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Referência de hoje, identidade de amanhã: de formando a designer

Alexandre Farbiarz, Luciana dos Santos Claro França, Jackeline Lima Farbiarz

Actas de Diseño - N° 36

Actas de Diseño - N° 36

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/

XVI Semana Internacional de Diseño en Palermo Foro de Escuelas de Diseño • Comunicaciones Académicas EDICIÓN ESPECIAL XI Congreso [Virtual] Latinoamericano de Enseñanza del Diseño 2020

Diciembre 2021 . Año 16 . Nº36 - Buenos Aires, Argentina | 414 páginas

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Resumo: A pesquisa levantou como os futuros designers percebem o design contemporâneo e qual(is) a(s) possível(is) identidade(s) do design no Brasil. Para tanto, levantamos suas percepções sobre o design, as principais personagens que os inspiram e sua atuação no futuro. Tais percepções são gestadas durante sua formação acadêmica, sendo relevante para entendermos quem estamos formando e repensarmos o currículo dos cursos de design. A partir dos discursos dos alunos e de suas referências teóricas, percebemos que a compreensão do design no Brasil é influenciada por países referência em design, em especial Estados Unidos, comprometendo a constituição de uma identidade nacional e/ou regional.

Palavras chave: identidade - formandos - discurso - Design - Brasil


A partir de nossas experiências como alunos, professores e profissionais da área, nos questionamos: quando saímos da faculdade, como percebemos nosso campo de atuação? Quem são os designers que nos inspiram? Quais são os possíveis rumos que tomaremos durante o exercício da profissão? Como os futuros designers conceituam o design na contemporaneidade? Acreditamos que as percepções do formando e futuro designer impactam diretamente na percepção da sociedade sobre a importância (ou não) da nossa profissão e delineiam seu perfil no país.

As conceituações de autores sobre o Design são inúmeras, como demonstram os exemplos a seguir: “(...) esta atividade objetiva a configuração de objetos de uso e sistemas de informação” (Bomfim, 1994, p. 19); “Design é o processo de pensamento compreendendo a criação de uma entidade” (Miller, 2004, p. 1); “(...) curso de ação visando transformar situações existentes em outras preferidas” (Simon, 1984, p. 132); O design é uma atividade criativa cujo objetivo é estabelecer as qualidades multifacetadas de objetos, processos, serviços e os seus sistemas nos seus ciclos de vida. Por isso, o design é o fator central de uma inovadora humanização de tecnologias e o fator crucial da troca cultural e econômica (ICSID, 2017). Estudiosos como Harvey (2001), Lipovetsky (2004), Bauman (2001), Elias (1994), Castells (1999) e Canclini (2008), no que tange à sociedade, e Bomfim (1994), ICSID (2007), Simon (1984), Miller (2004), Couto (1997), Flusser (2007) e Sol (2009), compõem um panorama sobre a sociedade e o Design na contemporaneidade, servindo de base para a nossa pesquisa.

Os indivíduos estabelecem sua identidade diante dos seus pares por meio do que possuem/consomem, sendo esses itens de consumo sua representação para o mundo. Há uma constante mudança, adaptação e transformação dessa identidade para que se possa ser aceito. Assim, a partir de seus discursos e referências teóricas, acreditamos ser possível perceber a influência de países de referência em Design em sua formação.

Neste sentido, o objetivo de nossa pesquisa foi compreender quais as percepções do formando sobre seu campo de estudo e atuação. Para tanto, levantamos suas percepções sobre o design, as principais personagens que os inspiram e sua atuação no futuro. Realizamos uma pesquisa qualitativa/interpretativa com alunos formandos (último período) de cursos superiores de Design no Brasil, por meio de formulário online. Para a análise de dados, a ferramenta escolhida foi a Análise do Discurso Francesa (Maingueneau, 1997), buscando desvelar as ideologias inscritas nas falas dos alunos.

Para selecionar os discursos a serem analisados, utilizamos a Análise de Conteúdo (Bardin, 1979) por meio da plataforma Wordsift, criada pelo corpo docente da Universidade de Stanford. Tomamos esta opção tendo em vista que, por meio dessa análise, pudemos realizar um levantamento quantitativo relativo à repetição/recorrência de termos na fala dos locutores, percebendo direcionamentos da fala e possíveis similaridades entre a fala dos diferentes interlocutores.

Tais percepções são gestadas durante sua formação acadêmica, sendo relevante para entendermos quem estamos formando e repensarmos o currículo dos cursos de design. A partir dos discursos dos alunos e de suas referências teóricas, percebemos que a compreensão do design no Brasil é influenciada por países referência em design, em especial Estados Unidos, comprometendo a constituição de uma identidade nacional e/ou regional.

Há uma visão predominante do design voltado para a produção em larga escala, na confecção de produtos e na grande ênfase no profissional, no executor do design.

No Brasil, a constituição dos cursos de Design ocorreu pela busca de uma melhor produção industrial. Há uma grande demanda por produtos com caráter nacional, mas também uma crítica crescente sobre como o design é pensado. Na PUC-Rio, por exemplo, passa-se a falar em design social e em um fazer design voltado para a sociedade e sua transformação; e não apenas para suprir demandas por mais produtos. Isso se reflete também na atualidade, quando o design apresenta novas conceituações, mais relacionadas ao perfil britânico, entendendo o design como um serviço.

Por meio do questionário online aos alunos do corpus da pesquisa foi possível obter suas percepções sobre o design. Também levantamos o discurso das instituições, buscando traçar um paralelo entre a fala dos alunos e seu “local de origem/formação”. A análise de discurso nos permitiu desvelar ideologias inscritas nas falas dos participantes e identificar que os discursos institucionais são, em sua maioria, um reflexo da formação discursiva a partir do modelo de universidade norte-americana. A preocupação constante em atender demandas por produtos e fazê-los de forma eficiente e eficaz, atendendo a clientes/usuários, deixa claro um design voltado para o mercado e não para a sociedade. Mesmo na PUC-Rio, onde busca-se estabelecer um design social voltado para as reais necessidades da sociedade, pela ressignificação dos sujeitos e de seus olhares, pudemos desvelar a formação discursiva norte-americana na fala dos alunos. O design ainda é percebido e relacionado à produção e à supressão de demandas de usuários por mais produtos, que estabelecerão suas identidades na sociedade.

Assim, podemos inferir que os designers formados na contemporaneidade têm seu olhar focado na produção e no mercado, não por não terem acesso a outras percepções, mas sim porque o campo de trabalho e as instituições de ensino delimitam esses olhares. Temos uma forte reprodução de conceitos e idéias preexistentes. Assim, parecemos ser urgente buscarmos novos olhares, novas formas de apresentar o design para os alunos dentro de nossas instituições, valorizando nossas características regionais e culturais, para que possamos, de fato, constituir um design nacional, uma identidade nacional do design.

Referências Bibliográficas

Bardin, L. (1979). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.

Bauman, Z. (2001) Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar.

Bomfim, G.A. (1994). “Sobre a possibilidade de uma teoria do design”. Estudos em Design, Rio de Janeiro, v. 2, n. 2, p. 15-22, nov.

Canclini, N. García. (2008). Consumidores e cidadãos. 7 ed., Rio de Janeiro: Editora UFRJ.

Castells, M. (1999). O poder da identidade. São Paulo: Paz e Terra.

Couto, Rita Maria de Souza. (1997). Movimento interdisciplinar de designers brasileiros em busca de educação avançada. 1997. 246p. Tese (Doutorado em Educação) – Departamento de Educação, Pontifícia Universidade Católica, Rio de Janeiro.

Elias, N. (1994). A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Zahar.

Flusser, V. (2007). O mundo codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify.

Harvey, D. (2001). A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Loyola.

International Council Of Societies Of Industrial Design (ICSID). (2017). “Definition of design”. [20?] Disponível em: http://wdo. org/. Acesso em: 5 set.

Lipovetsky, G. (2004). “Os tempos modernos: tempo contra tempo, ou a sociedade hipermoderna”. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/17062062/Os-Tempos-Hipermodernos-GillesLipovetsky#scribd. Acesso em: 16 jul. 2013.

Maingueneau, D. (1997). Novas tendências em análise do discurso. 3. ed., São Paulo: Pontes.

Miller, W. R. (2004). “Definition of design”. Disponível em: http://static.userland.com/rack4/gems/wrmdesign/DefinitionOfDesign1. doc. Acesso em: 15 ago. 2007.

Simon, H. (1984). The sciences of the artificial. Cambridge: MIT.

Sol, Gabriel Simon. (2009).+ de 100 definiciones de diseño. Cidade do México: UAM – Universidad Autónoma Metropolitana.


Resumen: La investigación planteó cómo los futuros diseñadores perciben el diseño contemporáneo y cuál es la posible identidad del diseño en Brasil. Para ello, elevamos sus percepciones sobre el diseño, los personajes principales que los inspiran y su actuación en el futuro. Tales percepciones se manejan durante su formación académica, siendo relevantes para que entendamos a quiénes estamos formando y repensemos el currículo de los cursos de diseño. A partir de los discursos de los estudiantes y sus referencias teóricas, nos damos cuenta de que la comprensión del diseño en Brasil está influenciada por los países de referencia en diseño, especialmente los Estados Unidos, comprometiendo la constitución de una identidad nacional y/o regional.

Palabras clave: identidad - estudiantes - discurso - diseño - Brasil

Abstract: The research raised how future designers perceive contemporary design and what is the possible design identity(s) in Brazil. To do so, we raised their perceptions about design, the main characters that inspire them and their performance in the future. Such perceptions are managed during their academic formation, being relevant for us to understand who we are forming and rethink the curriculum of design courses. From the students’ speeches and their theoretical references, we realize that the understanding of design in Brazil is influenced by reference countries in design, especially the United States, compromising the constitution of a national and/ or regional identity.

Keywords: identity - students - speech - Design - Brazil


Alexandre Farbiarz: Doutor e Mestre em Design (PUC-Rio/Brasil); Mestre em Educação e Linguagem (USP/Brasil); professor Do Curso de Jornalismo (UFF/Brasil); professor do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano (UFF/Brasil); Coordenador do grupo de pesquisas Educação para as Mídias em Comunicação (educ@mídias. com) (PPGMC/UFF), e do Design na Leitura de Sujeitos e Suportes em Interação (DeSSIn) (PPG Design/PUC-Rio). Pesquisa em Comunicação, Design e Educação, com ênfase em relações discursivas, mídias, jogos e ensino-aprendizagem; atuando principalmente nos seguintes temas: Educação Crítica para as Mídias, Mídia-Educação, Literacia Midiática, Educomunicação, Educação a Distância, Jogos e Educação, Gamificação, Comunicação Visual, Discurso e Linguagem. Jackeline Lima Farbiarz: Doutora em Design pela PUC-Rio. Tese selecionada no 32º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira (2018). Professora da Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense. Atua como formadora em cursos oferecidos pela FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e no projeto Leitores Sem Fronteiras/ ICE. Pesquisadora do Laboratório Linguagem, Interação e Construção de Sentidos/Design, da PUC-Rio, onde supervisiona o eixo temático Design para Educação Multimodal: Design em Parceria/Participativo e Letramento Midiático. Luciana dos Santos Claro França: Doutora em Design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde também obteve seu mestrado e bacharelado com habilitação em Comunicação Visual. Foi professora assistente na Associação Carioca de Ensino Superior (Unicarioca). Atua principalmente nos seguintes temas: Design e Educação, objetos de ensino-aprendizagem, semiótica, livro infantil, ilustração, cor e imagem.


Referência de hoje, identidade de amanhã: de formando a designer fue publicado de la página 69 a página71 en Actas de Diseño - N° 36

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