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Reflexões contemporâneas sobre o Design de Interiores no Brasil

dos Santos Santos, Emyle; Braga de Melo, Larissa; Fadigas, Carvalho Santos, Victor Hugo

Actas de Diseño Nº 32

Actas de Diseño Nº 32

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/https://doi.org/10.18682/add.vi32

XIV Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” X Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño Comunicaciones Académicas

Marzo 2020, Año 14, Vol. 32, Buenos Aires, Argentina | 260 páginas

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Reflexões contemporâneas sobre o Design de Interiores no Brasil

Emyle dos Santos Santos, Larissa Braga de Melo Fadigas y Victor Hugo Carvalho Santos (*)

Resumo: O Design de Interiores é um campo que envolve diferentes abordagens e metodologias no planejamento do espaço. Sua atuação é observada ao longo da história, contudo, o reconhecimento profissional ainda é recente, o que convida tais profissionais a se envolverem em ações que proporcionem maior visibilidade para a profissão. Este estudo, objetiva desenvolver uma reflexão acerca do Designer de Interiores na contemporaneidade. O método de levantamento utilizado é a revisão bibliográfica, subsidiando a apresentação de questões referentes a atuação, nomenclatura e atribuições profissionais e os reflexos da história da profissão na formação acadêmica e no reconhecimento do profissional.

Palavras chave: Design de interiores - decoração de interiores - história contemporânea - formação acadêmica - educação profissional.

[Resumos em espanhol e inglês e currículo em p. 109]

Actas de Diseño (2020, diciembre), Vol. 32, pp. 100-109. ISSSN 1850-2032. Fecha de recepción: julio 2014 Fecha de aceptación: enero 2016 Versión final: diciembre 2020

1. Aspectos históricos acerca da instalação do Design de Interiores no Brasil

O Design de Interiores é descrito por Gibbs (2013) como uma profissão relativamente nova em relação a outras áreas que tratam da espacialidade, como é o caso da arquitetura. Do ponto de vista histórico, ao longo dos anos, esta profissão foi exercida por arquitetos, artistas plásticos e mestres artesões, bem como por pessoas não especializadas, fato esse, que dificulta determinar as origens exatas desse profissional como o conhecemos hoje. No Brasil, o Design de Interiores começa a se destacar entre 1940 e 1950, porém, era um serviço destinado a poucos, apenas a elite tinha acesso ao trabalho dos decoradores, marcenarias personalizadas e antiquários. (Ribeiro, 2010). Sua constituição a partir de uma formação especializada, se inicia a partir da inauguração da primeira escola de Design de Interiores no Brasil, o IADE (Instituto de Artes e Decoração), sob a coordenação de Italo Bianchi, abre suas portas em 1949 em São Paulo.

Numa perspectiva mundial, os primeiros profissionais a serem intitulados Designers datam da primeira metade do século XIX, eles desenvolviam não exclusivamente padrões ornamentais para a indústria têxtil. Esse período histórico trata-se da Primeira Revolução Industrial, quando a sociedade experimentou de maneira sistemática a divisão de tarefas, que nas indústrias se refletiu na necessidade de “[...] estabelecer o Design como uma etapa específica do processo produtivo [...]” (Cardoso, 2000, p. 18). Esse novo cenário que se delineava naquele momento contava com as mudanças comportamentais das indústrias, associado a um grande crescimento urbano nunca visto, e a criação de uma classe assalariada que passou a ter poder aquisitivo. É nesse momento, com a ascensão de um mercado consumidor, que a profissão do Designer passou a atingir os mais variados setores da sociedade. Pode-se citar, entre os setores atingidos, a necessidade crescente por uma sinalização da cidade, já que era necessário um ordenamento geográfico devido ao aumento populacional, bem como a difusão dos meios impressos de comunicação como revistas e jornais, entrando em cena para cumprir essa função a figura do Designer Gráfico. Assim, o surgimento do profissional de Design está diretamente atrelado à transição do modo de produção Feudal ao surgimento da moderna sociedade capitalista. Nesse panorama surgem os primeiros movimentos dos Designers de Interiores, onde, A preocupação com a aparência –primeiramente, da própria pessoa e, por extensão, da moradia– como indicador do status individual, serviu de estímulo para a formação de códigos complexos de significação em termos de riqueza, estilo e acabamentos de materiais e objetos. Para atingir os padrões convencionados, fazia-se cada vez mais necessária a intervenção de um profissional voltado para esses aspectos do projeto (Cardoso, 2000, p. 57).

Contudo, demarca-se a história do Design de Interiores no Brasil, desde a chegada da Família Real no início do século 19, pois, com esta veio a necessidade do pensar os espaços internos para receber esses ilustres hóspedes mantendo os padrões e as ambientações europeias. No final do século 19, cerca de 1873, é inaugurado o Liceu de Artes e Ofícios na cidade de São Paulo, a partir desse momento se inicia a capacitação de mão de obra voltada para esta ambientação nos padrões europeus trazidos pelos imigrantes. O que antes era um ofício transmitido de pai para filho, agora passa a ser uma formação profissional (Dantas, 2015). O Liceu oferece os cursos de marcenaria, fundição artística entre outros. Estas formações se perpetuaram ao longo dos anos e o: Liceu fabricou peças de mobiliário como cadeiras, mesas, entre outras, que eram quase sempre uma réplica do que era produzido na Europa. Com o passar dos anos, porém, diversas especialidades foram sendo adicionadas à formação técnica, ampliando o campo de atuação do profissional, que não necessariamente iria trabalhar apenas na produção de peças de marcenaria (Santos, 2017, p. 22).

Entre os séculos 19 e 20 se inicia uma revolução no interior das moradias no Brasil, pois é o momento em que algumas instalações são inseridas a fim de modernizar os espaços. É nesse momento que aparece a luz elétrica e a água encanada, o que força uma reconfiguração dos espaços, contudo, ainda não existia a ideia de conforto atrelada aos ambientes. O início do século 20 marca este movimento das ambientações dos interiores mais consciente. O mobiliário é fabricado seguindo um modelo europeu, mas a matéria prima, no caso a madeira, é brasileira. Surgem diversas lojas de artigos decorativos, e marcenarias de destaque como a Laubish Hirth, que reivindicava o conceito de luxo e sofisticação europeia, as próprias peças de mobiliário vinham marcadas com um selo metálico que atestava a originalidade e nobreza da peça.

De acordo com Teixeira (2011), por volta dos anos 1920 surge um novo modo de morar no Brasil, que são os edifícios de apartamentos. Estes, de início não foram muito aprovados, pois faziam referência aos cortiços e outros amontoados de casas, mas, com a chegada dos anos 40, essa forma de morar torna-se mais comum e mais bem aceitas. (Veríssimo & Bittar, 1999 apud Teixeira, 2011). Com a ascensão desta modalidade, a figura do Designer de Interiores começa a ser vista como necessária para a adequação dos espaços internos, reduzidos em relação as casas, dando destaque a esta profissão não apenas pela sua visão estética, mas também funcional. Por volta de 1930 e 1950 o movimento moderno ganha território, influenciando diversos campos como as artes, arquitetura e por consequência o Design de Interiores. Um dos primeiros decoradores reconhecidos do Brasil, Henrique Liberal é o um dos grandes influenciadores neste período, destaca-se principalmente por seus projetos requintados e pela experiência construída a partir do convívio com Designers em Paris (Dantas, 2015). A identidade nacional no campo do Design vai se consolidando e diversos estilos vão surgindo sob referencias internacionais, como foi o caso do estilo pé de palito, bem como, o uso de materiais industrializados artificiais como plásticos, fórmica, concreto, começam a ser utilizados com maior frequência (Teixeira, 2011). Ribeiro destaca que:

Na década de 60, uma linguagem menos “Rococó” ou clássica, e mais coerente com a linha de pensamento modernista reinante na época, contribuem para o barateamento de móveis, objetos e projetos - ainda que alguns profissionais continuassem adotando uma linha clássica e luxuosa, voltados para a elite milionária do Rio de Janeiro e São Paulo. [...] Entre os anos 70 e 80 surge a valorização da identidade Brasileira em projetos como os de Janete Costa, nos quais objetos, materiais, artesanato e arte nacionais são amplamente utilizados. É quando surgem os primeiros cursos de formação específica da área. A primeira Casa Cor ocorreu na cidade de São Paulo em 1987, se estabelecendo rapidamente como a maior mostra de decoração do país e atraiu mais de 70 mil pessoas desde o início. Na década de 90 as importações trazem lojas como MiCasa e Montenapoleone ao Brasil8. E o Designer Philippe Starck transcende suas criações no início do século XXI através de grande exposição na mídia, gerando uma associação direta da sua personalidade às suas criações em Design – num processo que estabelece a sua assinatura como Marca (Ribeiro, 2010, p. 05).

Para Pessôa (2007), no Brasil, a origem do Designer está ligada ao desenho industrial e a comunicação visual, sendo introduzida no país por alguns europeus como John Graz (1891-1980), Giancarlo Palanti (1906-1977), Lina Bo Bardi (1914-1992) e Joaquim Tenreiro (1906-1992). A autora afirma que o desenvolvimento das atividades do Design ocorreu durante a modernização, entre as décadas de 50 e 60, porém o ensino só começou a se popularizar no país na década de 70. Na cidade de Salvador, a pioneira foi a Escola Baiana de Decoração (EBADE), criada em 1980 e, uma década depois, em 1991, a Escola de Belas Artes criando o curso Superior de Decoração.

Em 1980 nasce a ABD (Associação Brasileira de Design de Interiores) atrelada ao curso de IADE (Instituto de Artes e Decoração) (Dantas, 2015), órgão fundamental para o reconhecimento e regulamentação dos Designers de Interiores do Brasil, bem como precursor na busca pela delimitação do campo de atuação do Designer de Interiores. A partir de uma perspectiva internacional, Gibbs (2013) coloca que no decorrer do século XX, inicia-se o movimento de distanciamento entre o projeto arquitetônico e os ambientes internos. Assim, a autora descreve o Design de Interiores, como uma inovação vinda com o século XX.

Zmyslowski (2009) destaca como a atuação profissional dos decoradores foi modificada. Para a autora, a atuação passou a ser mais bem planejada, após análise do espaço, pois, o Decorador não tinha mais o papel de ornamentar, ele passou a atuar em busca de encontrar soluções para o espaço que satisfizessem as novas situações decorrentes desse processo industrial. Ela aponta que no Brasil, o profissional denominado como Decorador, passou a ser relacionado ao Design a partir do ano 2000, quando passou a ser chamado oficialmente de ‘Designer de Interiores’ pelo Congresso Nacional Brasileiro.

1.1. O Design de interiores e suas atribuições

Uma definição única do que seria o Design de Interiores é um tanto difícil devido a sua complexidade, pois, tanto o campo de seu conhecimento quanto as suas atribuições e ferramentas são diversas. Contudo, constantemente encontra-se entre as bibliografias a consideração desta área como oficio que lida diretamente na relação dos espaços físicos e ações humana que serão desempenhadas nestes, interferindo e interagindo com estes dois componentes através de ambientações. Higgins (2015) destaca a importância do Designer de Interiores e a sua possibilidade de criar interfaces entre as pessoas e as edificações. Para ele, apesar de ser uma atividade relacionada à arquitetura, é distinta desta, tanto pela sua escala de atuação, como pelo caráter de transformação dos ambientes (internos ou externos), com o objetivo de otimiza-los ou mesmo de permitir que sejam reinventados através do Design de Interiores, possibilitando-os a assumir novos conceitos e usos.

Nestas interfaces entre as pessoas e ambientes, o Designer de Interiores tem que considerar uma série de questões inerentes ao planejamento, como: condicionantes e limitações da edificação, necessidades do espaço e dos seus usuários, normas técnicas, a viabilidade executiva da proposta, entre outros fatores (Higgins, 2015). A respeito do profissional, Designer de Interiores e a abrangência de sua atuação, apresenta-se a definição trazida pela AND (Associação Nacional de Designers) apud Castro (2014, p. 106 e 107) para os quais, O Designer de Interiores é um profissional que estuda, projecta e orienta a execução de espaços domésticos, de lazer, comerciais, culturais, industriais, religiosos, desportivos ... –resumindo, todo e qualquer espaço–, de intervenções de preservação e requalificação de edificado, de equipamentos urbanos e objectos reportando-se à sua concepção formal e funcional e à sua integração harmoniosa com o meio circundante, à supressão de barreiras arquitectónicas ou outras assegurando a acessibilidade de todos os indivíduos, à defesa do meio ambiente e à segurança dos utilizadores. No contexto brasileiro, a definição acerca do profissional Designer de Interiores e suas atribuições é colocado pela Associação Brasileira de Design de Interiores [ABD] (2015), O Designer de Interiores é o profissional que atua numa atividade criativa e de caráter multidisciplinar dedicada ao planejamento da ocupação e do uso de espaços construídos ou não, de uso residencial, empresarial, institucional, industrial, misto ou efêmero, tendo o usuário como foco de projeto e considerando os aspectos funcionais, estéticos e simbólicos do contexto socioeconômico-cultural em que atua de modo a resultar em ambientes confortáveis e eficientes as demandas instituídas, contribuindo para o bem estar e a qualidade de vida dos seus usuários (Estatuto ABD, Art. 4º, 2015).

Diferente do que muitos costumam pensar acerca do Design de Interiores, este se trata de um campo de pesquisas e atuação ligadas ao projeto e ao planejamento consciente dos espaços, o que afasta a sua definição pelo senso como, como campo que trabalha exclusivamente com elementos de luxo e tendências da moda. Tal atuação se mostra cada vez mais necessária, sobretudo, devido a diminuição dos espaços e o aumento dos valores dos imóveis, assim, o planejamento consciente e profissional tem sido uma das opções para se obter conforto, funcionalidade e identidade nos espaços. Sua importância enquanto campo profissional se justifica ao refletirmos que, A maior parte do tempo, a maioria de nós vive dentro de uma casa, um apartamento ou um cômodo. Nós dormimos, comemos, tomamos banho e gastamos o tempo livre em casa - que significa dentro. [...] O Design de interiores, seja profissional ou não, é um aspecto da vida ao qual é impossível escapar (Pile, 2005, apud Teixeira, 2011, p. 12). Uma das principais funções do Designer de Interiores é interpretar as ideias e a personalidade de seus clientes, e, como Gibbs (2013) aponta, a partir de tal interpretação, criar ambientes apropriados para cumprir as funções que foram previstas. Logo, O fato de contratar um Designer de Interiores não significa que o cliente não tenha ideias próprias, pois, atualmente o público é muito mais informado e consciente do Design. No entanto, o Designer de Interiores é capacitado para interpretar as ideias do cliente, desenvolvendo-as para alcançar resultados viáveis e profissionais. O cliente pode achar um projeto de decoração maravilhoso nas páginas de uma revista, mas que dificilmente funcionará se for apenas reproduzido em uma edificação com características arquitetônicas e iluminação natural diferentes (Gibbs, 2013, p. 45).

Gibbs (2013) assegura, que, é essencial ao Designer de Interiores a capacidade de compreender certas necessidades, a partir da empatia entre o Designer e as necessidades físicas e psíquicas do cliente, mesmo que estas não sejam explicitadas de forma clara pelo mesmo, pois, dessa compreensão depende o bom resultado do projeto. Corroborando com esta mesma ideia, Norman cita que, [...] descobrir as verdadeiras necessidades que mesmo as pessoas que as têm ainda não conseguem formular nem manifestar. [...] Como a maioria das pessoas não tem consciência de suas verdadeiras necessidades, descobri-las exige observações cuidadosas em seu ambiente natural. O observador treinado pode identificar dificuldades e soluções que mesmo a pessoa que as experimenta não reconhece conscientemente. Mas, uma vez que o problema foi apontado, é fácil saber quando se acertou o alvo (Norman, 2008, p. 97). Para tanto, a etapa de briefing contida no processo metodológico pode ser norteadora nos direcionamentos das ações a serem tomadas em cada etapa projetual, onde é feita uma análise profunda do ambiente, como uma espécie de diagnóstico, destacando os aspectos físicos, bem como, os desejos dos usuários e as atividades a serem realizadas no espaço. Assim, é pensado o programa de necessidades que se deseja atender com o projeto e são traçadas as estratégias para tal. Segundo Gubert, (2011, p. 29), “Design de Interiores segue uma metodologia sistemática e coordenada, incluindo pesquisa, análise e integração dos conhecimentos no processo criativo, em que as necessidades e recursos do cliente sejam satisfeitos para produzir um espaço interior que cumpra as metas do projeto”.

O Design de Interiores é uma disciplina distinta de praticamente todas as outras do Design, pois o interior está sujeito a uma situação a mais, a subordinação a uma construção, que por sua vez, está inserido num contexto. O que torna a preexistência uma questão primordial no processo de Design. Outros tipos de Design, como Design Gráfico, Moda etc., devem considerar a função, as qualidades estéticas e a estrutura de uma peça. O Designer de interiores, também leva tais aspectos em consideração, contudo, precisa considerar o lugar onde aquele ‘interior’ habita, pois, este pode vir a gerar significados e também valor e consequências a uma situação (Brooker & Stone, 2014). Da mesma forma, Teixeira entende que, [...] o Design dos interiores dos edifícios tem uma natureza muito diversa do Design de produtos e do Design Gráfico, porque seu produto são espaços ou ambientes. Esses sem dúvida apresentam uma diversidade muito maior de funções, formas, escalas, materiais e informações do que aqueles gerados pelo Design de Produto e Gráfico. Apesar de os espaços incluírem produtos, objetos e elementos gráficos em sua composição, sua natureza não é definida exclusivamente por eles, mas pela interação de todos os elementos entre si, com a estrutura construída e, principalmente, com os usuários. [...] Assim o trabalho do Designer de Interiores é previamente delimitado por uma moldura configurada pela Arquitetura, e a natureza do espaço arquitetônico é parte intrínseca da configuração dos espaços internos projetados pelo Designer (Teixeira, 2011, p. 18-19).

Os espaços planejados pelo Designer de Interiores devem atender tanto no sentido prático, suprindo as necessidades decorrentes das atividades realizadas no referido espaço, quanto no sentido estético e funcional, trazendo conforto e bem-estar aos seus usuários. Entretanto, atingir tal patamar é uma atividade complexa, uma vez que se tratam de conceitos que variam de acordo com cada indivíduo. Uma das estratégias metodológicas no desenvolvimento de projetos de Design de Interiores parte-se da formulação de um conceito que deverá nortear o projeto, tanto na composição das formas e distribuição dos elementos móveis e fixos, como na escolha das condicionantes de conforto. Segundo Gibbs (2013), o programa de necessidades e os demais dados colhidos com o cliente podem servir como ponto de partida para a criação de um conceito, isso irá variar de acordo com os fatores limitantes do projeto e com a criatividade do Designer. Nesta etapa, podem ser desenvolvidos painéis imagéticos a fim de demonstrar de forma clara ao cliente a atmosfera proposta para o projeto. Os painéis imagéticos buscam traduzir, a partir de imagens, os principais conceitos do projeto. Podem ser utilizados diversos painéis para explicar as interpretações tidas com base nos dados coletados, Santos e Hernandez (2016) sugerem 4 painéis principais: arquetípico, semântico, conceitual e de coordenação. Devem ser observados no desenvolvimento do projeto os princípios de ordem e Design, que se referem ao dimensionamento humano, a escala e a proporção, nesse caso em relação ao ambiente, sem esquecer do equilíbrio, ritmo e repetição, harmonia, unidade, contraste, simetria e assimetria, ênfase, focos visuais e variedade.

Cabe ao Designer de Interiores, como um dos responsáveis por intermediar as relações que ocorrem dentro do ambiente, estar atento para com os sentidos dos usuários do espaço que irá projetar, criando soluções que contribuam no entendimento dos ambientes como confortáveis e habitáveis. Nesse sentido, cabe ao Designer cuidar para que o contato entre o homem e o espaço ocorra da maneira mais satisfatória possível, pois, como ressalta Okamoto (1997), o homem possui uma consciência reflexiva e a capacidade de autoconhecimento, graças ao qual, consegue se adaptar ao meio ambiente, isso inclui, dar-lhe sentido, pensar, planejar e agir. E, embora inteligente e racional, o homem se apoia nas sensações de prazer e desprazer, assim como, nas observações e julgamentos advindos da visão, do olfato, da audição, do tato, do paladar e de uma série infinita de fontes de informação que servem como guias para ações em relação ao ambiente.

Por essa perspectiva, entende-se que tudo que se faz, acaba refletindo no homem, portanto, é fundamental criar padrões que irão ligar os usuários com as criações físicas do entorno, pois, os espaços construídos são compostos por aspectos tangíveis, como por exemplo a estrutura física (paredes, piso, teto e móveis) e os aspectos intangíveis, trata-se do lugar configurado a partir da experiência dos usuários ali transitam. Assim, suas vivencias diárias, móveis e objetos inseridos conferem, a esse ambiente, status de abrigo, de relacionamentos e emoções. Neste invólucro, as pessoas passam a atribuir significados diversos a esse espaço.

Assim, Okamoto (1997, p. 190) defende, “precisam-se de ambientes que permitam extravasar os sentimentos, as emoções, pois não é possível continuarmos tão alienados no meio em que vivemos, sentir-nos encurralados, enfurnados na nossa mente, em espaços anódinos”. A partir de tal perspectiva, entende-se a importância das emoções, tornando-se fundamental contemplar os sentidos dos usuários ao projetar ambientes, uma vez que, das emoções geradas através do contato com o ambiente, dependem o seu bem-estar. Norman (2004) coloca a emoção como um componente valioso na vida diária, a utilidade e a usabilidade dos produtos e espaços são importantes, mas, sem diversão e prazer, alegria e entusiasmo, até mesmo ansiedade e medo, a vida seria incompleta. As emoções afetam a forma como um indivíduo pensa, se sente e se comporta. Sem emoções a capacidade de tomar decisões ficaria prejudicada, pois, a emoção está sempre fazendo julgamentos de valores, apresentando informações sobre como interpretar o mundo, os perigos potenciais e as vantagens.

Tuan (1983) afirma que não é necessariamente preciso uma forma arquitetônica para que haja essa compreensão do espaço, porém, para ele, é através do meio ambiente construído que se definem as funções sociais e as relações, pois, as pessoas sabem melhor quem elas são e como devem se comportar quando o meio ambiente é planejado pelo homem e não quando o ambiente é a própria natureza. Dentro desse contexto, ampliado o entendimento de espaço e ambiente, acrescenta-se o papel do Design de interiores em agregar valor ao espaço e facilitar o entendimento e as atividades humanas realizadas dentro dos ambientes, proporcionando a construção de significação, reconhecimento do espaço e a identificação do comportamento e interação social esperada em tal ambiente.

1.2. Acerca das nomenclaturas: Design de Interiores, Design de Ambientes, Decoração e Arquitetura

Decorrente da recente inserção do Design de Interiores entre os campos do conhecimento no Brasil, acontecem alguns equívocos no que diz respeito a nomenclatura dos profissionais da área. Os termos mais comumente utilizados na identificação são, Decorador, Arquiteto e Designer de Interiores. Algumas vezes, todos esses termos estão, erroneamente, se referindo ao mesmo profissional, ou pelo menos, ao exercício das mesmas atividades. Nesse sentido, faz-se necessário uma breve reflexão acerca da nomenclatura e das atribuições dos diferentes profissionais responsáveis por ambientações, planejamento e composições visuais dos espaços.

Para Brooker e Stone (2014) o termo Design de Interiores é bastante adotado na descrição de todo e qualquer tipo de projetos de interiores, de decoração à reforma. Goubert (2011) afirma que tal confusão acontece algumas vezes decorrente da literatura onde, comumente se traduz Interior Design como ‘Arquitetura de Interiores’. A autora menciona como exemplo, um livro popular entre os alunos de arquitetura e Design de Interiores, que tem como título em sua versão original em inglês Interior Design Ilustrated e na versão traduzida se chama ‘A arquitetura ilustrada’ de Francis D.K. Ching e Corky Binggeli, 2005. Ribeiro (2010) também coloca outros dois pontos que contribuem para a falta de clareza acerca da nomenclatura no campo de Design de Interiores, segundo ela, a ABD anteriormente teve outros nomes, inclusive o que perdurou até 2001, ‘Associação Brasileira de Arquitetos de Interiores e Decoradores’. Assim, ressalta o fato de até pouco tempo atrás o termo Design de Interiores não constava na nomenclatura da associação profissional destes. O outro ponto levantado por Ribeiro (2010), é o fato de não haver um nome padrão para os cursos de graduação em Design de Interiores no Brasil, em cada estado existe um nome diferente do outro e que muitas vezes não deixa claro qual a área e o enfoque do curso. Assim, a ausência de consenso sobre a nomenclatura pouco fortalece o curso no meio acadêmico e profissional. Para Zmyslowski, [...] O Designer de Interiores, ao longo de todo o processo de seu desenvolvimento profissional, esteve algumas vezes atrelado a alguma outra atividade. Por exemplo, no seu surgimento, a partir da década de 50, era confundido com a atividade do decorador, talvez por ter se originado das necessidades que a Decoração não solucionava. À medida que foi ganhando importância e foi atuando em diversos espaços, o Designer de Interiores passou a ser atrelado a outra atividade mais complexa, que é do Arquiteto (Zmyslowski, 2009, p. 27).

Graças a essa interligação das áreas de intervenção espacial no passado, ainda hoje, muitos se referem ao profissional ‘Designer de Interiores’ como ‘decorador’. É identificado, na fala de Hofstra (2008), alguns dos motivos pelos quais os profissionais de Design de Interiores não se sentem representados pelo termo decorador. Ele aponta também alguns dos motivos pelos quais existem associações do temo Decorador com atividades relacionadas a venda e montagem de ornamentação de ambientes. Assim, sobre o termo ‘Decorador de Interiores’ Hofstra afirma, Esta é a designação amplamente utilizada e compreendida atualmente pelo público em geral. O título, que ganhou popularidade no final do século XIX e início do século XX, é aplicado ao grande grupo de Designers especialistas em reunir vários estilos tradicionais em interiores (Colonial, Louis XIV, XV ou XVI, Tudor, da Geórgia, ou mesmo “modernista”, por exemplo) e a imitação tornou-se popular. O termo tem foco nos aspectos decorativo, ornamentais e portáteis de projeto de interiores, cor, mobiliário, tapetes/carpetes, cortinas, detalhes fixos de molduras, painéis e pequenos elementos similares que podem ser introduzidos em um espaço existente, com relativa facilidade.

Muitos decoradores também atuam na área de comércio de elementos utilizados em interiores, comprando e revendendo mobiliários e tapetes, bem como, mediando contratação de qualquer coisa que seja necessária para dar acabamento ao projeto. Esta prática acima mencionada coloca em foco o status do decorador como um profissional independente, diminuindo a ênfase no trabalho estilístico tradicional, tendendo o termo a assumir algumas implicações pejorativas para o trabalho comercial. Na melhor das hipóteses, um decorador pode produzir um trabalho de qualidade superior, mas decoradores autodenominados, que podem ser simplesmente empreiteiros de pinturas ou vendedores em lojas de cortinas, têm desencorajado outros profissionais a usar o termo. Atualmente, os decoradores, em sua maioria, preferem ser chamados de Designers de interiores, embora seja mais correto reservar esse termo para um trabalho abordado de uma forma um pouco diferente (Hofstra, 2008, p. 24- 25, tradução nossa).

Decorrente desta e de outras confusões, entende-se como necessário definir os termos que mais se destacam na literatura, são eles, a decoração, o Design de Interiores e a arquitetura. Para Brooker e Stone (2014), a Decoração de Interiores engloba a ação de decorar espaços, sejam eles cômodos ou ambientes, objetivando transmitir uma identidade característica que se relacione bem com a arquitetura existente. Tal campo de atuação está relacionado com padrões de superfícies, ornamentos, mobiliários, acessórios, iluminação e materiais. Já o Design de Interiores é uma atividade que une uma série de disciplinas. Sua atuação pode envolver projetos de caráter efêmero, projetos de interiores para varejo, exposições, residências, ambientes de trabalho, entretenimento, eventos, branding, cenários e áreas hospitalares. A abordagem do Designer de Interiores envolve a criação de ambientes a fim de associar o clima e a identidade proposta através da manipulação dos volumes, mobiliário e tratamento das superfícies. Em geral, estes projetos demandam poucas ou nenhuma mudança estrutural, embora haja exceções. Dessa forma, o espaço é mantido em seu estado estrutural original, e o novo interior é nele inserido (Brooker & Stone, 2014).

A Arquitetura de Interiores está voltada tanto para a construção de um novo espaço, como, para a remodelagem das construções, espaços e estruturas existentes. Também está apto para a reutilização de construções e princípios organizacionais no espaço através da linguagem arquitetônica. Essa abordagem acaba conectando tanto as práticas do Design de Interiores como da Arquitetura, e com frequência, inclui problemas complexos estruturais, ambientais e técnicos. Como fica evidente através desta descrição, se tratam de três áreas distintas, cada uma com suas características próprias, mas, ainda assim, interligadas, pois tem grande conexão na interação sobre o espaço existente. Sua diferenciação estaria na magnitude de mudanças no espaço (Brooker & Stone, 2014). Ademais, contemporaneamente vem surgindo o termo Design de Ambientes, pois as atribuições dos Designers de interiores vêm transbordando o espaço interno e sendo requisitado em espaços externos ou híbridos (internos e externos), ampliando a área de atuação dos profissionais, a partir de abordagens transversais que se conectam a áreas como o Urbanismo e o Paisagismo.

2. Formação acadêmica e profissionalizante

Como mencionado anteriormente, a formação acadêmica no campo do Design de Interiores acontece com certo atraso no Brasil, estas ocorrências descendem do reconhecimento desta área como oficio importante na concepção de um espaço adequado para suas necessidades, bem como, advém das dificuldades estruturadoras que as instituições encontram na criação de uma proposta pedagógica que contemple o ensino das matérias necessária para o exercício deste oficio. Niemeyer (1998) e Cardoso (2013) ao levantarem questões acerca das origens do ensino do Design no Brasil, situam o início dessa prática por volta da década de 50, com a fundação do Museu de Arte de São Paulo (MASP), e através de iniciativas de parceria pública e privada, a fim de fomentar atividades ligadas a cultura. Foi também no MASP que as atividades do Design passaram a ser sistematicamente tratadas e onde surge o IAC, Instituto de Arte Contemporânea, considerado a semente do ensino do Design de nível superior no Brasil.

Para Cardoso (2013) o ensino do Design em nível superior no Brasil surgiu mais com um cunho ideológico do que com cunho pedagógico, logo, estava mais atento a consagração de um estilo e um movimento do que as circunstâncias de vida econômica, social e cultural do país. Assim, o autor traz o fato de a geração fundadora de professores não possuía experiência didática nem prática profissional, fora raras exceções.

Como já mencionado, o ensino voltado para o Design de Interiores no Brasil se inicia de forma mais concreta a partir da criação do Instituto de Artes Decorativas (IADE), porém o Instituto enfrentou problemas na concretização da formação dentro da modalidade de graduação, principalmente pela nomenclatura escolhida (Arquitetura de Interiores) que foi rapidamente desaprovada pela proximidade com a Arquitetura, sendo assim, o curso assume a modalidade de curso técnico para dar continuidade de suas atividade.

Os reflexos desta posição encontram reverberações até hoje, nota-se que a maioria dos cursos nesta área, no Brasil, são de nível técnico. Esta previsão já tinha sido feita por um dos professores Marcio Colaferro (2005), que em entrevista comenta a falha do IADE em não se firmar como graduação em Design de Interiores e focar no curso técnico de Decoração, O erro foi que, ao invés de virar um curso de Design, que teria sido o primeiro de São Paulo, e buscar transformar num curso universitário, na época já tinha a ESDI, no Rio de Janeiro, que era o único no Brasil. Então seria o primeiro em São Paulo, que é o lugar para se ter um curso de Design. [...] O erro foi reduzir o de decoração, decoração sempre foi um curso de Design, entendeu. Eu sou Designer porque eu fiz esse curso. A Cássia Klawa é uma Designer porque fez esse curso, a Adriana Adam é uma Designer porque fez este curso. Todos nós fizemos este curso, que foi reduzido a um ano. Aí foi o erro. Eles acreditaram que estavam fazendo uma grande novidade, não é...e acho que o erro é da Izabel, do Emílio, do Michiro, que foram...e os arquitetos...eu saí do comando, eu só me interessava pelo curso que eu fazia, entendeu...que era decoração. Colegial eu nunca me interessei muito, eu não quis saber de dar aulas, nada. Eu achava que meu lado era outro, eu era um Designer e brigavam... eu lembro de discussões com o Eddy, por exemplo, como é que tinha que chamar...criou-se uma associação de desenho industrial. Eu falei: eu não acho que tenha que se chamar desenho industrial, nunca achei. Não é. Eu não faço desenho industrial, eu faço Design. Pode ser desenho industrial, mas pode não ser. Pode ser até arte, se eu quiser. Então é um Design artístico, sabe. Era uma coisa mais ampla o que eu imaginava e houve uma redução. O iadê, acho que foi nisso que se perdeu muito (Colaferro, 2005, s/p).

O Design de Interiores é visto por muitas pessoas como uma atividade superficial, que tangem as esferas dos gostos e do luxo. Porém a teoria e a prática dele estão evoluindo como disciplinas acadêmicas independentes, que vão além das preocupações estéticas, geralmente representadas em programas de transformação da TV. (Brooker & Stone, 2014). Como reflexo do desejo em se firmar enquanto área do saber, observa-se o crescente o número de possibilidades de formação em Design de Interiores, em variados níveis, viabilizando diferentes formações para o estudante, que escolhe sua opção de acordo com seu perfil e necessidade. De acordo com o Ministério da Educação [MEC], atualmente as possibilidades existentes são:

•Curso Superior em nível de Bacharelado, com 2.400 horas no mínimo (BRASIL, 2003), o que em geral inclui um currículo mais amplo, com disciplinas teóricas e algumas práticas;

•Superior Tecnológico com 1.600 horas no mínimo (MEC, 2010), este formato é relativamente recente, possibilitando uma formação totalmente voltada para a prática da profissão, com algumas disciplinas teóricas e muitas aulas práticas. Graças ao seu formato mais compacto, o discente sai com formação em nível superior em um tempo mais curto;

•Curso Técnico com 800 horas no mínimo (MEC, 2016). Esta formação é totalmente voltada para a prática da profissão e com o tempo mais curto. Segundo a ABD em 2008 já existiam cerca de 50 mil profissionais atuando como Designers de Interiores no país, movimentando algo em torno de R$40 bilhões por ano em produtos e serviços (Morais, Bernardes & Van Der Linden, 2015). Tais dados são baseados apenas nos profissionais associados à ABD, sem contar os que atuam na área sem o credenciamento a associação. Outro número que se destaca é a quantidade de estados brasileiros com instituições de ensino em Design de Interiores. Em 2015, de acordo com os dados do MEC, eram são 21 estados mais o Distrito Federal com instituições de ensino fornecendo o curso de Design de Interiores, somando assim, 133 cursos de Design de Interiores, dos quais, 123 instituições são destinadas a formação por curso técnico, 7 correspondem a cursos de Bacharelado e 3 instituições com curso sequencial. No que diz respeito a formação em nível de pós-graduação, Latu Sensu e Stricto Sensu, observa-se também um crescente número de cursos em Design de Interiores. Em 2015 eram 21 estados mais o Distrito Federal, que disponibilizam cursos Lato Sensu. Quanto a estes cursos, salienta-se o fato de que os cursos de especializações em Design de Interiores já possuem maior quantidade do que os cursos de especialização em arquitetura de interiores (Morais, Bernardes & Van Der Linden, 2015).

Quanto a distribuição dos Programas de Pós-Graduação, apenas 10 unidades federativas possuem pós-graduação no formato Stricto Sensu. Dentre estes, 56% são mestrados, 33% são doutorados e 11% são mestrados profissionalizantes. A distribuição dos cursos é de 41% na região Sudeste, 37% na região Sul, 18% na região Nordeste e 4% na região Centro Oeste. O estado brasileiro com maior número de programas é São Paulo, possuindo 3 doutorados e 3 mestrados. Observa-se que há apenas 3 mestrados profissionalizantes no Brasil, que ficam em Pernambuco, Rio Grande do Norte e em Santa Catarina (Centro Brasil Design, 2014).

Houve um atraso em relação à implementação de um programa de pós-graduação em Design no Brasil, que só ocorreu 32 anos depois da criação do primeiro curso de graduação em Design. Nesse intervalo de tempo, os profissionais recorreram a outros cursos de pós graduação – em áreas do conhecimento afins – que pudessem atender a essa demanda. (Centro Brasil Design, 2014). Dessa forma, muitas das pesquisas desenvolvidas no campo do Design de Interiores não se encontram vinculadas a programas de pós-graduação de Design.

Entende-se que esse aumento da quantidade de cursos de Design, sobretudo, dos cursos de Design de Interiores, significa um avanço para a profissão, expandindo sua visibilidade e reconhecendo a importância da formação acadêmica para a atuação profissional. Para Cardoso (2013) a pulverização desses cursos em várias regiões do país, a diversificação dos tipos de Design e a implantação de cursos de pós-graduações na área sinalizam conquistas muito significativas nesse campo de ensino, e aponta também para um maior amadurecimento do ensino do Design no Brasil. Outro aspecto da formação distribuída pelas regiões do país, é a possibilidade de proporcionar a formação de profissionais mais aptos a conhecer as especificidades de mercado de sua região.

A disseminação do ensino do Design proporciona a segmentação do ensino e a descoberta de novas possibilidades e vertentes. Além de fomentar a necessidade de continuidade dos estudos e o processo reflexivo que são gerados através dos cursos de pós-graduação. Cardoso (2013) coloca um desafio futuro para a área de Design como um todo, que é superar o anti-intelectualismo que mantém o Design como uma área de menor credibilidade acadêmica, sem perder suas características específicas, integrando projeto e pesquisa.

3. Desafios e competências esperadas para o Designer de Interiores contemporâneos

Como colocado por Cardoso (2013), se faz necessário como um dos principais desafios do campo do Design, estabelecer uma tradição cientifica e o fomento a publicações consistentes no que diz respeito a prática, a inovação e pensamento crítico sobre o pensar em Design. Porém, uma situação que se perpetua ainda hoje, é a não consideração do Design de interiores em grande parte das publicações acerca do grande campo do Design. O que, de certa forma, deixa o Design de Interiores de fora dos estudos, não sendo considerado como umas das ramificações do Design, associando-o muitas vezes, apenas ao campo da arquitetura. A maior parte das publicações sobre história, teoria e crítica do Design no Brasil, acabam pontuando apenas a perspectiva do Design Gráfico ou de produto. Entende-se assim, que esse desafio é ainda mais urgente na vertente do Design de Interiores, que muitas vezes fica a margem da academia, não sendo um assunto abordado largamente em nível de pós-graduação e outras publicações cientificas. Porém, vale ressaltar que o Design de Interiores no Brasil é uma profissão jovem e em constante expansão. Portanto, se encontra em processo de construção de uma tradição acadêmica, repensando o ensino e se colocando frente a questões complexas da sua profissão, propondo discussões e embates teóricos. O que explica a existência de uma série de lacunas nas pesquisas acadêmicas.

Nesse sentido, importa também valorizar o pensamento e o processo reflexivo em Design de Interiores e não apenas a sua prática atuante no mercado, visando, através dessa valorização, avançar ainda mais em nível acadêmico, com pesquisa e publicações na área, destacando o ponto de vista deste profissional sobre o cenário contemporâneo, seu posicionamento crítico e propositivo sobre as questões em voga na sociedade. Também é necessário prever a reformulação das matrizes curriculares dos cursos de graduação, para que estas estejam alinhado com as novas demandas, contemplando disciplinas de gestão de projetos, sustentabilidade, etc., além de buscar chegar a um consenso sobre nome que o curso deve adotar nacionalmente, conferindo um caráter de unidade maior. Niemeyer (2014) destaca o papel social do Designer e seu potencial transformador na sociedade. Para ela, cabe ao Designer, seja com projetos profissionais ou pesquisa acadêmica, produzir cultura, difundir valores e mudar a materialidade do entorno. Pois, o clima intelectual e cultural atual, requer novas diretrizes para agir e estar no mundo, assim, o fazer em Design passa a ter outros compromissos além daqueles centrados na produção em série. Niemeyer (2014, p. 42), ressalta a importância do intelectualismo na área, pois, “Intelectuais têm uma importante missão a cumprir: a partir da percepção sensível do cenário presente, propor novos encaminhamentos”.

Moura (2014) entende que é através da observação da realidade que nos circunda do cotidiano e suas inconstâncias, a forma como tudo isso interfere no homem, é que é possível traçar o panorama do Design deste tempo, pois tudo isso vai interferir na concepção, projetação e criação no campo do design. Destacam-se também os impactos do Design na sociedade e refletir em que tipos de valores se desejam expressar com o Design que está sendo produzido no presente. Finalizando, Cardoso aponta para a importância de interdisciplinaridade em Design, pois para ele, O Design tende ao infinito – ou seja, a dialogar em algum nível com quase todos os outros campos do conhecimento. Em seu sentido mais elevado e ambicioso, o Design deve ser concebido como um campo ampliado que se abre para diversas outras áreas, algumas mais próximas, outras mais distantes. [...] A grande importância do Design reside, hoje, precisamente em sua capacidade de construir pontes e forjar relações num mundo cada vez mais esfacelado pela especialização e fragmentação de saberes (Cardoso, 2013, p. 234).

Apesar da crescente atuação em projetos de Design de Interiores, é perceptível a necessidade de representatividade profissional, pois, os que se destacam como referências nesse campo geralmente pertencem a dois grupos, ou são profissionais formados em outras áreas e atuam a muito tempo em Design de Interiores, tendo seu fazer profissional validade por sua larga experiência, ou são profissionais que possuem produção no campo do Design de Mobiliário, área que possui uma aproximação com o Design de Interiores, porém, não o representa em sua totalidade, tão pouco, o projetar móveis pode ser considerada com uma expressão profissional do Designer de Interiores. Essa situação transmite a sensação de que não existe produção profissional relevante em projetos de Design de Interiores empreendida por profissionais com formação na área. Contudo, há de se considerar que a profissão ainda está em ascensão no Brasil, o que possivelmente, ainda não possibilitou o afastamento necessário para a reflexão sobre os ícones com produção mais representativa nesse campo do saber. Outro aspecto do âmbito profissional, é que, apesar da recente regulamentação profissional do Design de Interiores no Brasil, uma conquista alcançada com muita luta, ainda é necessária uma organização maior da classe para a criação de um conselho, a fim de fiscalizar a atuação profissional e estabelecer parâmetros e normativas para a atuação.

Para Cardoso (2013), o desafio contemporâneo mais importante é projetar pensando em todo o ciclo de vida do artefato, sobretudo, em seu pós-uso. No mesmo sentido, Brown e Farrelly (2014) acrescentam as seguintes necessidade no fazer em Design de interiores. Primeiramente, uma postura ética, com escolhas conscientes dos impactos sobre o bem-estar das pessoas, animais e meio ambiente. Uma postura investigativa, estando sempre atentos aos novos materiais e seus impactos, seus processos de fabricação e as novas tecnologias de manufatura que otimizem os recursos e finalmente, uma postura inovadora, pensando em soluções criativas frente as limitações materiais.

Outro desafio apresentado por Cardoso (2013) é o projetar pensando em todo o ciclo de vida do artefato, sobretudo, em seu pós-uso. No mesmo sentido, Brown e Farrelly (2014) acrescentam as seguintes necessidade no fazer em Design de Interiores. Primeiramente, uma postura ética, com escolhas conscientes dos impactos sobre o bem-estar das pessoas, animais e meio ambiente. Uma postura investigativa, estando sempre atentos aos novos materiais e seus impactos, seus processos de fabricação e as novas tecnologias de manufatura que otimizem os recursos e finalmente, uma postura inovadora, pensando em soluções criativas frente as limitações materiais. Niemeyer (2014), ressalta a necessidade de o Designer ter consciência de suas atividades e seu compromisso para com o suprimento das necessidades humanas, utilizando para isso as suas competências, criatividade e métodos. Este deve ser sensível as prioridades sociais e culturais, além do seu compromisso ético com os usuários, sua identidade cultural e os recursos naturais do planeta.

4. Considerações finais

Entende-se que o desenvolvimento de trabalhos onde se propõe refletir sobre os temas no âmbito do Design de Interiores, contribuem de forma geral para uma maior visibilidade da profissão e para a inserção do seu ponto de vista acerca de diversos temas, que embora já tenham sido discutidos, geralmente falta pontuar a perspectiva do Designer de interiores. Essas iniciativas acadêmicas, também contribuem para a diminuição do anti-intelectualismo relacionado ao campo do Design como um todo. Compreendemos, que este é um caminho árduo devido a história de surgimento do oficio, das áreas que são transversais a este e das dificuldades enfrentas na estruturação dos cursos nesta área, no entanto, demonstra-se que todos estes fatores ao passo que se mostram obstáculos, favorecem o florescimento de uma área complexa que tem muito a contribuir, tanto na abordagem teórica, quanto na prática. Cabe ao Designer de Interiores, se estabelecer cada vez mais como um profissional sério que trabalha com as necessidades humanas e encontrar seu espaço e representatividade com propostas palpáveis e de notável importância, não apenas ligada as tendências de mercado ou atreladas ao luxo.

No mundo, a experiência da vida humana se desenrola principalmente em ambientes, o que reforça a necessidade de esses serem pensados e discutidos em todas as áreas do conhecimento que interveem sobre os espaços, incluindo o Design de interiores. Entendendo as diferentes configurações dos espaços como reflexo da sociedade e do modo de morar de cada período, o Designer de interiores poderá estar sempre atento as mudanças e apto para dialogar com as necessidades propostas.

Esse trabalho se torna relevante por abordar tanto a retrospectiva histórica do campo do Design, com ênfase no Design de Interiores, com o objetivo de tentar se aproximar dessa história e poder compreender certas práticas e pensamentos que se perpetuam na profissão, como também, por trazer a discussão para o momento contemporâneo, abordando temas vigentes na atualidade, a fim de propor reflexões sobre os avanços da profissão e assim poder traçar as metas e os novos desafios a serem alcançados pelo Designer de Interiores.

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Resumen: El Diseño de Interiores es un campo que envuelve diferentes abordajes y metodologías en la planificación del espacio. Su actuación se puede observar a lo largo de la historia, sin embargo, el reconocimiento profesional es reciente, lo que invita a todos los profesionales a que se involucren en acciones que proporcionen una mayor visibilidad de la profesión. Este estudio se propone desarrollar una reflexión acerca del diseñador de interiores en la contemporaneidad. El método de análisis utilizado es la revisión bibliográfica, presentando cuestiones referentes al desempeño, nomenclatura y atribuciones profesionales y los reflejos de la historia de la profesión en la formación académica y en el reconocimiento del profesional interiorista.

Palabras clave: Diseño de interiores - decoración de interiores - historia contemporánea - formación académica - educación profesional.

Abstract: Interior Design is a field that involves different approaches and methodologies in space planning. His performance can be observed throughout history, however, professional recognition is recent, which invites all professionals to be involved in actions that provide greater visibility of the profession. This study aims to develop a reflection about the interior designer in contemporary times. The method of analysis used is the literature review, presenting issues related to performance, nomenclature and professional attributions and reflections of the history of the profession in academic training and in the recognition of the interior professional.

Keywords: Interior design - interior decoration - contemporary history - academic training - professional education.

(*) Emyle dos Santos Santos. Possui graduação em Curso Superior de Decoração pela Universidade Federal da Bahia (2011). Mestra em Artes Visuais (2015) na linha de pesquisa: Arte e Design: história, processos e teoria pela Escola de Belas Artes da UFBA. Atualmente cursa doutorado no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da EBA/UFBA e atua como docente no Curso Superior de Decoração da EBA/UFBA. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Design de Ambientes, atuando principalmente nos seguintes temas: cor, Design de Ambientes, Design Hospitalar e Artes Visuais. É associada da ABDEH (Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar). Larissa Braga de Melo Fadigas. Possui graduação em Curso Superior de Decoração pela Universidade Federal da Bahia (2008). Mestra em Artes Visuais (2016) na linha de pesquisa: Arte e Design: história, processos e teoria pela Escola de Belas Artes da UFBA. Atua como docente no Curso Superior de Decoração da EBA/ UFBA. Tem experiência na área de Design de Interiores, Design Emocional e Iluminação de Ambientes, visando os aspectos subjetivos do usuário. Victor Hugo Carvalho Santos. Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Salvador (2012) com parte do curso realizado na Universidade de Granada - Espanha (2010-2011). Especialista em Design de Ambientes pelo Instituto de Pós-Graduação - IPOG (2016). Mestre em de Artes Visuais (2017) na linha de pesquisa: Arte e Design: história, processos e teoria pela EBA/UFBA. Atuou como professor convidado do Instituto de Pós-Graduação e Graduação - IPOG. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Design de Interiores e Metodologias no processo criativo em Design de Interiores.


Reflexões contemporâneas sobre o Design de Interiores no Brasil fue publicado de la página 100 a página109 en Actas de Diseño Nº 32

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