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Experiências do Laboratório de Design Solidário. Projeto de Extensão Universitária em Design

Goya, Claudio Roberto; Müller da Silva, Bruno; Soares de Souza, Juliana; Alvarez Franco, Leonardo; Selmini, Marcelo

Actas de Diseño nº 28

Actas de Diseño nº 28

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/https://doi.org/10.18682/add.vi28

XIV Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” X Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño Comunicaciones Académicas

Julio 2019. Año 14. Nº28. Buenos Aires, Argentina | 260 páginas

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Resumo: Trata-se da apresentação de resultados e considerações acerca dos trabalhos desenvolvidos pelo Projeto de Extensão Universitária em Design, Laboratório de Design Solidário, Labsol, da Faculdade de Artes e Comunicações, UNESP Campus de Bauru, junto a dois grupos de atendimento psicossocial através de atividades de geração de trabalho e renda e a Escola de Samba Coroa Imperial, para o desfile de carnaval de 2016. A experiência acumulada e a reflexão sobre o papel do Design permitiram uma rara experiência universitária, abarcando atividades de ensino, pesquisa e extensão, possibilitando refletir sobre questões metodológicas e sobre o papel do Design como agente de mudança social .

Palavras chave: Extensão Universitária - Design Social - Economia - Solidaridade - Artesanato - Carnaval .

[Resumos em espanhol e inglês e currículo em p. 253]

A Extensão Universitária

A extensão universitária é uma forma de interação que deve existir entre a universidade e a comunidade na qual ela está inserida, uma espécie de ponte permanente entre a universidade e os diversos setores da sociedade .

A relação estabelecida é normalmente de troca de conhecimentos .

A universidade oferece à comunidade seus conhecimentos e/ou assistência e recebe dela conhecimento transformado por meio de sua verificação na realidade .

Tradicionalmente, as universidades foram criadas para atender às necessidades do país e esse é um dos motivos pela quais elas foram espalhadas pelo território nacional.

Segundo o Plano Nacional de Extensão, elaborado pelo Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras e pela Secretaria do Ensino Superior do Ministério da Educação e do Desporto, a extensão universitária é o processo educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade. A partir da troca de saberes, a universidade e a sociedade (acadêmica e nãoacadêmica) desenvolveriam projetos de futuro tanto para a sociedade quanto para a universidade. O fortalecimento da relação universidade/ sociedade prioriza a superação das condições de desigualdades e exclusão existentes. Através de projetos sociais, a universidade socializa seu conhecimento e disponibiliza seus serviços, exercendo sua responsabilidade social, ou mesmo sua missão: o compromisso com a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos .

O Laboratório de Design Solidário

O LabSol (Laboratório de Design Solidário), é um projeto de Extensão Universitária do Departamento de Design da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista, UNESP Campus de Bauru, que, desde 2007, visa atender comunidades de baixa renda que tem no artesanato sua forma básica de subsistência. A proposta central é a promoção de ações conjuntas entre o design e o patrimônio cultural do artesanato, preocupando-se com a qualificação do produto artesanal e sua inserção no mercado a partir do tripé conceitual: Sustentabilidade (Manzini, 2002), a Economia Solidária (Singer, 2002) e o Ecodesign (Brezet, 1997), atendendo, numa relação dialógica (Freire, 1987) grupos de artesãos e comunidades, objetivando a geração de trabalho e renda, a fim de promover a autossustentabilidade de grupos produtores de artefatos .

O projeto é composto atualmente por alunos dos cursos de Design: bolsistas do CNPq em iniciação científica, da PROEx UNESP, e do Programa de Permanência Estudantil da UNESP além de alunos e graduados que trabalham voluntariamente. Um dos objetivos que impulsiona o grupo é poder levar um Design de qualidade, à parcela da população que não teria acesso a este trabalho. Tem sido realizadas ações junto a comunidades e grupos cuja renda advém da produção artesanal .

O Labsol envolve os três aspectos da Universidade, para além da extensão universitária, contribuindo para a formação da cidadania em nossos alunos, desvinculando-se do capital internacional e produção em massa, e oferecendo apoio às comunidades, age também como laboratório didático e de pesquisa, tendo apresentado nos últimos anos dezenas de trabalhos científicos em congressos, ministrado oficinas de divulgação e realizado workshops, demonstrando desse modo a indissociabilidade do tripé ensino-pesquisa-extensão .

Nestes oito anos de existência, o Labsol tem desenvolvido uma grande quantidade de conhecimentos novos, tanto na criação de novos produtos, quanto no desenvolvimento de métodos e técnicas em Design Social .

Atendeu dezenas de comunidades e produziu mais de cem protótipos de novos produtos e processos de produção, apresentados a estas comunidades, afirmando que o Design pode estar a serviço de uma sociedade mais sustentável, justa e igualitária .

Parceria Labsol - Associação Arte Convívio

O contato ocorreu por intermédio da Design Possível, que é uma associação sem fins lucrativos que aplica o design como ferramenta de transformação social, desenvolvendo ações e atividades educacionais que buscam a sustentabilidade e estimulem o empreendedorismo. A entidade presta atendimento psicossocial à população portadora de necessidades especiais, por meio de oficinas terapêuticas que visam gerar trabalho e renda e assim promover o resgate à cidadania. Seu trabalho é bastante consistente e reconhecido na área de saúde mental. A associação conta com um corpo profissional formado por assistentes sociais e psicólogos, que se dedicam a organizar os atendidos em oficinas que desenvolvem diversos tipos de artesanato, todos com bastaste qualidade e preocupação com a aderência ao mercado .

O Design Possível desenvolvia uma etapa do projeto “Fortalecendo a Rede de Saúde e Economia Solidária do Estado de São Paulo: Construindo a Base de Serviço do Cooperativismo Social e Economia Solidária”. O conteúdo foi desenvolvido com base na tecnologia social “Possíveis Empreendedores” que consiste na formação técnica e empreendedora, certificada pela Fundação Banco do Brasil em 2009, 2011 e 2013, e objetiva o desenvolvimento pessoal e profissional dos atendidos, de forma aplicada propondo soluções aos desafios que permeiam a estruturação do empreendimento da Economia Solidária .

O Desenvolvimento de produto tem o propósito de trabalhar uma sistemática onde os empreendimentos possam reaplicar o processo quando necessário. O sistema busca identificar e analisar problemas existentes relacionados ao produto ou serviço dos empreendimentos, a fim de construir um método para solucionar essas questões através do planejamento de ações a curto e longo prazo que resultarão na resolução do problema. Por meio do diagnóstico realizado, identificou a necessidade/oportunidade de aprimorar seus produtos e conhecendo a trajetória do Labsol, fez o convite .

O projeto participou das reuniões finais da parceria com a Design Possível, com o intuito de conhecer a problemática, e pode reconhecer muitas potencialidades e a oportunidade de ajustes. Foram sugeridas intervenções, que foram bem recebidas pelos técnicos da associação e dirigentes e a partir de então, alguns trabalhos foram realizados .

O primeiro passo, parte da estratégia escolhida para acolher as demandas da associação, foi a participação nas reuniões nos grupos de trabalho a que fomos convidados .

A associação é bastante versátil, e conta com o que chamaremos de oficinas, que são autossuficientes do ponto da vista da gestão da sua produção e criação de seus produtos. A oficina de encadernação possui uma grande variedade de produtos, entre blocos, agendas, cadernetas e até cadernos de desenho e também de um número extenso de criação de estampas, sempre a partir de tecidos .

A oficina de mosaico produz vasos, mesas, placas de identificação de número de casa, bancos e outros móveis, quadros etc. Notamos que o acabamento é bastante cuidadoso, porém a técnica de mosaico prescinde de aprimoramento para criar figuras mais complexas .

A oficina de costura fabrica almofadas, vestimentas em geral, tiaras, tapetes dentre outros. Faz uso de bordados em jeans, patchwork, trabalhos em crochê e é responsável pelos jogos pedagógicos: produto exclusivo e de grande aceitação no mercado .

Um último segmento surgiu, com a criação de um café bar, que descrevemos em outro momento deste artigo .

Um dos produtos do catálogo é o Jogo Pedagógico, que consiste em peças confeccionadas artesanalmente, utilizando-se principalmente de feltro de cores diversas .

Foi proposta a melhoria da embalagem do jogo, que era confeccionada de tecido e sem uma identificação do que continha no seu interior. A sugestão foi uma embalagem em plástico, bordada com tecido na sua abertura, que permitia a visualização do jogo .

Outra iniciativa foi a proposta de incrementar a linha de cadernos oferecidos, com materiais. Foram criadas novas linhas de produção: a linha Glam, a Xiquita, e a artesanal .

O resultado foi traduzido em belos cadernos .

Durante o processo com a Arte Convívio, verificou-se que a loja, onde os produtos eram expostos não atendia as expectativas dos próprios dirigentes. O Labsol mais uma vez entrou em cena pra compreender a demanda propôs uma reforma do espaço de exposição, de modo que não demandasse alto custo. A sala usada para loja foi reposicionada, móveis reformados e remodelados e a vitrine foi refeita. O resultado ficou bastante interessante, especialmente quando se compara o antes e depois da mudança .

O maior projeto realizado na parceria com a Arte e Convívio consistiu na criação e elaboração de um espaço destinado a uma lanchonete, em um ainda remanescente hospital psiquiátrico do município de Botucatu. Segundo os preceitos caucados na sustentabilidade, criamos um espaço criativo, com o uso de delimitações confeccionadas com madeira de reflorestamento, no laboratório de processos da UNESP; Os balcões foram distribuídos no espaço e utilizados também mesas. Decoramos o espaço com quadros com pinturas dos próprios usuários da associação e aplicamos papel de parede na cozinha, de modo que ficasse visível da praça de alimentação .

Criamos um cardápio a partir da elaboração de um projeto gráfico, que ficou aos cuidados de uma estagiária, que cursa design com habilitação em gráfico. Idealizamos ainda uma releitura do logotipo, que foi impressa nos cardápios e bordada nos aventais usados como uniforme pelos trabalhadores do bar, equipe formada pelos usuários .

Para completar o projeto, implantamos um toldo na frente da janela de atendimento do bar, o que conferiu um tom bastante pitoresco e aconchegante à identidade visual do novo espaço. Essa foi outra forma encontrada pela associação arte e convívio para gerar cidadania por meio do trabalho aos seus usuários, retirando-se o estigma de incapazes e improdutivos, que recebem da sociedade como é constituída. A finalização do bar foi brindada com uma inauguração, a fim de mostrar aos demais parceiros mais uma iniciativa de sucesso .

Logo ao nos depararmos com os objetos produzidos pela associação, notamos a utilização de figuras impressas em cadernos, almofadas e outros, que foram retiradas da internet. Explicamos que tal prática pode não trazer consequências agradáveis, pois as imagens, embora na maioria das vezes apareçam de forma anônima, são fruto do trabalho de outras pessoas, que podem em algum momento, requerer direitos autorais, o que, minimamente, pode repercutir de modo negativo na imagem propagada pela associação perante seu público alvo .

Outro aspecto importante, bastante frisado no projeto Labsol, é que a produção artística prescinde de alguns pressupostos, como ser capaz de expressar a identidade dos artesãos/artistas. Trata-se de uma forma de legitimar o trabalho como parte integrante da cultura local, e não apenas uma reprodução de técnicas alheias, sem qualquer reflexão. Isso diferencia o artesanato brasileiro, recheado de riquezas e potencialidades, da produção meramente assistencialista, que visa angariar recursos para uma parcela da população “digna da piedade” de outrem, a quem se deve, por uma questão humanitária, prestar auxílio .

Esse não é caso em absoluto, da associação Arte e Convívio, que possui uma longa trajetória na conquista de sua identidade. Nosso acréscimo, enquanto projeto dotado de capacidades da área de Design, foi desenvolver símbolos que pudessem expressar a cultura da região. A cidade de Botucatu remete ao Saci e inclusive conta com um representante da Associação Nacional de Proteção ao Saci. Sugerimos o uso da figura do Saci, mas a partir da criação de uma ilustrada, muito bem executada por um estagiário do Labsol, não sem antes a realização de uma oficina para definição do desenho e suas características. A ilustração passou a ser utilizada em algumas produções .

A assessoria terá continuidade no ano de 2016, mediante a possibilidade de aprimoramento e criação de novos produtos .

Parceria Labsol - Associação Cornélia Vlieg

O Armazém das Oficinas é uma loja de Campinas-SP que também serve como marca dos produtos desenvolvidos no NOT –Núcleo de Oficinas de Trabalho– da Associação Cornélia Vlieg, entidade que trabalha junto ao Serviço de Saúde “Dr. Cândido Ferreira”, situado no distrito de Sousas, da mesma cidade .

Criada em 2002, a loja Armazém das Oficinas tem como missão gerar renda para as pessoas com sofrimento mental, por meio da produção e comercialização de serviços e produtos artesanais possam competir com o preço do mercado. Além da geração de renda, o objetivo também é resgatar a dignidade, a capacidade dos usuários de saúde mental, incluindo-os à sociedade (Armazém das oficinas, 2016) .

O NOT foi fundado para atender à população de baixa renda que apresenta quadros de doença mental, vulnerabilidade e não tem oportunidade de inserção no mercado formal; nas oficinas, essas pessoas são inseridas no convívio social por meio do trabalho, exercendo sua cidadania e tendo uma oportunidade de trabalho que dificilmente teriam fora dali. O Núcleo conta com 14 oficinas: Culinária Eventos, Culinária Nutrição, Papel Reciclado, Vitral, Construção Civil, Ladrilho Hidráulico, Agrícola, Mosaico, Marcenaria, Serralheria, Vela, Vitral Plano e Gráfica e o Projeto Parceria. A produção de boa parte desses espaços é comercializada no Armazém, e a renda é revertida em bolsa-oficina pelos usuários .

Em agosto de 2015 a coordenação do NOT entrou em contato com o Labsol em busca de assessoria, para análise e possível redesign de algumas linhas de seus produtos, dando enfoque os das oficinas de Papel Reciclado, Vitral, Ladrilho, Mosaico, Marcenaria, Serralheria, Vela, Vitral Plano e Gráfica .

As oficinas da associação interagem em sua produção comprando peças umas das outras para montar produtos completos, como por exemplo, estruturas metálicas da Serralheria para luminárias na oficina de Vitral, ou mesas de madeira da Marcenaria cujos tampos são feitos pela oficina de Mosaico .

Uma análise inicial do NOT demonstrou que as oficinas são muito bem estruturadas, com linhas de produtos já sedimentadas, e que o principal meio de assessoria do Laboratório seria o de apontar estratégias que unificassem a produção dos diferentes espaços de modo a criar uma identidade local, com eixos temáticos que percorressem todos os artefatos produzidos pela associação .

Levando em consideração que, além do Armazém das Oficinas, boa parte da produção do NOT é levada a grandes feiras de artesanato do país, como a Mega Artesanal e a Gift Fair, a equipe do Labsol partiu de um tema relacionado à região e a outro de maior apelo comercial: Andorinhas e Zodíaco, respectivamente. As andorinhas são símbolo da cidade de Campinas, e representações das mesmas podem ser vistas em praças e diversos lugares da cidade .

Foram desenvolvidos diversos desenhos de silhuetas de andorinhas, que poderiam ser explorados em diversas superfícies que são desenvolvidas no Núcleo, como na oficina de Mosaico, Ladrilho Hidráulico, Papel Artesanal e na de Costura, além de sugestões de contornos e formas para as oficinas de Vitral e de Vitral Plano .

Além dessas temáticas gerais, foram feitas pesquisas de referência para a Oficina de Vitral, sugerindo novos designs de produtos que utilizassem cacos de vidro e sobras de material, partindo de formas irregulares e orgânicas, aproveitando as técnicas que já são desenvolvidas pelo grupo de trabalho daquele espaço. Os novos designs foram inspirados pelo trabalho da artista britânica Maria Barber, que trabalha com vidro e materiais alternativos para criar peças únicas, numa técnica que valoriza o acaso e a marca das mãos no trabalho. Além disso, as peças propunham a criação dos próprios trabalhadores, pois suas formas simples, de pássaros e outros animais, poderiam ser elaboradas dependendo dos pedaços de vidro restantes das demais produções da oficina, enaltecendo as peças originais para comercialização no Armazém. Após sugerirmos essas peças, a coordenadora da área pediu para que o Labsol desenvolvesse algum tipo de base de metal comum a todas as peças, a ser fabricada na Serralheria do NOT. Ainda pensando na integração entre as oficinas, elaboramos bases de madeira com aplicações de metal, inspiradas em peças desenvolvidas pelos próprios trabalhadores e que ainda não haviam sido utilizadas em produtos da oficina de vidro .

O eixo temático de maior produção foi o do Zodíaco, com centenas de desenhos prévios anteriores aos designs finais, que poderiam ser aproveitados principalmente pela oficina de Mosaico, visto que foram elaborados pensando na valorização do contorno e na simplicidade das peças utilizadas pelos trabalhadores da área. Além dos desenhos, foram realizadas pesquisas referentes à composição cromática das peças, de modo a auxiliar a criação dos artesãos; a mesma pesquisa foi aberta às outras oficinas do NOT, que poderiam se aproveitar das informações para elaborarem seus próprios artefatos .

O tema das andorinhas, além de servir como desenho-base para as oficinas de Mosaico e Vitral, foi sugerido para a oficina de Ladrilho Hidráulico, junto a outros designs feitos especificamente para este espaço, inspirados em formas orgânicas e em composições de mandalas florais tradicionais. Essas formas poderiam ser fabricadas pela própria Serralheria, que no meio tempo entre as visitas do Labsol começou a fabricar e testar moldes para os ladrilhos, serviço que até então era terceirizado e de custo muito elevado. Além disso, foram sugeridas estratégias para melhor conservação das peças, como pintura eletrostática, para evitar a oxidação em longo prazo .

A oficina de Papel Artesanal trabalha com fibra de bananeira para a produção de muitas das suas peças; isso levou os membros do Labsol a participarem de uma orientação acerca do beneficiamento da planta, num curso de extensão com duração de dois dias no qual aprenderam a extrair e aproveitar partes da bananeira para fabricação de papel, bem como fibras que podem ser aplicadas nas mais diversas peças artesanais. Há o planejamento para um retorno à instituição na qual essas informações serão repassadas à coordenação e aos trabalhadores do espaço por meio de um curso de curta duração, de modo a melhorar suas práticas em relação a esse material .

A parceria com a Associação Cornélia Vlieg continua, e no momento o que se busca desenvolver no Labsol, principalmente, são novos designs de produto para a Marcenaria e a Serralheria, além das bases de metal para a Oficina de Vitral, bem como pesquisas acerca dos processos de colorir o vidro .

Oficina de Vitral

Análise Ao pensar na produção atual da Oficina de Vitral, percebemos uma força muito grande nas técnicas do grupo no que se refere a criar formas orgânicas, irregulares, e que poderiam ser mais bem aproveitadas caso seu uso fosse aplicado de outras maneiras. Em muitos casos, ao analisar as peças desenvolvidas pelos artesãos, os objetos são feitos de forma que o uso das mãos é oculto, quando o destaque desses elementos seria mais bem aproveitado por meio do exagero dessas características manuais .

Mapas mentais

Palavras destacadas em mapas mentais criados a partir das palavras LUZ e VIDRO. Esses conceitos podem ser utilizados como temas e elementos construtivos nas linhas de trabalho propostas .

Elementos figurativos: Plantas, pétalas, flores, natureza, animais, estações do ano .

Elementos abstratos: Cheiro, diversidade, multiplicidade, genialidade, lembranças, infância, assimetria. Elementos construtivos: Luminária, moldura, móbile, padronagem .

Linhas de Artefatos

Além de pensar nas formas com as marcas das mãos dos artesãos, pensamos como desafio o de trabalhar com artefatos de vidro como peças que envolviam luz, sem necessariamente depender do uso de uma lâmpada ou de velas. Assim, além de pensarmos nos objetos vinculados à luminárias, projetamos também artefatos decorativos que interagem com o sol, os quais chamamos de mensageiros solares, como se fossem os mensageiros-de-vento, mas modificados pela luz .

Na linha de decoração, nos inspiramos no trabalho da artista britânica Maria Barber, que confecciona pequenos pássaros de vidro e metal, e adaptamos sua técnica ao cotidiano do grupo de trabalho, usando a estrutura de epóxi e inserindo elementos metálicos, como arame, para sugerir a produção de pequenas peças decorativas inspiradas na natureza, especialmente em animais .

Considerando a experiência do grupo na confecção de luminárias que usam lâmpadas e velas, também propomos a elaboração de outros formatos para esses objetos, explorando as formas irregulares, a espessura das estruturas e a naturalidade das formas .

Os animais de vidro são peças decorativas que podem ser tanto dispostas sobre mesas ou aparadores, quanto penduradas, em série, de modo a balançarem ao sol, tanto sozinhas quanto em grupos diversos, unindo vários desenhos diferentes, utilizando peças de vidros de cores e texturas diversas .

Essas peças podem ser confeccionadas utilizando massa epóxi, que o grupo já utiliza normalmente, bem como pequenas partes de ferro, para sustentação, que podem ser fabricadas pela serralheria .

Mensageiros solares em forma de móbiles com vários módulos podem ter armações desenvolvidas pela Serralheria, bem como correntes e outros elementos de ligação .

Além dos mensageiros solares em forma de animais e de formas abstratas, pensamos em objetos utilitários que usassem pequenos pedaços de vidro, e que fossem elaborados de forma irregular, ainda que usando as mesmas bases que o grupo já é acostumado a trabalhar. Essas peças são construídas sobre as mesmas bolas isopor da oficina, mas sem cobri-las por inteiro, levando em consideração mais a sua possibilidade de gerar resultados variados do que a forma específica de uma esfera .

Assim como os animais de cacos de vidro, essas peças também poderiam ser beneficiadas por estruturas fabricadas na Serralheria, ou até mesmo por bases circulares, para maior sustentação, feitas na marcenaria da Associação .

Além das peças novas, elaboramos algumas alternativas para os produtos já existentes, com sugestões diversas de acabamento usando materiais da Serralheria e da Marcenaria .

Para os abajures com faces de vidro reto, sugerimos bases de madeira maciça, com acabamento em quadrados de lata, como os de algumas peças da Serralheria. Essas bases podem tanto ser retas, geométricas, quanto um tronco de árvore mais fino, sinuoso, cujas formas curvas contrastam com as partes retas da parte de cima, e sempre darão origem a peças únicas .

Oficina de Mosaico

Para a oficina de mosaico, elaboramos duas coleções de desenhos originais: uma com andorinhas, e outra baseada no Zodíaco. Todas as formas são simples, priorizando o preenchimento mais fácil pelos ladrilhos .

A andorinha é uma ave símbolo da cidade de Campinas, e consideramos esse um fator decisivo para a utilização desse animal como tema, visto que o artesanato sempre tem em si o reflexo do lugar no qual é produzido; assim, sugerimos diversos desenhos que podem ser usados em peças de tamanhos e formatos variados .

Para a linha do zodíaco, além das imagens elaboramos uma tabela de referência com sugestão de cores e motivos, para facilitar a aplicação nas mais diversas peças produzidas pela oficina, desde bandejas a mesas com muitos motivos diferentes .

Esta tabela tem apenas os detalhes principais, levados em conta apenas como sugestão quando forem compostos nos objetos; não é uma regra específica de que as cores denominadas sejam as mesmas utilizadas nas peças finais, até mesmo porque tradições diferentes apontam para cores e características diferentes. Apresentamos aquelas que são mais comumente conhecidas no Brasil, e que podem servir de inspiração ao elaborar novos projetos utilizando essa temática .

Além das cores básicas de cada signo, elencamos diversas outras que podem ser trabalhadas junto a elas, seja por complementaridade ou por contraste, de modo que as peças possam ter maior variação, tanto no momento de preencher os desenhos com os ladrilhos, quanto na hora de escolher detalhes do fundo, cores de molduras, caixas e demais peças que o grupo já é habituado a trabalhar .

Parceria Coroa Imperial - LabSol

O contato entre o Labsol e a Coroa Imperial, se deu através do grupo de estudos Neocriativa, da UNESP de Bauru que tem o intuito de estudar a Economia Criativa e os arranjos produtivos culturais da cidade, coordenado pelo professor Juarez Xavier, da UNESP, que reconheceu que o LabSol, possuía, por seu histórico, condições de contribuir com o carnaval bauruense e a Coroa Imperial. Dessa feita, junto com a professora Ana Beatriz de Andrade do Departamento de Design da FAAC, convidaram o professor coordenador do LabSol para conhecer os dirigentes do Grêmio Escola de Samba Coroa Imperial da Grande Cidade .

Já na primeira reunião foi possível perceber que escola passava por sérias dificuldades, pela ausência de um bom carnavalesco e pelos parcos recursos financeiros de que dispunha para realizar o carnaval do então ano de 2014 .

Reconhecendo que poderia contribuir com essa manifestação cultural brasileira, o Labsol se propôs a desenvolver os desenhos e protótipos das fantasias de ala a partir da experiência acumulada em produzir objetos a partir de resíduos e materiais de baixo custo .

A princípio pensava-se em trabalhar com materiais já tradicionalmente recicláveis, mas a visita ao depósito da escola de samba fez com que se abandonasse a premissa de projeto, pois nele existia uma enormidade de materiais usados: fantasias, saias de carros, e mesmo material novo não utilizado pelos carnavalescos anteriores. Assim as o Labsol se propôs a trabalhar a partir daquela “sucata”, desenvolvendo o projeto e construindo as peças piloto das fantasias .

Após a entrega dos pilotos das fantasias, verificou-se nova problemática: a escola não possuía a expertise para a confecção das fantasias a partir de moldes e exemplos materializados. Necessitava aprender as técnicas por meio de explicação oral e prática, ou seja, os membros do laboratório tiveram que confeccionar as fantasias junto com a comunidade, explicando passo a passo, para que eles pudessem ser capazes de repetir o processo. A descoberta dessa especificidade nos trouxe a clareza de qual seria o sistema de aprendizagem adequado à esse público, o que resultou em novos estudos para o Labsol .

Ao trabalhar junto a Comunidade da Coroa Imperial pode-se observar muitos fatos que fazem refletir sobre a relação entre o Design (erudito) e a cultura popular .

A comunidade perdeu todas as fichas técnicas e grande parte dos moldes, entregues junto as peças piloto. Desta aparente displicência percebeu-se que para eles, a ideia do projeto não é transmitida a partir do registro gráfico, assim os moldes e fichas técnicas não lhes apresentava significado, assim como preferiam recortar as peças individualmente (com grande desperdício de material e de tempo) e executar as fantasias uma a uma. Verificou-se que questões como o processo de produção em série eram bastante estranhas à essa comunidade .

Somente ao se entender que todo o processo de construção da cultura popular se faz por meio da tradição oral, e passar a demonstrar como eram feitas as fantasias, executando peças junto com as pessoas que executariam realmente as fantasias - tal como nossas avós ensinariam a fazer um bolo - demonstrando que ao se dobrar os materiais, ou coloca-los em camadas cortando diversas peças de uma só vez se ganhava tempo, mostrando como era importante a ficha técnica na quantificação das compras de material, e que separando a construção das fantasias em etapas e é que o processo de apreensão do projeto se deu .

Assim começou a parceria, que resultou em muito aprendizado, desenvolvimento de produtos a partir de materiais e técnicas alheias ao universo tradicional do Design. Novas técnicas foram acrescentadas ao repertório do projeto Labsol. Um grande exemplo, bastante elogiado pelos especialistas em carnaval, foi o resgate da técnica do empapelamento, tradicional na construção de alegorias no carnaval, mas que vem sido substituída pelas esculturas em isopor e fibra de vidro .

Carnaval 2016 - a escolha do enredo

Programada para durar três anos, 2016 foi o derradeiro ano do trabalho com a escola Coroa Imperial. Do acúmulo de aprendizado dos anos anteriores, foi concebida a sistemática de trabalho que será descrita a partir desse ponto do artigo .

Devido principalmente a falta de capacidade administrativa dos dirigentes da Coroa Imperial, tanto no gerenciamento dos recursos advindos da Prefeitura Municipal através da Secretaria da Cultura do Município de Bauru, tanto na sua ineficácia em captação de recursos externos ou na geração de recursos próprios através de festas, que são uma fonte tradicional na obtenção de recursos nas escolas de samba, o desfile de carnaval de 2015 deixou a Coroa Imperial endividada, o que foi agradado pelo descuido dos dirigentes com os geradores de energia alugados que foram furtados logo depois do desfile, entretanto a quase totalidade das fantasias foram resgatadas logo após o desfile o que possibilitaria a reutilização de seus materiais e componentes, isto demonstrou que a escola de samba havia absorvido os conceitos de reciclagem e reutilização apresentados pelo Labsol .

Se as fantasias foram recuperadas por outro lado os carros alegóricos foram abandonados, e grande quantidade de material que poderia ser reutilizado perdeu-se por serem abandonados ao tempo. Assim novamente a Coroa Imperial necessitava de um desfile de baixo custo e o primeiro enredo elaborado que deveria tratar de fé foi descartado .

Algumas premissas iniciais de projeto foram estabelecidas, além da reciclagem máxima de fantasias, os carros não seriam iluminados, deveriam ter pouco trabalho de serralheria mantendo as estruturas anteriores .

O novo enredo foi escolhido fazendo uso da técnica brainstorm. Dessa reunião fizeram parte membros da Escola de Samba, entre comunidade e diretoria, e membros do projeto LabSol, do enredo anterior foram mantidos dois carros, o carro sobre o barroco e seus santos aproveitando reciclando destaques do carnaval de 2015 e o carro dos orixás, este principalmente por ser a Coroa Imperial uma escola de matriz negra que o Labsol desde o primeiro enredo procura ressaltar, enquanto projeto de extensão comprometido socialmente, procura resgatar e projetar a identidade e a cultura das comunidades atendidas, sendo essa uma das preocupações adotadas no desenvolvimento do enredo para os anos da parceria a valorização das pessoas de cor da pele negra e de sua cultura, promovendo a elevação de sua autoestima .

As fantasias do ano anterior com muitos babados e a utilização do tecido de chita indicavam a possibilidade do uso de muita cor, assim como algumas estruturas de adorno de cabeça poderiam ser usadas para a construção de fantasias de indígenas. Assim seria fácil falar sobre a construção do povo brasileiro, mas que não traria nada de novo ao carnaval bauruense .

Assim o enredo escolhido procurou então versar sobre a América Latina, emergindo da noção de que o Brasil acaba se isolando do restante do continente, esquecendo- -se de olhar mais para os nossos vizinhos de continente .

A princípio o enredo seria “Soy loco por ti América”, entretanto o pouco numero de alas, apenas 10 pela falta de recursos, foi substituído por “América - Mestiça, Mãe - Terra” e procuraria abranger os povos que construíram este continente e as suas diversas regiões etno-geográficas .

Uma importante prerrogativa do tema escolhido foi a possibilidade que ele confere ao reaproveitamento dos materiais de fantasia, bem como dos carros alegóricos, novamente buscando equalizar os recursos financeiros de que a escola de samba dispunha .

Desenvolvimento do enredo “América - Mestiça, Mãe - Terra”

Da escolha do enredo, seguiu-se a criação das fantasias de alas e a criação de carros e alegorias, buscando reportar-se e importantes referenciais de cunho cultural, histórico e ainda sobre curiosidades que marcam a identidade da América Latina. Nossa empreitada nas etapas subsequências do desenvolvimento desse artigo será a descrever como cada ala ou carro alegórico foi idealizado e a que porção do enredo procura representar. Além de detalhes da técnica utilizada para a confecção das fantasias. Nesse esforço, espera-se criar um relato que seja relevante do ponto de vista do Design quanto à sua contribuição cultura para a sociedade .

Comissão de frente - Sol e Lua

Símbolos e entidades presentes nas ricas religiões e cosmogonias dos povos do período pré-colombiano, as referencias para a construção das fantasias foram trajes astecas para a forma da capa e do cinturão, as representações do calendário maia que conforma a pala e a cabeça, e da face da deusa da lua presente no acabamento do cinturão e na parte posterior da cabeça. A pedido da coreógrafa da Comissão de Frente, Priscila Lopes, foi usado um elemento de alegoria de mão em forma de uma lança com plumas. Para a estrutura de pala e cabeça foi usado plástico polionda mais resistente ao suor e chuva que o papelão corrugado, grande parte dos elementos de seu acabamento proveio de uma doação de material residual de uma empresa doado a Coroa. Optou-se pelo forro tinto sintético na capa e saia por seu baixo custo, porém com cores vibrantes e muito leve .

Carro Abre Alas - Coroa Inca

A coroa símbolo da escola veio cercada pelo deus asteca Quetzacoatl, esculpida em resíduo de isopor proveniente da construção civil, pelo aluno Akira Iamaguti. O deus asteca Quetzacoatl é a serpente emplumada representante da vida, da prosperidade, da matéria e do espírito. A coroa é ornamentada de forma a lembrar os calendários e a arte e a riqueza desses povos. Sobre a Coroa um destaque representa a Mãe Terra, Pachamama. A princípio a Coroa seria ladeada por figuras pré-colombianas, mas com a falta de recursos, optou-se por colocar figuras representando a cultura europeia aproveitando babados e materiais do desfile de carnaval anterior, assim como foi utilizada na decoração do carro e da coroa, peças que já haviam sido usadas por dois desfiles consecutivos na ala dos guarda- -chuvas em 2014 e na ala das baianas em 2016 .

Ala 1 - Povos Pré Colombianos

Milhares de anos antes da chegada dos europeus, nosso continente já era um continente habitado por civilizações bastante desenvolvidas, com complexa organização social, conhecimentos matemáticos e astronômicos, arquitetura e engenharia avançadas, linguagem escrita e detentoras de técnicas de agricultura. Milhões de pessoas viviam por aqui, e a magnitude de seus feitos é atestada pelos registros arqueológicos, que vão desde objetos do cotidiano, passando por pirâmides e chegando a cidades inteiras. Dentre as civilizações estabelecidas naquele tempo, podemos destacar tanto os Incas, habilidosos construtores em pedra, quanto os astecas, que dominavam grande parte da mesoamérica e são famosos pelas belas construções piramidais .

A fantasia foi construída da reinterpretação de roupas astecas e maias, usando elementos de fantasias de desfiles anteriores, a cabeça de 2015, a pala de 2014 que foi esplendor em 2015, na ala dos caboclinhos, para cinturão foi usado um elemento da ala da folia de reis em 2015 .

Apenas no poncho construído de tecido de toalha de natal em sua frente e por forro tinto em suas costas foi usado material novo .

Mestre-sala e Porta-bandeiras - Deuses précolombianos do Sol e da Lua

Estas fantasias costumam ser as mais importantes do cortejo carnavalesco, o casal é responsável sozinho por um dos quesitos de avaliação do desfile, além de luxuosas, estas fantasias devem possibilitar uma grande desenvoltura de movimentos coreográficos tradicionais no bailado do casal. A pedido da porta bandeira, que desejava uma fantasia negra, optou-se por representar a deusa da Lua e da Serpente, Ixchel, na mitologia maia e o mestre sala o deus sol Kukulcán em dourado. As fantasias foram recobertas por ricos bordados representando a cultura Maia .

Ala 2 - A Costa Atlântica. Tupis

Desde os anos 1500, a palavra “Tupi” pode ser usada para falar de todos os indígenas da costa atlântica da América do Sul, que apesar de ter um idioma em comum, eram povos bastante diferentes entre si. Aos tupis devemos muita da nossa culinária, nossa música, folclore, do nosso jeito de falar e de muitas palavras e nomes que usamos no dia a dia: pipoca, tapioca, jacaré e, especialmente, Bauru, nome da cidade em que se realizou o desfile .

A fantasia inspira-se livremente no artesanato tupi, o cocar e a pala foram reaproveitados da ala do Carimbó de 2015 acrescidas de penas de pato tingidas, e penas artificiais de araras. Para o corpo da fantasia usou-se tecido de algodão cru com aplicações de chita remetendo ao artesanato tupinambá .

No ano de 2014, primeiro da atuação do Labsol a comunidade local estava afastada do desfile e a Coroa Imperial tinha dificuldade de completar suas alas. Nesta ala foi usado passo marcado, ou seja, foi uma ala coreografada, mais que um belo elemento no cortejo, ela acaba por representar que a comunidade local está presente e participativa junto à escola de samba, e dedica horas de ensaio para a sua apresentação, demonstra que o trabalho do Labsol possibilitou a volta de uma participação efetiva da comunidade junto a Coroa Imperial .

Ala 3 - Europeus. Portugueses e Espanhóis

Em busca de novas rotas para chegar às Índias a procura de especiarias, os portugueses decidiram navegar sentido oeste e chegaram em 1500, numa nova terra que chamaram Brasil. Em várias expedições com suas caravelas, os ibéricos exploraram essa terra, consumindo grande extensão das florestas de pau-brasil. Durante essa exploração, os trouxeram sua cultura, influenciando os nativos, catequizando e forçando-os ao trabalho escravo, escravizando também os negros trazidos da África em navios, roubando seus nomes e demonizando sua religião. Para a construção desta fantasia usou-se o corpo da ala dos caboclinhos, tecidos e rendas da ala da quadrilha, de 2015, à estrutura de costeiro, já usada na Escola, foram soldadas barras leves de ferro que permitiram a representação de velas das naus ibéricas com um efeito extraordinário no desfile. Esta ala recebeu o troféu “Tamborim de Ouro” como a melhor ala do carnaval de 2016 em Bauru .

Carro Barroco

O período conhecido como “Barroco”, embora diretamente influenciadas pelo barroco europeu, é constituído pelas primeiras manifestações genuinamente americanas na nova conformação cultural do continente, com uma grande mescla de influências .

O carro conta com uma representação da Igreja São Francisco de Assis, localizada na cidade de Ouro Preto - MG .

É um dos monumentos mais significativos da arquitetura colonial e uma das conhecidas daquele período. É também uma das mais celebradas criações do mestre Aleijadinho .

Devido a forte presença de imagens religiosas, a frente do carro apresenta crianças vestidas de anjinhos barrocos. Altares laterais repletos de anjinhos, flores e espinhos estão presentes em quase todas as igrejas do estilo. Como destaques são apresentados Nossa Senhora da Conceição, São Jose de Botas e o arcanjo São Miguel, santos populares na devoção do período .

No verso do carro foi representada a Igreja do Bonfim, fazendo uma ligação com outro elemento do desfile, a lavagem da Igreja do Bonfim .

Ala 4 - Caribe

Região formada pelo Mar do Caribe e seu conjunto de ilhas. O nome Caribe significa valente, audaz. Essa região é famosa pelas praias paradisíacas, clima tropical e pela sua população, que parece ser inspirada pela paisagem e clima para ter uma cultura rica em festivais, músicas, comidas e folclore. O Caribe é um grande caldeirão de misturas e miscigenação de povos, etnias, línguas, cores, sabores. A fantasia desta ala reflete a essência caribenha, com cores quentes e vivas e babados com estampas alegres para fazer alusão à exuberância da região, assim como às festas e danças das diferentes culturas presentes no Caribe e a produção de açúcar que por muitos anos foi o principal produto da região .

Nesta ala foram usados babados de diversas alas do desfile de 2015, a pala e cabeça surgem do recorte do corpo da ala da folia de reis, para a representação da cana usou- -se capim holográfico usado em 2014 e os elementos de representavam cactos na ala do forró de 2015 .

Ala 5 - Andes / Incas

As civilizações andinas compunham um mosaico de diferentes culturas independentes que se desenvolveram no entorno da Cordilheira dos Andes, da Colômbia ao deserto de Atacama. O Império Inca foi a última entidade política soberana que emergiu das civilizações andinas antes da conquista espanhola. Importante símbolo para a cultura dos povos andinos são os metais preciosos e a mineração .

A fantasia inspira-se livremente na iconografia Inca, com elementos dourados e adornos em pedras. Para o poncho foi usado parte da fantasia da ala dos pampas, assim como a sua calça, e elementos decorativos da ala do frevo de 2015. Para a cabeça foi usada uma estrutura em papelão corrugado substituindo o plástico polionda .

Bateria - Africanos

As culturas africanas tiveram grande influência na formação cultural latino americana, notadamente nos países do Atlântico. Muitos são os aspectos culturais que sofreram influência africana, nos ritmos musicais, culinária e na religião .

A fantasia procura representar um guerreiro africano, o cinturão originalmente proposto foi retirado para permitir maior liberdade de movimentos e não interferir no uso de instrumentos de percussão mais pesado como os surdos, caixas e repiliques. Vale destacar o colar que é feito a partir de resíduos de e.v.a doados por uma indústria local .

Carro dos Orixás

O continente americano é formado por uma mescla de raças, a cultura e a contribuição negra é aqui representada pelo candomblé e pela Ubanda. Os negros chegam como escravos nas regiões colonizadas pelos europeus que a duras penas conseguem conservar parte de sua cultura O carro dos Orixás, deidades dos cultos de influencia africana, tradicionalmente atrelados à cultura do carnaval .

Traz mães e pais de santo em primeiro plano e oito Orixás, cada um com suas características, numa releitura de seus trajes cerimoniais. São destaques do carro os seguintes orixás: Nanã, Iansã, Ewá, Iemanjá, Oxum, Ogum, Xangô e Oxóssi .

Como a Escola de Samba Coroa Imperial não possui barracão para a elaboração de esculturas a serem usadas como alegorias nos carros, a opção do Labsol foi preenchê-los com fantasias, como neste caso e no Carro Barroco .

Baianas - Oxalá

Imediatamente após o Carro dos Orixás, a ala das baianas vem, representando a bondade e a pureza de Oxalá. A roupa, completamente branca, é referência a versão mais velha e sábia do orixá e seu completo repúdio a violência .

O turbante é inspirado nas mulheres do candomblé que lavam as escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia, ao som de toques e cânticos sagrados. Este ato, que precede a Festa do Bonfim, ficou conhecido como a Cerimônia das Águas de Oxalá .

Optou-se por uma fantasia muito leve, relendo as roupas tradicionais das baianas, permitindo uma evolução muito grande por parte de suas integrantes, o uso do branco puro, sem elementos de decoração, além de diminuir o custo da fantasia criou um grande impacto no desfile, foi usado um tecido de baixo custo, forro tinto sintético entremeado por cetim liso e adamascado brancos .

Ala 6 - Patagônia/Pinguins

Ao extremo sul do continente se encontra a Patagônia, região que abrange a parte mais meridional da América do Sul, o sul das Cordilheiras dos Andes localizada na Argentina e Chile. Região de belas paisagens naturais é o habitat de golfinhos, baleias, leões-marinhos e uma grande concentração de pinguins. Essas pequenas aves abundantes na região são da espécie Pinguins-de-Magalhães .

O tecido preto usado na fantasia provém de resíduos da industria automotiva, forro de bancos de ônibus, adquiridos com baixo custo em uma loja da cidade de Bauru, entretanto esta fantasia foi levada ao desfile sem que fosse colocada sua estrutura, devido a incompetência da direção da escola de samba, o que prejudicou muito a performance desta peça .

Ala 7 - Chaco

Uma das áreas centrais do continente sul americano e alagada pelos rios da Tríplice Aliança é o Chaco, conhecida no Brasil como Pantanal. Reserva incontestável da fauna latino-americana, com incríveis belezas naturais. Para representar o Chaco, que ocupa porções do Brasil, Bolívia e Paraguai, utilizamos o principal representante da sua fauna, o jacaré. Um toque jocoso é dado pelos óculos, importados do Paraguai. A fantasia é confeccionada em papelão por nossa preocupação com a sustentabilidade, revestida de tecido verde limão. Para os olhos foram utilizadas bolinhas de natal, recicladas da fantasia dos guarda-chuvas do carnaval de 2014 .

Ala 8 - Pampas

Os pampas, que é um bioma característico de planícies, localizados na região Sul do Brasil com Uruguai e Argentina, a fantasia traz referencias aos trajes gaúchos e as bandeiras destes países. Esta também é uma região de grandes times de futebol representados aqui por bolas de futebol coladas sobre chapéus de origem espanhola. Infelizmente esta fantasia chegou à avenida incompleta, a estrutura e as bandeiras que compunham seu costeiro, ainda que já estivessem prontos, não foram colocadas, devido, novamente, a incompetência dos dirigentes da escola .

Carro “Caudillos de la Pelota”

São denominados caudilhos os políticos e grandes líderes de determinadas nações que exercem seu poder de forma carismática e de caráter populista por vias autoritárias ou autocráticas, fazendo com que sejam associados aos ditadores e tiranos .

A maioria dos políticos considerados caudilhos permanece por tempo prolongado no Poder e tem grande proximidade com as camadas mais baixas da população .

No Brasil, o exemplo mais próximo ao caudilhismo foi o Governo de Getúlio Vargas, que trouxe grandes avanços nas leis trabalhistas do país, mas era sustentado por uma ditadura. Em países como Bolívia, Peru, Guatemala, Haiti, Paraguai, Venezuela, Nicarágua e Uruguai, houve muitos outros exemplos do caudilhismo .

Esse carro traz como destaque a figura de Simon Bolívar, representando o sonho de uma América Latina unida, além de Bolívar, Che Guevara, Evita Perón e Fidel Castro seguiam como representações emblemáticas da política da América Latina. Outra característica que os países da América Latina têm em comum é o futebol .

Essa última parte da escola é uma junção desses dois temas que tem grande peso na cultura latina, caudilhismo e futebol, e levanta a triste questão da corrupção, governos e administrações que estão dispostas a corroer as suas bases em nome do dinheiro .

Duas grandes alegorias que foram recicladas a partir de uma doação do SESC Bauru, remetiam a generais, infelizmente as alegorias de bolas de futebol não foram executadas pela escola de samba .

Sustentabilidade, reaproveitamento de fantasias, alegorias e materiais

A sustentabilidade constitui um dos pilares do projeto Labsol e por meio da realização deste trabalho, pudemos aplicá-las com relação ao aproveitamento das fantasias nos carnavais anteriores, especialmente dos anos de 2014 e 2015, quando confeccionamos as fantasias de modos diversos, sempre pensando em como elas seriam transformadas em outras. Isso contribui sobremaneira para poupar custos para a escola, que como já frisado em outras ocasiões, não possui muitos recursos financeiros .

Considerações finais

Em relação à parceria com a Coroa Imperial, foram três anos de intenso aprendizado multifacetado. Do ponto de vista acadêmico, foram inúmeros estudos empreendidos e publicados, pautados no desenvolvimento de produtos, técnica, utilização de materiais diversos, desenvolvimento de novas relações de trabalho. Para a formação do profissional em design, destacamos a oportunização do desenvolvimento da consciência cidadã, a partir das relações estabelecidas com a comunidade e com mundo do carnaval, que proporcionou a mais profícua troca de saberes .

Por outro lado, nestes últimos anos a direção da escola de samba, acabou por se aproveitar do trabalho do Labsol para relaxar de suas funções. Procurando evitar este acomodamento o Labsol propôs-se a executar as peças piloto de alas, ministrar workshops de sua construção mas, não se envolver na produção destas fantasias, assim como eximiu-se de dar o acabamento nos carros alegóricos ainda que executasse algumas de suas esculturas, ficando outras e o acabamento a cargo da escola .

Estas funções foram assumidas pela vice-presidente da escola, que se demonstrou totalmente inapta para realizá- -las, uma pessoa centralizadora e pouco agradável no ambiente da escola. Assim duas alas foram para a avenida incompletas, e as baianas não deveriam portar vasos tradicionalmente usados na Lavagem do Bonfim não o usaram, e faltaram as esculturas de bolas de futebol no carro de fechamento e o acabamento dos carros ficou sofrível, ainda que disfarçados sob o conjunto de destaques produzidos sob a coordenação do Labsol .

De qualquer forma, apesar dos percalços e desta pessoa que não soube delegar funções ou agregar pessoas, o desfile foi muito bem recebido pela crítica especializada e ficou apenas a seis décimos da segunda colocada, uma escola de samba mais antiga, melhor organizada e melhor administrada, obtendo um honroso terceiro lugar .

Com as duas outras parcerias, ambas no âmbito da saúde mental, a relação, por ser de natureza diversa e um pouco mais distanciada, quase não apresentou problemas, pelo contrário, trouxe a oportunidade de desenvolver produtos a partir de condições melhores de trabalho. Principalmente destacamos, nos dois trabalhos, a oportunidade de contribuir socialmente com a conquista da cidadania de pessoas portadoras de desordens mentais. Quando maior for aceitação dos produtos no mercado, maior as chances de retorno financeiro, que se transforma em renda para essas pessoas e maior a auto-estima quando se sabem artesãos que tem seus produtos admirados e exportados para outras regiões. É uma honra para o projeto LabSol fazer parte de iniciativas como essas. O trabalho com essas instituições está apenas começando e promete render ainda mais frutos .

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Singer, P. (2002). Introdução à Economia Solidária. São Paulo: Fundação Perseu Abramo,

Resumen: Esta es la presentación de los resultados y consideraciones sobre el trabajo desarrollado por el Proyecto Extensión Universitaria en Diseño, Laboratório de Design Solidário, Labsol, da Faculdade de Artes e Comunicações, UNESP Campus de Bauru, junto a dos grupos de atención psicosocial a través de actividades la generación de empleo e ingresos y la Escola de Samba Coroa Imperial, para el desfile de carnaval 2016. La experiencia acumulada y la reflexión sobre el papel del diseño, permitió una experiencia universitaria poco común, que abarca la enseñanza, investigación y extensión, lo que permite reflejar sobre las cuestiones metodológicas y el papel del diseño como un agente de cambio social .

Palabras clave: Extensión Universitaria - Diseño social - Economía - Solidaridad - Artesanía - Carnaval .

Abstract: This is the presentation of results and considerations about the work developed by the University Extension Project Design, Laboratório de Design Solidário, Labsol, da Faculdade de Artes e Comunicações, UNESP Campus de Bauru, next to two psychosocial care groups through income and job generation activities and the Escola de Samba Crown Imperial for the 2016 carnival parade. The accumulated experience and reflection on the role of design, allowed a rare university experience, encompassing teaching, research and extension, allowing reflect on methodological issues and the role of design as a social change agent .

Keywords: University Extension - Social Design - Solidarity - Economy - Crafts - Carnival .

(*) Claudio Roberto y Goya. Arquiteto Universidade de São Paulo (1986) e doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1999). Professor assistente da Universidade Estadual Paulista no curso de Design. Coordenador do Curso de Design da FAAC Unesp Bauru. Atua nos seguintes temas: design, design social, projeto de produto, design contemporâneo, design de calçados e de figurinos . Participa do Grupo de Pesquisa Design Contemporâneo: sistemas, objetos e cultura. Entre 2010 e 2013 coordenou da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares Unesp Bauru. Desde 2007 coordena o Laboratório de Design Solidário da FAAC UNESP Bauru - Labsol . Bruno Müller da Silva. Arte-educador com habilitação em Artes Plásticas pela Universidade Estadual Paulista (2009). Graduando em Design de Produto na Universidade Estadual Paulista. Foi bolsista do programa CSF no ano letivo de 2014/2015 no bacharelado de 3-Dimensional Design, Model Making & Digital Art, no Institute of Art, Design and Technology, em Dún Laoghaire, Irlanda. Bolsista de iniciação científica CnpQ. É pesquisador voluntário do projeto de extensão Laboratório de Design Solidário 2013. Juliana Soares de Souza. Mestre no programa de pós-graduação Ciência, Tecnologia e Sociedade, graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá (2006). Atuou na Incubadora de Cooperativas Populares da FAAC UNESP Bauru até de 2012. Foi coordenadora no Núcleo Multidisciplinar Integrado de Pesquisas e Estudos, Formação e Intervenção em Economia Solidária da UFSCar em 2013. É pesquisadora voluntária dos projetos de extensão Laboratório de Design Solidário desde 2016. Leonardo Alvarez Franco. Possui graduação em Design pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2015), atuando principalmente nos seguintes temas: design, game design, design de produto, cultura iorubá, divulgação artística e cultural e criação de modelos. Marcelo Selmini. Arte educador na Prefeitura Municipal de Rincão - SP. Especialista em didática (2005). Graduado em Educação Artística com licenciatura plena (2004), ambos cursados na Faculdade São Luís Jaboticabal. Atuou como Arte educador na Associação Jaboticalense de Educação e Cultura, de 2007 a 2010. Desde 2011, pesquisador voluntário do Laboratório de Design Solidário da FAAC UNESP Bauru.


Experiências do Laboratório de Design Solidário. Projeto de Extensão Universitária em Design fue publicado de la página 224 a página253 en Actas de Diseño nº 28

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