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Análise ergonômica de uma banqueta de bar

Souza, Caio ; Santos Brandão, Marcus Paulo; Queiroz Costa, Rodrigo Antônio ; Batista de Oliveira, Sergio

Actas de Diseño Nº26

Actas de Diseño Nº26

ISSN: 1850-2032

XIV Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” X Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño

Año XIV, Vol. 26, Julio 2019, Buenos Aires, Argentina | 256 páginas

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Resumo: O presente estudo consiste em avaliar ergonomicamente o design de uma banqueta de bar, verificando o grau de percepção de conforto do usuário na utilização e na apresentação visual do produto. Para elaboração deste estudo, foi utilizado um modelo de banqueta com estilo retrô, disponível no mercado em duas apresentações formais: com e sem o encosto ou apoio lombar. A metodologia utilizada foi a análise postural de situações de uso em laboratório e a aplicação de questionários dirigidos aos usuários, buscando verificar a influência da presença do apoio lombar, no conforto percebido por seu usuário. Os resultados obtidos neste estudo possibilitam que, tanto o fabricante, quanto o usuário ou potencial comprador do modelo estudado, possam identificar qual o nível de valor que o apoio lombar pode agregar ao produto.

Palavras chave: Antropometria - Banqueta de bar - Conforto - Ergonomia - Design - Retrô.

[Resumos em espanhol e português e currículo em p. 179]

Introdução Este trabalho tem por finalidade a discussão e a análise ergonômica de uma banqueta de bar, no que diz respeito ao conforto visual e de uso, além de possíveis adaptações frente a atual realidade antropométrica do brasileiro. Segundo Gomes Filho (2003, p.24) as reflexões ergonômicas são traduzidos por análises, diagnósticos e comentários sobre problemas típicos dos objetos que podem contribuir para diminuir sua qualidade de desempenho e, eventualmente, causar desconforto e insegurança aos seus usuários.

Foram feitos levantamento de dados em tabelas antropométricas de medidas e dimensões consideradas necessárias para o projeto ou desenvolvimento de uma banqueta de bar, a fim de se estabelecer um comparativo com o produto que será alvo dos testes, bem como outros produtos similares disponíveis no mercado, a fim de assegurar que os resultados desse estudo possam ser aplicados a um maior número de produtos. Além disso, serão executados estudos de postura e fadiga muscular para verificação dos níveis de conforto do objeto, apontando possíveis modificações para seu aperfeiçoamento.

O apontamento do conceito de retrô será abordado por meio de pesquisa bibliográfica, estabelecendo os parâmetros necessários para que um produto possa ser caracterizado como tal e, eventualmente, um apontamento dos materiais passíveis de serem usados para manutenção de seu valor estético. Esta metodologia também será usada para o levantamento histórico antropométrico.

A avaliação postural será efetuada utilizando um Simetrógrafo portátil da marca Sanny®, no laboratório do Centro de Pesquisa em Design e Ergonomia (CPqD), da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

A avaliação da percepção de conforto será levantada por meio de dados coletados por meio de um questionário individual que será respondido pelo usuário, após a utilização ou visualização do produto, em suas duas configurações.

Retrô O retrô ou vintage, aplicado ao design de produto, remete ao passado pelo ponto de vista de sua estética. Esta estética pode ser considerada a atualização de um estilo que busca despertar certa afetividade ligada a sentimentos que oscilam entre saudosismo e nostalgia.

Embora a mania do antigo comporte uma dimensão nostálgica, ela também ilustra a intensificação dos desejos individualistas de qualidade de vida, uma cultura hipermoderna do bem-estar indissociável de critérios mais qualitativos e sensoriais, mais estéticos e culturais. Subjacentes ao gosto pelo passado avançam as paixões hiperindivisualistas de “conforto recreativo” e “conforto existencial” as novas exigências de sensações agradáveis, de qualidade ambiental em todos os sentidos (Lipovetsky, 2004, p. 91).

A questão do estilo retrô se torna relevante para este estudo ao destacarmos o tipo de conforto no qual estaremos estabelecendo o estudo. Embora exista uma alteração na atribuição de valor de um objeto segundo sua aparência característica, Cardoso (2012) deixa claro que “trata-se de uma transferência psíquica de valor baseado no principio da associação”. O caráter subjetivo da relação da forma do objeto com seus valores subjetivos não será fruto do nosso estudo,mas sim os aspectos que seus materiais e estrutura trazem do objeto original para sua releitura atual. Os valores intrínsecos de sua aparência e seu conforto visual ficam legados à semiótica dos indivíduos e nos ateremos ao conforto material e mensurável da peça.

Antropometria / Conforto Para que se entenda o objeto deste tema é propício o levantamento etimológico da palavra feito por Van Der Linden (2007) ao apontar que a origem da palavra “está ligada ao conceito de consolo ou apoio, a partir da palavra latina cumfortare, derivada de confortis” que significa aliviar a dor ou fadiga.

Inicialmente ligada ao pensamento religioso e espiritual o conceito contemporâneo de conforto não teve um desenvolvimento ou uma consolidação linear. Podemos verificar que somente com a consolidação dos parâmetros ergonômicos durante a Segunda Guerra Mundial foi possível mensurar de alguma maneira este requisito de projeto.

A condição conforto, normalmente conceituada como comodidade e bem estar, apresenta desafios para sua mensuração que vão além dos números gerados pela pesquisa.

Os problemas ergonômicos referentes a esse fator dizem respeito às condições ou situações de uso dos objetos que contrariam esta conceituação, principalmente com relação às tarefas de uso que possam provocar diversos tipos de fadiga, doenças e constrangimentos no organismo humano. O fator de conforto apresenta-se também muitas vezes atrelado ao fator de segurança e às condições subjetivas –e tema ver, sobretudo com as condições físicas, psicológicas, experiência de vida e idiossincrasias do usuário do objeto–, o que o torna, de certo modo, difícil ser qualificado ou quantificado (Gomes Filho, 2003, p. 29).

Focaremos nossos estudos nos aspectos físicos e fisiológicos do conforto. Conforme aponta de Van Der Linden, (2007a) dimensão fisiológica “corresponde a interface humana constituída pelo assento (pressão no contato, dureza do assento, conforto térmico)”; já a “dimensão do conforto físico é dependente de aspectos posturais e biomecânicos”, no nosso caso, fatores antropométricos, equilíbrio e dinâmica de uso da banqueta.

Os assentos surgiram como símbolo de status (Grandjean e Kroemer, 2005, p. 58), e ocuparam grande parte das relações de uso tanto no ambiente de trabalho como no ambiente de lazer. Segundo Kroemer et al. (2001, p. 338) nosso corpo foi feito para se movimentar e a manutenção de qualquer postura ou posição do corpo por longos períodos leva ao cansaço e desconforto. Na postura sentada cerca 75% do peso total de um indivíduo é apoiado em apenas 26 centímetros quadrados das tuberosidades dos ísquios (Branton, 1966 apud Panero e Zelnik, 2002).

Assim ocorre o surgimento de diversos esforços de compressão na área inferior das nádegas podendo resultar na geração de fadiga e desconforto, e consequentemente em mudanças posturais do usuário buscando diminuir o mal estar. A manutenção de uma determinada postura sem as devidas considerações sobre as compressões geradas pode provocar problemas fisiológicos. Autores comprovam a preocupação sobre o assunto e demonstram a necessidade de se atentar para uso cuidadoso da antropometria como possível forma de solução.

Uma longa permanência na posição, sem alterar a postura e sob a citada compressão, pode causar isquemia, ou outra interferência na circulação sanguínea, resultando na ocorrência de formigamento e dores naquele local.[...] A esse respeito, é essencial a utilização dos dados antropométricos adequados para chegar às medidas e espaços livres necessários (Panero e Zelnik, 2002, p. 59).

Uma das principais dificuldades relacionadas com ação de sentar se dá em relação à curvatura da ráquis lombar.

“Cerca de 80% dos adultos têm dor nas costas, ao menos uma vez na vida, e a causa mais comum é o problema de disco intervertebral” (Grandjean e Kroemer, 2005, p.

60). Nota-se que o desconforto ocorre devido ao aumento da pressão sobre os discos intervertebrais, ocasionando uma sobrecarga, e consequentemente podendo haver uma aceleração em desgaste dos mesmos. Tal situação é ainda associada ao esforço dos músculos lombares que atuam constantemente para manter a postura, o que leva a fadiga, dores musculares e maior tensão. Grandjean e Kroemer (2005) demonstram o problema através de um dilema entre a coluna vertebral e os músculos: ... pode haver um conflito de interesses entre as demandas dos músculos e as demandas dos discos: enquanto os discos preferem a posição ereta, os músculos preferem a posição levemente inclinada para frente. É claro que recostar em apoio de costas bem desenhado também alivia a coluna e os tecidos conectivos (especialmente os músculos) das costas...(Ibidem, p. 62).

Iida (2005, p. 152), sobre postura e conforto afirma que: “... mudanças de postura são ainda mais frequentes se o assento for desconfortável ou inadequado para o trabalho...

frequentes mudanças de postura contribuem para a nutrição da coluna e aliviam a tensão dos músculos dorsais”. Já para Woodsonet al. (1992, p. 520) uma boa postura sentada é a que proporciona a menor tensão aos músculos das costas e pescoço.

Panero e Zelnik (2002, p. 59-60) destacam também quanto à aplicação de superfícies para estabilização: A base do assento, sozinha, não é suficiente para estabilização.

Teoricamente, as pernas, os pés e as costas, em contato com outras superfícies além do assento, deveriam produzir o equilíbrio necessário. [...] o processo de estabilização corporal envolvia não só a superfície do assento, mas também as pernas, os pés e as costas em contato com outras superfícies.

Percebe-se que a utilização de um apoio para as costas, bem como seu posicionamento e configuração, é um fator impactante para a redução do desconforto. “Bastante significativo para o arquiteto ou designer é a importância da localização dos apoios para as costas, cabeça e braços bem como seu tamanho e configuração, uma vez que tais elementos funcionam como estabilizadores” (Panero e Zelnik, 2002, p. 59).

Se, através de um projeto inadequado de antropometria, a cadeira não permitir que a maioria dos usuários de fato tenha os pés ou as costas em contato com outras superfícies, a instabilidade do corpo aumentará e uma força muscular adicional terá que ser gerada para manter o equilíbrio. Quanto maior o grau de força muscular ou controle exigido, maior a fadiga e o desconforto (Panero e Zelnik, 2002, p. 60).