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Quantificação da qualidade ambiental de móveis de madeira

Carvalhaes Pego, Kátia Andréa

Actas de Diseño Nº23

Actas de Diseño Nº23

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/https://doi.org/10.18682/add.vi23

XII Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” VIII Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño

Año XII, Vol. 23, Julio 2017, Buenos Aires, Argentina | 253 páginas

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Resumen:

El artículo presenta una metodología que cuantifica la calidad ambiental de los muebles. Tal cuantificación es esencial para verificar la eficacia de la inserción de los parámetros ambientales en el desarrollo de productos, que tiene como objetivo reducir los impactos ambientales advenidos de su ciclo de vida. La metodología fue elaborada y aplicada en el ámbito de un proyecto de investigación en el Polo Mueblero de Ubá, en el cual diseñadores utilizaron una herramienta de Ecodiseño durante el rediseño de muebles. Entre los resultados se destacan la maximización de la calidad ambiental de los muebles rediseñados y la comprobación, frente a los empresarios, de la viabilidad económica y fabril de su aplicación.

Palabras clave:

Diseño - Calidad ambiental - Muebles de madera - Metodología - Ecodiseño.

Introdução 

Um dos primeiros sinais de preocupação com os temas ambientais foi a criação da Environmental Protection Agency [EPA], órgão regulador das questões ambientais nos Estados Unidos, na década de 60. Através dessa Agência, leis importantes foram promulgadas, como a lei do ar puro, da água pura e do controle de substâncias tóxicas. Entretanto, naquela época, a preocupação se restringia ao tratamento “fim de tubo”, i.e., medidas corretivas de controle de poluição, ou seja, após sua geração.

Mas, somente em 1972 o público leigo tomou conhecimento da problemática ambiental, por meio de um dos Relatórios produzidos pelo Clube de Roma, intitulado Os Limites do Crescimento, no qual um grupo formado por cientistas do Massachusetts Institute of Technology [MIT] afiançou que o planeta Terra iria alcançar os limites de seu crescimento durante os próximos cem anos, caso mantivesse as tendências (da época) de crescimento populacional mundial, industrialização, contaminação ambiental, produção de alimentos, e esgotamento dos recursos.

Contudo, a internacionalização da discussão ambiental se deu a partir da Conferência das Nações Unidas, em 1972, realizada em Estocolmo (Suécia), com a participação de 113 países. Nesta oportunidade criou-se o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente [PNUMA], a fim de, principalmente, facilitar a cooperação internacional no campo do meio ambiente e chamar a atenção dos governos para problemas ambientais emergentes de importância internacional. Beato (2007) destaca que “Uma das maiores contribuições da Conferência de Estocolmo foi que, daquele momento em diante, os acordos ambientais realizados entre os países passaram a vincular ambiente com desenvolvimento”. (p. 25)  Segundo Pádua (2002), cada vez fica mais evidente que a crise ambiental contemporânea não se deve a acidentes ou falhas ocasionais dos sistemas produtivos, mas sim ao funcionamento cotidiano dos padrões insustentáveis de produção e consumo vigente nas diferentes sociedades, em sua interação com o planeta e seus ecossistemas.

Tal evidência contribuiu para o reconhecimento da necessidade da inclusão do meio ambiente no processo de tomada de decisões, que, segundo a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento [CMMAD], é uma das principais políticas ambientais e de desenvolvimento que derivam do conceito de Desenvolvimento Sustentável.

O conceito de Desenvolvimento Sustentável, que vinha sendo elaborado desde a década de 1970, foi definido claramente pela primeira vez no Relatório Nosso Futuro Comum (ou Relatório Brundtland) da CMMAD (1988), como aquele que “[...] atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades” (p. 46). Este Relatório considera dois elementos-chave do desenvolvimento sustentável: 1) o conceito de “necessidades”, principalmente as necessidades básicas da população pobre mundial, e 2) a noção de “limitação” que o estágio da tecnologia e da organização social impõe ao meio ambiente, impedindo de atender às necessidades presentes e futuras.

Em junho de 1992, durante a Conferência Mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (comumente denominada como Eco’92 ou Cúpula da Terra) foram discutidas as principais questões socioambientais globais, que resultaram em um plano de ação baseado em um documento de quarenta capítulos, denominado Agenda 21, que deve ser adotado global, nacional e localmente, por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambiente. No capítulo intitulado “Mudança dos Padrões de Consumo” desta Agenda destaca-se que, para se atingir os objetivos de Qualidade Ambiental e Desenvolvimento Sustentável será necessá- rio eficiência na produção, e em muitos casos, isso irá exigir uma reorientação dos atuais padrões de produção. Thackara (2008) acredita que os princípios da sustentabilidade já estão claros, sendo assim, o seu desafio se resume a implementá-la, tratando-se portanto, de uma questão de projeto.
Neste contexto, o Ecodesign pode ser considerado como uma dos caminhos para tal problemática, pois seu objetivo é justamente o desenvolvimento de produtos com redução dos impactos ambientais advindos do seu ciclo de vida por meio da inserção de parâmetros ambientais, através de ferramentas específicas. Lembramos que o Ecodesign atribui aos aspectos ambientais a mesma importância àqueles intrínsecos à atividade do design, como por exemplo, desempenho, confiabilidade, estética, ergonomia e custo.

Importante destacar que, segundo Associação Brasileira de Normas Técnicas [ABNT] (2004), impacto ambiental é “qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização” (p. 1), e que o ciclo de vida “[...] estuda os aspectos ambientais e os impactos potenciais ao longo da vida de um produto (isto é, do “berço ao túmulo”), desde a aquisição da matéria-prima, passando por produção, uso e disposi- ção”. (ABNT, 2001, p. 2)  Considerando parâmetros como referências, parâmetros ambientais são referências diretamente ligadas às questões ambientais. Sua inserção deve ser realizada durante o desenvolvimento dos produtos, pois uma intervenção a posteriori, certamente, acarreta aumento de custo, tempo e adaptações, nem sempre eficazes.

Contudo, tal inserção não é, em si, fator suficiente para defini-lo como sustentável ou não sustentável, mesmo porque não existe “produto sustentável”, podemos apenas defini-lo (ou projeta-lo) como mais impactantes ou menos impactantes. Sendo assim, é necessário relativizá -lo em um contexto mais abrangente, qualificando sua relevância e suas interações, sendo para isso importante conhecer o conjunto de elementos que envolve o produto em questão, como por exemplo: I) matérias primas utilizadas, seus locais e condições de extração; II) localização da produção e de consumo; III) processos produtivos; IV) rede de fornecedores; V) embalagens (primárias, secundárias e terciárias); VI) logística; etc.

Sendo assim, estudou-se relação dos parâmetros ambientais empregados e seu modo de inclusão durante o desenvolvimento de produtos, realizados no âmbito de uma dissertação de mestrado (Pêgo, 2010a), na qual foram constatados equívocos e parcialidade nas inserções. Por um lado, tal ineficácia se deve ao fato dos designers possuírem conhecimentos limitados sobre a questão, dos parâmetros ambientais estarem dispersos e da escassez de esclarecimentos quanto ao modo de inserção, ou seja, de como atuar. Por outro lado, se deve também ao fato das ferramentas utilizadas com esse objetivo serem: i) essencialmente generalistas, i.e., sem especificações; ii) superficiais, ou seja, não indicam como realizar a tarefa sugerida; iii) de difícil aplicação; iv) voltadas para atua- ção gerencial, isto é, fora do alcance da prática projetual dos designers; v) demandam conhecimentos prévios do profissional. Portanto, a problemática reside na efetividade e na extensão da inserção de parâmetros ambientais durante o desenvolvimento de produtos.

Este trabalho revelou tanto a carência quanto a necessidade de ferramentas que auxiliem designers a inserir parâmetros ambientais no desenvolvimento de seus produtos. Além disso, comprovou que a inserção dos parâmetros ambientais no desenvolvimento de objetos ainda se encontra em fase embrionária, apesar de “[...] 80% do custo ambiental de um produto, serviço ou sistema é determinado na fase de concepção”, ou seja, precisamente no campo de atuação do design.

Neste contexto, tornou-se relevante elaborar um instrumento que auxilie os profissionais de design a inserirem parâmetros ambientais, durante o desenvolvimento de seus produtos, ou seja, uma ferramenta de Ecodesign. Contudo, uma ferramenta que abarcasse “produtos” iria se tornar demasiadamente ampla, visto que “produtos” são todos os objetos produzidos pela indústria de todos os portes, de todos os setores e fabricados em todos os materiais, o que inviabilizaria a facilidade e a abrangência de aplicação pretendida. Deste modo, recortou-se o setor moveleiro, mais especificamente móveis de madeira, do universo produtos.

A partir do método INPAR (Pêgo, Pereira & Carrasco, 2010) constituiu-se então, uma ferramenta de Ecodesign, configurada em um guia, intitulada Guia para inserção de parâmetros ambientais no design de móveis de madeira (Pêgo, 2010b). Ressalta-se que o método desenvolvido para elaboração deste Guia permite sua replicação em outros setores industriais.

Entretanto, pelo caráter essencialmente qualitativo do Guia, este se restringe a oferecer um método que propicia majorar a Qualidade Ambiental dos móveis de madeira. Portanto, ainda havia a necessidade de quantificar a Qualidade Ambiental alcançada, por meio de sua aplicação, e apontar questões que poderiam ser abordadas ou aprimoradas.

Sendo assim, o presente artigo tem o objetivo de apresentar, exatamente, como esta lacuna foi preenchida, por meio da aplicação desse Guia no âmbito de um Projeto de Pesquisa aplicado no Polo Moveleiro de Ubá (Minas Gerais / Brasil). Tal projeto foi executado no âmbito da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais [ED / UEMG], e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais [FAPEMIG].

O guia para inserção de parâmetros ambientais no design de móveis de madeira 

Inicialmente, torna-se relevante destacar os principais impactos ambientais causados pelo ciclo de vida dos móveis de madeira: I) diminuição dos recursos naturais através do uso indiscriminado de madeira; II) degradação da qualidade da água e do ar advindos da adição de ureia- -formaldeído na produção de painéis de madeira e de solventes na fabricação de cola, tintas e vernizes; III) poluição atmosférica, emissão de gases causadores do efeito estufa, esgotamento de recursos fósseis e impactos sobre a saúde humana causada pela queima dos combustíveis no transporte rodoviário das matérias primas, insumos e produtos; IV) riscos à saúde pública, poluição hídrica e do solo através da geração de resíduos derivados de petróleo (como borra de tinta, thinner, catalisador e solvente) e da água utilizada nas cabines de pintura e envernizamento; V) poluição atmosférica devido à aplicação de seladores, vernizes e tintas à base de solvente e ao lixamento da madeira recoberta com estes produtos; VI) consumo excessivo de matérias primas e produção de lixo devido à rápida substituição dos móveis de baixa qualidade.

Para reduzir tais impactos, os parâmetros ambientais investigados no âmbito de uma dissertação (Pêgo, 2010a) foram reunidos no Guia para inserção de parâmetros ambientais no design de móveis de madeira (Pêgo, 2010b) em cinco categorias, de acordo com a ideia central da ação requerida, quais sejam:

1.

Reduzir - quantidade de matéria prima, quantidade de materiais virgens, utilização de transporte e substâncias tóxicas;  2.

Facilitar - montagem e desmontagem dos móveis;  3.

Prolongar a vida útil - prolongara a vida útil dos móveis;  4.

Selecionar - madeira certificada, madeiras alternativas e fornecedores certificados ISO 14001;  5.

Valorizar / Diferenciar - comunicar aos usuários a Qualidade Ambiental dos móveis.

Nesta publicação, cada parâmetro descrito acima contem sugestões de como realizar as tarefas.

Apesar do Guia ter sido validado, durante a dissertação, por meio de entrevistas semiestruturadas e focalizadas, com componentes característicos da população, ou seja, designers com experiência no desenvolvimento de móveis de madeira, ainda não se podia afirmar que tal ferramenta era eficaz. A evidência desta lacuna se revela no fato de que, até então, tal ferramenta de Ecodesign ainda não havia sido aplicada em situações reais de uso, indicando então, a necessidade do prosseguimento desse trabalho.

Metodologia para quantificação da qualidade ambiental de móveis de madeira 

Com o intuito de preencher a lacuna supracitada, foi proposto e aprovado, junto à FAPEMIG, o projeto de pesquisa intitulado Aplicação do Ecodesign no Polo Moveleiro de Ubá. Entre seus objetivos, destaca-se a verificação da eficácia da ferramenta elaborada, ou seja, se o desenvolvimento de móveis de madeira orientado pelo Guia realmente é realmente capaz de reduzir os impactos ambientais advindos do seu ciclo de vida. Para tanto, tornou-se essencial à quantificação dos aspectos ambientais envolvidos.

Durante este Projeto, designers redesenharam móveis já produzidos e comercializados por determinadas indústrias situadas no Polo Moveleiro de Ubá na qual atuam, com subsídio do Guia.

Na primeira etapa da metodologia empregada para quantificar a Qualidade Ambiental dos móveis supracitados, agruparam-se os parâmetros ambientais de maneira distinta ao proposto pelo Guia. Tal diferenciação se deu pelo fato do objetivo não ser mais a orientação de designers no desenvolvimento de móveis sob critérios de Ecodesign, e sim, facilitar a coleta de dados dos produtos desenvolvidos tanto com auxílio do Guia, quanto àqueles tradicionalmente fabricados pelas empresas.

Sendo assim, foram determinados sete grandes grupos de parâmetros ambientais, subdivididos em critérios (relacionados aos principais impactos ambientais citados no item anterior do presente artigo) com suas respectivas pontuações, produzindo então, valores mínimos e máximos em função de suas gradações.

Tais parâmetros foram tabulados com o intuito de permitir a avaliação comparativa da Qualidade Ambiental de móveis de madeira. Importante destacar, que quanto maior a pontuação alcançada, maior será a Qualidade Ambiental do móvel em questão. A seguir, são apresentados os sete grupos de parâmetros ambientais.

1.

Matéria Prima - questões envolvendo a principal matéria prima dos móveis de madeira, ou seja, a madeira. Seus critérios são:  a.

Peso do móvel - Sua gradação varia de 0 a 8 pontos.

b.

Madeira tradicional (de grande valor comercial) ou alternativa (de pouco valor comercial por ser pouco conhecida e, portanto, não sofre pressão comercial) - Varia de 0 a 1 ponto. Destaca-se que, segundo Maria Helena de Souza, engenheira florestal e analista ambiental do Laboratório de Produtos Florestais [LPF] do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis [IBAMA], a maioria das espécies alternativas podem substituir as madeira consagradas, extintas ou em risco de extinção, utilizada na fabricação de móveis, pois possuem as mesmas características (beleza, tonalidades, desenhos, durabilidade e resistência) encontradas, por exemplo, no Mogno, Cerejeira, Sucupira, Imbuia, entre outras.

c.

Madeira não certificada ou certificada. Varia de 0 a 1 ponto. Importante lembrar que a certificação é um processo voluntário em que é realizada uma avaliação de um empreendimento florestal. No Brasil encontramos madeiras certificadas do Programa Brasileiro de Certificação Florestal [CERFLOR] e Forest Stewardship Council [FSC].

d.

Distância entre a fonte da madeira e a indústria. Varia de 0 a 20 pontos.

2.

Projeto - questões envolvendo decisões de projeto. Seus critérios são:  a.

Planejamento de corte - Sua gradação varia de 0 a 1 ponto.

b.

Padronização - Varia de 0 a 1 ponto.

c.

Espaçamento mínimo entre as ligações - Varia de 0 a 1 ponto.

d.

Multifuncionalidade - Varia de 0 a 1 ponto.

3.

Transporte - questões envolvendo a utilização de transporte dos móveis e de seus insumos. Seus critérios são:  a.

Reutilização de embalagem - Sua gradação varia de 0 a 1 ponto.

b.

Distância entre a fonte de cada insumo e a indústria – Varia de 0 a 20 pontos.

4.

Montagem / Desmontagem - questões envolvendo a desmontabilidade do móvel. Seus critérios são:  a.

Utilização de sistemas de união reversível - Sua gradação varia de 0 a 1 ponto.

b

. Acesso ao sistema de montagem pelo usuário - Varia de 0 a 1 ponto.

c.

Utilização de apenas uma ferramenta - Varia de 0 a 1 ponto.

d.

Manual de montagem e desmontagem - Varia de 0 a 1 ponto

5.

Acabamento - envolve a comparação entre as Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos [FIS PQ] de cada acabamento que utiliza produtos químicos empregado na fabricação do móvel. Este documento permite examinar a composição de seus ingredientes, as informações toxicológicas e ecológicas, assim como as Frases de Risco [Frases R]: frases convencionais que descrevem o risco específico para a saúde humana, dos animais ambientais ligadas à manipulação de substâncias químicas. Sua gradação varia de 0 a 1 ponto.

6.

Resíduos - aproveitamento de resíduos graúdos de madeira ao ciclo produtivo através do desenvolvimento de novos produtos ou de componentes de móveis em produção. O critério é aproveitamento. Sua gradação varia de 0 a 10 pontos.

7.

Comunicação - envolve a informação dos aspectos ambientais do móvel ao consumidor, valorizando-o e diferenciando-o dos demais. Seus critérios são: 

a.

Manual de reparação - Varia de 0 a 1 ponto.

b.

Manual de manutenção - Varia de 0 a 1 ponto.

c.

Manual de aspectos ambientais do produto - Varia de 0 a 1 ponto.

Aplicação da avaliação da qualidade ambiental dos móveis desenvolvidos 

Durante o Projeto de Pesquisa Aplicação do Ecodesign no Polo Moveleiro de Ubá, designers redesenharam móveis de madeira para três empresas do referido Polo (Apolo, Móveis KR e Rodmix) com auxílio do Guia, possibilitando a comparação de seus impactos ambientais com os produtos tradicionalmente fabricados pelas mesmas. O designer da Apolo projetou a mesa Dale. De acordo com a metodologia supracitada, esta poderia alcançar no máximo 58 pontos. Porém, obteve 10 pontos com os materiais e processos tradicionais, e 31 pontos sob a orientação do Guia. Com a diferença de 21 pontos, a “nova” mesa Dale conseguiu ampliar sua Qualidade Ambiental em 36,2%. Já a cadeira Tiradentes, elaborada pelos designers do Estúdio Miron, poderia alcançar no máximo 275 pontos. Esta obteve 219 pontos com os materiais e processos tradicionais da Móveis KR, e 226 pontos sob a orientação do Guia. Com a diferença de sete pontos, a “nova” cadeira Tiradentes alcançou o aprimoramento de sua Qualidade Ambiental em 2,54%.

A Cozinha Acácia, projetada pelo escritório Origem Design, poderia alcançar no máximo 155 pontos. Esta obteve 117 pontos com os materiais e processos tradicionais da Rodmix, e 122 pontos sob a orientação do Guia. Com a diferença de cinco pontos, a “nova” Cozinha Acácia obteve 3,22% de melhorara em sua Qualidade Ambiental.

Considerações finais 

Quantificar a Qualidade Ambiental dos artefatos é essencial para verificar a eficácia das ações adotadas pelos designers que desejam que suas criações provoquem o menor impacto ambiental possível, assim como para demonstrar aos empresários a viabilidade do desenvolvimento de produtos sob critérios ambientais gerando, inclusive, redução de custos e de processos que envolvem a produção, embalagem e distribuição de seus produtos. Vale ressaltar que o resultado de tal quantificação coloca em evidência as fases do ciclo de vida em que os móveis geram mais impactos, o que possibilita orientar novas ações para o incremento da Qualidade Ambiental dos mesmos. Destaca-se ainda a importância da replicação desta metodologia com o intuito de consolidar os resultados encontrados.

Agradecimentos 

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais [FAPEMIG], pela concessão de bolsas de iniciação científica a dois alunos da Escola de Design / UEMG - Curso fora de sede Ubá, para o desenvolvimento do Projeto de Pesquisa Aplicação do Ecodesign no Polo Moveleiro de Ubá [Edital 06/2010 - PIBIC / UEMG / FAPEMIG]. À Universidade do Estado de Minas Gerais [UEMG], por ceder, como contrapartida, sua estrutura física e horas de trabalho da equipe do Projeto de Pesquisa supracitado.

Aos alunos bolsistas do referido Projeto pela dedicação ao mesmo.

Referências Bibliográficas 

Associação Brasileira de Normas Técnicas. (2001). NBR ISO 14040 - Gestão ambiental - Avalição do ciclo de vida - Princípios e estrutura. Rio de Janeiro: ABNT.

Associação Brasileira de Normas Técnicas. (2004). NBR ISO 14050 - Gestão ambiental - Vocabulário. Rio de Janeiro: ABNT. Beato, R. S. (2007). Índice de sustentabilidade empresarial em bolsas de valores e a influência sobre a gestão ambiental das empresas: um estudo do ISE Bovespa. (201 pp.). Dissertação de Mestrado, Centro Universitário Nove de Julho, São Paulo, SP, Brasil.

Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. (1998). Nosso Futuro Comum. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas.

Pádua, J. A. (2002). Um sopro de destruição: Pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista. (318 pp.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

Thackara, J. (2008). Plano B: O design e as alternativas viáveis em um mundo complexo. (299 pp.). São Paulo: Saraiva: Versar.

Pêgo, K. A. C. (2010a). A inserção de parâmetros ambientais no desenvolvimento de produtos: Caso categoria móveis de madeira. (130 pp.). Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil. Recuperado em 02 fevereiro, 2012, de http://dspace.lcc.ufmg.br/dspace/handle/1843/MMMD-8Q5JAS.

Pêgo K. A. C. (2010b). Guia para inserção de parâmetros ambientais no design de móveis de madeira. (36 pp.). Barbacena/MG: EdUE MG, Livronovo.

Abstract:

The article presents a methodology that quantifies the environmental quality of furniture. Such quantification is essential to verify the effectiveness of the insertion of environmental parameters in product development, which aims to reduce the environmental impacts arising from its life cycle. The methodology was elaborated and applied in the scope of a research project in the Furniture Pole of Ubá, in which designers used an Ecodesign tool during the furniture redesign. Among the results the maximization of the environmental quality of the redesigned furniture and the verification are distinguished, against the entrepreneurs, of the economic and manufacturing viability of its application.

Key words:

Design - Environmental quality - Wood furniture - Methodology - Ecodesign.

Resumo:

O artigo apresenta uma metodologia que quantifica a qualidade ambiental de móveis. Tal quantificação é essencial para verificar a eficácia da inserção dos parâmetros ambientais no desenvolvimento de produtos, que tem como objetivo reduzir os impactos ambientais advindos de seu ciclo de vida. A metodologia foi elaborada e aplicada no âmbito de um projeto de pesquisa no Polo Moveleiro de Ubá, no qual designers utilizaram uma ferramenta de Ecodesign durante o redesign de móveis. Dentre os resultados, destacam-se a maximização da qualidade ambiental dos móveis redesenhados e a comprovação, frente aos empresários, da viabilidade econômica e fabril de sua aplicação.

Palavras chave:

Design - Qualidade ambiental - Móveis de madeira - Metodologia - Ecodesign.

(*) Kátia Andréa Carvalhaes Pêgo.

Doctorado en Diseño Sistémico (Politecnico di Torino), Master en Ambiente Construido y Patrimonio Sostenible (UFMG), especialista en Planificación y Gestión Ambiental (UniBH), Diseñadora Industrial (UEMG). Docente e investigadora en la Universidad do Estado de Minas Gerais.


Quantificação da qualidade ambiental de móveis de madeira fue publicado de la página 190 a página194 en Actas de Diseño Nº23

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