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A importância comunicacional e inclusiva da imagem tátil no setor editorial

Ruiz, Tássia; Perfetto Demarchi, Ana Paula; de Freitas Martins, Rosane Fonseca

Actas de Diseño Nº26

Actas de Diseño Nº26

ISSN: 1850-2032

XIV Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” X Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño

Año XIV, Vol. 26, Julio 2019, Buenos Aires, Argentina | 256 páginas

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Resumo: Este artigo aborda a atual situação das crianças com deficiência visual congênita sob o panorama do mercado editorial, ressaltando a importância que as imagens assumem nas publicações infanto-juvenis contemporâneas.

Utilizando metodologia de dados primários, sugere alguns apontamentos para profissionais da área de design, no sentido de questionar a ordem vigente e motivando-os a gerar ideias e soluções editoriais eficazes direcionadas a este público, e que permitam o efetivo reconhecimento tátil, elucidando conceitos e possibilitando que a imagem possa cumprir seu papel como linguagem e produtora do conhecimento.

Palavras chave: Imagem - Tátil - Crianças - Cego - Editorial - Publicação.

[Resumos em espanhol e inglês e currículo em p. 60] Os seres humanos são consumidores de imagens e são levados diariamente à sua utilização, decifração e interpretação de modo aparentemente natural. Porém, diante de uma das mais dominantes ferramentas da comunicação contemporânea, não estão tão passivos diante das imagens quanto parecem estar. Joly (2006) destaca a grande confusão e desconhecimento por aqueles que deduzem como sendo “natural” a leitura da imagem. Conforme a autora, uma das razões para essa falsa impressão está ligada à rapidez da percepção visual, que permite uma aparente detecção simultânea dos signos analógicos que compõem a mensagem visual. No entanto a imagem é resultado de transposições e só um aprendizado anterior permite que o homem seja capaz de reconhecer os motivos presentes em seu contexto como sendo equivalentes à realidade.

O início do século XX, no Brasil, é a época em que tem início a produção de textos escritos para crianças sem finalidade exclusivamente didática, mas lúdica. Seu uso, nos processos de aquisição e desenvolvimento da linguagem humana é importante para despertar a curiosidade e estimular a imaginação, fundamental para facilitar o processo de aprendizagem. As imagens auxiliam na formação de conceitos, que é, segundo Vygostsky (1997), essencial para o desenvolvimento da inteligência e dos processos psicológicos superiores.

Por ser imprescindível que a criança seja iniciada nesta linguagem a fim de ter acesso ao seu potencial comunicativo, será destacado nessa discussão a atual situação das crianças com deficiência visual congênita sob o panorama do mercado editorial, ressaltando a importância que as imagens assumem nas publicações infanto-juvenis contemporâneas, pois, de fato, generaliza-se a utilização de imagens neste tipo se obras, seja como ilustração, desenho, grafismo ou a própria forma como é disposto o texto. A imagem não atua mais como figuração diante da linguagem verbal, sua relação não é mais redundante, ou seja, a imagem já não é mais uma duplicata de certas informações que um texto contém. Os avanços do setor gráfico e a mudança de perfil do leitor infantil colocam a imagem em lugar de destaque nas publicações, isto é, integrada ao texto como linguagem, no qual ambas se complementam numa circularidade simultaneamente reflexiva e criadora.

Neste âmbito, as crianças de hoje crescem imersas em um universo diverso, plural e rico de signos figurativos, propiciando um constante e difuso processo de aprendizado que, desde muito cedo, as ensinam a decifrar imagens, tornando-as hábeis e sofisticadas leitoras de narrativas visuais. No entanto, no que se refere às crianças nascidas cegas, pouco ou quase nenhum acesso à amplitude de possibilidades, que é proporcionado pelo mundo das imagens, pode ser visto atualmente.

Como todas as propostas se deparam com o problema de como adaptar as imagens de modo que produzam sentido no contexto perceptivo dos cegos, a adaptação dos livros infanto-juvenis parte muitas vezes de iniciativas de pais e educadores, que buscam oferecer aos seus filhos e alunos o potencial lúdico e imaginativo das imagens, utilizando, dessa maneira, técnicas geralmente artesanais de fabricação de imagens, como a colagem dos mais diversos materiais e texturas. Em tentativas e erros, empiricamente vão aprendendo quais as melhores formas e materiais de adaptar as imagens em relevo para o público com deficiência visual. A boa recepção pelas crianças acaba por impulsionar a confecção de novos livros e, desse modo, novas técnicas de impressão e novos métodos de adaptação do conteúdo vão surgindo, visto que o principal objetivo dessas obras não está em mostrar o mundo vidente para essas crianças, mas sim instigar o toque, a leitura, a imaginação, isto é, encorajar o desenvolvimento cognitivo, por meio do prazer da leitura. (Valente, 2009) Antes de pensar em projetar para este público, é necessário saber que a particularidade da reorganização cognitiva nas pessoas com deficiência visual implica condicionantes específicos. São fatores para a aprendizagem e adaptação na produção de sentido ou construção de conhecimento que não permite o fechar de olhos ou um ambiente sem luz, para vivenciar a cegueira. Numa compreensão de mundo sem memórias visuais, a construção imagética é redirecionada à sinestesia dos sentidos remanescentes. (Polanyi, 1974, apud Freitas Neto, 2006). Desse modo, para ser capaz de “ler” imagens, a criança cega congênita aprende a usar, principalmente, a sensibilidade do tato, a fim de perceber, explorar e reconhecer superfícies, objetos e suas propriedades. A mão será educada para se transformar em um instrumento de exploração e conhecimento (Gil, 2000).

Sendo assim, a diferença entre o ver e o tatear uma imagem terá sua resposta na especificidade de cada sistema sensorial. Sabe-se que cada receptor capta um ponto de vista de uma informação e a qualidade dinâmica da percepção se incumbe da integração desses diferentes pontos de vista, inter-relacionando e sobrepondo para uma interpretação combinada.

O dinamismo representa uma vantagem frente a um comprometimento severo ou total em uma das funções sensoriais, como na cegueira, ao permitir um redirecionamento sensorial aos sentidos remanescentes. Contudo, é devido à especificidade de cada sensor, o motivo pelo qual não haverá compensação sensorial que supra as funções desempenhadas pelo sentido ausente.

Ao perder a visão, perde-se o aparato mais complexo dos sistemas sensoriais, capaz de registrar informações que nenhum outro sistema poderá registrar, justificado pela enorme quantidade de informações que podem ser retiradas de um meio iluminado, especialmente em relação à captação das cores. Ao enxergar, os signos analógicos de uma representação permitem uma decodificação rápida, aparentemente simultânea, das propriedades que uma imagem pode sugerir (tamanho, textura, movimento), sem que seja necessário tocá-la.

Frente à deficiência, como mencionado, o tato será o principal canal de informações sobre os objetos e eventos do mundo. Uma ferramenta de percepção também de alta sensibilidade e poder discriminativo (cerca de quatro e meio milímetros para a discriminação de dois pontos, no caso do dedo indicador), mas, diferente da visão, precisa do contato, de uma proximidade com o objeto. Devido a essa propriedade, o limite da percepção tátil fica restrito às dimensões exatas da superfície da pele em contato com o estímulo. Por essa razão, a apreensão do mundo pelos cegos será feita de maneira fragmentada, a partir de impressões sensoriais sequenciais.

No entanto, Santaella (2007) lembra que a sensibilidade tátil está presente em todos os sentidos do corpo (mãos, pés, boca, etc.) e é o único órgão sensório exploratório, motor e performativo (manipulação de objetos) simultaneamente.

O Sistema háptico, como denomina-se essa complementaridade tátil-cinestésica, permitirá a realização de movimentos voluntários de exploração e manipulação, como, por exemplo, os movimentos da mão associados ao braço, durante o qual o ser humano não apenas sentirá o ambiente, como também agirá sobre ele, assumindo formas passivas e ativas, compensando, de certa forma, a necessidade de proximidade característica da sensibilidade tátil.

Desenvolvimento da Modalidade Tátil Diante desse contexto perceptivo que usa o contato para o conhecimento e reconhecimento do seu entorno, estudiosos do assunto, Griffin e Gerber (1998) abordam a percepção e interpretação por meio da exploração sensorial e dedicam-se a descrever o desenvolvimento da modalidade tátil em quatro fases, três das quais (as três primeiras) serão abordadas neste artigo. São elas: Consciência da qualidade tátil; reconhecimento da estrutura e da relação das partes com o todo; compreensão de representações gráficas e utilização de simbologia (reconhecimento da linguagem simbólica - Braille) A primeira fase é a Consciência da qualidade tátil. Considera- se, primeiramente, o desenvolvimento psicomotor de uma criança entre os 2 e 6 anos de idade. Aos poucos, mediante experiências, essa criança aprende a controlar as partes mais distantes do eixo corporal, como dos músculos responsáveis pelos movimentos do punho e dedos, adquirindo controle sobre o manejo fino. A importância desse momento de ajuste não só garante uma maior adequação da ação ao seu objetivo, como também confere coordenação à criança, que implica numa automatização de cadeias de informação, permitindo a execução sem exigir uma hipertonia da atenção.

Nessa perspectiva, a consciência da qualidade tátil será a primeira parte do aprendizado tátil. A criança, passando de movimentos grossos até a evolução para uma exploração mais rica, mais refinada, demanda sua atenção para a exploração de objetos concretos, sendo de fundamental importância para a aquisição de memórias, que posteriormente serão utilizadas para o reconhecimento da representação gráfica. Pelo movimento motor, as crianças cegas podem apreender de maneira sucessiva a distinguir formas por meio de contornos, tamanhos e pesos. É aconselhado pelos autores o uso de objetos familiares durante a exploração, como um meio pelo qual as crianças possam adquirir conceitos de maneira mais rápida para serem posteriormente colocados em escalas de contraste.

A segunda fase é o Reconhecimento da estrutura e da relação das partes com o todo, que, conforme Griffin e Gerber (1998) refere-se ao conceito e reconhecimento da forma. Nesta etapa, a criança assimilará conhecimentos guardados na memória com o que é percebido, num processo de recuperação e assimilação para relacionar as partes com o todo.

Faz parte do processo de aprendizagem da criança cega o incentivo ao estímulo, ao auxílio que a encoraje manipular objetos. As atividades que enfatizam operações mentais refletem em movimentos hábeis de discernimento, reconhecimento, avaliação e raciocínio. Crianças pequenas precisam ser orientadas durante a manipulação, de forma que sejam guiadas a identificar os elementos mais significativos do objeto, detalhes que o tornam característico. É importante ressaltar que quanto maior a complexidade do objeto ou do cenário no qual este objeto está inserido, maior o tempo de identificação de traços característicos da forma. Mas mesmo os padrões e objetos que demandam um maior esforço por parte criança não devem ser ignorados - é necessário apresentá-los em um momento oportuno do processo de aprendizagem. A terceira e penúltima fase é a Compreensão de representações gráficas. Quando a criança apresenta uma carga de conhecimento da tridimensionalidade dos objetos, ela estará preparada para a apresentação bidimensional, para a fase da representação gráfica. Neste momento, após ter contato “real” com os objetos do mundo e conseguir estabelecer relações, de inter-relacionar partes dos objetos, as imagens táteis poderão ser apresentadas à criança. Linhas, formas, contornos e relevos, um a um os componentes devem ser apresentados. Nesse momento é importante evitar apresentações completas para que a criança não se sinta confusa, pois a representação só terá significado se ela for capaz de assimilar as semelhanças entre a representação e o objeto real.

Para o uso correto das imagens táteis é importante a memória adquirida pela exploração do meio, uma memória de conceitos amplos, globais, que são refinados a ponto de permitir distinguir níveis superiores de detalhamento. A capacidade de assimilação entre o real e a representação pictórica, permitirá que a criança tenha acesso a informações que estão fora do alcance das mãos.

Imagem Tátil O que é uma imagem? Encontrar uma definição para o termo imagem não é tarefa fácil segundo Joly (2006), mas é possível compreendê-la com algo que se assemelha a outra coisa, uma representação, um objeto segundo com relação a outro que ela representa, regido por leis particulares, com função de evocar outra coisa que não ela própria, mesmo que nem sempre remeta ao visível. Pode assumir uma multiplicidade de conotações e sentidos.

Seja um desenho, uma fotografia ou uma imagem mental, imaginária ou concreta, dentre a diversidade de significações para a palavra imagem, a analogia será, antes de tudo, o vínculo que une todas as suas definições. Entre suas atualizações potenciais, algumas se dirigem aos sentidos, outras unicamente ao intelecto, quando se fala do poder que certas palavras têm de produzir imagem, por uso metafórico, por exemplo (Aumont, 2001; Brandão, 2011).

Nesse contexto, imagens feitas em relevo que possam ser lidas com o tato são denominadas imagens táteis. São imagens que permitem explicar coisas que não podem ser sentidas pelas mãos, como vulcões e dinossauros, ou ainda, podem fornecer a idéia de como seria um objeto por inteiro, como as árvores grandes, ou seja, na qualidade de imagens, comunicam por meio do tato.

Yvonne Eriksson (1999) relata que a maioria das imagens pode ser transferida em imagens táteis e praticamente tudo pode ser ilustrado para o reconhecimento tátil, mas a simples produção de imagens táteis não é o suficiente para a interpretação. A confecção de imagens deve ter como base a eficiência do tato.

Neste sentido, a autora adverte sobre a usual forma de transferir imagens visuais em imagens táteis e aponta que imagens quando transferidas para elementos táteis, sofrem transformações inevitáveis, que para serem reconhecidas devem ser produzidas de modo que seus todos os seus componentes sejam facilmente identificados pelo tato, implicando uma maior cautela com tamanhos, sobreposições, contornos, dentre outros motivos que podem sugerir uma imagem, visando à eficácia para a síntese de um significado.

Ruiz (2010), em pesquisa para verificar e definir a apreensão de imagens táteis em relevo desenvolvidas para pessoas com deficiência visual congênita, observou sua eficácia como representação e significação dos objetos do mundo. Os resultados vieram a confirmar a necessidade de produzir imagens levando em consideração as especificidades do contexto perceptivo dos cegos. As representações analisadas trazem contornos pontilhados em relevo que são basicamente transcrições dos componentes das imagens em tinta, cujas linhas emaranham-se e fundem-se gerando ruído comunicacional. A fidelidade que deveria existir em relação ao objeto que representa, volta-se para a imagem visual como mera transposição de linhas para pontos em relevo (o termo imagem visual é utilizado para sua característica de evidência visual, pois o significado da palavra imagem tem sido reduzido pela sociedade moderna).

Ao suprimir elementos, características e qualidades que compõem o contexto do objeto evocado, ou seja, ao retirar a sinestesia do conjunto de motivos que compõem a imagem, que complementam a relação analógica para a construção do significado, restringiu-se grande parte da imagem para a qualidade de estímulo sensorial tátil, dando abertura a uma infinidade de interpretações possíveis.

As crianças atribuíram os mais diversos significados, como exemplo, os olhos de uma personagem foram identificados, por analogia, como sendo a letra “g” em braille, houve também em uma segunda ilustração, a associação tátil do que seria o cabelo espetado (forma pontiaguda preenchida por linhas verticais) de um personagem, com sendo uma coroa, uma escada, ou os dentes de um jacaré.

Não se nega que, muitas vezes, o processo de concepção de uma imagem em relevo, principalmente em nível industrial, implica busca do equilíbrio entre o objetivo almejado e a necessidade de adequação frente à contrariedades.

Todavia, mesmo sendo o custo de produção um dos maiores limitadores de prováveis soluções mais eficazes, por impossibilitar a utilização de materiais, texturas e técnicas diferentes, esse não deveria prevalecer sobre a taxa informacional de uma imagem, a ponto de torná-la incompatível com os modelos perceptivos e resumos cognitivos construídos pelos cegos.

Diante do exposto, Neil Johnston (2005), outro autor que discute a adaptação de imagens, aponta métodos para tornar a imagem tátil mais significativa. Johnston reforça que a versão em relevo de uma imagem em tinta (impressa) geralmente não fará sentido como uma imagem tátil, causando muitas vezes confusão, devido aos muitos detalhes que uma imagem visual pode conter.

Segundo o autor, imagens impressas incluem variações de sombreamento, detalhes sutis, desenhos estilizados, enquadramentos e simulações de movimento que serão menos óbvias para a interpretação do leitor cego. Perspectivas e ângulos são igualmente desafiadores para um pequeno leitor que não enxerga. Para Johnston, é apropriado ter cautela no uso destes recursos e optar preferivelmente por uma representação mais simples, de vista plana, completa frontal ou em perfil.

Sobreposições e contornos, especialmente com baixo contraste entre as formas, também podem levar ao fracasso em uma exploração tátil por crianças cegas. Formas fundidas, como um animal sobreposto a uma cerca, tendem a não serem percebidas como elementos distintos em uma composição, pelo fato de seus limites não serem claros.

Separar as formas, buscando uma representação mais “limpa” e contrastante, trará maiores benefícios para o contexto da mensagem.

A escala reduzida de um desenho é segundo Johnston (2005) uma representação essencialmente baseada no conhecimento visual. Trazer para a representação bidimensional elementos estratégicos que façam parte do repertório tátil e destacar suas qualidades específicas, pode ser mais significante que uma representação esquemática global. Em outras palavras, uma folha pode ser mais significativa para a criança, com base na experiência e conhecimento do mundo que a mesma adquiriu por meio do tato ao pegar folhas em um parque, do que um esquema de uma árvore que pouco a ver possui com uma árvore real. Aplicando este conceito de representatividade com base na memória tátil do leitor cego, o mesmo serve para o uso de texturas, sons e cheiros em uma imagem em relevo. O uso de materiais diversificados, que permitem complementar a relação analógica entre a representação e o objeto representado por meio de estímulos diferenciados, como uma textura macia para representar um gato, um perfume para uma flor, ou um latido para um cachorro, é exposto como uma forma de atingir um maior sucesso na interpretação da imagem, visto que integra informações vindas de diferentes vias sensoriais para a construção de um significado.

Por fim, em relação à questão da profundidade, Johnston (2005) propõe a descrição da imagem pelo método stepby- step (passo a passo). Este método é indicado como um caminho alternativo para a interpretação e entendimento de conceitos mais complexos pela criança cega, como o da profundidade. Uma paisagem, por exemplo, pode partir da identificação de seus elementos de modo destacado, como a identificação primeiramente de um rio, de árvores e de montanhas, num segundo momento a criança pode identificar elementos, antes individuais, de modo conjunto, como o rio que apresenta árvores ao redor de suas margens, para finalmente compor a ilustração da paisagem, um rio margeado por árvores com montanhas ao fundo, proporcionando à criança uma identificação e melhor compreensão das relações estabelecidas pelos elementos da imagem.

Considerações finais Espera-se que este artigo promova uma reflexão sobre a inserção do Design nesta discussão, ou seja, na participação de temas relacionados à imagem que não sejam endereçadas apenas à percepção visual.

Para Zimmermann (2008), as imagens na infância são extremamente importantes pois passam a constituir a cultura da criança, uma vez que compõem as histórias a partir de relações estabelecidas. São um elemento mediador no processo de construção do conhecimento, contribuindo para a aquisição e desenvolvimento da linguagem, além de estimular a imaginação, fornecendo experiências variadas ao leitor que lhe permitem expandir suas vivências.

Há sempre muito mais a ser apreendido, além da dimensão que uma primeira leitura pode trazer. É necessário mediar essa leitura, estimulando as crianças a irem além das dimensões explícitas das imagens, pois todas as representações iconográficas apresentam lacunas, silêncios e códigos que precisam ser decifrados, pesquisados, compreendidos e resinificados (Bueno, 2011).

Neste sentido, a imagem não se esgota em si, porque é uma espécie de ponte entre a realidade retratada e outras realidades e outros assuntos. Por meio dela, a partir dela e por comparação, segundo Paiva (2004), é possível analisar outros temas, em contextos diversos. E quando ela não é compreendida? Profissionais da área de Design, que recebem reconhecimento atual do mercado, pelo fator de diferenciação e por suas habilidades empíricas e multidisciplinares, devem ser motivados a questionar a ordem vigente e a fornecer ideias, refletindo sobre problemas e gerando soluções eficazes direcionadas ao público com deficiência visual, a fim de que futuramente, materiais adaptados, produzidos industrialmente, deixem de ser transcrições pontilhadas em relevo de imagens em tinta e permitam o efetivo reconhecimento tátil, elucidando conceitos e fornecendo informações sobre o mundo, ou seja, que a imagem possa cumprir seu papel como linguagem e produtora do conhecimento.

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Resumen: Este artículo aborda la situación actual de los niños con discapacidad visual congénita en el panorama del mercado editorial, resaltando la importancia que las imágenes asumen en las publicaciones para los niños contemporáneos. Utilizando la metodología de datos primarios, sugiere algunas notas para los profesionales del diseño, en el sentido de cuestionar el orden establecido y motivarlos a generar ideas, soluciones editoriales destinadas a este público, permitiendo así el efectivo reconocimiento táctil, clarificar conceptos y posibilitar que la imagen pueda cumplir su papel como lenguaje y productor de conocimiento.

Palabras clave: Imagen - Táctil - Niños - No vidente - Editorial - Publicación.

Abstract: This article addresses the current situation of children with congenital visual impairment in the publishing market, highlighting the importance that the images assume in the publications of contemporary children. Using the methodology of primary data, it suggests some notes for the design professionals, in the sense of questioning the established order and motivating them to generate ideas, editorial solutions aimed at this public, thus allowing the effective tactile recognition, clarify concepts and enable the image can fulfill its role as language and producer of knowledge.

Keywords: Image - Touch - Children - No seer - Editorial - Publication.

(*) Tássia Ruiz: Graduada em Design Gráfico pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Mestranda em Comunicação pela mesma instituição.

Bolsista Cnpq. Ana Paula Perfetto Demarchi: Designer com Doutorado Engenharia e Gestão do Conhecimento (Ufsc). Professora adjunta da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e avaliadora institucional e de curso do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior. É docente pesquisadora bolsista DTII da Cnpq. Doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento, Universidade Estadual de Londrina. Rosane Fonseca de Freitas Martins: Designer, Doutora em Engenharia de Produção; Mestre em Marketing; Especialista em Arquitetura de Interiores e em Propaganda e Marketing. Professora na Universidade Estadual de Londrina na graduação em Design e Mestrado em Comunicação Visual. Coordenadora da Especialização em Gestão Estratégica de Design.


A importância comunicacional e inclusiva da imagem tátil no setor editorial fue publicado de la página 56 a página60 en Actas de Diseño Nº26

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