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Design para a diversidade cultural na escola infantil

Ribeiro, Rita Aparecida da Conceição; Horta, Anderson Antônio

Actas de Diseño Nº21

Actas de Diseño Nº21

ISSN: 1850-2032

XI Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” VII Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño Julio 2016, Buenos Aires, Argentina

Año XI, Vol. 21, Julio 2016, Buenos Aires, Argentina | 258 páginas

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Resumen:

El trabajo propone una discusión sobre la diversidad cultural, a partir de la construcción de mobiliario para escuelas infantiles asociada a la utilización de materiales sustentables. Nuestra propuesta fue crear una línea de mobiliario para escuelas públicas, que traiga el concepto de diversidad, mostrando que todos son iguales, sin embargo, diferentes.

Realizada por el Grupo de Investigación Diseño y Representaciones Sociales, del Programa de Posgrado en Diseño de la Universidad del Estado de Minas Gerais con la Escuela Municipal Henfil, que atiende 200 niños, en la franja de 2 a 5 años, es un proyecto financiado por FAPEMIG y CAPES.

Palabras clave:

Diseño - Diversidad - Pedagogía - Enseñanza - Infantil - Mobiliario.

Introdução

O trabalho apresenta uma discussão acerca do design voltado para a diversidade cultural, enfatizando sua aplicabilidade na construção do mobiliário para escolas infantis. Trata-se do projeto de pesquisa atualmente em andamento - Educação, Sustentabilidade e Diversidade Cultural na Escola, financiado pelo acordo CAPESFAPEMIG, que pretende criar uma linha de mobiliário que transmita os conceitos de diversidade cultural para escolas da rede pública.

Nossa proposta aqui é discutir as interfaces intangíveis do design como instrumento de conscientização e mobilização social, a partir da transformação social que se configura nesse início do século XXI. Para isso, tomamos como ponto de partida a discussão dos conceitos de identidade e diversidade cultural.

Não provavelmente um mero acidente histórico que a palavra “pessoa”, em sua acepção primeira, queira dizer máscara. Mas, antes, o reconhecimento do fato de que todo homem está sempre e em todo lugar, mais ou menos consciente, representando um papel... É nesses papéis que nos conhecemos uns aos outros; é nesses papéis que nos conhecemos a nós mesmos. Em certo sentido, e na medida em que esta mascara representa a concepção que formamos de nós mesmos –o papel que nos esforçamos por chegar a viver– esta máscara é nosso mais verdadeiro eu, aquilo que gostaríamos de ser. Ao final a concepção que temos de nossa personalidade. Entramos no mundo como indivíduos, adquirimos um caráter e nos tornamos pessoas. (Goffman, 2005, p. 27) Uma vez estando inseridos num ambiente institucional, seja qual for a posição ocupada pelo indivíduo nesse contexto, os comportamentos sociais passam portanto, por um tipo de moldagem. Aquilo que resulta das experiências individuais se combina aos estímulos e regras institucionais ou adequadas ao papel ali desempenhado pelo indivíduo, viria então a ser fator constituinte da própria personalidade e do caráter de cada pessoa.

O meio social pode então ser encarado como um cenário repleto de signos pelos quais os indivíduos se reconhecem e se expressam, estabelecendo, para os demais, e para sua própria percepção, representações de si mesmos.

Essas representações são reproduzidas pelos diversos grupos sociais nos quais os indivíduos se inserem e se reconhecem. E uma das ações mais diretas na construção desses cenários sociais é aquela exercida pelo design.

Estimular de maneira direta e intencional o convívio e as interações entre as diferenças naturalmente coexistentes dentro do ambiente das escolas, principalmente em se tratando de pessoas em início de formação, que são as crianças às quais o presente projeto se dirige, pode gerar indivíduos mais capazes de conviver, lidar e aceitar de maneira mais natural a diversidade. O papel do design nesse sentido se faz claro na medida em que tratamos a própria definição do que vem a ser sua atividade, em combinação com os fatores de formação de identidade e desenvolvimento humanos.

Design é o equacionamento simultâneo de fatores sociais, antropológicos, ecológicos, ergonômicos, tecnológicos e econômicos, na concepção de elementos e sistemas materiais necessários à vida, ao bem estar e a cultura do homem (Barroso, Neto, 1981, p. 73).

A presente definição coloca o design como atividade intimamente ligada aos comportamentos sociais, e indica como sua ação pode ir além da simples promoção do consumo pela beleza, ou mesmo das soluções técnicas puras e simples. Trata-se de uma área do conhecimento que tem poder de influência e estímulo, assim como de expressão, sobre os papeis desempenhados pelos indivíduos em suas funções sociais.

Compreendemos que uma das funções do design é propor novas formas de se perceberem as distinções sociais, mas tratando-as de forma igualitária, quebrando preconceitos.

A ideia de universalização do ensino público, por vezes é compreendida como nivelamento. No entanto, cada vez mais percebemos as diferenças entre as pessoas e compreendemos que elas devem sim, ser percebidas e tratadas sem preconceitos. A questão do preconceito já começa a se revelar nos primeiros contatos das crianças na escola. Nesse momento é que surgem os apelidos que, por vezes, marcam negativamente o crescimento e acreditamos, baseando-nos nas teorias aqui apresentadas de forma compacta de artigo, que o design pode e deve interferir para a construção de objetos que constituam um ambiente escolar capaz influenciar positivamente o comportamento das crianças e demais envolvidos na educação de base, ajudando a promover uma maior aceitação das diferenças.

No contexto da criança e de uma escola para todos, a concepção de abertura e de flexibilidade desses ambientes precisa ser repensada, se acreditamos em espaços educacionais democráticos, que contemplem cada criança em sua especificidade. Do contrário, corre-se o risco de reproduzir os mesmos modelos e processos de ensino aprendizagem que a escola vem adotando tradicionalmente, a partir de práticas pedagógicas muitas vezes excludentes, que podem ser exercidas mesmo com ouso de ambientes informatizados inovadores. (Mello et. ali, 2004) A discussão acerca da diversidade cultural é cada vez mais permeada pelo entendimento dos processos sociais que movem nossa sociedade. A questão da experiência, da influência dos aparatos midiáticos, a quebra de barreira pela internet e a constante transição das identidades são questões que estão presentes durante todo o tempo no cotidiano escolar, porém, geralmente ou são ignoradas, ou tratadas como se fossem assuntos que ocorressem em outros espaços que não o da escola.

As novas visões acerca da diversidade cultural fazem com que entendamos que, cada vez mais é necessária a sua permanente discussão, visto que as transformações sociais vêm acontecendo de maneira rápida e irrevogável.

Transformações no cotidiano e a constituição 

de novas identidades culturais

Acreditamos que as diversas possibilidades de análise do processo social cada vez mais levam em conta a experiência cotidiana. Milton Santos nos chama atenção para a dimensão espacial do cotidiano, configurada a partir dos novos papéis desempenhados pela informação e comunicação em todos os aspectos da vida social. Nada fazemos hoje que não seja a partir dos objetos que nos cercam (Santos, 2002, p. 321).

Michel Maffesoli (1998) também enfatiza a necessidade de se considerar as formas simbólicas que permeiam o cotidiano. O dia a dia, segundo o autor, é composto por um sistema reticular em que todos os eventos, ações, relações, objetos, mesmo os mais banais, fazem parte, conjuntamente, da concretização da experiência. Da mesma forma, Milton Santos (2002, p. 315) aponta o aspecto fundamental da análise do cotidiano para o entendimento das relações entre os lugares e o território: “Impõe-se, ao mesmo tempo, a necessidade de, revisitando o lugar no mundo atual, encontrar os seus novos significados. Uma possibilidade nos é dada através da consideração do cotidiano”.

Assim, a apropriação dos bens simbólicos, que agora passam a ser consumidos em grande escala, propicia o estabelecimento de novas relações de gosto e o surgimento de padrões de comportamento inspirados por tais produtos. Néstor Garcia Canclini (1999) aponta a transformação no processo de apropriação cultural realizada sob a influência da mídia:

A mídia chega para ‘incumbir-se da aventura, do folhetim, do mistério, da festa, do humor, toda uma zona malvista pela cultura culta’, e incorporá-la à cultura hegemônica com uma eficácia que o folclore nunca tinha conseguido. O rádio em todos os países latinoamericanos e, em alguns, o cinema levam à cena a linguagem e os mitemas do povo que quase nunca a pintura, a narrativa nem a música dominantes incorporavam.

Mas ao mesmo tempo induzem outra articulação do popular com o tradicional, com o moderno, com a história e com a política. (Canclini, 1999, p. 259)

A disseminação massiva dos produtos midiáticos possibilita o surgimento de novas formas de fruição cultural.

Novos hábitos se difundem e padrões vão se configurando a partir de interesses que se estabelecem pelos produtos como a música, o vestir e modos de falar. O desenvolvimento das sociedades urbanas permeadas pela mídia vai levar a novas formas de relações, ou territorializações. A mídia cria novos territórios:

Isso se dá porque os fluxos informacionais criam novas polarizações, substituindo assim fluxos de matéria como organizadores dos sistemas urbanos e da dinâmica espacial. Ora, com a velocidade e o desaparecimento das distâncias através dos meios de comunicação, outro espaço vai se instaurando, de outra ordem, não material. (Marcondes Filho, 1996, p. 165)

O estabelecimento de uma nova ordem cultural implica na necessidade de uma discussão acerca do termo cultura.

O termo, desde seu surgimento, contém uma série de usos que complexificam seu entendimento. Raymond Williams (2007) ao discutir as suas origens, apresenta uma discussão sobre as peculiaridades que ele envolve:

Entre línguas, assim como no interior delas, o leque e a complexidade de sentidos e referências indicam tanto a diferença de posição intelectual quanto algum obscurecimento ou sobreposição. Essas variações, de qualquer espécie, envolvem necessariamente visões alternativas das atividades, relações e processos que essa palavra complexa indica. A complexidade, vale dizer, não está, afinal, na palavra mas nos problemas que as variações de uso indicam de maneira significativa.

(Williams, 2007, p. 122-123)

Portanto, ao analisar uma determinada cultura estamos descrevendo e talvez reescrevendo ações que já são significativas para outros indivíduos, que produzem, recebem e interpretam tais ações no seu cotidiano. O estudo da cultura, por essa abordagem é mais um processo de interpretação, do que um processo de classificação e quantificação, como na antropologia descritiva. Assim Thompson (2002) define a concepção simbólica da cultura como:

Cultura é o padrão de significados incorporados nas formas simbólicas, que inclui ações, manifestações verbais e objetos significativos de vários tipos, em virtude dos quais os indivíduos comunicam-se entre si e partilham suas experiências concepções e crenças.

A análise cultural é, em primeiro lugar e principalmente, a elucidação desses padrões de significado, a explicação interpretativa dos significados incorporados às formas simbólicas. (Thompson, 2002, p. 176).

Os fenômenos culturais estão sujeitos, portanto, à interferência de diversos fatores históricos, sociais, espaciais.

Pela proximidade estabelecida pelos meios de comunicação de massa e atualmente também pela internet, as culturas se misturam, se interpenetram e novas culturas surgem de seus contatos e influenciam as identidades.

Esse é um processo que se desenvolve cada vez mais cedo em nossa sociedade. O convívio de crianças com os aparatos midiáticos como a televisão, o cinema e a internet, possibilitam à elas um acesso aos valores simbólicos por eles disseminados que influenciam, às vezes diretamente, seus gostos e entendimento do mundo que as cerca.

A chamada globalização produziu nas sociedades modernas mudanças constantes, rápidas e permanentes.

Mudanças que promoveram também a transformação das relações de tempo e espaço. Uma das consequências desse processo seria o desalojamento do sistema social, ou seja, a extração das relações sociais dos contextos locais de interação e sua reestruturação ao longo de escalas indefinidas de espaço-tempo.

O sujeito, previamente vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado; composto não de uma única, mas de várias identidades, algumas vezes contraditórias ou não resolvidas. Correspondentemente, as identidades que compunham as paisagens sociais ‘lá fora’ e que asseguravam nossa conformidade subjetiva com as ‘necessidades’ objetivas da cultura, estão entrando em colapso, como resultado de mudanças estruturais e institucionais. O próprio processo de identificação, através do qual nos projetamos em nossas identidades culturais, tornou-se mais provisório, variável e problemático. (Hall, 2005, p. 12) No final do século XX, portanto, surge de um outro sujeito, denominado por Stuart Hall como o sujeito pós-moderno, que transita entre as diversas escalas espaço-temporais.

Assim, o sujeito concebido anteriormente como uma só identidade está se fragmentando, composto não de uma, mas de várias identidades, por vezes contraditórias. A identidade torna-se uma “celebração móvel”, formada e transformada continuamente em relação aos sistemas culturais que nos rodeiam, possibilitando que o sujeito assuma formas diferentes, em diferentes momentos. Não existe mais um “eu” único. A identidade conforma-se a partir dos vários papéis sociais que cabem ao indivíduo representar: na família, no trabalho, com o grupo de amigos, associações, etc.

A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar - ao menos temporariamente (Hall, 2005, p. 13).

Canclini (1999), da mesma forma, nos chama a atenção para a exigência de uma mudança no olhar sobre as identidades a partir da noção de interculturalidade:

[...] A maioria das situações de interculturalidade se configura, hoje, não só através das diferenças entre culturas desenvolvidas separadamente, mas também pelas maneiras desiguais com que os grupos se apropriam de elementos de várias sociedades, combinando-os e transformando-os. Quando a circulação cada vez mais livre e freqüente de pessoas, capitais e mensagens nos relaciona cotidianamente com muitas culturas, nossa identidade já não pode ser definida pela associação exclusiva a uma comunidade nacional. O objeto de estudo não deve ser, então, apenas a diferença, mas também a hibridização. (Canclini, 1999, p. 165-166)

O autor ressalta que hoje, as identidades são permeadas por uma hibridização de significados, que possibilitam a convivência de tradições iconográficas nacionais (festas juninas, por exemplo) e daquelas criadas pela cultura de massa (black music, por exemplo). Para o autor, a discussão acerca das identidades e da cidadania deve levar em conta os modos diversos com que estas se recompõem e nos desiguais circuitos de produção, comunicação e apropriação da cultura.

Estudar o modo como estão sendo produzidas as relações de continuidade, ruptura e hibridização entre os sistemas locais e globais, tradicionais e ultramodernos, do desenvolvimento cultural é, hoje, um dos maiores desafios para se repensar a identidade e a cidadania.

Não há apenas co-produção, mas também conflitos pela co-existência de etnias e nacionalidades nos cenários de trabalho e de consumo; daí as categorias de hegemonia e resistência continuarem sendo úteis. Porém, a complexidade dos matizes destas interações demanda também um estudo das identidades como processos de negociação, na medida em que são híbridas, dúcteis e multiculturais. (Canclini, 1999, p. 175).

As mudanças nas relações de força, a hegemonia norteamericana na produção cultural massiva, a flexibilização das relações sociais e familiares, a transformação nos relacionamentos, tudo isso contribui para a fragmentação do modelo identitário em circulação até os anos 90 do século passado. No século XXI, cada vez mais as identidades se configuram a partir de referenciais simbolicamente constituídos, que por vezes, encontram-se distantes espaço temporalmente, mas que interferem diretamente no cotidiano das pessoas, seja pelo aparato informacional, seja pelos produtos da mídia.

As identidades transitam por fronteiras, nem sempre demarcadas de maneira clara, pois os limites se confundem e as referências se misturam. A identidade conforma-se a partir dos vários papéis sociais que cabem ao indivíduo representar: seja nas relações familiares, no trabalho, com o grupo de amigos e outras mais.

As fronteiras são justamente esses lugares de ‘contradições incomensuráveis’. O termo não indica um local topográfico fixo entre outros locais fixos (nações, sociedades, culturas), mas uma zona intersticial de deslocamento e desterritorialização, que conforma a identidade do sujeito hibridizado. Em vez de descartá-la como insignificante, zona marginal, estreita faixa de terra entre lugares estáveis, queremos sustentar que a noção de fronteira é uma conceituação mais adequada do local ‘normal’ do sujeito pós-moderno. (Gupta; Ferguson, 2000, p. 45).

Portanto, as novas identidades que emergem dos diversos processos sociais podem se caracterizar das maneiras mais diferentes, seja por gostos, por afinidades musicais, por times de futebol, por profissões, religiões, identidade sexual, determinadas a partir das relações que se estabelecem nas diversas instâncias onde os sujeitos transitam e por vezes, promovem novas associações. Um torcedor de futebol pode, ao mesmo tempo, ser fã de culinária grega e militar numa associação de bairro. Em cada momento ele possui uma identidade que o agrega a determinado grupo social, mas todas as identidades pertencem a ele ao mesmo tempo.

A diversidade cultural se espelha nas novas 

identidades

Termos como multiculturalismo, diáspora, cruzamento de fronteiras, nomadismo, hibridização, miscigenação, e sincretismo remetem à ideia de mobilidade entre os diferentes territórios da identidade. Silva (2000) afirma que tais movimentos contribuem para subverter o sentido essencialista da identidade, contrastando com o processo que tenta fixá-las, conformando-as dentro de uma ideologia hegemônica, processos que evidenciam a dinâmica da produção da identidade e da diferença.

As identidades que se formam a partir desses processos não constituem integralmente nenhuma das identidades originais, embora guardem traços destas.

Da mesma maneira, o estabelecimento da diferença enquanto conceito pode ser construído de forma negativa - por meio da exclusão ou marginalização daqueles que são percebidos como “o outro”, ou pode ser interpretado como fonte de diversidade, sendo assim enriquecedor, como podemos perceber em alguns movimentos sociais que se contrapõem aos constrangimentos da norma e celebram a diferença (black is beautiful), em contraposição à lógica do racismo, que remete à diferença “o outro” que é de uma cor que não a minha. Gomes (2006) ressalta que a diferença é também a base sobre a qual se funda o discurso da identidade comunitária, ressaltando-se características distintivas do grupo em relação a outro.

“Sublinhar um nível de diferença significa que, a despeito do infinito patamar de diferenciação possível, um limite será privilegiado, aquele que distingue o grupo dos demais” (Gomes, 2006, p. 60).

De acordo com Silva (2000), o desejo de acesso privilegiado dos diferentes grupos aos bens sociais traduz-se na afirmação da identidade e na enunciação da diferença.

Assim, identidade e diferença estão estreitamente ligadas ao poder. O poder estabelece as normas de diferenciação, que trata de incluir ou excluir, estabelecer fronteiras, classificar e normalizar as relações entre os grupos sociais.

A afirmação da identidade e a marcação da diferença implicam, sempre, as operações de incluir e de excluir.

Como vimos, dizer ‘o que somos’ significa também dizer ‘o que não somos’. A identidade e a diferença se traduzem, assim, em declarações sobre quem está incluído e quem está excluído. Afirmar a identidade significa demarcar fronteiras, significa fazer distinções entre o que fica dentro e o que fica fora. A identidade está sempre ligada a uma forte separação ‘nós’ e ‘eles’. Essa demarcação de fronteiras, essa separação e distinção, supõem e, ao mesmo tempo, afirmam e reafirmam relações de poder. ‘Nós’ e ‘eles’ não são, neste caso, simples categorias gramaticais, mas evidentes indicadores de posições-de-sujeito fortemente marcadas pelas relações de poder. (Silva, 2000, p. 82).