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Por onde os signos escapam

Trindade, Denise Jorge

Actas de Diseño Nº9.

Actas de Diseño Nº9.

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/https://doi.org/10.18682/add.vi9

Diseño en Palermo. V Encuentro Latinoamericano de Diseño 2010. Comunicaciones Académicas.

Año V, Vol. 9, Julio 2010, Buenos Aires, Argentina. | 264 páginas

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O presente artigo propõe pensar algumas extensões do campo do design, a partir da questão da “interatividade”.

Essa questão é debatida no campo da comunicação, principalmente através das tecnologias, e almejada no campo das artes, através da sensorialidade. No nosso ponto de vista, a interação se dá no processo de recepção da mensagem do espectador, estimulando-o a tornar-se um emissor, e também um criador. Como esta mensagem chega até o receptor? Acreditamos que neste momento, exista uma convergência entre comunicação, arte e design.

Para aproximarmo-nos desta problemática, em um primeiro momento, abordaremos no campo estético, as colagens cubistas, de Braque e Picasso, e seu papel na desconstrução do conceito de arte, principalmente através da inclusão de signos cotidianos em suas obras, e a conseqüente aproximação do observador. Verificamos a seguir como esses signos transformam-se em atos nas instalações, através de apropriações de objetos industriais, intervindo no conceito de arte e trazendo questões para o campo do design.

Colagens e signos: desconstruções e aproximações

Em meio à vida moderna, as colagens cubistas questionaram o conceito de arte através de seus signos. Jornais e cachimbos misturaram-se ao processo artístico moderno. Os papéis colados de Braque e Picasso integraram vida e arte, inventando linguagens, que incluíram o cotidiano em suas telas, produzindo-se entre o eterno e o transitório1.

Segundo Harvey (1989; p. 30),o recurso às técnicas da montagem/colagem fornecia um meio de tratar deste problema

visto que diferentes efeitos extraídos de diferentes tempos (velhos jornais) e espaços (o uso de objetos comuns)podiam ser superpostos para criar um efeito simultâneo. Ao explorar a simultaneidade desse modo, “os modernistas estavam aceitando o efêmero e o transitório como locus de sua arte”, ao mesmo tempo que eram forçados coletivamente a reafirmar o poder das próprias condições contra as quais reagiam.

O artista moderno, através das colagens, propôs um olhar sobre o próprio processo criativo,aproximando o espectador da arte, e de suas potências transformadoras.

Diferentemente do realismo e da analogia, as colagens colocaram o mundo imitado em questão pelos elementos fora do quadro, assim como o quadro também colocou em questão o mundo representado, através de seus fragmentos.

Segundo Tassinari (2000, p. 37), nas colagens cubistas já estaria presente o que Steinberg vê como uma orientação radicalmente nova, em que a superfície pintada é o análogo, não mais de uma experiência visual da natureza, mas de processos operacionais.

O Cubismo analítico parte de uma idéia preconcebida do seu tema e de uma imagem naturalista. Ele os analisa e os reduz de acordo com os princípios da visão simultânea - utilizando poliedros para articular em um primeiro momento a compreensão figurada no quadro, o artista disseca o espaço próprio do objeto e finalmente estrutura a face inteira da tela.

Juntamente com Picasso, Braque afirma a percepção fragmentada e simultânea cubista. Os dois artistas, como sabemos, realizaram trabalhos importantes nos movimentos que conhecemos como Cubismo analítico assim como no Cubismo sintético. Na visão deste último, porém, existe na natureza um espaço tátil, que poderia ser descrito como manual. Braque aparece como precursor desta procura, posteriormente compartilhada por Picasso.

Como nos diz Gullar (1985, p. 19), a rejeição da perspectiva tradicional, com um ponto de vista único, era tão essencial para a materialização das sensações espaciais que Braque desejava transmitir, quanto a vontade de Picasso de afirmar uma multiplicidade de informações em cada objeto pintado. O espaço da pintura aparecia como espaço descontínuo, afirmando sensações que o cinema introduzia na vida moderna, através da inclusão de passagens temporais na imagem.

Com a negação do espaço ilusionista, os objetos em uma tela e o espaço em torno deles puderam desdobrar-se do fundo para frente até a superfície da tela. Para Braque, as áreas de espaço vazio poderiam ser chamadas de o vácuo renascentista e tornaram-se tão importantes quanto os próprios objetos. É necessário empurrar esse espaço em direção ao espectador, convidá-lo a explorar e a tocá-lo opticamente. Assim, o cubismo sintético proposto por Braque mostra que o espaço renascentista estava morto para a arte e que a representação do mundo exterior se esgotara. Mostra também que é possível criar uma linguagem pictórica expressiva sem representar o real exterior.

Se o cubismo analítico trabalhou com a desintegração da figura, e para isso a manteve como referência, a preocupação maior do cubismo sintético foi com o espaço pictórico e o uso de diferentes materiais, independente de qualquer intuito representativo. Foi assim que Braque e Picasso utilizaram palavras e letras no quadro, mantendo uma referência com a realidade e introduzindo o cotidiano na pintura.

Os objetos não são tratados segundo o cubo, mas segundo uma decomposição em planos que terminam por reduzir o quadro a um espaço bidimensional, onde a profundidade é apenas um efeito dos planos e dos tons. As cores são neutras: ocre, cinza, marrom, verde fosco. Decomposto em planos, o objeto (ou a figura) é reconstruído segundo a imaginação plástica do pintor.

Em Violin e Pipe, Le Quotidien, colagem de Braque, a sobriedade da composição encontra eco nas cores do papel pintado, que assemelha a madeira, combinando com as tonalidades do papel jornal queimado pela ação da luz. O espaço pictural separa-se definitivamente do espaço euclidiano, conquistando a planaridade, planosfacetados, aos quais se reduz o visível, como que por dissecação, são todos paralelos ao plano do quadro2.O grafismo em zig e zag assinala o espaço externo da folha de jornal. Para Compaignon (op. cit; 56) a colagem de aproximemo-nos de seu organismo, desdobrando-se em paisagens que incluem o observador. Se com as colagens o mundo imitado foi posto em questão pelos elementos fora do quadro, o quadro também colocou em questão o mundo. Segundo Tassinari (2000, p. 37), nas colagens cubistas já estaria presente o que Steinberg vê como uma orientação radicalmente nova,em que a superfície pintada é o análogo não mais de uma experiência visual da natureza,mas de processos operacionais.

As instalações que se apresentam tanto no campo artístico quanto no campo do design, questionando quem é o autor e o receptor, ampliam os limites da arte através de seus elementos plásticos, assim como pela comunicação que delas emanam,através de seus processos.

O artista e designer Hugo Fortes, desenvolveu uma instalação chamada Buracos na Capela do Morumbi.

Segundo ele, essa exposição foi desenvolvida para o local e reelaborada em uma proposta de intervenção no espaço. Na instalação realizada conjuntamente com a artista Christianne Alvarenga, foram utilizados grandes montes de terra onde se apoiavam planos de vidro, estabelecendo uma relação com as paredes de taipa de pilão da Capela do Morumbi, onde foi montada. Os buracos já existentes nas paredes de taipa, foram relacionados com as cavidades do corpo que foram fotografadas e introduzidas dentro de buracos com luz no interior dos montes de terra. Neste trabalho, Hugo Fortes e Christianne Alvarenga, discutiram conceitos como matéria e transcendência, construção e descontrução. A instalação foi criada especificamente para o local, procurando incluir o espectador dentro de uma atitude de fruição sensorial e espacial, uma vez que ele podia se movimentar por todo o espaço e pisar sobre a terra ali distribuída.

Ainda, segundo o artista e designer,esse processo que é bastante utilizado na arte contemporânea, recebe o nome de site specific. Segundo Fortes, isto o interessa muito, pela possibilidade de incluir o mundo real dentro do trabalho artístico.

No Rio de Janeiro, o grupo Locus coordenado pela artista Lia do Rio, realizou, em fevereiro de 2006, uma intervenção, em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas. Criado em 2004, o grupo promove intervenções em espaços públicos. Essa instalação consiste em fachadeiras brancas transparentes,tecidos plásticos usados como proteção na construção que podem ser vistas em quatro pontos da Lagoa. A idéia é problematizar o próprio conceito de arte, que estaria segundo o grupo “ em Obras”. Em depoimento ao jornal (O Globo, 05/02/06), a artista diz que é bastante diferente montar uma obra de arte num espaço público,pois além de termos uma interação maior com as pessoas,nossa concepção de espaço e de tempo muda completamente. Tudo o que é enorme num museu ou galeria fica pequeno numa área aberta.

E, além de a obra sofrer a ação do tempo,em termos de clima,cada pessoa também tem seu próprio tempo para observar uma obra ao passar por ela.

Um exemplo internacional, é o terminal internacional do aeroporto de Albany que possui um programa de arte e cultura que convida os artistas e designers a submeterem propostas para a criação de um trabalho local-específico (site-specific). Os projetos devem ser uma resposta as características arquiteturais e ambientes locais propostos.

O movimento no lugar torna-se um acontecimento. Os segmentos coloridos das esculturas, cruzam-se de maneiras diferentes, em fragmentos separados, até alinharem-se em um cubo, que logo se desfaz. Esses movimentos são percebidos diferentemente, pelas pessoas que ali transitam, dependendo do lugar em que está situado na escada rolante, solicitando seus sentidos.

Como em um quebra-cabeça, ou um truque de perspectiva, essa instalação foi criada com esmero para esse lugar.

Se movido somente algumas polegadas, cairia fora de seu contrapeso perceptual delicado. É importante pensar a recepção do espectador em um aeroporto. As subjetividades que se dão em um lugar que é também um não lugar, acontecem no próprio ato do deslocamento, provocando signos que escapam em seu próprio passar.

Signos em ação

Segundo Laurita Salles (2005),

a arte contemporânea e a escultura,em particular,assim como a noção de espaço contemporâneo nas artes visuais são interpenetradas pelos novos problemas colocados pelo ciberespaço. As categorias ou oposições entre espaço ideal e espaço empírico ou fenomenológico, site specific, matéria e peso defrontam-se diante de necessária problematização, já que hoje, os espaços são multidirecionais, nômades e fluídos, e a vivência individual não mais inclui apenas o espaço físico da cidade ou da metrópole, mas também novos espaços e experiências oriundas do ciber espaço.

Ao questionar o que significa o conceito de site specific no mundo de não lugares ou de lugares totais, Salles (2005; 93) verifica que diante de um pós industrial, onde a virtualidade se impõe, nos vemos diante de pós-objetos.

Os trabalhos realizados em pranchetas eletrônicas, resultantes de um modelo dado, quase autômatos, produzem objetos algo desrealizados, imersos em uma virtualidade auto-instaurada.

Retomar a experiência do espaço, proposto pelas colagens cubistas e dadaístas, no que elas o afirmam como um espaço para acolher operações, espaço manuseável, território do fazer,em que o feito se mostra como que se fazendo (Tassinari, 2000, p. 37) fez-se desafio para compreendermos a relação entre espectador e obra, através de signos.

Nas instalações, verificamos a suspensão do tempo em seu próprio passar. Em ambas, o receptor é atravessado por signos que o convidam a ser o emissor. A passagem desta experiências para o mundo ciber, demanda novos projetos. Para Salles (2005, 95), o campo do design é atravessado por esses novos problemas, já que o projeto é realizado hoje no sistema da prancheta eletrônica e muitas vezes introduzido e resolvido via rede telemática.

Também objetos autômatos portanto determinados por programas de signos que se desdobram no tempo serão cada vez mais presentes na paisagem do design e dos homens. Faz-se necessária a discussão cultural e estética acompanhar o mundo dos objetos que já produz e melhor penetrar o espaço por onde já anda e navega.

Pensar a hibridação entre artes, comunicação e design, é um modo de contribuirmos para essa discussão.

Notas

1. Como definiu Baudelaire, em seu artigo “The painter of modern art”, “a modernidade é o transitório, o fugidio, o contingente; é uma metade da arte, sendo a outra o eterno e o imutável. (1863) 2. O conceito de planaridade desenvolvido por Clement Greenberg, (in Arte e Cultura; Ensaios Críticos. SP. Atica. 1996) é apropriado e dicutido por Compaignon.

3. Compagnon.

4. Barbero, Jesus Martin. Globalização Comunicacional e transformação cultural. Artigo publicado in Por uma outra comunicação, org. Dênis de Morais RJ. Record. 2003.

Referências bibliográficas

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Tassinari, Alberto (2000). O espaço moderno. SP: Cosac&naif. Denise Jorge Trindade. Doutora em Comunicação e Cultura UFRJ. Professora UNESA / Comunicação e Design Gráfico.


Por onde os signos escapam fue publicado de la página 154 a página157 en Actas de Diseño Nº9.

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