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A interação arte-moda

Damasceno de Matos, Joelma

Actas de Diseño Nº1

Actas de Diseño Nº1

ISSN: 1850-2032

I Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo" Comunicaciones Académicas, Agosto 2006, Buenos Aires, Argentina

Año I, Vol. 1, Agosto 2006, Buenos Aires, Argentina. | 265 páginas

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Introdução

O objetivo geral deste estudo constituiu-se em esboçar a existência de uma relação entre arte e moda. Os objetivos específicos visam identificar os estilistas que trabalharam estas duas vertentes; quais os principais movimentos que os influenciaram no processo de criação; e identificar se há diferenças entre o “objeto de arte” e o “objeto de moda”, assim como os elementos de suas composições visuais.

A problematização foi identificada dentro do contexto arte-moda, levando em consideração que ambas mantêm uma sinergia desde os tempos mais remotos e que este processo continua até a atualidade. Mas para se estabelecer uma relação entre arte e moda geram-se algumas controvérsias. Mesmo que ambas tragam em sua essência uma característica inerente aos seres humanos que é a capacidade de expressão. Além do mais o artista e o estilista se baseiam na esfera da estética, trabalhando com os mesmos elementos da composição visual.

Relacionar arte e moda gera discussões um tanto divergentes: Enquanto Kalil (1997 apud SCHULTE, 2002), diz que “moda é o que a indústria e os estilistas propõem”, Souza (1987) compara a mutabilidade da moda com a pintura e a escultura: “Enquanto o quadro só pode ser visto de frente e a estátua nos oferece sempre a sua face parada, a vestimenta vive na plenitude não só do colorido, mas do movimento”. A moda e a arte estão intrinsecamente relacionadas às formas de expressão do ser humano. Sendo a moda um suporte ou um instrumento de expressão artística.

Acredita-se que a arte possa contribuir de forma significativa para a formação do profissional de moda, através do refinamento do gosto, do senso estético mais apurado, em coerência com as características e necessidades de seu contexto social. (SCHULTE, op. cit.). Apesar da frivolidade aparente da moda, o estudo deste fenômeno é um componente fundamental para o entendimento daquilo que se pode definir com transformações sócioculturais da sociedade. Esta característica de efêmera está relacionada ao desejo contínuo que a sociedade apresenta por mudanças.

Conforme Moura (1994), a princípio tanto na arte, quanto na moda, o que existe é a relação criador-objeto, surgindo os sentimentos, as concepções e idéias, passando para o plano real o que estava no plano imaginário, utilizando os mesmos princípios e elementos na concepção de sua criação: Linha, forma, dimensão, cor, textura, entre outros.

Durante a criação de um modelo o costureiro trabalha com equilíbrio, volume, linhas, cores, ritmo, assim como o artista. Ambos procuram uma forma que é a medida do espaço, o único elemento que devemos considerar na obra de arte. O estilista, assim como o pintor, o escultor, etc, insere-se no mundo das formas, portanto, está inserido na arte. (SOUZA, op. cit.).

A relação arte-moda fez-se presente primeiramente na primeira década do século XX, através das criações de Paul Poiret que elaborou estampas com o fovista Raoul Dufy, buscou inspiração em Davi, criando vestidos com cinturas abaixo do busto, abolindo o espartilho, também se inspirou no folclore russo depois de assistir aos baletts russes, mais especificamente o balé Shéhérazade, com figurinos de Bakst. Segundo os preceitos futuristas Giacomo Balla, em 1913, divulgou o “Manifesto Futurista da Roupa Masculina”, favorecendo a profusão de cores e recortes para as roupas masculinas sob visão cubo-futurista.

A pintora russa Sônia Delaunay elaborou estampas geométricas para os sericultores de Lyon, nos anos 20.

Já o Construtivismo russo faz-se notar nas formas angulares dos vestidos e nos padrões geométricos dos tecidos nos figurinos de Alexandra Exter que não se limitavam à funcionalidade, mas a criação de novas formas no espaço e nas criações de Oscar Schlemmer, artista e professor da Bauhaus, para figurino teatral do “Triadisches Ballet”, em 1922, mergulhando em peças de vestuário de formas lúdicas.

Na década de 30, Elsa Schiaparelli inspirou-se em criações oníricas fazendo um elo com o Surrealismo de Salvador Dali. A estilista criava com maestria peças mergulhadas no referencial arte-moda. Salvador Dali e Jean Cocteau criaram tecidos e padrões para a estilista, que utilizava materiais inovadores, como os tecidos sintéticos, o rayon e o celofane, que parecia vidro e acentuavam os efeitos surrealistas de suas criações.

Schiaparelli também desenvolveu chapéus fora do comum, com aparência de sapato, alguns feitos de sacos ou tubos. Outra estilista a se destacar nos anos 30 foi Madeleine Vionnet que se baseou nos quitons, típica roupa da Grécia Clássica, elaborando plissados e drapeados virtuosíssimos, dignos das mais sublimes mãos que esculpiam em mármores. (LEHNERT, 2001).

Um dos grandes mestres da moda de todos os tempos, o espanhol Cristobal Balenciaga, nos anos 50, teve como referência as pinturas renascentistas, criando toda uma atmosfera de requinte e sofisticação. Em Paris, Balenciaga alcançou rapidamente êxito com seu estilo moderno, elegante e dramático.

Na década de 60, o pintor teosofista holandês, Yves Sant Laurent, criou o vestido tubinho baseado no Neoplasticismo de Mondrian na coleção Pop que se apresentou em julho de 1965. Sant Laurent retratou o absoluto por meio de formas geométricas em branco, preto e cinza.

Conforme Embracher (1999), já no desfecho dos anos 60, as influências futurísticas e a linguagem oriental apareceram como tendência de moda. Pierre Cardin desenvolveu vestidos geométricos com a “Coleção Espacial” de 1968. As formas e linhas tinham aparências “futurísticas”.

Outro aspecto que nos remete ao futurismo são as fendas de Emanuel Ungaro; os vestidos cortados em losango de Louis Féraud; as criações de 1965 de Paco Rabanne que criou o primeiro vestido de plástico. Fascinado pela ficção científica, o estilista transformava materiais inusitados em indumentária. Juntava placas de alumínio ou plástico, com a ajuda de correntes, formando texturas, com as quais criava vestidos modernos.

Paco Rabanne desenvolveu modelos em material contemporâneo, malha de alumínio e de Rhodoid semelhantes aos móbiles do artista Júlio Le Parc - sob influência futurista. André Courréges, discípulo de Corbusier, utilizou o verniz vinil, o Skaï, criando trajes de noite com fios de telefone. Mas foi com a coleção dedicada à moda espacial que o estilista conseguiu desenvolver especificamente seu “objeto de moda”.

Surgiu nos Estados Unidos, em 1970, a Wearable-Arte, “Arte Vestível” ou como denominou Bardi, Rouparte, em face ao desenvolvimento industrial têxtil e do movimento feminino. Os primeiros artistas que participaram da Wearable-Arte foram os grandes pintores de 1400, que trazem em seus quadros as vestimentas utilizadas naquele período. Esta forma de arte propôs a criação da indumentária como obra de arte, sendo o corpo apenas seu suporte. Conforme Laver (1989), “para os estilistas de moda da década de 60, o corpo era um veículo para a criação, uma tela humana sobre a qual qualquer humor ou idéia poderia ser pintada”. A roupa transformou-se em veículo de expressão, tanto de quem veste quanto para seu criador. Nos anos 80, a interação arte-moda se fez por meio de estamparia com motivos relacionados a obras de arte.

Na última década do século XX, centros artísticos como Paris, Londres, Nova Iorque e Florença, em seus circuitos culturais trabalharam com grandes exposições com temáticas focadas na moda. Os museus de moda transformaram- se em referências do processo cultural e as mega exposições de moda, competiram em público com as tradicionais exposições de arte. (BRAGA, 2005).

Outra característica que aproxima a arte e a moda são seus desfiles que são verdadeiros shows performáticos, repletos de criatividade e inovações, semelhantes às peças teatrais. A passarela vira palco através da iluminação, cenário, performances, gestos, cores, etc. Duggan (2002) afirma existir vários tipos de desfiles, conforme a linguagem que o estilista mantém com seu público, que classifica como: “O Espetáculo”, desfiles “Substância”, “Ciência”, “Estrutura” e “Afirmação”.

Considerações finais Atualmente, a moda pode ser avaliada como uma forma de arte contemporânea, em que o corpo é o suporte. Os desfiles de moda apresentam-se em grande maioria sob atuações performáticas, que é uma outra característica que relaciona a arte à moda. Sob uma visão artística, a moda conquista a cada dia seu espaço nos mais renomados museus de arte do mundo.

Bibliografia BRAGA, J. Reflexões sobre moda. Volume 1 / João Braga; com a colaboração de Mônica Nunes. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 2005.

DUGGAN, G. O maior espetáculo da Terra in Fashion Theory. A revista da moda, corpo e cultura, n. 2, p.3-30, edição brasileira. São Paulo: Anhembi, 2002.

EMBRACHER, A. Moda e identidade: Uma construção de um estilo próprio. São Paulo: Editora Anhembi Morumbi, 1999.

LAVER, J. A roupa e a moda: Uma história concisa. Tradução Glória Maria de Mello Carvalho. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

LEHNERT, G. História da moda no século XX. Portugal: Könemann, 2001.

MOURA, M. Arte e moda. Universidade Aberta do Nordeste. Fascículo 4, texto 18. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 1994.

SCHULTE, N. K. Arte e moda: Criatividade in Moda Palavra / Universidade do Estado de Santa Catarina. Centro de Artes. Curso de Moda, vol. 1, n. 1. Florianópolis: UDESC/CEART, 2002.

SOUZA, G. M. O espírito das roupas: a moda no século dezenove. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.


A interação arte-moda fue publicado de la página 228 a página230 en Actas de Diseño Nº1

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