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Materializações formais no design gráfico voltado à área cultural: um estudo de cartazes musicais

Pfützenreuter, Edson; Piaia, Jade

Actas de Diseño Nº21

Actas de Diseño Nº21

ISSN: 1850-2032

XI Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” VII Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño Julio 2016, Buenos Aires, Argentina

Año XI, Vol. 21, Julio 2016, Buenos Aires, Argentina | 258 páginas

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Resumen:

El artículo comprende una muestra parcial de los resultados de la investigación de la Maestría (Piaia, 2012), orientada por el Dr. Edson del Prado Pfützenreuter. Las reflexiones son vueltas a los proyectos que transmiten un contenido cultural artístico y buscan develar una área del diseño vuelta a la creación de una identidad cultural, con una supuesta aproximación entre las diferentes expresiones como la música y el baile, y las teorías de las artes visuales y del diseño, cuya estructura de análisis aplicado puede ser utilizada como forma de enseñanza en diseño. Serán presentados estudios estructurales y compositivos de cinco carteles creados por el diseñador brasileño Kiko Farkas para la OSESP, Orquesta Sinfónica del Estado de São Paulo (Brasil). Los carteles para la OSESP son representaciones visuales que se refieren a presentaciones, conciertos, piezas, artística y mensajes institucionales relacionadas a la orquesta.

Palabras clave:

Diseño gráfico - Cultura - Arte - Investigación - Identidad - Música - Danza.

A análise dos aspectos formais dos estudos de caso procede, em sua maior parte, a partir das técnicas visuais que Dondis (2003) explica em Sintaxe da linguagem visual.

Desta maneira foi possível isolar algumas características visuais que se sobrepõem, interagem e se reforçam em uma análise da composição formal.

Segundo Dondis, “o visionário não se detém diante do óbvio; através da superfície dos fato visuais, vê mais além, e chega a esferas muito mais amplas de significado” (2003, p. 87). Significados fundamentados, relativos às construções formais discutidos pelas teorias, tanto do design, quanto das artes visuais, estão em foco neste artigo.

O conteúdo e a forma são os componentes básicos, irredutíveis, de todos os meios (a música, a poesia, a prosa, a dança), e, como é nossa principal preocupação aqui, das artes e ofícios visuais. O conteúdo é fundamentalmente o que está sendo direta ou indiretamente expresso; é o caráter da informação, a mensagem.

Na comunicação visual, porém, o conteúdo nunca está dissociado da forma. Muda sutilmente de um meio a outro e de um formato a outro, adaptandose às circunstâncias de cada um; vai desde o design de um pôster, jornal ou qualquer outro formato impresso, com sua dependência específica de palavras e símbolos, até uma foto, com suas típicas observações realistas dos dados ambientais, ou uma pintura abstrata, com sua utilização de elementos visuais puros no interior de uma estrutura.

[…] Uma mensagem é composta tendo em vista um objetivo: contar, expressar, explicar, dirigir, inspirar, afetar. Na busca de qualquer objetivo fazem-se escolhas através das quais se pretende reforçar e intensificar as intenções expressivas, para que se possa deter o controle máximo das respostas. Isso exige uma enorme habilidade. (Dondis, 2003, p. 131)

Em sua configuração exterior, “a forma, no sentido estrito da palavra, não é nada mais que a delimitação de uma superfície por outra superfície” (Kandinsky, 1996, p. 76), sendo esta forma uma manifestação exterior do conteúdo de seu interior. A configuração exterior de uma forma pode pertencer a duas classes distintas: a das formas figurativas, que representam objetos reconhecíveis de alguma maneira, seja esta bem próxima do real, idealizada ou estilizada, e a das formas abstratas, que não representam objetos reconhecíveis, como, por exemplo, as formas geométricas e as formas básicas como o ponto e a linha.

As imagens figurativas são construídas com os mesmos elementos visuais das imagens abstratas, o que as diferencia é uma intenção figurativa. A imagem abstrata pode ser formada por cor, textura, forma, composição, diferenças de claro e escuro, e o mesmo acontece com as figurativas; nesse sentido, são os mesmos elementos visuais. O conceito de abstração pode ser entendido, segundo Dondis (2003), como a redução de tudo aquilo que vemos aos elementos visuais básicos e mais profundos, onde a subestrutura abstrata é a composição, o design.

Para que haja compreensão, “o abstrato transmite o significado essencial ao longo de uma trajetória que vai do consciente ao inconsciente, da experiência da substância no campo sensório diretamente ao sistema nervoso, do fato à percepção”. (Dondis, 2003, p. 102) Sobre a aproximação das diferentes artes e da tendência para o abstrato, na visão de Kandinsky, é “naturalmente, que os elementos de uma arte vêem-se confrontados com os de uma arte diferente” (1996, p. 57) e as mais ricas de ensinamentos, segundo Kandinsky, são as aproximações das artes visuais com a música.

Esta análise dos aspectos formais dos cartazes de Kiko Farkas para a OSESP –Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo– procede, em sua maior parte, do sistema de técnicas visuais proposto por Dondis (2003), a partir das quais foi possível isolar algumas características visuais que se sobrepõem, interagem e se reforçam em uma análise da composição formal. Dondis (2003, p. 139-160) define cada técnica e seu oposto, em termos de polaridades, antagônicas, mas que não precisam necessariamente serem excludentes, podendo serem combináveis e interatuantes entre si, mas deve-se atentar para o cuidado com ambiguidades. Os projetos gráficos foram analisados um a um, em um extenso estudo sobre o qual cabe neste artigo aprofundar em um recorte de cinco cartazes criados por Farkas (2009) para a OSESP, selecionados por apresentarem uma estrutura compositiva similar. Kiko Farkas trabalhou para a OSESP entre os anos de 2003 e 2007, período no qual criou aproximadamente 300 cartazes. O tamanho original em que os cartazes foram impressos é de 0,84 x 1,26 metros. A numeração dos cartazes neste artigo foi mantida corresponde às do recorte de cinco, dentre os doze cartazes, analisados no total (Piaia, 2012). As imagens em cores e em boa resolução dos cartazes analisados podem ser encontradas na publicação Cartazes Musicais, do designer Kiko Farkas (2009), respectivamente nas páginas: cartaz 1 p. 117 (Bem vindo! Osesp temporada 2007); cartaz 2 p. 122 (Gabriela Monteiro - piano; 8, 9 e 10 de março / 2007); cartaz 3 p. 123 (Camerata Bariloche - Fernando Hasaj - violino, Marta Roca Alonso - violino; 22, 23, 24 de março / 2007); cartaz 4 p. 120 (Christoph Poppen - regente, Juliane Banse - soprano; 12, 13 e 14 de abril / 2007); cartaz 5 p. 121 (John Nescheling - regente, Yevgeny Sudbin - piano; 26, 27 e 28 de abril / 2007). Devido às questões técnicas as imagens dos cartazes analisados precisaram ser suprimidas deste artigo, as mesmas se encontram ainda, em menor tamanho, na dissertação de Piaia (2012).

Inicialmente foi criada uma tabela na qual os aspectos visuais que mais se enquadravam nas relações de sintaxe foram relacionados aos respectivos cartazes. A relação da sintaxe gráfica obtida foi auxiliada originalmente pela observação da composição formal através de grids geométricos, baseados nos estudos de Elam (2001). As seguintes características de sintaxe gráfica, baseadas em Dondis (2003), foram observadas nos cartazes musicais de Farkas para a OSESP: equilíbrio; simetria - assimetria; regularidade - irregularidade; complexidade; fragmentação; profusão; exagero; espontaneidade; atividade; ousadia; opacidade - transparência; ênfase; variação - estabilidade; planura - profundidade; sobreposição; sequencialidade; episodicidade; agudeza.

A análise estrutural se inicia pelos cartazes 1, 2, 4 e 5, por apresentarem um equilíbrio simétrico com relação às formas que os estruturam, nas quais de ambos os lados da composição existe a presença de um equivalente formal.

Nestes cartazes o equilíbrio simétrico nem sempre fica tão evidente, como em um caso de simetria clássica no qual geralmente a composição consiste em um conjunto de formas baseada em um eixo central, com igual equilíbrio de elementos de ambos os lados (Hurlburt, 2002).

Em casos como estes, o equilíbrio se apresenta de uma maneira dinâmica, expresso por variações dos elementos formais, tonais e tipográficos. É possível considerar a existência desse equivalente formal que confere a simetria, mesmo que, em alguns casos, a visualização deste elemento esteja obscurecida pela semelhança cromática da figura com o fundo, mas, verificando através de uma lógica de repetição e estruturação, guiada pelas linhas que estruturam a composição, pode-se considerar que o equivalente formal está presente no projeto. A repetição dos elementos formais fica evidente ao se traçar um grid sobre a imagem do cartaz 1, identificando e posicionando os elementos circulares e quadrados presentes.

Na sequência, foi observado que os cartazes 2 e 5 apresentam a mesma estrutura compositiva, utilizando o elemento circular, disposto em um grid de proporções idênticas ao do cartaz 1. No cartaz 4, coexistem ambos os grids, que sustentam os círculos e os quadrados, porém, nesta composição todos os quadrados e círculos apresentam alguma variação tonal, o que permite a identificação e a diferenciação de um quadrado para o outro, dos quadrados que estão deslocados e posicionados sobre os círculos, e os quadrados que aparecem exatamente abaixo de alguns círculos, diferenciando tonalmente também o plano de fundo. O cartaz 3 é mostrado com o mesmo grid de linhas com quadriculado sobreposto. É possível identificar as unidades circulares, na mesma quantidade e no mesmo posicionamento dos cartazes 1, 2, 4 e 5, mas, neste caso, as formas circulares seguem outro padrão visual e estão unidas através da semelhança do preenchimento de um grupo de formas circulares e também de outras unidades existentes no fundo, posicionadas entre os círculos.

Esses grupos formais no cartaz 5 não apresentam transparência e se repetem matematicamente, como um padrão, uma estampa.

Uma estrutura musical é composta de elementos que, dentro de uma grade rítmica, são combinados e alterados; o cartaz, conforme a sua estrutura de grids e variações configura-se como uma metáfora da música em termos de organização do espaço. O grid contido nos cartazes analisados pressupunha uma ampla estrutura geométrica formada por quadrados pequenos e sequenciais, sem margens, colunas ou intervalos espaciais entre cada uma das unidades.

Um grid consiste num conjunto específico de relações de alinhamento que funcionam como guias para a distribuição dos elementos num formato. Todo grid possui as mesmas partes básicas, por mais complexo que seja. Cada parte desempenha uma função específica; as partes podem ser combinadas segundo a necessidade, ou omitidas da estrutura geral a critério do designer, conforme elas atendam ou não às exigências informativas de conteúdo. (Samara, 2007, p. 24)

O grid ou diagrama que orienta estes cartazes possibilita ao designer organizar o conteúdo em relação ao espaço a ocupar, permite inúmeros leiautes com a variação dos elementos sem fugir da estrutura; o diagrama confere a possibilidade de explorar uma sequência mesmo com variações no conteúdo de cada cartaz, distinguindo o conjunto através da padronização (Hurlburt, 2002). Cabe dizer que o grid linear amarra a estrutura da composição como um todo, permitindo variações dos elementos gráficos sobre uma mesma base, função similar à de um metrônomo, instrumento que mede o andamento do tempo, do compasso musical, constituindo uma base, um ritmo, para que as variações das notas musicais aconteçam.

Nós estamos familiarizados com o ritmo graças ao mundo do som. Em música, a base rítmica muda no tempo. Camadas de repetição ocorrem simultaneamente na música, sustentando-se e conferindo contraste acústico. Na mixagem sonora, os sons são amplificados ou diminuídos para criar um ritmo que varia e evolui no decorrer de uma obra.

Designers gráficos empregam, visualmente, estruturas similares. A repetição dos elementos, tais como círculos, linhas e grids, cria ritmo, enquanto a variação de seu tamanho ou intensidade gera surpresa. (Klee, 2001, p. 45)

Relacionando composições formais às musicais, Kandinsky (1996) chama de composição ‘sinfônica’ uma composição complexa, onde se combinam diversas formas, enquanto que uma composição simples e clara, ele denomina como ‘melódica’. Sobre o aumento quantitativo de formas repetidas, pontua, em outro estudo sobre o mesmo tema, que “a multiplicação é um fator poderoso para aumentar a emoção interior e, ao mesmo tempo, cria um ritmo primitivo que é, de novo, um meio para obter uma harmonia primitiva, em qualquer arte” (Kandinsky, 1997, p. 30). Estas técnicas de composição foram amplamente exploradas por Farkas em diversos cartazes da série, inclusive nos cartazes selecionados no recorte deste estudo.

Entre os cartazes analisados, o cartaz 3 apresenta um equilíbrio assimétrico, no qual a sensação de equilíbrio é mais difícil de se atingir. Esta divisão assimétrica do espaço compositivo pode ser observada traçando-se um eixo central na vertical do cartaz. “No design assimétrico as múltiplas opções e tensões provocadas pela inexistência de um centro definido requerem considerável habilidade” (Hurlburt, 2002, p. 62), porém o resultado, quando acertado, adquire característica intrigante, tornando-se visualmente interessante.

A regularidade formal dos elementos é visível nos cartazes 3, 4 e 5, nos quais a recorrência ou a continuidade da repetição formal pode ser prevista, configurando um padrão, uma textura.

A técnica de profusão, que representa um enriquecimento visual através de elementos e detalhes, é muito utilizada por Farkas na grande maioria dos cartazes. Embora apareçam os exemplos de economia formal, através de quantidades reduzidas de elementos, a minimização, que poderia se mostrar pelo tamanho reduzido de tais elementos, não ocorre. Em contrapartida, seu inverso, o exagero, pode ser observado em toda a série de cartazes analisados.

A técnica de estabilidade, embasada pelos grids de repetições com uma ordenação uniforme e coerente, está presente nos cartazes, mas é perturbada pelas variações tonais recorrentes. As características previsíveis e estáveis presentes na série são diminuídas pela diversidade tonal existente, que realça as características de espontaneidade e variação. Os cartazes 1 e 4, mesmo sustentados pelo grid, apresentam a característica de variação devido a evidenciação de dois tipos de formas geométricas, os círculos e os quadrados. A sequencialidade é sugerida nos cartazes através dos mesmos artifícios de grid e repetições formais já explicados anteriormente.

A técnica denominada por Dondis (2003) como atividade pode representar ou sugerir o movimento em uma composição. Farkas utiliza esta técnica de atividade em toda a série de cartazes analisados; movimento e energia estão presentes, enriquecem os cartazes e deixam de lado qualquer evocação de estase ou repouso, trazendo uma imagem contemporânea para a orquestra que rompe com estereótipos clássicos. A presença de características como atividade, variação, repetição e sequencialidade pode conferir ritmo às composições visuais.

O ritmo é um padrão forte, constante e repetido […] Um discurso, uma música, uma dança, todos empregam o ritmo para expressar uma forma no tempo. Designers gráficos usam o ritmo na construção de imagens estáticas, bem como em livros, revistas e imagens animadas que possuam uma duração e uma sequência.

Embora o design de padronagens empregue, habitualmente, uma repetição contínua, a maioria das formas no design gráfico buscam ritmos que são pontuados por mudanças e variações. (Lupton; Phillips, 2008, p. 29)

A composição de maneira ousada através dos arranjos formais pode conferir boa visibilidade à distância e foi utilizada nestes cartazes. Segundo Dondis (2003), alguns estímulos visuais podem ser conseguidos através do êxito e da audácia, aguçando a estrutura da mensagem.

A técnica de neutralidade, com relação às formas, parece ter sido deixada de lado por Farkas.

No cartaz 1, a composição dá ênfase a um agrupamento de elementos comuns, diferenciando-os e destacando-os, formal e tonalmente, com relação ao plano de fundo liso.

O contraste pode ser expresso através das tonalidades de preenchimento, uma vez que “há dois fatores de percepção visual que intensificam a efetividade do contraste: a ilusão de que um objeto escuro nos parece mais próximo do que um objeto claro; e o modo pelo qual um objeto escuro parece ainda mais escuro numa superfície clara, e um objeto claro ainda mais claro numa superfície escura” (Hurlburt, 2002, p. 64-65).

Observa-se alguns detalhes que induzem à percepção da transparência das formas, como no cartaz 4, com a transparência das formas quadradas e circulares modificando a tonalidade de preenchimento de cada parte sobreposta, criando desníveis, camadas de formas umas sobre as outras. Quando um círculo é transparente, ou é cortado por outra forma como os quadrados também transparentes, deixando aparente a imagem de outros círculos e/ ou quadrados ao fundo, revela camadas sobrepostas de elementos formais, o que pode remeter metaforicamente aos múltiplos sons emitidos pelos instrumentos musicais, pois em alguns tipos de composições musicais quase sempre tem-se um instrumento de fundo, um outro fazendo solo por exemplo. Poderiam ser então interpretados como uma analogia formal da sobreposição de diversos sons que ocorrem ao mesmo tempo, cada qual em sua escala e força vibracionais. Os demais cartazes apresentam a característica de opacidade no preenchimento das formas, que resulta no ocultamento de partes dos elementos que são sobrepostos por outros também opacos. A dimensão, sugerida pelos elementos sobrepostos uns aos outros, confere características visuais de profundidade às composições.

Farkas comenta sobre seu modo de atuação na criação dos cartazes musicais e traz um exemplo interessante de estrutura musical relacionado ao jazz que cabe citar:

No jazz, por exemplo, você tem os standards, que são músicas que todo mundo conhece, populares. Você apresenta essas músicas e depois destrói aquilo que elas têm. Mantém os elementos básicos e, a partir daí, você começa a propor novidades, improvisa, muda andamento, faz novas orquestrações, uma série de coisas. Depois você volta, e isso faz com que a percepção do ouvinte se amplie, porque ele pensa que está ouvindo o conhecido e, na verdade, já está ouvindo um pouco do conhecido e do desconhecido. Você usa aquilo que você tem de memória e fica o tempo todo comparando, às vezes conscientemente, às vezes não, com aquilo que você não conhece. Esse é o campo no qual eu procuro atuar. Eu não sou um cara de romper, de quebrar, de chutar, de ficar introduzindo coisas novas.

Mas se fizer isso consistentemente, a gente eleva um pouco o padrão, altera a percepção. (Maleronka; Cohn. Entrevista, 2010)

Estes cartazes de Farkas exemplificados compreendem mensagens visuais abstratas no uso de formas geométricas básicas, não relacionadas a uma representação direta de algo. O designer padroniza os elementos obrigatórios em todos os cartazes, como as assinaturas visuais da OSESP, de patrocinadores, apoiadores, da Sala São Paulo e da Fundação OSESP, deixando o máximo de área livre para compor. Busca o ritmo através da construção abstrata, utilizando-se de grids geométricos e repetições formais. As características em comum entre os cartazes deste recorte são o que confere visibilidade e unidade, o que os caracteriza como uma série e não como cartazes soltos no tempo e no espaço, estes possuem uma ligação fortemente estabelecida através das técnicas visuais. Utiliza os recursos disponíveis ao design para atingir uma gama diversificada de composições visuais norteadas por um elemento comum, um fio condutor da mensagem imagética, que se transforma de um cartaz para o outro.

Essa abordagem do design gráfico faz uso extenso do grid e dos contrastes cromáticos, além disso, através dos elementos visuais como o ritmo, pode permitir uma interpretação que relacione a composição visual com a música. Por trabalhar com uma estrutura, com elementos da linguagem visual e ainda permitir associações, a estratégia criativa que pode ser identificada nesses cartazes se configura como uma boa proposta didática para o ensino de design visual.

Contudo, os cartazes musicais criados por Farkas fazem referência à orquestra. Muito indiretamente eles parecem a OSESP e, de uma maneira abstrata, eles parecem-se mais com a música propriamente, devido às qualidades e associações exploradas. A organização da estrutura visual lembra algum tipo de organização musical.

Referências

Dondis, D. A. (2003). Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes.

Elam, K. (2001). Geometry of design: studies in proportion and composition. New York: Princeton Architectural Press.

Farkas, K. (2009). Cartazes Musicais. São Paulo: Cosac Naify.

Hurlburt, A. (2002). Layout: o design da página impressa. São Paulo: Nobel.

Kandinsky, W. (1996). Curso da Bauhaus. Tradução Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes.

Kandinsky, W. (1997). Ponto e linha sobre o plano. Tradução Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes.

Klee, P. (2001). Sobre a arte moderna e outros ensaios. Tradução: Pedro Sutssekind. Rio de Janiero: Zahar.

Lupton, E; Phillips, J. (2008). Novos fundamentos do design. Tradução Cristian Borges. São Paulo: Cosac Naify.

Maleronka, F; Cohn, S. (2010). Entrevista: Kiko Farkas, Designer Gráfico. Taddei, Roberto; Milani, Aloisio, coordenação. Produção Cultural no Brasil, vol. 3. São Paulo. Disponível em: http://www.producaocultural.org.br/wp-content/uploads/livroremix/kikofarkas.pdf. Acesso em 31, mar. 2012.

Piaia, J. S. (2012) O design gráfico no circulo cultural artístico: projetos de Kiko Farkas e Vicente Gil. Campinas: Unicamp, Instituto de Artes - Programa de Pós-Graduação em Artes. Dissertação (mestrado).

Orientador: Edson do Prado Pfützenreuter. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000893306.

Acessado em: 4 de fev., 2016.

Samara, T. (2007). Grid: construção e desconstrução. São Paulo: Cosac Naify.

Abstract:

The article comprises a partial sample of the results of the Master research (Piaia, 2012), directed by Dr. Edson Prado Pfutzenreuter. Reflections are turning the graphic design that links an artistic cultural content and looking for unveil an area of the design that returned to the creation of a cultural identity, an alleged closeness between the different expressions such as music and dance, and theories of visual arts and design, whose structure of applied analysis can be used as a teaching design. Structural and compositional studies of five posters created by Brazilian designer for OSESP Kiko Farkas, State Symphony Orchestra of Sao Paulo (Brazil) will be presented. Posters for the OSESP are visual representations which refer to presentations, concerts, parts, artistic and institutional messages related to the orchestra.

Key words:

Graphic Design - Culture - Arts - Research - Identity - Music - Dance.

Resumo:

O artigo compreende uma amostra parcial dos resultados da pesquisa de mestrado (Piaia, 2012), orientada pelo Dr. Edson do Prado Pfützenreuter. As reflexões são voltadas a projetos que veiculam um conteúdo cultural artístico e visam desvendar uma área do design voltada à criação de uma identidade cultural, com uma suposta aproximação entre as diferentes expressões como a música e a dança, e as teorias das artes visuais e do design, cuja estrutura de análise aplicada pode ser utilizada como forma de ensino em design. Serão apresentados estudos estruturais e compositivos de cinco cartazes criados pelo designer brasileiro Kiko Farkas para a OSESP, Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Brasil). Os cartazes para a OSESP são representações visuais que se referem a apresentações, concertos, peças, turnês e mensagens institucionais relacionadas à orquestra.

Palavras chave:

Design gráfico - Cultura - Arte - Pesquisa - Identidade - Música - Dança.

(*) Edson do Prado Pfützenreuter.

Brasileiro, graduado em Educação Artística - Artes Plásticas pela USP (1985), mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP (1992) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP (1997). Atualmente é professor do Instituto de Artes da Unicamp. Leciona nas áreas de Comunicação, Design, Arte e Educação. Jade Samara Piaia.

Brasileira, graduada em Artes Visuais com Ênfase em Design pela PUC-Campinas (2005), Mestra em Artes Visuais pela Unicamp (2012) e atualmente cursa Doutorado em Artes Visuais na Unicamp. Atua como docente no ensino superior (FAALLimeira/ SP), especialização (Unicamp) e como designer desde 2002.


Materializações formais no design gráfico voltado à área cultural: um estudo de cartazes musicais fue publicado de la página 93 a página97 en Actas de Diseño Nº21

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