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Design e Cotidiano: mais que uma moda, um estilo!

Acar, Lucía

Actas de Diseño Nº8

Actas de Diseño Nº8

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/https://doi.org/10.18682/add.vi8

IV Encuentro Latinoamericano de Diseño 2009 Diseño en Palermo Comunicaciones Académicas.

Año IV, Vol. 8, Marzo 2010, Buenos Aires, Argentina. | 264 páginas

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“Só o pensamento que se faz violência a si mesmo é suficientemente duro para destruir os mitos”. Numa bela manhã, um homem que tomava seu café, olhou para fora da janela e viu –quem dera!– um unicórnio com um chifre dourado, mascando tranqüilamente as rosas de seu jardim.

Esse senhor foi então acordar sua mulher e lhe disse: “Tem um unicórnio no jardim, comendo nossas rosas”.

Irritada, ela retrucou: “Unicórnio é um animal mítico”. E, virando-se para o outro lado, voltou a dormir. Intrigado, o marido caminhou lentamente até o jardim.

O unicórnio estava ali, beliscando suas tulipas. “Aqui, unicórnio” chamou ele, oferecendo um lírio, que o animal comeu solenemente. Com o coração saltitante –obviamente, porque afinal de contas havia um unicórnio em seu jardim– o camarada foi novamente despertar sua mulher.

“O unicórnio comeu um lírio”, anunciou ele. Só que agora ela ficou realmente irritada. “Você é um demente, e eu vou te internar no manicômio!” O marido que nunca apreciou muito a idéia de manicômios –especialmente num dia tão lindo, com um unicórnio no sue jardim– refletiu por um momento e disse: “Isso é o que veremos”. Mas antes de descer as escadas completou: “E ele tem um chifre dourado no meio da testa”. Ao chegar novamente ao jardim, o unicórnio já tinha ido embora.

O homem se sentou em meio as rosas e adormeceu. Sua mulher se vestiu rapidamente. Ela estava bastante irritada e regozijava-se por ter a chance de pegar seu ridículo marido. Ligou para a polícia e depois para o psiquiatra, instruindo-os pra que chegassem logo com uma camisa-deforça.

Quando chegaram, ela, já muito agitada, foi logo dizendo: “Meu marido viu um unicórnio hoje de manhã!” O policial e o psiquiatra se entreolharam descrentes. “Ele me disse que o unicórnio havia comido um lírio”, continuou ela. De novo o policial e o psiquiatra trocaram um olhar suspeitoso. “E também disse que o bicho tinha um chifre douradão no meio da testa!”, insistiu mais uma vez.

Subitamente o policial e o psiquiatra levantaram de suas poltronas e agarraram-na. Ela resistiu violentamente, mas no final eles conseguiram dominá-la e enfiaram-na numa camisa-de-força. Foi nesse momento que o marido entrou, chagando do jardim. “Você por acaso disse a sua mulher que viu um unicórnio?”, perguntou-lhe ceticamente o policial. “O unicórnio é um animal mítico”, respondeu seriamente o marido. “Isso era tudo que precisávamos saber”, retrucou o psiquiatra.

“Estamos internando sua mulher, ela surtou de vez”... Em um mundo desprovido de magia e encantamento, aquele que conserva um pouco de fantasia como ferramenta crítica para desenvolver um pensamento criativo consegue, sem dúvida, melhores soluções para os problemas e as solicitações cotidianas. Uma dessas ferramentas é o design! Ao transformar o banal em original, o comum em diferente, produz uma satisfação aos consumidores, ávidos por encontrar singularidades em um mundo cada vez mais plural.

“Tudo começa na terra ainda sem nome e será propulsado pelos sonhos e pesadelos que ela desperta... O mito é algo que vem depois da Terra e trabalha essa idéia profundamente, ao mesmo tempo que dá a ver e a põe a distância”. A terra não pertence ao homem, e sim este pertence à terra. Mas a aspiração humana de, pela técnica, reverter esta situação investe-o em uma situação de senhor da terra. Porém, sabe-se o quão triunfal, soberana e autônoma é a Terra. E foi exatamente esta constatação que fez com que o homem ao tentar livrar-se do medo da dominação, provocasse a dissolução dos mitos, substituindo a imaginação pelo saber, resultando em uma espécie de “desencantamento do mundo”.

O saber que vence a superstição deve imperar sobre a natureza desencantada. O saber que é poder não conhece barreira alguma, nem na escravidão da criatura, nem na complacência em face dos senhores do mundo. Do mesmo modo que está a serviço e todos os fins... A técnica é a essência desse saber, que não visa conceitos e imagens, nem o prazer do discernimento, mas o método, a utilização do trabalho de outros, o capital... O que os homens querem aprender da natureza é como empregá-la para dominar completamente a ela e aos homens. Nada mais importa. Sem a menor consideração consigo mesmo, o esclarecimento eliminou com seu cautério o último resto de sua própria autoconsciência.

“Só o pensamento que se faz violência a si mesmo é suficientemente duro pra destruir os mitos”. Para David Harvey, a tese de Adordo e Horkheimer de que o “projeto do Iluminismo estava fadado a voltar-se contra sí e transformar a busca da emancipação humana num sistema de opressão universal em nome da libertação humana”, libertava o homem das irracionalidades do mito, mas prendia-o a um novo mito: o mito da técnica.

O conceito grego de téchne, freqüentemente traduzida para o latim por Ars (arte), não fala da realização de artistas, mas de uma atividade humana fundada num saber fazer. A palavra téchne quer dizer muito mais um modo do saber. Saber quer dizer: ter visto, no sentido lato de ver, que indica: apreender o que está presente enquanto tal.

Reforçando esse entendimento, observa-se em Homero, que a Téchne deixa de referir-se à fabricação material para aludir à produção ou fazer eficaz. Essa produção não era necessariamente material, mas exprimia sempre a idéia de eficácia e de adequação. Já em Heródoto, Píndaro e os Trágicos, o vocábulo assume o sentido de habilidade em geral: a habilidade apropriada e eficaz.

O que nos faz pensar no design pela habilidade em encontrar soluções eficazes e adequadas para questões cotidianas. Para os gregos, téchne era a habilidade em construir objetos que funcionassem de modo perfeito, sem distinção entre a arte e a técnica (entendendo como arte um processo de criação e técnica, um processo de execução) e este pressuposto esteve inscrito em boa parte da história da cultura ocidental, até pelo menos o período artístico denominado Quatrocento ou Renascença (séc. XIV). Na Idade Média o termo ars era empregado com a mesma acepção da téchne grega, porém a ars mechanica foi aos poucos assumindo as características do termo técnica tal como o entendemos hoje.

O campo do design reconhecido como um campo de saber acompanha a história da cultura e é entendido como um processo de configuração de artefatos, presente em praticamente todos os objetos que permeiam o cotidiano das pessoas das mais variadas origens e classes sociais.

Permite uma leitura das culturas em que são identificados comportamentos, visões de mundo, avanços tecnológicos e os valores estéticos da sociedade na qual se insere. Em muitas práticas, o design se assemelha à arte, em outras ao artesanato. É produção seriada, objetos únicos e exclusivos, customizados ou estandardizados. Mas afinal, por que é tão necessário definir o design.

A princípio pode-se dizer somente que “é design”! E que o fato de possuir fronteiras tão fluidas não o diminui nem o potencializa. Apenas que estamos lidando com uma prática que faz parte do nosso cotidiano, que se integra à natureza humana e proporciona um estar no mundo mais confortável. Aquele que tem uma arte detém um saber que orienta em uma produção. Na beleza, a arte sempre transitou e cumpriu seu papel com maestria, e atendeu aos anseios dos mais exigentes e sensíveis fruidores. Na utilidade, os processos técnicos e industriais proporcionam a qualidade necessária ao padrão de exigência do consumidor.

Mas como reunir beleza e utilidade em uma única atividade, sem perder a parte sensível e emocional da arte, e a praticidade e utilidade do objeto de uso comum? Este quadro mostra a relação que se estabelece entre o artista, o artesão e o designer. Podemos perceber que o designer é uma figura que resulta dessas duas atividades e que a Arte tem um papel central, como uma atividade que se faz presente na vida das pessoas, e promove aquilo que é fundamental para a produção e o processo criativo: o sensível! Uma das primeiras premissas para a compreensão do design é a de que ele apresenta soluções em todos os segmentos em que atua. Promove linguagens que facilitam a compreensão e comunicação entre emissores e receptores. Enfim, dá prazer ao usuário e torna a vida melhor. Walter Gropius, fundador do Instituto Bauhaus, escola de design alemã fundade em 1913, ao se referir a aos ensinamentos da formação de um designer diz: “além de receber uma formação técnica e artesanal, o designer deve aprender uma linguagem da forma afim de poder exprimir suas idéias visualmente. Ele precisa adquirir conhecimento dos fatos científicos em óptica, isto é, base teórica que venha guiar a mão plasmadora e fornecer uma base objetiva em que um certo número de indivíduos possa trabalhar em conjunção harmoniosa.

Essa teoria não é naturalmente nenhuma receita para a produção de obras de arte, porém o meio objetivo mais importante para a realização de qualquer trabalho de design em grupo”.

A linguagem do design é a linguagem da forma. Pela forma, são expressos os conteúdos que carregam os conceitos inspiradores dos projetos e da produção. A linguagem é o movimento de conexão de todas as coisas existentes entre si e com o homem, referido a Deus, o “centro inacessível” deste esforço, capaz de totalizar a experiência fragmentada do mundo.

A linguagem é aquilo que não é dito, aquilo que não é falado, mas percebido na intensidade do silêncio de sua estrutura. É o momento em que a língua e o discurso se desprendem dos grilhões mecânicos e libertando-se, transformam-se em poesia. Na análise química a cor não é cor. É química. A química não deixa a cor ser cor. Só na pintura a cor vem a ser cor. Pois pintar é deixar que a cor deixe de ser tinta e venha a ser cor na obra.

A linguagem e os símbolos são uma experiência coletiva onde as experiências individuais e a criatividade se tornam anônimas, permitindo uma compreensão de seus significados que podem ser compartilhadas através de suas representações sensíveis e de uma comunicação onde os conteúdos expressivos são ordenados e configurados.

A palavra criatividade, como um conceito-objeto da modernidade, está no centro de toda reflexão que se propõe estabelecer parâmetros que delimitam e fazem emergir saberes e práticas específicas, que se constituem em um sistema de disciplinas que compartilham uma terra comum: o design.

O campo do design está repleto de forças dicotômicas que surgem desde a origem da profissão. Sua história é produto de um entrecruzamento entre a arte e a afirmação da técnica, entre teoria e prática, entre utilidade e beleza, engenheiros técnicos versus arquitetos educados na tradição das Belas Artes, pondo em evidência os valores presentes em um paradigma axiológico, entre a “positividade” do engenheiro, o primeiro herói, que com sua racionalidade intelectual procura a causa para regular os efeitos, frente a “negatividade” do arquiteto com sua visualização subjetiva, baseando sua técnica em um repertório formal. Momento, que o designer alemão Otl Aicher chama de primeira modernidade, e que representa a radicalização dicotômica que marca todo o design. Se tomarmos em sentido literal, modernidade é a “qualidade daquilo que é moderno” .

Aqui, já estamos diante de um outro termo “moderno”, que é também gerador de diversas interpretações por historiadores, artistas e intelectuais, que vão desde o Iluminismo no século XVIII, às idéias românticas e aos movimentos modernos que tiveram início no final do século XIX.

A questão central que deve ser considerada é que, por mais que haja uma série de considerações e definições para moderno, modernismo, assim como para design, é a idéia de novidade, transformação, atualidade e contemporaneidade o que está sempre presente em seus usos.

Neste trabalho, modernidade será entendida à moda de Baudelaire , como o efêmero, o atual, o circunstancial, a “metade da arte cuja outra metade é o eterno e imutável” aquilo que se articula com o passado, sem ser passado, e se faz presente em suas mais diversas representações e tendências para que qualquer modernidade seja digna de se tornar antiguidade, é preciso que a beleza misteriosa que a vida humana involuntariamente lhe confere seja extraída”. A modernidade do design também pode ser atribuída a sua capacidade de costurar passado, presente e futuro. Do passado, com suas re-visitações, re-leituras, re-desenhos, tira o que houve de melhor da tradição e do já consagrado. Para o futuro, cria tendências, é visionário e instigante. No presente, se faz novo, atual e atento às demandas de seu público alvo.

Seu enorme potencial de agregar valor à produção, que impulsiona o consumo de bens e serviços e faz com que, o design, seja um dos responsáveis pelas transformações sociais, culturais e tecnológicas, bem como, pelo crescimento econômico do país no setor industrial e comercial de produtos, a exemplo da moda, que é um setor que responde à uma parcela significativa da economia interna e de exportações e que apresenta em seu processo sistemas indústrias, artesanais e artísticos.

É comum a afirmativa de que há design em tudo. Porém, uma análise mais pontual e profunda, demonstra que nem todos os produtos podem ser chamados de “produtos de design”. Somente produtos que apresentem algumas características que correspondem ao mesmo tempo à aspectos estéticos e funcionais, que são responsáveis pela satisfação de desejos, anseios dos consumidores e que configuram os looks do contemporâneo, podem ser assim reconhecidos.

A efemeridade da moda, onde as tendências ditam as produções, onde os produtos tem prazos, pode encontrar no design contemporâneo a possibilidade de se transformar em um estilo.

O que assegura um sentido de permanência , sem contudo perder suas características de atualidade. Há no estilo, mais do que na moda, a configuração de produtos que estão em sintonia com o mundo, e que possuem um sentido atemporal. Surgem para atender uma demanda, são produtos de moda, porém ultrapassam a transitoriedade da moda, imortalizando-se.

Hoje, sem dúvida, o design, além de possibilitar a mediação entre diversas praticas e segmentos, atende à exigência contemporânea do atual, da tendência, da moda, do objeto de design como aquele que possui qualidade e atualidade.

Neste contexto o design surge como um processo cultural, um fazer inerente ao humano e que permite uma compreensão das implicações e influências que esta atividade exerce na sociedade. Uma atividade em constante construção e que está a serviço de uma produção que visa à realização de utopias, atendendo e criando demandas.

Um formador da cultura e, ao mesmo tempo também, um “produto midiatizado” desta mesma cultura.

Cabe ao designer, o envolvimento com sua produção, um esquadrinhamento em profundidade, uma interrogação e interpretação de possibilidades para confecção de seus produtos.

Conceber o objeto como sua própria essência, sua espiritualidade materializada em estilo e não um produto perecível que precisa estar adequado às exigências subjetivas e mercadológicas.

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Design e Cotidiano: mais que uma moda, um estilo! fue publicado de la página 11 a página13 en Actas de Diseño Nº8

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