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Evoluçâo da modelagem no design do vestuário: do simples “ritual ancestral” às técnicas informatizadas

Actas de Diseño Nº7

Actas de Diseño Nº7 [ISSN: 1850-2032]

IV Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo" Comunicaciones Académicas Julio 2009, Buenos Aires, Argentina

Año IV, Vol. 7, Julio 2009, Buenos Aires, Argentina. | 263 páginas

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Lins Soares, Vera Lúcia

História
O fator que mais influenciou a “invenção” das roupas
foi a necessidade de proteção do corpo pelos nossos
ancestrais. A partir do uso das peles, simplesmente
jogadas sobre o corpo, surge também a necessidade de
torná-las maleáveis para que tivessem melhor assentamento
e conforto.
As primeiras manifestações de modelagem do vestuário
surgem a partir do momento que o homem descobriu a
técnica do curtimento das peles e da agulha de ossos,
ainda no período Paleolítico.
Laver (1996:10) afirma que essas descobertas permitiram
que as peles fossem cortadas e moldadas no corpo,
tornando possível costurá-las. Alguns autores, denominam
este tipo de vestimenta de Fourrure (que em francês
significa peles).
Com a descoberta da fiação e do tear (Circe e Penélope),
no período Neolítico, fica estabelecida a manufatura de
tecidos: lã, cânhamo, algodão e linho, dando início ao
que se pode, significativamente, chamar de vestimenta.
Os tecidos, em forma de retângulos, passaram a ser modelados
em volta da cintura, formando um sarongue (forma
primitiva da saia). Outro retângulo (ou quadrado) era
moldado sobre os ombros e presos por Fibulae (broche).
Esta técnica primitiva de modelagem tridimensional em
forma de “drapeamentos” de tecidos sobre o corpo, com
o auxílio de “fibulae”, cordões, faixas e cintos, foi a marca
do vestuário das antigas civilizações oriental e clássica
, principalmente dos egípcios, gregos e romanos.
Por volta de 600 A.C. surge a tesoura, para dar início
a técnica do corte no Oriente, com as modelagens em
forma de túnicas. Rigueral (2002) afirma “que é nesse
período, com as civilizações mais evoluídas, que vai
surgindo aos poucos, através da modelagem a estética
da roupa como forma de expressão visual”.
No início do período medieval, a característica da modelagem
eram as túnicas amplas que passaram a ser a ser
costuradas e, sobre elas, usava-se capas presa no ombro
por broches, que poderiam ser de vários comprimentos.
A intenção estética da vestimenta era somente de cobrir
o corpo como formas de proteção e de pudor; e os tecidos
e ornamentos (bordados, pedrarias, jóias) tinham
como função única de diferenciador social. Porém, no
período das Cruzadas (século XI), Laver (1996: 56) cita,
que a reabertura do comércio com o Oriente os cruzados
trouxeram não somente os tecidos, mas as próprias
roupas. Com isso surge no Ocidente, segundo o mesmo
autor, o início da técnica do corte, que no Oriente já era
bastante aprimorada.
As mulheres ocidentais passaram a costurar os vestidos
que ainda eram modelados no próprio corpo por meio
de abotoamento lateral, de modo que a parte superior
passou a ser ajustada sobre o busto e também com a
abertura de pequeno decote quadrado.
Na verdade, nesse período, as corporações de ofícios
formada pelos artesãos eram, na maioria das vezes, responsáveis
pela confecção das roupas. Existiam aqueles
que estampavam, bordavam os tecidos; os que modelavam
e costuravam as vestes; os chapeleiros, sapateiros,
etc. que eram contratados pelas classes mais elevadas.
Em meados do século XV, com as nações já estabelecidas
e o aumento do luxo produzido pela prosperidade
mercantil, principalmente das cidades italianas de Gênova,
Veneza, Milão e Florença, têm início o período do
Renascimento, marcado por grande transformação cultural
em todas as áreas da sociedade européia. E com a
modelagem das peças do vestuário, não foi diferente. Os
grandes avanços ocorridos neste período representam a
base de todos os processos tecnológicos de modelagem
da atualidade.
No século XVI, período áureo do Renascimento, Fontes
(2005) afirma que, com o aumento das fábricas de tecidos,
grandes avanços ocorreram na arte da alfaiataria
com relação a modelagem de peças do vestuário. Com a
personalização do vestuário por toda a Europa, fazendo
surgir o conceito de “moda”, esta arte (alfaiataria) passou
a exigir cada vez mais novas técnicas de modelagem
que se traduziram na especialização dessa atividade,
através dos “mestres alfaiates”. “Estes procuravam garantir
a qualidade do vestuário, assim como proteger os
compradores”. (Fontes, apud: Duarte Nunes Leão “Livro
de Registros dos Ofícios Mecânicos”, Compilado em
1562 para a Câmara de Lisboa, e confirmado em 1752).
O mesmo autor afirma que, apesar da simplicidade dos
instrumentos de trabalho que se resumiam a tesouras,
réguas e compassos, os alfaiates tinham que possuir conhecimentos
de geometria, aritmética e das proporções
do corpo Humano. Isso, por sua vez, exigia um longo
aprendizado necessário para o exercício da arte de modelagem
das peças do vestuário.
Afirma ainda o mesmo autor, que os grandes avanços nas
técnicas de corte, começaram por volta de 1589, quando
é publicado em Madrid (Espanha), o primeiro livro sobre
as técnicas de alfaiataria Livro de Geometria y Traça de
Juan de Acelga. As extraordinárias variedades das formas
do vestuário contidas nesta obra impõem um desenvolvimento
técnico incomparável nos séculos seguintes.
Nesse contexto, Laver (1996: 132) confirma o citado acima,
quando afirma que a partir das técnicas de alfaiataria
surgidas nesse período as roupas atingiram um grau
surpreendente de elaboração e refinamento. Ele atribui
essas qualidades aos avanços da modelagem, confirmados
pela ilustração (fig. 138) anexada à sua obra, extraída
da IN Enciclopédie Méthodique, de 1748, onde se vê
uma sala de trabalho de uma costureira (com mesa apropriada
para modelar e cortar) e diagramas mostrando o
método do corte através dos moldes prontos.
Com estes avanços, a França lança a primeira Escola de
Moda, exclusivamente para alfaiates e sapateiros, em
1780. Mas é a Inglaterra que se destaca com a adoção da
alfaiataria, lançando moda masculina para toda a Europa.
Segundo Laver (1996: 158), este fato se “deveu em
grande parte, à habilidade superior dos alfaiates de Londres,
treinados para trabalhar a “Casimira”. Esse tecido,
de maneira diferente da seda e de outros materiais finos,
pode ser esticado e, desse modo, bem moldado”.
Procurando um conhecimento mais exato das medidas
básicas do corpo humano, os alfaiates lançaram as bases
da antropometria. Segundo Fontes (2005), deve-se a H.
Guglielmo Compaign o estabelecimento das primeiras
Tabelas de Medidas e o princípio do “Escalado”. A sua
obra A Arte da Alfaiataria - 1830” revolucionou as técnicas
de modelagem em toda a Europa.
Em 1849 –três anos após a invenção da máquina de costura,
pelo norte-americano Elias Howe– duas grandes
invenções muito contribuíram para o desenvolvimento
técnico da modelagem: a Fita métrica (1847) e o Busto
Manequim (1849), ambos por Aléxis Lavigne. Instrumentos
estes, ainda hoje indispensáveis para as técnicas
de modelagem plana manual e tridimensional.
Com todas estas técnicas de modelagem desenvolvidas
no período de Revolução Industrial na Inglaterra e com
a implantação da primeira indústria têxtil produzindo
tecidos com larga produção em série, a moda encontra
uma grande maneira de se modificar: Em 1850, na
França, surge o conceito de Alta-Costura criado pelo Inglês
–radicado em Paris– Charles Frederich Wort. Suas
criações e o seu sistema de trabalho através da moulage
deram à moda uma grande importância como forma de
expressão visual e estética que marcaram uma época.
O século XIX, se comparado aos séculos passado, termina
com a moda adquirindo aspectos de identidades
muito particulares já em suas formas, utilizando-se das
diversas referências possíveis adquiridas pelas técnicas
de modelagem. E foram estas técnicas que permitiram
a abertura da primeira Indústria de confecção com produção
em série no segmento de uniformes e roupas de
trabalho, com a graduação (ou gradação) de moldes nos
vários tamanhos.
Na virada do século XIX até meados dos anos 60 do Século
XX, a alta costura conhece o seu período áureo.
Alguns dos seus mestres adquirem renome internacional,
com a técnica da moulage adaptando-a aos novos
tecidos e às novas e variadas formas de design do vestuário.
A segunda metade desses anos são marcados por
profundas transformações neste setor. Por outro lado,
começa a surgir uma nova classe de estilistas, voltados
para a consultoria nas grandes indústrias, as quais, a
partir dos anos 50 deste mesmo século, se afirmam no
mercado com suas produções em grande escala (frutos
do Read-two-wear e do Prêt-à-pòrter). Os gostos orientam-
se agora para os produtos em série, o consumo de
massas e, segundo Araujo (1996), com produtos estruturados
através da modelagem plana, a partir dos moldes
bases que são construídos com o auxílio de tabelas de
medidas padronizadas pela ISO.
A aprendizagem e as novas técnicas de modelagem começam
a estruturar-se de forma mais sistemática e de
acordo com as exigências dos novos tempos. Ampliamse
as publicações de revistas com vários conceitos de
moda, novas tendências e modelos acompanhados pelas
suas respectivas modelagens, para serem reproduzidas
de forma prática, em vários tamanhos e acessíveis
às pessoas que tenham o conhecimento mínimo na arte
do corte e costura.
A partir dos anos 80 do século XX, as indústrias de
confecção conhecem então um enorme crescimento,
tornando-se um dos setores fundamentais da economia
mundial. Diante deste fato, não é de se estranhar que
grandes nomes da moda tenham-se integrado nos grandes
sindicatos e associações da indústria têxtil e da indústria
de confecção. Nem ao menos deve-se estranhar
também, o número cada vez mais crescente de cursos
técnico e “o academicismo de moda, formando novos
profissionais para atender uma crescente demanda de
mercado e se especializando nas novas técnicas informatizadas
de produção”. (Braga: 2004).
Em relação a modelagem, além da moulage –método bastante
utilizado na alta-costura– e da modelagem plana
manual, os sistemas computadorizados surgiram para
acelerar os processos de produção das grandes indústrias,
construindo moldes planos (ou bidimensionais) com um
alto grau de qualidade no espaço de tempo bastante reduzido.
O sistema CAD é o mais utilizado na atualidade nas
indústrias de grande porte. Ele é composto de um “monitor”,
uma mesa digitalizadora ou scanner e um plotter.
A mesa digitalizadora é usada para se fazer as marcações
de pontos ao longo das bordas de um molde; esses
pontos são convertidos em caracteres codificados (forma
que o computador entende), para então serem transferidos
para o monitor. Uma vez transferidos, o computador
permite fazer alterações nos moldes, graduação e
encaixe. O plotter permite a impressão dos moldes em
tamanho natural e com o encaixe, prontos para seguirem
para o setor de corte. (Araújo: 1996).
Segundo o mesmo autor, a maioria dos modelistas que
trabalha com esses sistemas computadorizados, prefere
fazer manualmente o molde base (feito sempre em
tamanho médio, para facilitar a graduação) e depois digitaliza-
lo para o computador e, então, fazer alterações,
graduações, etc.
Esses sistemas possuem funções que permitem a qualidade
total. Entre esta, podemos citar:
• O arquivamento dos moldes na memória do computador,
evitando os danos causados pelos moldes feitos
manualmente em papel Kraft; Precisão nas medidas,
obtendo assim moldes perfeitos;
• Desenho e impressão de peças com encaixe, apenas
em alguns segundos, caso venham ser utilizados novamente,
formando outros lotes para a produção.
O sistema “Accumarc Silhouete”, permite ao modelista
o uso de suas ferramentas preferidas. Ele é uma combinação
da automatização computadorizada com o desenho.
Nele encontram-se todas as ferramentas utilizadas
na modelagem plana manual, permitindo ao modelista
o uso ou não das mesmas.
Nestes primeiros cinco anos do século XXI, transformações
contínuas ocorrem na base do sistema do vestuário.
As indústrias de confecção buscam novas tecnologias
para melhorar o processo de produção sempre
com novos diferenciais para competirem no mercado,
atendendo uma clientela que está sempre a exigir mais
conforto e mais qualidade como uma forma de valorização
da estética.
Nesse contexto, a escolha do tipo de modelagem a ser
utilizada se apresenta como um diferencial, uma ferramenta
de fundamental importância para o desenvolvimento
dos modelos com um alto padrão de qualidade.
Com isso, o profissional, acima de tudo, deve saber relacionar
o modelo a ser desenvolvido com a segmentação
de mercado consumidor e / ou cliente específico, para
obter modelagens no “design” do vestuário pautado no
conforto, na praticidade, funcionalidade, além do aspecto
estético visual.
Referências bibliográficas
- Araújo, Mário de. Engenharia e design do produto. Lisboa: Universidade
aberta, 1995.
- __________. Tecnologia da confecção. Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 1995.
- Crawford, A. C. The art of fashion draping. New York: Second
Edition, Fairchild Publications, 1998.
- Durand, José Carlos. Moda, luxo e economia. São Paulo: Babel
Cultural, 1988.
- Grave, Maria de Fátima. A Modelagem: sob a óptica da ergonomia.
São Paulo: Zennex Publishing, 2004.
- Laver, James. A Roupa e a Moda. Uma história concisa. São Paulo:
Cia. Das Letras, 1996.
- Rigueral, Carlota . Design & moda: como agregar valor e diferenciar
sua confecção. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas.
Brasília-DF Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, 2002.
- Souza. Sidney Cunha de. Introdução à modelagem industrial. Rio
de Janeiro: SENAI/DN, SENAI/CETIQT, CNPq, IBICT, PADCT,
TIB, 1997.
- Treptow, Dóris. Inventando moda: planejamento de coleção.
Brusque - D. Treptow, 2003.
Artigos da mídia eletrônica
- Fontes, Carlos. Alfaiataria em Portugal - extraído do “O livro das
profissões”. {Hyperlink: http//www.forma.do.sapo.pt/page8. html.
Vera Lúcia Lins Soares. Estilista, Universidade Federal do Ceará.
Aluna, pós-graduação em Metodologia do Ensino em Arte Educação
Universidade Estadual do Ceará. Professora SENAI - Fortaleza-Ce e
Universidade Federal do Ceará



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  • Evoluçâo da modelagem no design do vestuário: do simples “ritual ancestral” às técnicas informatizadas fue publicado de la página 241 a página243 en Actas de Diseño Nº7
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