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Moda e identidade

De Brito Mota, María Dolores

Aspectos psicossociais da roupa na contemporaneidade

Actas de Diseño Nº1

Actas de Diseño Nº1

ISSN: 1850-2032

I Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo" Comunicaciones Académicas, Agosto 2006, Buenos Aires, Argentina

Año I, Vol. 1, Agosto 2006, Buenos Aires, Argentina. | 265 páginas

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Os processos sociais na contemporaneidade estimulam o declínio das antigas identidades e o surgimento de novas identidades que fragmentam o sujeito moderno.

Tais processos fazem proliferar situações, experiências, estímulos, ilimitados e em ritmo acelerado, fazendo os sujeitos transitarem entre demandas e desejos diversos, impossibilitando-os de se constituírem como “sujeito “unificado”. O sujeito que emerge é pura possibilidade, entrecruzamento de identificações e diferenciações, como sujeito mutante e gestor de “identidades próteses”, que além de diferenciadas, são muitas vezes contraditórias.

Nesse sentido somos desafiados a entender a subjetividade moderna como capaz de comportar uma pluralidade de identidades, pois está imersa em práticas sociais descontínuas, que são sucessivamente reformuladas, instituindo processos de identificação que sustentam uma verdadeira “política da diferença”.

Desde os primeiros cinco anos do século XXI, a temática da identidade tem se desdobrado por muitas dimensões da vida social com a acentuação de processos e movimentos de formação identitárias, sejam de caráter social, político, religioso, cultural, étnico, nacional, sexual entre outros. Assim, nas sociedades contemporâneas os indivíduos já não têm um lugar estável, seguro no mundo social. Falta-lhes uma identidade que fixe e assegure um lugar e significados. Ao contrário, estão imersos em processos e existências que estimulam a pluralidade do ser e o fragmentam, descentrando-o em identidades abertas, contraditórias, inacabadas e múltiplas.

A moda e os sujeitos possíveis A lógica da mudança da sociedade contemporânea está apoiada na lógica da moda, definida como uma inovação contínua e programada, representada pela valorização da novidade em detrimento do antigo e tradicional, seja de vestuário, uso, costume, estilo, gostos, etc. Nas últimas décadas do século XX o processo de globalização redefiniu as maneiras de experimentar o tempo e o espaço, fazendo do viver uma constante mutação de informações, práticas sociais e formas de sociabilidade.

O sujeito se insere num contexto marcado por reviravoltas continuas, que impactuam de modo a se tornar sujeito possível, processual, com identidades abertas.

Nesse contexto, a moda estabelece uma rede de relacionamentos com os sujeitos, tornando-se elemento integrante das condições de subjetivação e de construção identitária. A moda, especialmente a do vestuário, está cada vez mais associada às formas do corpo e ao jeito de ser. A roupa não somente exprime, mas compõe identidades participando da composição de sujeitos individuais e coletivos.

Aparecer é ser - o corpo e a roupa como a imagem de si Nos modos de vida atuais, a aparência, a imagem, guarda destaque como revelador do ser, da sua subjetividade.

A contemporaneidade já foi definida como mundo imaginal, em razão da força das manifestações imaginárias, simbólicas, aparentes, que instituem a teatralidade como modo de vida. O lugar primeiro dessa teatralidade é o próprio corpo, que produz uma auto - imagem, conferindo ao sujeito a possibilidade de contar uma história, de afirmar quem é, poderíamos dizer de anunciar-se. O corpo surge como lugar preparado e ocupado para a produção de identidades sociais desde as primeiras formas societais, quando se desenvolveram os signos de uma linguagem. O corpo é corpo social, e sempre foi marcado por pinturas, vestes e ornamentos, cheios de significados de cada cultura específica. O corpo é matéria, fantasia, arte e discurso, associado à indumentária, uma segunda pele, capaz de demarcar papéis e lugares sociais como sacerdotes, chefes, guerreiros, nobres, plebeus, homens mulheres, burgueses, proletários, patricinhas, mauricinhos, gangs, tribos, artistas... Enfim, qualquer sujeito social em suas várias identidades tem o vestuário como uma mediação e relação entre o corpo físico e o corpo social, que o inscreve como sujeito na cultura. O vestir envolve gestos, comportamentos, escolhas, fantasia, desejos, fabricação sobre o corpo (e de um corpo), para a construção de personagens sociais coletivos ou individuais, exercendo assim comunicação, exprimindo noções, qualidades, posições, significados. Podemos dizer: Vista-se e me diga quem és.

Experimentamos um movimento disciplinar centrípeto, que se dirige da sociedade ao cento do sujeito para moldá-lo, mas, que não impede a ocorrência de um outro movimento, centrífugo, do núcleo do sujeito ao exterior, em busca de uma autonomia e de um reconhecimento individual. Talvez por isso encontremos abordagens aparentemente antagônicas sobre a relação individuo - sociedade, algumas que enfatizam a força alienante da sociedade de massas padronizando e subordinando os indivíduos, e outras que enfocam o extremo narcisismo e individualismo que corroem os vínculos sociais.

A roupa ajuda a compor as diversas identidades que a realidade nos faz viver e querer. Não apenas por força da mídia e dos mecanismos da industria cultural, mas porque os contextos e relações sociais mudam rapidamente colocando o desafio de acompanhar o tempo alterando atitudes, crenças, valores, desejos... muitas vezes a instantaneidade dessas mudanças não permite que as antigas se desfaçam e é possível a convivência de alguns “eus”, no mesmo individuo. Por esse ângulo, a roupa permite a expressão desse conflito e até ajuda a solucioná-lo, expressando-o até diluir a angustia de ser ou não ser. Construir diversas identidades funda-se na busca de estar mais próximo do que a pessoa acredita ser ou parece ser, ou do que crê estar escolhendo ser.

Assim as identidades apresentam-se como próximas do desejado, projetado e fantasiado - configurando-se como vontade de ser. Na realização dessa vontade a roupa se torna elemento indispensável para a expressão do que cada um se faz ser para acomodar sua própria complexidade e se lançar na aventura de se construir e se revelar exatamente do modo que deseja ser. Portanto, vivemos mais uma forma histórica de construção de sujeitos, indivíduos produzidos por processos massificadores da sociedade de consumo, domínio da moda, que lhes fornece os materiais para se sonhar construir possibilidades de liberdade do ser.

A moda, antes construída sobre o desejo de um criador que estabelecia as tendências do vestir a partir de seu gosto pessoal, se curva para buscar os comportamentos diversos e os e os desejos submersos dos consumidores para tornar possível o quase impossível encontro do sujeito consigo mesmo.


Moda e identidade fue publicado de la página 188 a página189 en Actas de Diseño Nº1

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