Estudiantes Internacionales Estudiantes Internacionales en la Universidad de Palermo Reuniones informativas MyUP
Universidad de Palermo - Buenos Aires, Argentina

Facultad de Diseño y Comunicación Inscripción Solicitud de información

  1. Diseño y Comunicación >
  2. Publicaciones DC >
  3. Actas de Diseño - N° 36 >
  4. O mundo de Anna Sui

O mundo de Anna Sui

Ana Beatriz Pereira de Andrade, Ana Maria Rebello Magalhães, Henrique Perazzi de Aquino, Paula Rebello Magalhães de Oliveira

Actas de Diseño - N° 36

Actas de Diseño - N° 36

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/

XVI Semana Internacional de Diseño en Palermo Foro de Escuelas de Diseño • Comunicaciones Académicas EDICIÓN ESPECIAL XI Congreso [Virtual] Latinoamericano de Enseñanza del Diseño 2020

Diciembre 2021 . Año 16 . Nº36 - Buenos Aires, Argentina | 414 páginas

descargar PDF ver índice de la publicación

Ver todos los libros de la publicación

compartir en Facebook


Licencia Creative Commons Esta obra está bajo una Licencia Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0 Internacional

Resumo: No início de 2020, o Museu de Artes e Design (MAD) de Nova Iorque exibiu a mostra ‘O Mundo de Anna Sui’. Distribuída ao longo de três andares, para além das mini passarelas com manequins apresentando os resultados da obra, coloca em cena inspirações e processos criativos compostos por mapas mentais, que constroem etapas do projeto da designer de moda. O recorte se dá com base arquetípica, tal como proposto pela designer. Os estilos Mod, Punk, Grunge, Rockstar, Hippie, Schoolgirl, Americana, Surfer, Nomad, Victorian, Retro, Androgyny e Fairytale são ênfases na proposta de passear em um ‘mundo’ cultural e têxtil.

Palavras Chave: Design - Moda - Contemporaneidade


1 – Pano de fundo

Reconhecida como um ícone na Moda contemporânea, Anna Sui transita desde os anos 70 por diversas áreas das Artes e do Design. A intenção é a de apresentar e propor reflexões acerca de contribuições que podem ser consideradas atemporais. Ao longo da carreira, construindo referências, sobretudo europeias, os resultados transcendem eras ou não estabelecem pertencimento a nenhuma era. Alguns momentos icônicos na Moda europeia foram marcantes no início da carreira de Anna Sui. O considerado vintage não a identifica. A identidade da designer está além de retrô, emulação, recriação, ou mesmo de um ‘falso modernismo’. Mistura de passado, presente e futuro, assim a definem os parceiros e curadores. É considerada pela crítica como uma designer europeia, mais do que norte-americana, por gostar de contar histórias sobre sua criação. Cria fantasias com ideais românticos, mas de forma pragmática. Não tem dúvidas sobre sua obsessão pela música, e todas as coleções são marcadas pelo rock and roll. Os desfiles se assemelham a um show da MTV. As coleções apresentam base arquetípica, tal como definido pela designer. Anna Sui desenha narrativas lendárias. O olhar de Anna para os arquétipos pretendem criar beleza. Diz-se que quando perguntadas em que loja vintage tinham comprado o vestido e a resposta das clientes regulares é: “É um vestido de Anna Sui”.

2 – Estilos

Transita, com um ‘toque pessoal’, pela história da arte e moda, ‘mixando’ livros, música, cinema e fotografia. Os estilos Mod, Punk, Grunge, Rockstar, Hippie, Schoolgirl, Americana, Surfer, Nomad, Victorian, Retro, Androgyny e Fairytale revelam ênfases em uma proposta de ‘passear’ em um ‘mundo’ cultural e têxtil.

Mod

As inspirações para o estilo Mod, coleção apresentada no outono de 1995, tem origem em Detroit e ouvindo A Hard Day’s Night. O desfile foi nas ruas e apresenta resultados híbridos. Traz ainda como referências os desfiles de Marc Jacobs e materiais que adquire na feira de rua Portobello Road. Karen Kinnick desenha ilustrações para camisetas inspiradas em The Beatles e nos Rolling Stones. Anna Sui declara que os anos 50 na Inglaterra a inspiram mais do que o mesmo período nos EUA. Ainda, que ‘sempre tem um pouco de mod nos mood boards em todas as coleções’. Na década de 70, Anna Sui acompanhava os projetos de Manolo Blahnik e de Mary Janes em Nova Iorque. Paralelamente as coleções de Claude Montana e Thierry Mugler em Paris. Frequentava o CBGB (Country, Bluegrass and Blues), bar que recebia os grupos musicais punk iniciando o movimento estético e musical.

Punk/Grunge

Em 1977, hospedada em um hotel, encontrou Sid Vicious que estava no quarto em frente. A amizade com Sid e Nancy foi decisiva para pensar o desenvolvimento do estilo Punk Anna Sui.

A primeira coleção Punk apresentada em 1994 partiu de estudos de jaquetas em cor prata e não preta. Na segunda, Anna se inspirou no Segundo Império e na Revolução Francesa. A designer considera ter desenvolvido um vocabulário Punk com beleza, otimismo e um código singular para os vestidos.

No período a moda era dinâmica. A virada dos 80 para os 90 foi marcada pelo excesso. O maximalismo excessivo resultou em fechamento das grandes magazines e desemprego das ‘supermodels’. Os designers de moda e estilistas buscaram soluções em projetos de acessórios. Ressalta-se a retomada dos jeans e batas com inspirações vintage.

A música Grunge, ‘bandas de garagem’, representava a alternativa ‘dark’ frente aos outrora grandes estádios. Anna Sui define a coleção Grunge como idiossincrasia híbrida com pitadas de psicodelismo. Redesign ou releitura de Kurt Cobain que amava os Beatles e a banda Nirvana.

Rockstar

A designer caminha na direção de David Bowie com traços coloridos em tons de preto, branco, vermelho acrescentando rosas. Inspirações nas jaquetas de Jimmy Hendrix contando estórias.

Hippie

Anna Sui não foi ao Woodstock que aconteceu após uma semana dos assassinatos de Manson. Considera o Hippie mais do que um estilo, uma atitude. Estampas, texturas, cores compondo um cenário que encerra inocência.

Schoolgirl

Ao se deparar com os figurinos desenhados por Yves Saint Laurent para Catherine Deneuve em Belle de Jour, imaginou uniformes. Uma perversa associação no contexto de um filme sobre fantasia sexual, com associações fetichistas. Traçou redes desde o Punk, com pureza, com a cultura Pop, desenhando caminhos de um olhar otimista.

Americana

Uma norte-americana de subúrbio que recusa os conceitos de mass media ao mesmo tempo em que incentiva a indústria local. Uma garota de ´chão de fábrica’ que acentua traços de Andy Warhol propondo estética monocromática, composta por elementos provenientes de elementos familiares com otimismo e romance. Em cena, jovens boêmios, cowboys, índios, pioneiros e soldados. Celebração da ingenuidade americana, não para uma mulher original, mas para as pessoas que vem depois.

Surfer

Os opostos se atraem. A Bela gosta da Fera. Califórnia era uma fantasia quando Anna Sui era criança. Os filmes pareciam terríveis, os atores vestidos como nos anos 30, até mesmo o sol parecia falso. Desenhou um storyboard a partir de uma tribo em imagens serigrafadas.

Nomad

Anna Sui sempre foi impactada pela revista Life e por referências da Enciclopédia Britânica. Eslavos, asiáticos, índios americanos saindo da fantasia. A moda trabalhada com tribalismo, incorporando elementos viscerais. Desenhou para culturas nômades, considerando o artesanato. Fica claro o fascínio pelo povo cigano, como forma de fortalecer identidade. Uma forma de viajar ao fim do mundo.

Victorian

Tudo é possível na Moda! Em um leilão de figurinos de Nijinsky, inspirou-se para propor uma extravagância artística. Redesenhou uma Belle Époque rica, porém decadente. Considerou o estilo arquitetônico de casas vitorianas como tesouros do Império trazido das colônias. A coleção primavera 2014, apresentou cores provindas do Art Nouveau, com pinceladas em chiffon e jacquard metálicos.

Retro

Em Paris, década de 70, falava em humor, decadência e subversão. Desenhou singularidades a partir de Liza Minelli em Cabaret, Mick Jagger, Jimmy Page e Marisa Berenson. Um momento de sonho e obsessão por Moda

Androgyny

Até pensar neste estilo Anna nunca tinha incluído homens nas coleções. Considerou a Androginia como uma constante no Rock. Partiu de Elvis, Hendrix e Bowie. Os moodboards apresentam os cabelos molhados, a maquiagem nos olhos, lamê, veludo e botas altas a la Iggy Pop. Atores representando menino e menina de forma perigosamente positiva. Gênero e identidade em cena na contemporaneidade. A Moda e o Rock em ambiguidade. Território sombrio entre gêneros quando as histórias mentem.

Fairytale

Contar estórias. Assim Anna Sui se auto define. Passeia por lendas que envolvem o Leão, a Bruxa, Dragões, Fadas e o guarda-roupas. Ressalta a mágica da Moda. No Outono de 1998, momento de estética minimalista, apresenta coleção ‘folclórica’ e plena de contradições. Doce e escura. A princesa Kate Middleton desfilou Anna Sui em tour oficial demonstrando o ‘poder ilimitado da princesa’.

3 – Trajetória

A trajetória de Anna Sui é singular. Revela determinação e transmite esperança. Mesmo com percalços, obteve reconhecimento internacional. A construção do ‘Mundo de Anna Sui’ parte de aspectos singulares de vivências pessoais. Vivências fixadas na psique de uma criança tornaram-se referências visuais para o desenvolvimento de projetos em Design. Embora com início de carreira conturbado. Vendeu sua primeira peça em 1981 e, logo teve encomendas das lojas de departamentos nova-iorquinas Macy´s e Bloomingdale’s. Reconhece, em sua trajetória, os bons amigos que ‘apostaram’ em seus modelos como Lenny Kravitz e Madonna. Formou uma equipe fiel que, com muito trabalho, contribuíram com a diversificação de produtos.

Nascida em Detroit, Michigan, aos quatro anos de idade ela comentava que seria designer de moda, mas isso aconteceu a partir da leitura de um artigo publicado na revista LIFE, durante sua graduação na Parson’s School of Design em Nova Iorque. Mudou-se para Paris quando Elizabeth Taylor e Richard Burton abriram uma boutique, e foi quando encontrou a chave mágica para a profissão. No outono de 1990, estava em Paris para acompanhar os desfiles de alta costura. A caminho da apresentação de Gaultier acompanhada de um amigo fotógrafo, pararam no Hotel Ritz para pegar Madonna. A suíte da cantora estava repleta de sacolas com grifes de diversos designers franceses. Madonna saiu usando um casaco. Quando chegou ao desfile anunciou que tinha uma surpresa para Anna. Estava usando um vestido estilo babydoll preto assinado por Anna o que representou um momento decisivo na carreira da designer. Cabe aqui ressaltar o papel da cantora na trajetória de diversos designers de moda cujas propostas se relacionam com música.

Os vestidos são o ponto forte nas coleções de Anna Sui. Um momento que marcou a carreira da designer foi um desfile nas ruas de vestidos baby-doll protagonizado pelas ‘top models’ Naomi Campbell, Kate Moss e Linda Evangelista.

4 – Um olhar singular

Ressalta-se ainda a atuação de Anna Sui no campo do Design Social. Em 1996, em parceria com a General Motors, engajou-se em campanhas sociais de conscientização acerca do câncer de mama, desenhando vestidos para leilões. Na Fashion Week de 2008, engajou-se na luta pela revitalização do Distrito de Garment, local em Manhattan que concentra a indústria da Moda. No mesmo ano, após ataques em Mumbai, antiga Bombaim, também disponibiliza produtos para leilão destinado a organização de direitos civis Cidadãos pela Justiça e Paz. Em 2010, em parceria com grandes empresas, participou, com edição limitada, de evento beneficente em prol da World Wildlife Foundation direcionado para a restauração florestal da Malásia. Atualmente, Anna Sui é uma grife que projeta cosméticos, bolsas, sapatos, dentre outros acessórios para além de vestimentas. Os estilos que pertencem a este ‘mundo’ propõem possibilidades para a percepção da presença da intimidade pessoal de uma designer refletida em resultados contemporâneos cuja visibilidade faz-se necessária para um constante repensar das relações entre Moda, Arte e Design.

Referências

Blanks, Tim (2017). The World of Anna Sui. New York City: Abrams. Bolton, A.; Sui, A.; Chen, E.; Rocero, G.; Gumpert, L. (2015). Asian American Life (Video). New York City: City University Television (CUNY-TV).

Bolton, A. (2010). Anna Sui. San Francisco: Chronicle Books.

Heller, S. (2015) Design the Life you Love. Berkeley: Tem Speed Press.

Sui, A. (2010a). Flight of Fancy Journal. New York: Chronicle Books.

_____. (2010b). Anna Sui Calico Cabaret Journal. New York: Chronicle Books.

_____. (2011). Fashion Idea Book. New York: Chronicle Books.


Abstract: In the early 2020, the Museum of Arts and Design (MAD) in New York City opened the exhibition ‘The World of Anna Sui’. Spread over three stories, besides the mini runways with mannequins dressed with the results of her work, it puts on stage inspirations and creative processes composed of mind maps, which build the project steps of the fashion designer. Such cut is based on archetypes, as proposed by the designer. The Mod, Punk, Grunge, Rockstar, Hippie, Schoolgirl, Americana, Surfer, Nomad, Victorian, Retro, Androgyny, and Fairytale styles are emphases of the proposal of strolling in a cultural and textile ‘world’.

Key words: Design - Fashion - Contemporaneity

Resumen: Al inicio del 2020, el Museo de Artes y Diseño (MAD) de Nueva York exhibió la muestra ‘El Mundo de Anna Sui’. Distribuida a lo largo de tres pisos, más allá de las mini pasarelas con maniquíes presentando los resultados de la obra, trae a la escena inspiraciones y procesos creativos compuestos por mapas mentales, que construyen las etapas del proyecto de la diseñadora de moda. El recorte se da con base arquetípica, tal como propuesto por la diseñadora. Los estilos Mod, Punk, Grunge, Rockstar, Hippie, Schoolgirl, Americana, Surfer, Nomad, Victorian, Retro, Androgyny y Fairytale son énfasis en la propuesta de pasear en un ‘mundo’ cultural y textil.

Palabras clave: Diseño - Moda - Contemporaneidad


Ana Beatriz Pereira de Andrade: Designer e Professora (FAAC/UNESP). Doutora em Psicologia Social (UERJ), Mestre em Comunicação e Cultura (UFRJ) e Bacharel em Comunicação Visual (PUC-Rio). Pertence a comitês editoriais e científicos, a fóruns acadêmico-científicos nacionais e internacionais. Colaboradora do Grupo de Pesquisa em Design Contemporâneo: sistemas, objetos e cultura (UNESP/CNPq). Na Universidade de Palermo é Embajadora del Diseño Latinoamericano, foi reconhecida por Trajetória Acadêmica e Profissional, e coordena Seminarios Avanzados Internacionales – Brasil. Membro do Comité Latino Americano de Posgrado, das Asociaciones Latinoamericanas de Carreras de Diseño, do Foro de Escuelas de Diseño e do Comité Externo de Evaluación do Programa de Investigación y Desarrollo en Diseño. email: anabiaandrade@ openlink.com.br. Ana Maria Rebello Magalhães: Doutora em História - PPGH/UERJ (2011), Mestre em História da Arte/Antropologia da Arte na Pós Graduação em Artes Visuais, EBA/UFRJ (1990). Bacharel em Comunicação Visual - EBA/UFRJ (1982). É pesquisadora colaboradora do Laboratório de Estudos de Imigração: Labimi - UERJ. Ministrou aulas, como docente convidada, na disciplina Deontologia do Design - Mestrado Profissional em Design - UFRN (2013 e 2014). Tem experiência em docência e pesquisa em Artes Visuais, com ênfase em História da Arte e História do Design. Parecerista, membro de comitês científicos em fóruns nacionais e internacionais. email: anarebel2@ yahoo.com.br. Henrique Perazzi de Aquino: Mestre em Comunicação FAAC/UNESP. Graduado e Licenciado em História – Universidade do Sagrado Coração – USC (1988). Jornalista e historiador. email: mafuadohpa@gmail.com. Paula Rebello Magalhães de Oliveira: Doutora em Psicologia Social – UERJ (2016), Mestre em Ciência, em Saúde Pública - FIOCRUZ (2002), Especialista em Saúde Mental - FIOCRUZ (1999). Bacharel em Psicologia, Licenciada em Psicologia e Formação de Psicólogo - UERJ (1997). Professora do Curso de Psicologia - UNIVERSO – RJ e da UNIABEU. Investiga relações humanas mediadas por tecnologias da informação, em especial, processos comunicacionais e recursos interativos envolvidos no uso de redes sociais para o relacionamento amoroso. Possui experiência em Psicologia Clínica, Recursos Humanos, Educação e Pesquisa, atuou principalmente com os seguintes temas: subjetividade, cultura, processos grupais, percepção, criatividade, propaganda e consumo.


O mundo de Anna Sui fue publicado de la página 74 a página77 en Actas de Diseño - N° 36

ver detalle e índice del libro