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A influência da cultura indígena na indumentária

Aguiar, Ivy

Actas de Diseño Nº3

Actas de Diseño Nº3

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/https://doi.org/10.18682/add.vi3

II Encuentro Latinoamericano de Diseño "Diseño en Palermo". Comunicaciones Académicas. Julio y Agosto 2007, Buenos Aires, Argentina

Año II, Vol. 3, Julio 2007, Buenos Aires, Argentina. | 255 páginas

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Não podemos nos adentrar no tema sem antes deixar alguns conceitos claros. Para Barnard (2003) moda, vestuário, indumentária e enfeites constituem sistemas de significados no qual se constrói e se comunica uma ordem social. Podem ser considerados como um meio pelos quais os grupos sociais comunicam sua identidade como grupos sociais a outros grupos sociais e Souza (2001: 25) complementa: “as mudanças da moda dependem da cultura e dos ideais de uma época.” E Barnard (2003) define cultura como a descrição de um modo de vida que engloba e se expressa através de significados e valores, e ainda completa que estes significados são expressos não só através da arte e do saber, mas também nas instituições e no comportamento habitual, o que englobaria a moda, o vestuário e o adorno, as idéias de mudanças da moda e das diferenças.

Muitas vezes não percebemos as influências na moda das diversas culturas existentes no mundo, entretanto se tivermos um olhar atento e estudioso veremos peças, acessórios, materiais, cores e etc. que eram usados apenas por um povo, mas que hoje foi incorporado à moda.

Isto também acontece com a cultura indígena, porém esta percepção de que seus valores foram incorporados aos valores ocidentais, a moda ocidental reinante, é mais lenta e difícil de ser assimilada por causa do longo processo de exploração e desvalorização do índio. Entretanto, podemos ter como exemplo: As calças do índio norte-americano que foram incorporadas ao estilo caubói norte-americano e ainda não é raro ver mundo afora vestimentas que tiveram a influência da indumentária Maia, com o seu estilo de cores fortes e de desenhos ou símbolos sagrados.

A influência indígena à cultura e indumentária dos ditos homens brancos pode ser vista claramente em Nadaff (2001, 17): “uma virgem dos lábios de mel já trazia, em seu uru de palha, seus perfumes, os alvos de croata, as agulhas de juçara –com as quais tecia renda– e as tintas que lhe serviam para matizar o algodão. Um material que data antes da colonização do Ceará por Martim Soares Moreno, o amado guerreiro branco de Iracema, no século XVII. Está assim descrito no romance do escritor cearense José de Alencar e ainda “o uru de Iracema, com vestígios de uma produção ligada à moda (por que não se dizer assim?), explica a natural vocação do cearense para este tipo de trabalho.” Entretanto a autora se refere aí a índia. Percebemos que sua influência ou contribuição já existia, e pode ser notada acima, mesmo no começo da colonização do Ceará.

Atualmente o índio participa da moda no Ceará - Brasil de uma forma bem mais intensa, no fabrico de vestimentas e principalmente de ornamentos, bijuterias e acessórios.

Através do conhecimento adquirido ao longo dos tempos, eles dão uma contribuição imensa à sociedade, oferecendo materiais que por eles foram descobertos para o uso do vestuário, adornos ou de enfeites.

Visto que estamos nos atendo ao vestuário e ornamento indígena, é importante ressaltar que o índio já se tatuava, como uma forma de revestir e embelezar o corpo. Quando os primeiros europeus chegaram ao Brasil, os índios encontrados usavam instrumentos de origem animal, vegetal ou mineral para escarificar e depois colocavam tinta, como a extraída do jenipapo ou ainda do urucum.

A preocupação com a beleza e a conservação dela já existia entre as índias, Schefer (2000, 278), “bem antes da descoberta dos cremes anti-UV, as mulheres (referindose às índias) conheciam os ungüentos protetores hoje cobiçados pelas multinacionais da indústria cosmética.” Os índios Tapeba, localizados nos arredores da cidade de Fortaleza (Ceará - Brasil) possuem toda uma estrutura de criação e fabricação própria e com ajuda de ONGs ou pessoas interessadas em seu desenvolvimento. Eles conseguiram se organizar e já praticam o comércio, vendendo vários produtos ligados à moda para a subsistência da comunidade.

Com o intuito de promover o desenvolvimento da cultura indígena, segundo reportagem do jornal O Povo datado de 21 de maio de 2004, foi construído, hoje pronto e em pleno funcionamento, o Centro de Produção Cultural Tapeba às margens do quilometro sete da BR-222, no município de Caucaia com dinheiro doado pela Fundação Abbé Pierre, representada aqui pela Organização Não Governamental Adelco. O projeto tem o intuito de gerar renda e preservar os costumes ancestrais de cerca de cinco mil índios e com isto pretende promover e ampliar as criações em diversas áreas desenvolvidas pelos índios, promovendo dessa maneira a cultura indígena.

Através de um estudo mais aprofundado consegue-se ver a realidade dos índios desta comunidade indígena - Tapeba, interagir com as suas dificuldades e conhecer como está ocorrendo todo o processo para a revitalização da cultura indígena.

Pôde-se constatar então, que o índio interfere e contribui bastante nos acessórios e adornos de um modo geral, principalmente, através dos ornamentos. Percebemos a aceitação no fazer a cabeça dos jovens. Como também a participação na questão do vestuário, a preocupação com o desenvolvimento atribuído ao processo de criação do vestuário que desperte maior interesse na aceitação desse produto pelos povos denominados brancos.

Pelos motivos citados acima devemos orientar e conscientizar o índio no seu processo de exteriorização (criação, produção e comercialização) como forma de sobrevivência, já que o mesmo não está mais isolado da civilização branca. Podemos contribuir na preservação de suas idéias e modo de vida de forma que este possa contribuir para moda como mais uma cultura diferente entre tantas que têm informações à fornecer além de ressaltar que o índio preserva, através do uso ecologicamente correto de suas terras, uma enorme riqueza em biodiversidade e um saber acumulado; que possui valor de mercado ainda não reconhecido e necessário a valorização adequada desses recursos e uma política que permita a continuação de um modo de exploração não destruidor da natureza, podem garantir aos índios um futuro no Brasil e ao Brasil, a preservação de sua diversidade cultural e natural.

Referências bibliográficas - Barnard, Malcolm. Moda e comunicação. Rio de janeiro: Rocco, 2003.

- Bentock, Shari et al. Por dentro da moda. In Brodman, Bárbara, Paris ou perecer: a penúria do índio latino-americano num mundo ocidentalizado. Rio de Janeiro: Rocco, 2002. p. 303 - Calmon, Pedro. História das Américas: os aborígines da América do sul. São Paulo: Gráfica Editora Brasileira Ltda, 1947.

- Cunha, Kathia Castilho; Garcia, Carol. Moda Brasil: fragmentos de um vestir tropical. In Nadaf, Ana. Moda cearense: uma colcha de retalhos. São Paulo: Anhembi-Moorumbi, 2001.

- Eco, Umberto et al. Psicologia do vestir. 3ª ed. Lisboa: Assírio e Alvim Coop. Ed. e Livreira, 1989.

- Faux, Dorothy Schefer et al. Beleza do século. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2000.

- Freyre, Gilberto. Novo mundo nos trópicos. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1971.

- Lipovetsky, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. 2ª Edição. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

- Marques, Toni. O Brasil tatuado e outros mundos. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

- Melati, Júlio Cezar. Índios do Brasil. 5ª ed. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1986.

- Povo Tapeba. Memória viva dos índios Tapeba. Terra demarcada, vida garantida... Caucaia. Caucaia: SEDUC, 2000.

- Shaden, Egon. Aspectos fundamentais da cultura guarani. São Paulo: Difusão Européia do livro, 1962.

- Saltzman, Andréa. El cuerpo diseñado: sobre la forma em el proyacto de la vestimenta. Buenos Aires: Paidós, 2004.

- Souza, Gilda de Melo. O espírito das roupas: a moda no século dezenove. 4ª ed. São Paulo: Companhias das Letras, 1987.

- Williams, Raymund. Cultura. 2ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

Ivy Aguiar. Especialista em Contabilidade e Finanças, Professora do Curso de Estilismo e Moda da Universidade Federal do Ceará.


A influência da cultura indígena na indumentária fue publicado de la página 33 a página34 en Actas de Diseño Nº3

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