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Ecodesign: uma experiência na formação de professores enfatizando a leitura e o ensino de ciências

Ormezzano, Graciela; Antunes, Dulcicléia

Actas de Diseño Nº19

Actas de Diseño Nº19

ISSN: 1850-2032

X Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” VI Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño

Año X, Vol. 19, Julio 2015, Buenos Aires, Argentina | 256 páginas

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Introdução

A arte, a criatividade, o design e a ludicidade na formaçãodo professor podem ser aspectos que alavanquem umavisão de sustentabilidade. As atividades lúdicas são naturaisno desenvolvimento do ser humano, auxiliam naaprendizagem e também na sua vida social, pois facilitamo processo de comunicação e de interação com o meio.Muitos conceitos diferentes são encontrados para o termo“lúdico”, como jogos, brinquedos ou brincadeiras. ParaFortuna (2011), os gregos tinham várias palavras paraconceituar o jogo. Mas no latim a palavra ludus quer dizer“jogo”, ao brincar, ao movimento espontâneo. Em nossoidioma a palavra jogo vem do latim jocus, que quer dizerbrinquedo, folguedo, divertimento, passatempo sujeito aregras, sendo base para jocularis, cujo significado é divertido,risível. Desta palavra surge jocalis, aquilo que alegra.O termo de maior abrangência é ludus, de origem latina,que remete às brincadeiras, jogos de regras, competições,recreações e às representações teatrais e litúrgicas. Delederiva o termo lúdico, que significa tanto brincar como jogar. De acordo com Huizinga (2010), algumas línguas nãose preocupam em marcar tão definitivamente a diferençaentre brincar e jogar, e convivem tranquilamente com essaindeterminação conceitual, ao passo que outras línguasemprenham-se em delimitar com exatidão o brincar e ojogar. As diferenças linguísticas dependem do valor socialque o jogo tem em cada sociedade.Assim, conscientes da importância do lúdico na aprendizagemde alunas de Pedagogia e da relevância no reaproveitamentode sucatas de material têxtil, optou-se porrealizar uma investigação que procurou realizar oficinasde ecodesign para este público alvo interessado na criaçãode brinquedos e materiais lúdico-didáticos e compreendero sentido desta atividade para as participantes.Justifica-se este estudo no que respeita a relevância dolúdico, com base nas falas de professoras entrevistadaspor Dickel e Dias (2010); elas afirmam que a maior dificuldadepara desenvolver o letramento está, dentre outras,na falta de recursos materiais e didáticos e das criançasnão terem espaço para as brincadeiras.Entretanto, a ideia da reutilização de material têxtilsurgiu dos problemas que o consumo desenfreado trazà sociedade, suas dinâmicas num ritmo crescente queenfatiza as desigualdades sociais. Segundo Feldmann(2003), além da desigualdade é preocupante o componentecultural complexo que universaliza os estilos devida caracterizados pela imposição de padrões, modelos,modismos, aspirações de consumo, que se concretizamatravés de tênis de determinadas marcas, bolsas, jeans,bonés, diversos tipos de roupas e toda uma parafernáliado campo da moda voltada para atender desejos criadospor um sistema econômico que precisa desse consumopara sobreviver.Foram realizadas nove oficinas de ecodesign em encontrossemanais que ocorreram nas quartas-feiras à tarde,das 14 às 17 h, no Laboratório de Costura, do Centro deEducação Tecnológica, da Universidade de Passo Fundo.Participou um grupo de vinte alunas do ProgramaInstitucional de Bolsa de Iniciação à Docência, do Cursode Pedagogia da mesma instituição. Tendo como temaprincipal a sustentabilidade com a aplicação de técnicasde reaproveitamento na criação dos novos produtos,desenvolvendo a criatividade, com um olhar voltado àeducação estética e principalmente fazendo um trabalhoque refletisse a preservação do meio ambiente. A reutilizaçãode materiais descartáveis, das linhas de produçãoda indústria têxtil, resultou em novos produtos comobrinquedos ou materiais lúdico-didáticos para seremutilizados na Pedagogia, com novas funções e com valoresde custo bem mais acessíveis do que os produzidos porempresas especializadas.Trata-se de uma pesquisa de cunho descritivo que seutilizou da observação como instrumento para a coletade dados, fazendo um registro em diário de campo. Natentativa de sintetizar o estudo e focar na relação teoriaprática,aborda-se inicialmente o aspecto da formaçãodocente, segue-se pelo projeto das oficinas de ecodesigne, conclui-se com a descrição dos resultados fundamentadana produção dos objetos pedagógicos e na fala dasparticipantes.

Sobre a formação docente

Na formação de professores, encontramos uma tendênciamuito marcante de incluir o lúdico, os alunos de Pedagogiaestão buscando conhecimentos e os já formadosse atualizando para ensinar e aprender de forma maiscriativa. A valorização da prática do brincar e do jogarestá despertando no professor e no aluno uma maneiradiferente de fazer educação.Fortuna (2011), diz que o nexo entre brincar, aprender eensinar se estabelece quando se conciliam os objetivospedagógicos, as características essenciais da atividadelúdica e os desejos e necessidades do aluno. É necessárioencontrar o equilíbrio entre as funções pedagógicas,como ensinar e aprender, e as funções psicológicas, comocontribuir para a construção do ser humano autônomo ecriativo. Para a autora, a educação através do lúdico visadesenvolver a imaginação, o raciocínio, a expressão e asociabilidade. Enfim, trata-se de forjar uma nova atitudeem relação ao conhecimento, ao mundo, ao outro, asi mesmo, e, por conseguinte, em relação à vida, comevidentes implicações para o sucesso escolar, a sustentabilidadee a inclusão social.A formação pode incluir um aspecto lúdico e reconhecero brinquedo como um objeto educacional útil, que apresentamuitas possibilidades educativas, além de estimulare desenvolver os aspectos cognitivos, socioafetivos epsicomotores. Nesse sentido, brincar é uma atividade

[...] dominante da infância, tendo em vista as condiçõesconcretas da vida da criança e o lugar que elaocupa na sociedade, é primordialmente a forma pelaqual esta começa a aprender secundariamente, é ondetem início a formação de seus processos de imaginaçãoativa e, por último, onde ela se apropria dasnormas de comportamento que corresponde a certaspessoas. (Wajskop, 1995, p. 34).

Existe um comprometimento da universidade na formaçãode professores para brincar tanto na formaçãoinicial como na continuada. Não somente a sala deaula é ambiente de aprendizagem, mas também outrosambientes podem contribuir para tanto. A articulaçãode teorias com práticas é essencial para a adequação daeducação pelo brincar, possibilitando, assim, o processode internalização dos processos formativos de abordagemcríticas e formadoras existentes nos conteúdos lúdicos.Afirma Fortuna que uma aula lúdica:

[...] objetiva situar o aluno como sujeito na aprendizageme o professor assumindo a posição de domínioque a brincadeira implica. Professor e aluno tornamsesujeitos e não meros objetos nesse processo no qualpodem experimentar a alegria e o desafio de aprendere ensinar uns aos outros... A formação lúdica diz respeitoa aquilo que os professores sabem, vivenciam esentem a em relação à ludicidade e que definem seumodo de ser e seus conhecimentos no âmbito de brincar,com decisivas implicações tanto para sua práticapedagógica quanto para as práticas formativas institucionaisrelativas ao jogo e a educação. (2011, p. 91).

A formação de professores necessita ter a presença dolúdico para contribuir com a reflexão sobre a necessidadede implantar mudanças pessoais ou institucionaisorientadas para que estas aconteçam no modelo de ensinoadotado. Com o lúdico apresenta-se também a alternativade participação dos alunos, pois o brincar contribui parao questionamento dos padrões de funcionamento da escolae possibilita o resgate do prazer de aprender e o bomrendimento escolar. A importância da dimensão lúdicano desenvolvimento e na aprendizagem humana, assimcomo na história de vida dos professores dá significado àsjá tão discutidas questões de educação, como essa necessidadede educar com o uso da ludicidade, valorizandoa criança no seu espaço e o professor no seu métodoadotado. Wajskop reforça a ideia de que os professoresque brincam em sala de aula tornam suas atividades maisatrativas ao aprendizado da criança:

Se observarmos as atividades que a criança realiza,veremos que os jogos e as brincadeiras podem estarpresentes tanto no dia-a-dia das creches e pré-escolasquanto na vida doméstica das crianças. Consequentemente,os professores que souberem trabalhar com osjogos e brincadeiras em seus planejamentos poderãotornar suas propostas de atividades mais adequadas àforma como as crianças pequenas se desenvolvem eaprendem. (Wajskop, 1995, p. 78).

O princípio de que os docentes se fazem professores aolongo da vida profissional, escolar e pessoal, em açõesde formação inicial e continuada, renova as formas depensar a formação docente, exigindo uma reavaliaçãocrítica das relações entre os conhecimentos universitáriose os saberes discentes e docentes, da qual decorrem,indubitavelmente, novas funções para as instituiçõesformadoras e novos sentidos para as ações que desenvolvem.Fortuna (2011) afirma que o saber dos professoresé adquirido no contexto de uma história de vida e deuma carreira profissional, e, bem antes de ensinarem osfuturos professores já vivem dentro das salas de aula, e,portanto, em seu futuro local de trabalho.A universidade além de ensinar e produzir conhecimentopela investigação visa à interação entre a comunidadeacadêmica e a sociedade, contribuindo assim para odesenvolvimento e o fortalecimento da região ondea instituição está localizada. Deste modo, a extensãouniversitária, também contribui na formação docente,porque desenvolve projetos e programas extensionistasque conciliam a pesquisa com a ação em campo. Dessaforma, a extensão universitária é de extrema importânciapara a realização de cursos onde se ensina a educar deforma lúdica, porque são muitos os casos relatados porprofessores que admitem não saber jogar, tendo dificuldadede brincar na sala de aula. Para Fortuna,

Os professores precisam aprender sobre o brincarpara fazer brincar, ensinar e aprender, brincando investigandosobre a formação inicial dos professoresem relação ao brincar, reavaliando a proposta curriculardos cursos de formação dos profissionais de educaçãoe articulando a teoria e prática que é fundamentalpara uma prática lúdica. (2011, p. 130)

A inserção dos brinquedos e materiais lúdicos está sendocada vez mais reconhecida por educadores, sendo usadosno auxílio da aprendizagem, no desenvolvimentopsicomotor e da criatividade da criança. É por meio dejogos e de atividades lúdicas que a criança desenvolve ossentidos, a imaginação, as idéias e o prazer de aprender.Como refere Duarte Junior:

A educação do sensível deveria se dar por meio daarte e do fazer artístico, desde a mais tenra idade. Ocontato com obras de arte e constante prática artísticalevada a efeito por crianças e adolescentes haveriamde lhes proporcionar, uma educação desses sentidossobre os quais se fundam a consciência e, em ultimainstancia a inteligência e o juízo do indivíduo humano.(2001, p. 182)

Os objetos, brinquedos ou materiais didáticos podemser fonte de desenvolvimento dos sentidos; pois, tantoa percepção prática como a estética podem auxiliar nodesenvolvimento das sensações. Para os educadores nãohá praticamente nada mais eficaz que as artes visuais, amúsica e as artes cênicas, integradas no currículo escolarpara desenvolver e refinar a capacidade natural de umacriança de reconhecer e expressar padrões, sentimentose ideias.

Projeto das oficinas de ecodesign

As artes podem ser um instrumento poderoso paraensinar o pensamento sistêmico, além de reforçarem adimensão emocional que tem sido cada vez mais reconhecidacomo um componente essencial do processo deaprendizagem (Capra, 2003). Neste estudo a valorizaçãoda arte inclui o design, mais especificamente o ecodesign,voltado para o reaproveitamento da sucata têxtil,na construção de brinquedos e materiais didáticos porfuturas professoras de educação infantil e anos iniciais.A participação das alunas nesta prática pode ser consideradaum componente que integra as áreas de conhecimento,assim como as disciplinas do curso. Na conferência“O futuro que queremos” da conferência RIO+20, no item234, observa-se o compromisso de encorajar a participaçãoem boas práticas, que, de alguma forma, possampromover o desenvolvimento sustentável.

234. Encorajamos fortemente as instituições de ensinopara considerar a adoção de boas práticas emgestão da sustentabilidade em seus campi e nas suascomunidades com a participação ativa de, alunos,professores e parceiros locais, e ensinar o desenvolvimentosustentável como um componente integradoentre as disciplinas. (2012, p. 45)

A prática é muito positiva e os brinquedos criados eproduzidos com sucatas da indústria têxtil, nas oficinasde ecodesign, podem permitir que os futuros professoresreflitam sobre a importância de a criança explorar o meioonde vive, de maneira que perceba que o mundo precisaser cuidado, trazendo consigo um significado, um sentidomaior. Este primeiro esforço, segundo Capra (2003), parauma forma de vida mais sustentável implica a compreensãodos princípios organizativos que os ecossistemasdesenvolvem para preservar a teia da vida, e pode serdenominado de “alfabetização ecológica”.Na esteira de um processo educativo para a sustentabilidade,que se ocupasse com o destino dos resíduos sólidosque são descartados pelas indústrias ligadas à moda,tentou-se criar novos produtos, como materiais lúdicodidáticose brinquedos que auxiliassem na educação dospequenos. Transformar os resíduos em novos materiaisecologicamente corretos e apresentá-los como objetos pedagógicosfoi uma resposta para a indústria têxtil, numatentativa de mostrar que tudo pode ser transformado.O objetivo geral da oficina foi desenvolver objetos queauxiliassem as alunas de Pedagogia nos processos educativoscom crianças. E os objetivos específicos foram criarbrinquedos e materiais lúdico-didáticos com sucatas têxteis;Transformar a sucata em novos produtos com maiorvida útil e utilidade renovada; Despertar o incentivo àproteção da natureza nesse grupo específico do estudo,adotando a reutilização e agindo de forma consciente,reduzindo a poluição.As atividades desenvolvidas se iniciaram reunindo asinformações fornecidas pelas alunas da Pedagogia. Ospassos da oficina foram:

1. Escolha, seleção e separação de material e matériasprimas,adquiridos por meio de doações, para que fossemaplicados nos novos brinquedos e materiais lúdicodidáticosde forma que atingissem os objetivos propostos.2. Uso da criatividade, combinação de materiais, corese texturas no planejamento, risco e corte de cada novoproduto visando ao reaproveitamento dos materiais.3. Minimizar a produção do lixo, dialogar sobre a questãoda reciclagem, desenvolver novas atitudes e estimularreflexão a respeito das questões ambientais, dos sereshumanos na natureza.4. Manuseio nas mesas de corte e manipulação em máquinasde costura e equipamentos do laboratório.5. Desenvolvimento dos brinquedos e materiais lúdicodidáticos,com acabamento e limpeza da peça e apresentaçãodas funções do produto ao grupo. Incentivoà reutilização no trabalho desenvolvido pelo professorcom saídas criativas e geração de materiais didáticos paraserem utilizados nas aulas.6. Ao final de cada fase, quando todos os participantesfinalizavam seu produto, eram apresentados para osdemais componentes do grupo todos os trabalhos desenvolvidose, assim, se iniciava uma nova fase para aprodução de outro produto.

A avaliação dos encontros foi feita por todas as alunasparticipantes do grupo, sugerindo que se dê continuidadeàs oficinas de ecodesign no ano seguinte, pois osresultados foram muito positivos tanto nas propostas decriação quanto na aplicação dos objetos pedagógicos nassalas de aula onde foram utilizados os materiais criados.Porém, isto foi realizado de modo experimental sem trazerrelevantes informações para esta pesquisa, uma vez,que não era esse o objetivo da mesma.

Construção de brinquedos e materiais lúdicodidáticos

com sucatas da indústria têxtil

Nas oficinas de ecodesign foram criados brinquedose materiais lúdico-didáticos para serem utilizados emdiversas áreas do conhecimento. Em relação à leitura,produziram-se os Aventais para contar histórias com afinalidade de colar personagens no corpo da professoraque auxiliasse a contar contos de fada e outras histórias;o Tapete mágico da literatura trata-se de uma bolsa quea criança leva para casa contendo um livro, quandovirada do avesso, a bolsa se transforma em tapete sobreo qual pode sentar e ler; ainda, no campo da leitura, oLivro de tecido promove uma interação em cada páginatrabalhando os cinco sentidos.A Almofada interativa mostrou de maneira criativa areutilização de uma calça jeans que permitiu desenvolvera motricidade fina, nela foram aplicados vários elementosque promoviam interatividades, como cordões paraamarrar, pedras para contar, botões para abrir e fechar,fitas e outros materiais utilizando diversas cores, texturas,cheiros, sabores e sons.Também, surgiram brinquedos para a área de Ciências,como um Boneco anatômico feito de pano, com a cabeça,os membros superiores e os inferiores separados do tronco,podendo ser colados com velcro para uso nas aulassobre o corpo humano; para o conhecimento de Anatomiatambém criou-se o Avental de órgãos que possui os principaisórgãos presos na frente, com velcro, constituindoos aparelhos circulatório, digestivo e urinário.O Porta alfabetos, números e formas é um painel lúdicodidático,para guardar em seus bolsos as letras, os números,as formas geométricas, as cartelas de cores, dentreoutros materiais usados pelos professores. Na intençãode contribuir na organização da sala de aula foi criadoo Porta livros de literatura para brinquedotecas que vaipendurado na parede e serve para guardar livrinhos; já oPainel porta trecos com árvore de frutas objetiva organizarjoguinhos pedagógicos, brinquedos e outros materiais.Observou-se que as alunas da Pedagogia reconhecem arelevância de uso do lúdico na educação das crianças, deforma intensa, com atividades voltadas à manipulaçãode objetos no processo educativo. A aluna 1 disse: “Aaprendizagem através do lúdico precisa ser prioridadecom a criança pequena, pois é a fase de brincar, tem queestar inserido na metodologia das aulas, por meio dasbrincadeiras. É através do lúdico que a criança pequenaaprende com mais intensidade”.Por sua vez, aluna 2 afirmou: “A criança aprende muitoatravés da dramatização, de se fantasiar, eu procurotrabalhar muito o lúdico, pois acredito que a criança,na fantasia, vai definindo seus valores, aprendendo afazer escolhas que talvez possam refletir lá na sua vidaadulta”. Já para a aluna 3, “na aprendizagem da criança,o lúdico é o momento de pensar, de imaginar, de criar,de produzir e reproduzir”.A construção dos brinquedos não precisa ter regras,porém, para que possam ajudar o professor na sua intençãode ensino, é interessante que se reconheçam algunselementos pedagógicos nesses materiais no momento dasua criação. Em certos momentos o mesmo brinquedoou material lúdico-didático pode ser usado para váriosfins. Kishimoto (2003) sugere critérios para uma escolhaadequada de brinquedos de uso escolar: o valor experimental:permite a exploração e a manipulação; o valor daestruturação: dá suporte à construção da personalidadeinfantil; o valor da relação: coloca a criança em contatocom seus pares e adultos, com objetos e com o ambienteem geral para propiciar o estabelecimento de relações sociaise o valor lúdico, que avalia se os objetos possuem asqualidades que estimulem o aparecimento da ação lúdica.Nesse sentido, a aluna 4 comentou:

O professor não pode reconhecer o brinquedo somentepara brincar, o aluno quer ter uma atividade e oprofessor quer ter um retorno nesse brincar. O professordeve colocar no brinquedo apresentado para seualuno um sentido pedagógico. Por exemplo, o bonecoestuda o corpo humano, a higiene, as relações. Então,pra mim todo o brinquedo tem que ter um sentido.

As alunas da Pedagogia puderam se envolver com aquestão do reaproveitamento de materiais, a criação doobjeto e suas funções, além de poder experimentar naescola onde desenvolvem atividades de práticas iniciais.Nesta parte do texto, apresentam-se relatos das entrevistadasa respeito dessa participação nas oficinasde ecodesign, da criação dos brinquedos e materiaisdidático-lúdicos e da aplicação de algum desses materiaisnas escolas.Sobre sua participação nas oficinas de ecodesign, a aluna1 declarou que, para ela, foi extremamente importante eválido. Foi uma atividade diferenciada na carreira acadêmica,dentro da sua área, onde pôde produzir brinquedos,se perceber produzindo e não utilizando somente coisasprontas. Esta aluna também afirmou que, ao produzir osobjetos para usar na sala de aula, carregou-os de significado,ainda no planejamento, dando sentido às coisas,como pode se observar nas suas palavras:

Foi assim que eu vi esse material, foi assim que eleme foi apresentado, eu fui lá e construí, participei daconstrução do material, fiz pensando nas crianças,na reação que elas poderiam ter vendo o material, nareação que elas poderiam ter aprendendo com o material,então, eu acho que vem carregado de sentimento,amor pela educação, amor pelo que você faz. Eu achoque tem um significado diferente do que você simplesmentepegar uma coisa pronta e levar para sala deaula, participar do processo de produção e de planejamentodesse material, você se reabastece de conhecimento.Além disso, posso passar para outras pessoas,para outras profissionais que trabalham junto: Olhafoi uma experiência muito legal, vou compartilhar.Usar e dar a sugestão. Eu acho que é assim que a genteconstrói o conhecimento, compartilhando.

A mesma aluna comentou que a experiência de utilizaro Tapete mágico da literatura na escola surtiu um efeitomuito bom nas crianças e também envolveu os pais,porque “[...] se as crianças que não possuem na famíliaum contato mais direto com o mundo letrado têm maisdificuldades para se apropriar da escrita, cabe ao professorpromover esse acesso” (Dickel; Dias, 2010, p. 20).Então, veja-se a experiência desta entrevistada:

Cheguei à sala mostrando a sacola e elas acharam encantadora,até por que, são crianças com menos recursos,não tem essa disponibilidade, ou contato com essetipo de material, acharam diferente. Foi muito usadapor cada uma delas, pois não viam a hora de levar asacola pra casa. Ficavam pedindo: Prô, mas quandoé a minha vez? Foi uma experiência bem legal, comcerteza, se o objetivo da sacola era incentivar a leiturae ter cuidado com o livro, foi alcançado. Cada alunoescolheu um livrinho com carinho e levou na sacolapara casa. Quando o trouxe, contou a história para oscolegas. Para mim, são nesses detalhes que, quandoutilizados na educação, como um suporte, uma ferramentapedagógica, incentivam a criança a aprender, adesenvolver o processo de ensino-aprendizado, alémda responsabilidade de cuidar do material e do respeitopelo companheiro que também está aguardandoa sua vez de usar.

Já, a aluna 2, sobre sua participação nas oficinas deecodesign, falou que pôde acompanhar a circulação e areciclagem de materiais, o surgimento de ideias novaspara o trabalho e produzir materiais novos, como se essesmateriais nunca acabassem. Então, pode-se aqui citar otexto de Capra, que diz: “a matéria circula continuamentepela teia da vida” (2003, p. 25). Referindo-se às criançasa mesma aluna disse:

Eles valorizaram esse trabalho, gostaram muito, principalmentedas sacolas, de manipular, de abrir e fechara portinha, a janelinha, pois viram que realmentetinha sido construído para eles, com a intenção de serusada, poder, sujar, botar no chão, sentar em cima,deitar, fazer uma almofada. Quando entreguei paraeles foi bonito ver a carinha deles: “Pra nós, prô?”que legal! tem uma portinha, e abriam e fechavam aportinha, manipulavam assim..., e abriram e viramque se transformava em tapete e dava para sentar, elesgostaram muito. Então, eu quero aprender mais coisasassim com as oficinas que foram muito bacanas e euaprendi bastante. Também achei positiva a experiênciade unir as duas áreas, pois o material ficou diferentecomo a árvore porta trecos, quando mostramosnas escolas, todos querem, me impressionou como épossível utilizar esse material tão simples, retalhosde algodão e fibras e transformar num material didáticotão legal. A árvore eu vou trabalhar com gênerostextuais. Mas a minha colega já está trabalhandooutra coisa, ela fez uma teia, uma rede temática e emcada bolso ela coloca um tema daquilo que ela vaitrabalhar no estágio. Então surgem várias ideias parao mesmo material, vários fins e de todas as formas osbrinquedos com suas texturas, suas cores, vão mexercom o imaginário infantil e os sentidos. A aluna aindafala de outros materiais que podem ser feitos nasoficinas, como tapetes sensitivos com materiais descartados,os dados gigantes, para serem utilizados devárias formas na sala de aula.

Observa-se nas falas das alunas uma alegria pela participaçãonas oficinas, muitas ideias novas e motivaçõespara continuar este trabalho de forma sustentável. Naconferência “O futuro que queremos” da RIO+20, noitem 6, apresenta-se o reconhecimento da participaçãoe de esforços das pessoas em trabalhos conjuntos paradesenvolver o crescimento e a proteção do ambiente.

6. Reconhecemos que as pessoas estão no centro dodesenvolvimento sustentável e neste sentido nos esforçamospara um mundo mais justo, equitativo e inclusivo,nos comprometemos a trabalhar em conjuntopara promover o crescimento sustentável, econômico,desenvolvimento social e proteção ambiental paraque todos sejam beneficiados. (2012, [s.p.])

A seguir, a aluna 3 expressou o compromisso e o envolvimentoem atividades que tratam do crescimentosustentável:

Para mim, participar dessas oficinas abriu um mundo,é uma troca de experiências, tem coisas que quandoolhamos não imaginamos que poderiam se transformar,e quando vemos o grupo todo trabalhando esaindo coisas lindas. Como na nossa oficina da sacola-tapete. Meu Deus! Aquilo é fantástico, as criançaslevam para casa, fazem os pais ler juntos, os irmãos,os avós, voltam para a escola. Eles pedem por aquelematerial. Eles adoram esse material. O avental paracontar histórias também eles vestem, grudam os personagens,refazem conto oral, trabalhando a oralidadee acabam perdendo a vergonha ou a timidez defalar na frente dos colegas e de maneira que eles nempercebem, estão falando, estão contando a história. Ese torna, para todos, um momento fantástico, um momentode integrar o conhecimento, de socializar.

Também a aluna 4 assegurou que utiliza muito da reciclagemno seu ambiente de trabalho e que participardas oficinas complementou essa experiência. Ela disseque recebe muitas doações e aproveita tudo. Mas, que aexperiência do painel de gêneros literários que levou daoficina de ecodesign foi um sucesso e as crianças estãoadorando. Ela considera o lúdico muito importante. Paraela, tudo o que é lúdico na educação de crianças faz maisefeito, e mais ainda, se misturado com temas importantescomo reciclagem, o que faz com que os alunos se interessemmais e queiram participar de todas as atividades,por exemplo, “quando os alunos trazem as reportagensde casa colocam no painel e cada dia discutimos umadas reportagens. Já trabalhei com literatura infantil nopainel, onde os alunos leem o livro, escrevem o texto ecolam no painel e a cada dia temos textos diferentes paraserem lidos para a turma”.Então, para ela, um brinquedo criado na oficina de ecodesignpode ser utilizado para várias atividades em salade aula, e o professor vai encontrando as funções paraaquele material sem que ele perca o sentido pedagógico.Ao mesmo tempo, tudo o que desperta os sentidos nacriança fica mais atrativo e interessante:. “O visual, comsuas cores, o tato é fundamental, tocar, encostar, sentir asdiferentes texturas é muito bom e, quando isso aparecenos brinquedos e nos materiais de apoio que o professorusa na sala de aula, traz muitos bons resultados” (Aluna4). Ainda, a mesma entrevistada, achou uma soluçãoapós a aplicação da sacola-tapete no empréstimo diáriode livros de literatura:

Tínhamos um problema na escola: a não devoluçãode livros que os alunos levavam para ler em casa.Muitas vezes os livros voltavam sujos, riscados, rasgados,eles não tinham cuidado com o livro. Eu apresenteia sacola-tapete para o meu titular, sugerindoque poderíamos utilizar a bolsa junto ao empréstimodos livros para que retornassem no outro dia, pois ocolega também queria levar para a casa, fizemos porordem de chamada. Todo dia um aluno levava e tinhaque trazer no outro dia para passar para o colegapor sorteio, se faltasse iria para o final da fila o quedemoraria a chegar à vez novamente, pois eram trintae poucos alunos. Para nossa surpresa além do cuidadocom o livro e do retorno no dia certo reduziramas ausências nas aulas. Dificilmente tinha menos quetrês ausências na sala de aula, quando começou a bolsatodos vinham, ou faziam os pais trazer, pois nãosabiam se era seu dia de levar para casa.

Assim, a construção desse material lúdico-didático comretalhos de tecido e outros materiais da industria da modatrouxe resultados positivos, pois se transformou em umaferramenta para o professor, carregada de significado parao aluno, e, da forma que foi usada, mostrou uma maneiradiferente de incentivo ao aluno para ler, retornar e cuidardo livro, fazer a atividade, e ainda fez com que reduzissemas ausências em sala de aula.

Considerações finais

Os materiais lúdico-didáticos e os brinquedos foramdesenvolvidos para serem utilizados na educação decrianças pequenas. As oficinas de ecodesign enriquecerama formação de professores no Curso de Pedagogia ejustificam a busca pela compreensão dos princípios daeducação estética e da educação para a sustentabilidade.Considera-se, a partir das falas das entrevistadas, quepode haver a necessidade de maior entendimento quantoao elemento lúdico na educação. Também de que odiscurso e a prática lúdica parecem estar distanciados;o discurso de valorização do brincar não assegura quesaibam efetivamente como proceder na prática. Porémo professor pode considerar o lúdico como um recursoque pode ser usado com criatividade, ensinando de formaprazerosa, no respeito pelo espaço da criança, pelo seumodo de brincar e pela sua espontaneidade. Observa-seque o prazer em aprender brincando aparece tambémnas formas criativas de manuseio dos materiais e na interaçãoentre o professor e o aluno de Ensino Superior. Oincentivo ao uso do espaço lúdico na formação docentepode representar uma mudança de comportamento nodesenvolvimento das aulas, porque os adultos tambémprecisam de atividades lúdicas, mais descontraídas,e isso não significa que o processo de aprendizagemnão vai acontecer, pelo contrário, percebeu-se que osparticipantes das oficinas foram se aprofundando napesquisa de materiais e de formas para a criação dosobjetos pedagógicos.A aproximação da arte, o uso de técnicas de expressãoe a apresentação de materiais alternativos inseridosnos conteúdos das disciplinas estimulam ainda mais oaprendizado, pois podem ser considerados aspectos significativosde inter-relação com outros campos de conhecimento.É importante o reconhecimento, pelo professor,da criatividade no uso dos materiais lúdico-didáticos edos brinquedos, porque não precisa haver regras para suautilização. O professor é quem vai colocar no brinquedoum sentido pedagógico e o aluno desenvolver as significaçõese, com elas, o aprendizado.Muitas atividades podem ser desenvolvidas dentro dauniversidade na formação docente ou noutras áreas dosaber, através de oficinas de ecodesign. A participaçãodos alunos da Pedagogia nesta prática foi consideradacomo uma atividade diferenciada na carreira acadêmica,de aprendizado dentro da sua área, com a qual puderamproduzir brinquedos com o compromisso em participarde atividades que envolvem o crescimento sustentável.Na troca de experiências, perceberam o quanto se podecriar com materiais que seriam descartados, o quantose podem reaproveitar as sucatas, reciclando; olhar deuma forma diferente em torno à universidade e à escolae, principalmente, levar a experiência não só para a salade aula, mas para a própria vida.

Referências

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Abstract:

This is an investigation conducted nine workshops ecodesign students of Pedagogy Course which aims to understandthe meaning of this activity for participants. The workshops wereconducted at the Laboratory of Couture University of Passo Fundo.The research was descriptive and observation was used as a tool fordata collection. In an attempt to synthesize the study and focus on thetheory-practice relationship, initially addresses the issue of teachertraining, followed by draft eco design workshops and concludeswith a description of the results grounded in production for teachingobjects and in speaking of the participants.

Key words:

Eco design - Training - Teaching - Reading - Teaching- Learning.

Resumen:

Se trata de una investigación que realizó nueve talleresde eco diseño con alumnas del Curso de Pedagogía cuyo objetivo escomprender el sentido de esta actividad para las participantes. Lostalleres fueron realizados en el Laboratorio de Costura de la Universidadde Passo Fundo. La investigación fue descriptiva y se utilizóla observación como instrumento para la recolección de datos. Enla tentativa de sintetizar el estudio y enfocar en la relación teoríapráctica,se aborda inicialmente el aspecto de la formación docente,se sigue por el proyecto de los talleres de eco diseño y se concluyecon la descripción de los resultados fundamentados en la producciónde los objetos pedagógicos y en el hablar de las participantes.

Palabras clave:

Eco diseño - Formación - Docentes - Lectura - Enseñanza- Aprendizaje.

(*) Graciela Ormezzano. Doutora em Educação pela PontifíciaUniversidade Católica do Rio Grande do Sul. Professora do Cursode Artes Visuais e do Curso Superior de Tecnologia em Design Gráficoe dos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Letrasda Universidade de Passo Fundo. Dulcicléia Antunes. Mestre emEducação pela Universidade de Passo Fundo. Professora do CursoSuperior de Tecnologia em Design Gráfico e do Curso de Design deModa da mesma instituição.


Ecodesign: uma experiência na formação de professores enfatizando a leitura e o ensino de ciências fue publicado de la página 217 a página223 en Actas de Diseño Nº19

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