe de design poderá efetuar o orçamento da produção. Podendo ser efetuada uma análise e comparação entre os diferentes fabricantes e fornecedores, em prol da busca de uma solução favorável tanto do ponto de vista econômico, quanto técnico e logístico. 

Uma matriz de avaliação pode ser uma alternativa para fazer a análise da embalagem (Baxter, 1998). Para cada problema de avaliação, deve haver um princípio lógico que, fundamente os critérios escolhidos, quais foram seus procedimentos e o próprio resultado obtido. Para o processo de avaliação, podem ser usados os modelos apresentados por Bomfim (1995), que variam de acordo com a escala empregada: escala nominal (avaliação nominativa), escala ordinal (avaliação quantitativa) e escala cardinal (avaliação quantitativa).

Após a definição das propostas aprovadas, recomenda-se a equipe de design a realização de um teste de mercado. 

Visando assegurar-se de eventuais impressões que os potenciais consumidores/usuários do produto para o qual foi desenvolvida a embalagem. Aprovadas pelos consumidores e pelas avaliações das matrizes, a embalagem estará em condições de ser apresentada ao cliente, munida de todas as informações que foram levantadas nesta etapa (Devismes, 1995).

Tendo a embalagem respondido ao que foi estabelecido na estratégia de design, é chegado o momento de apresentar o projeto ao cliente. Após a aprovação da proposta final e realizados seus devidos ajustes, a equipe de design poderá providenciar a patente e os registros da embalagem. 

Deverá ficar explícito ao cliente que o direito autoral pelo trabalho de criação e desenvolvimento da embalagem pertence à equipe de design e as patentes e registros pertencem ao mesmo, ou à companhia que este representa. Esta hierarquia de patentes e direitos poderá ser negociada, salvo em casos específicos, e deverá ser registrada sob a forma de contrato. Finalizada a etapa de criação, tudo o que foi produzido deverá ser documentado, juntamente da avaliação global das atividades.

Etapa 4

Nesta fase, a equipe de design irá planejar a produção do design aprovado. Uma vez aprovada à solução proposta ao cliente (com ou sem alterações) e já compreendida a tecnologia disponível para preparar a embalagem e reproduzi- lá da maneira mais vantajosa, surge o momento de administrar os recursos envolvidos na produção da embalagem - humanos, técnicos e econômicos (Frascara, 1998).

A entrega do trabalho para impressão e fabricação tem de ser feita numa reunião com os responsáveis pelo projeto, para que todas as dúvidas sejam esclarecidas, a embalagem desenvolvida entre em produção preservando as características de sua concepção, e para que seja produzida dentro dos parâmetros e objetivos estabelecidos pela equipe de design (Mestriner, 2002).

Uma vez que o design da embalagem e a sua reprodução foram finalizados, cabe a equipe avaliar a eficácia da solução desenvolvida. Neste contexto, poderá ser efetuada a avaliação do grau de alcance da embalagem desenvolvida com relação aos objetivos estabelecidos no projeto (Frascara, 1998).

A revisão do projeto no mercado é indispensável para se obterem o máximo de informações para o desenvolvimento de futuras embalagens. Esta avaliação pode ser executada com base em dois métodos distintos: o método quantitativo, que permite medir, e o método qualitativo, que permite compreender. Com base nas descobertas feitas a partir das informações que foram coletadas e analisadas na pesquisa de mercado, eventuais correções e melhorias poderão ser incorporadas no projeto (Devismes, 1995).

O relatório final é um item importante que deverá ser formalizado e entregue ao cliente. Nele estarão contidas todas as informações relacionadas ao desenvolvimento do projeto, com o histórico das atividades e eventuais informações que o cliente poderá utilizar de forma estratégica, ao trabalhar com a embalagem que foi desenvolvida. 

Considerações finais

As exigências do mercado, expressadas pelos consumidores/ usuários são cada vez mais evidentes e explícitas, sendo assim o processo de desenvolvimento de projetos, e neste caso especificamente o de embalagens deve acompanhar estas mudanças.

Neste século, o design vem sendo considerado gradativamente como um elemento importante para as organizações, reforçando a sua identidade e por conseqüência a sua imagem que é percebida pela sociedade (Lojacono; Zaccai, 2004). E isto, não é afirmado somente por profissionais da área de design, mas de outras áreas como a administração que acreditam que o design se realizado de forma consciente poderá se transformar numa ferramenta estratégica importante.

Acredita-se que o aprimoramento, reflexão e principalmente a implementação de práticas projetuais, acordes a realidade seja uma contribuição importante ao meio acadêmico e profissional do mundo do design. Neste sentido, o guia de orientação apresentado pretende fortalecer o processo consciente de desenvolvimento de projetos, com ações planejadas e organizadas, visando objetivos definidos e principalmente potencializando uma estrutura flexível, aberta a incorporação, substituição e fortalecimento das suas partes.


Design e processo de concepção: guia de orientação para o desenvolvimento de embalagens fue publicado de la página 157 a página160 en Actas de Diseño Nº13

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