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Somos todos um

Ferrari, Débora Cristina; Pereira de Andrade, Ana Beatriz

Actas de Diseño Nº21

Actas de Diseño Nº21

ISSN: 1850-2032

XI Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” VII Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño Julio 2016, Buenos Aires, Argentina

Año XI, Vol. 21, Julio 2016, Buenos Aires, Argentina | 258 páginas

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Resumen:

Con el objetivo principal de llevar la buena energía a aquellos que tienen contacto con esta investigación, una forma simple y ligera, “Todos Somos Uno” se basa en estudios de los conceptos de la naturaleza, la sencillez y la espiritualidad. Fue desarrollado en conjunto con los niños de la Escuela Viver - Waldorf Bauru, São Paulo. Las herramientas metodológicas tuvieron por principios la posibilidad de educar con el Diseño, el Diseño Social y la Cartografía como método descriptivo. El amor, el afecto, la atención, el respeto, la Filosofía, la Sociología, Pedagogía, entre otros sabores y aromas, se mezclan y entrelazan en una rica red llena de intercambios, experiencias y evolución.

Palabras clave:

Diseño Social - Emoción - Educación - Diseño - Simplicidad - Espiritualidad - Naturaleza.

1. Introdução

No princípio, acreditava-se que fosse muito difícil desenvolver um estudo desvinculado de paixões e crenças.

Inevitavelmente, uma pesquisa que se pretende sincera reflete quem somos. Desta forma, as referências iniciais foram bastante pessoais.

Em um mergulho interior deveras profundo, e fazendo uma intensa reflexão, definiu-se três conceitos básicos: Natureza, Simplicidade e Espiritualidade.

A percepção foi a de que esses três conceitos estão intimamente interligados. Por exemplo, quando observa-se o Sol nascer, em meio à Natureza, no silêncio de um bosque, energias vitais são recarregadas e o espírito se fortalece.

Trata-se de um momento tão simples, mas tão valioso e rico, que faz o ser humano se sentir em Harmonia consigo mesmo, com todos os seres e com o Universo, transbordando Paz e Amor. São momentos como esse que fazem valer a vida. Momentos nos quais Natureza, Simplicidade e Espiritualidade se unem e se misturam, em uma única sensação de profunda Harmonia, Reverência e Gratidão.

A pesquisa pretendeu, principalmente, trazer boas energias aos que com ela tenham contato, de uma forma simples e leve, como deve ser com tudo o que é verdadeiro e essencial, contagiando as pessoas com a alegria e a ingenuidade que considero atitudes naturais das crianças.

Durante a pesquisa, em diversas visitas a campo, buscouse elementos e alimentos para somar e formar o presente estudo, em valiosas experiências.

No desenrolar do processo, tratou-se da Simplicidade.

Uma forma de crítica à sociedade materialista do consumo, evidenciando a importância do retorno ao Simples.

A ligação do ser humano com a Natureza também é objeto de pesquisa. Tratar-se-à o Respeito, termo aparentemente corriqueiro, mas que merece um olhar mais atencioso. Há reflexões sobre o Cuidado, conceito de suma importância, muito explorado por Leonardo Boff. Outra questão é a Espiritualidade, a importância de encontrar a Paz de Espírito e viver de fato uma vida feliz e harmoniosa, tornando-nos verdadeiramente Seres de Luz.

Expõe-se a Teoria do Ator-Rede, de autoria de Bruno Latour em interação com a Cartografia Sentimental, tal como proposta por Suely Rolnik, no sentido de que se trata de uma pesquisa teórica e prática no campo do Design Social com Emoção, que busca, entre outros objetivos, expressar a importância da Natureza, a beleza da Simplicidade, e a magnitude da Espiritualidade.

A grande conclusão foi a de que a mudança que queremos ver começa na raiz: as crianças. Conceitos de Paulo Freire e Rudolf Steiner são abordados para esclarecer alguns pontos e levantar novas reflexões.

Pode-se imaginar alguns desdobramentos possíveis, mesmo acreditando que nesta primeira etapa a primeira intenção tenha sido cumprida. Pretende-se que os resultados atingidos possam seguir desenrolando-se e evoluindo, tal qual as nossas vidas.

2. Desenvolvimento

2.1. Simplicidade

Refletindo sobre o mundo ao redor, considerando a sociedade, os valores e costumes, nota-se que muitos pontos importantes foram abandonados ou substituídos por outros. Preocupa-se tanto com status social, o ter sempre antes do ser, que o básico foi considerado ultrapassado.

Como por exemplo: Respeito, Ética, Simplicidade, Humildade, Amor.

A alegria ao ver um belo pôr-do-sol, o desabrochar de uma flor, o amadurecer de um fruto foi perdida. Em troca de que? Carros mais possantes, celulares que executam mais tarefas, e assim por diante. Trata-se de uma troca inteligente? Viver a mercê do capitalismo desenfreado pode resultar em tornar-se um escravo desse sistema.

Para amenizar esse avanço –que em alguns aspectos mais parece um retrocesso–, precisamos, antes de tudo, ser otimistas. Muitos são os grupos que já se organizam em função de refletir sobre questões como essas, discutir os rumos que o Planeta irá tomar se continuarmos produzindo tanto, consumindo tanto, sendo tão pouco gratos, e destruindo nosso maior bem: a Vida.

Inovações tecnológicas sem dúvida são importantes para a evolução da espécie humana, mas, somente são válid as se visarem o bem e a felicidade. Continuar criando necessidades ou mesmo objetos que só atrapalham a nossa vida é um atraso, não uma evolução.

De nada adianta evoluir deixando para trás o básico, o que já foi aprendido há muito tempo: simplificar as coisas. Pode ser o momento de revermos nossa forma de enxergar o mundo, em cada detalhe.

2.2. Natureza

Com o desenvolvimento e evolução da espécie humana, boa parte de sua ligação com a natureza foi deixada para trás. Nos tornamos “civilizados”, perdendo o grande contato que tínhamos com questões relacionadas à natureza.

Com o Pós-Guerra, houve a necessidade de desenvolver uma nova forma de sociedade, onde termos como lucro, desejo, consumo, dinheiro, ganância, começaram a prevalecer.

Questões como ser ou não civilizados são bastante subjetivas.

Talvez, sob um olhar tecnológico, o ser humano moderno possa ser mais civilizado que um indígena, por exemplo, ambos vivendo na mesma época. Porém, um ser humano que mata seu semelhante sem motivo, que, ingrato, destrói a natureza a sua volta, e visa sua própria comodidade, sem dúvida é mais “primitivo” que um indivíduo que, mesmo ao caçar, tem a consciência de tratar-se de um ato de sobrevivência, sempre com muito respeito e gratidão, com o sentimento do todo coletivo, do viver de fato em sociedade.

O índio não consegue imaginar-se como sendo parte isolada à Terra. Ele se vê como parte integrante ao planeta, juntamente com os outros homens, os animais, os vegetais, o vento, as montanhas, a natureza como um todo.

Uma grande e bela teia da vida, onde todos vivem em comunhão, conscientes de seu papel em um todo maior.

Falta ao ser humano um retorno as suas raízes, para, quem sabe, aprender com eles o que nunca deveria ter sido esquecido: somos um com a Natureza. Somos parte d´Ela. Somos seus filhos.

2.3. Somos Todos Um

Pensando sobre essas questões, e em como o ser humano torna-se um ser manipulador e manipulável, chega-se à conclusão de que o progresso material desenfreado e desequilibrado destrói a natureza e o caráter, gerando arrogância e ganância. Essa atitude leva o homem a se auto-afirmar dono do mundo, resultando em destruições e modificações ao nosso redor, conforme vontades próprias e visando sempre o lucro.

Valores são mutáveis, evoluem e se transformam de acordo com a época, mas alguns nunca poderão faltar. Frente a essas questões, todos sabemos: é hora de mudar. Hora de refletir com sabedoria para manter alguns valores e resgatar outros.

2.4. Respeito

A arrogância do ser humano moderno o leva a crer que a espécie humana é superior a todas as outras espécies.

Assim, destrói e devasta a natureza pelo seu próprio prazer e benefício, em um pensamento absurdo segundo o qual a natureza foi criada para o seu uso.

Viver em sociedade implica ser sociável. E tratar o próximo com respeito é o básico para se viver uma vida em harmonia. Sábio é aquele que consegue colocar-se no lugar do outro em qualquer situação; assim, jamais faria para o outro o que não gostaria que fizessem para si próprio.

Tratar com respeito todas as coisas é sentir-se parte integrada do Universo. Se todos vieram da mesma origem, não importa se somos animais, vegetais ou, até mesmo, minerais. Desrespeitar outro ser, humano ou não, é inadmissível.

Respeitar e ser respeitado é direito de todos.

2.5. Cuidado

O avanço tecnológico propõe-nos, cada vez mais, uma vida artificial e superficial, de modo que não mais temos contato com as formas sensoriais mais simples, como o toque, o cheiro, a sensação da cor. Com isso, observa-se uma desvalorização pelas coisas mais simples, pelos pequenos momentos mágicos da vida.

Observa-se cada vez mais descuido, descaso, abandono e desapego às coisas sagradas e importantes. É preciso fazer com que a humanidade volte a valorizar a Vida.

Para isso, o caminho deve ser baseado na Simplicidade e no Cuidado.

Leonardo Boff, em seu longo estudo sobre o cuidado, alerta:

O cuidado é tão fundamental que foi visto pelos gregos como uma divindade. Divindade que acompanha o ser humano por todo o tempo de sua peregrinação terrestre. Onde há cuidado, aí desabrocha a vida humana, autenticamente humana. Onde está ausente, aparece a rudeza, o descaso e toda sorte de ameaças à vida. (Boff, 2012)

É preciso, assim, recuperar o senso afetivo das coisas.

Uma vez que as máquinas foram construídas com o propósito de produzir, mudemos o paradigma para uma produção do que é efetivamente necessário. A principal matéria-prima da vida do ser humano deve ser o cuidado! Ser cuidadoso em tudo o que faz, para com todos os seres é pensar cautelosamente em tudo; é ter paciência, sabedoria e calma em cada ato, é pensar de forma sustentável.

Sustentabilidade não se trata simplesmente de não consumir, mas consumir com responsabilidade.

2.6. Espiritualidade

Quando o ser humano começa a distanciar-se dessa noção de Todo, preocupando-se excessivamente somente consigo mesmo e com o acúmulo de bens materiais, a sociedade torna-se cada vez mais superficial. As pessoas esquecem-se de aspectos importantes como, por exemplo, a espiritualidade.

Vale dizer que Espiritualidade é um conceito bastante diferente de religiosidade. A religião foi criada pelos homens como uma forma de manter a espiritualidade, tratando-se de algo puramente subjetivo e cultural. Já a Espiritualidade é um conceito bem mais abrangente. Se espiritualidade vem de espírito, sem ela, não existiríamos.

E, por outro lado, se existimos, temos Espirituali dade, mesmo que não acreditamos ou a pratiquemos.

É preciso desacelerar, fugir dos maus hábitos, abstrair.

Ver o mundo no qual vivemos de longe, em uma visão holística. Refletir e simplificar: o ser humano não precisa de tudo isso para viver.

Segundo Boff, em meio a tais situações, buscam-se novas alternativas e visões de mundo. Uma delas denomina-se Espiritualidade cósmica, segundo a qual todos pertencemos a um grande todo.

Não é mais o mundo fechado e mecânico da Cosmologia vinda de Newton e Galileu Galilei. Mas é uma visão dinâmica que vê todas as coisas emergindo a partir de um imenso processo de evolução, carregado de energias e informações e, principalmente, de propósito.

(Boff, 2009)

Este olhar interior é um hábito tão importante porque só ao voltar-se para dentro podemos sentir a Paz de sermos um com o Todo e tratar a todos os seres com Respeito e Amor.

2.7. Um pouco de metodologia

A fim de melhor organizar todas as ideias e reflexões do projeto, diversas referências foram consultadas. Dentre elas, Bruno Latour, um filósofo e sociólogo francês, fortemente influenciado por Michel Serres. Realizou estudos etnográficos na África e na América, e é o principal nome da Teoria do Ator-Rede (T.A.R.), do inglês, Actor Network Theory (A.N.T.).

Fazer um estudo baseado no Ator-Rede é ser como formiguinhas: ir pelos caminhos mais alternativos, buscando sempre novas descobertas. É olhar para baixo, para cima, para o pequeno, para o detalhe que poucos veem, mas que faz absolutamente toda a diferença.

A T.A.R. é considerada pelo próprio Latour bem mais como um método do que como uma teoria. Trata-se de uma forma de estudar as relações entre o ser humano e os acontecimentos, objetos e materiais com os quais interage, mantendo-se sempre aberto e em constante movimento e modificação.

Dentro da cartografia sentimental, Suely Rolnik nos ensina: “Não é possível definir seu método (nem no sentido de referência teórica, nem no de procedimento técnico), mas, apenas, sua sensibilidade” (Rolnik, 1989).

Assim, por mais que para tudo haja uma metodologia, ela pode ser sensível e afetiva. Acredito que tudo o que fizermos deve ser feito com cuidado e amor. Assim, pretende-se, sobretudo, que a metodologia do projeto seja uma viva demonstração de Amor, Cuidado e Delicadeza.

2.8. Então, o que deve mudar?

Parar para refletir sobre algo é sempre um exercício necessário. Enquanto estamos em ação, não nos damos conta de muitos aspectos.

Quando o ser humano se vê como dono de tudo, até mesmo do planeta e dos outros homens, começa a perceber que o seu dinheiro pode comprar tudo, numa visão extremamente materialista.

Viver uma vida baseada na Simplicidade, no Amor, no Cuidado e no Respeito. Esse pode ser o Caminho.

Gandhi nos ensinou que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo. Ela só será completa e verdadeira se for total e se começar por nós. Em uma sociedade cujos valores encontram-se bastante distorcidos, o que pode-se esperar das gerações futuras?

2.9. Libertar a mente

É preciso mudar a forma de percepção do mundo, parar e fazer uma longa e profunda reflexão. É chegada a hora de fazer uma revolução: a Revolução do Amor.

Libertar é um ato revolucionário e, para que toda e qualquer revolução aconteça, é preciso amor.

Depois de muita reflexão, conclui-se que a revolução deve começar na infância, nos primeiros anos de desenvolvimento do ser humano. Mas, para isso, não basta o governo investir mais em educação. É preciso haver uma mudança radical e profunda no modelo educacional em voga, uma mudança nos métodos pedagógicos e na forma de encarar a educação.

É preciso ensinar pelo exemplo, com amor, educando nossas crianças de forma a humanizá-las, tornando-as cidadãos pensantes de fato, e não meros cumpridores de ordens. Uma criança educada para refletir efetivamente sobre o que aprende, com uma Educação baseada no amor e no respeito, torna-se um adulto iluminado, que faz a diferença no mundo. É preciso que a educação seja vista como prática da liberdade, como nos ensina Paulo Freire.

Tornar uma população culta (desde a sua mais nova formação, no caso das crianças) é, para os dominantes e opressores –formas de governo totalitárias, professores, todo e qualquer tipo de sistema ditatorial–, uma espécie de ameaça ao poder dos mesmos.

Hoje, a educação já se apresenta mais acessível para alguns, mas ainda trata-se de uma realidade bastante distante para muitos outros, principalmente em países subdesenvolvidos, ou que ainda são regidos por políticas totalitárias.

Libertar o ser humano é, antes de qualquer coisa, libertar sua mente. Somente um ser humano livre para pensar e refletir é um ser humano verdadeiramente livre para agir.

2.10. A mudança está nas crianças!

Mais do que isso, está em uma mudança de paradigmas, de modo a voltar a enxergar o mundo de uma forma holística, segundo a qual, eu e o outro somos um. Isto, juntamente com a natureza e o Universo, feitos da mesma Energia, física e cosmologicamente falando.

Em um profundo sentimento de Comunhão, a educação deve-se fazer com as crianças, e não para elas. A prática pedagógica deve ter caráter humanizador, de forma que o diálogo seja constante e freqüente. Trabalhar com educação envolve pessoas, e não objetos. Cada ser é único, dotado de vontades, opiniões e sentimentos.

Em uma visão geral da prática pedagógica, também podemos denotar opressor e oprimidos. O professor (opressor) faz o papel de detentor de todo o conhecimento, enquanto os alunos (oprimidos), os que nada sabem, tudo aceitam e nada questionam. Trata-se de um método de ensinar para os alunos, e nunca com eles.