Estudiantes Internacionales Estudiantes Internacionales en la Universidad de Palermo Reuniones informativas MyUP
Universidad de Palermo - Buenos Aires, Argentina

Facultad de Diseño y Comunicación Inscripción Solicitud de información

  1. Diseño y Comunicación >
  2. Publicaciones DC >
  3. Actas de Diseño - N° 36 >
  4. Ensino de design e de comunicação em tempos de pandemia

Ensino de design e de comunicação em tempos de pandemia

Barbara Jane Necyk, Luiz Agner

Actas de Diseño - N° 36

Actas de Diseño - N° 36

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/

XVI Semana Internacional de Diseño en Palermo Foro de Escuelas de Diseño • Comunicaciones Académicas EDICIÓN ESPECIAL XI Congreso [Virtual] Latinoamericano de Enseñanza del Diseño 2020

Diciembre 2021 . Año 16 . Nº36 - Buenos Aires, Argentina | 414 páginas

descargar PDF ver índice de la publicación

Ver todos los libros de la publicación

compartir en Facebook


Licencia Creative Commons Esta obra está bajo una Licencia Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0 Internacional

Resumo: Este artigo trata dos processos de adaptação e flexibilização das dinâmicas pedagógicas de disciplinas da graduação dos cursos de Design e de Comunicação no âmbito de universidades particulares brasileiras em meio à pandemia do COVID-19, no primeiro semestre de 2020. Em questão de semanas, professores do ensino superior tiveram que adaptar suas dinâmicas de aula para o meio online por conta do isolamento social. O novo formato de aula em videoconferência foi sendo testado na medida em que o curso acontecia. O texto examina como alguns princípios da educação a distância funcionaram em um contexto sem um planejamento prévio.

Palavras chave: educação à distância - interação - tecnologia digital - tecnologia educacional - universidade


Introdução: a crise do coronavírus e a educação superior

O ano de 2020 foi marcado por uma pandemia mundial da COVID-19 associada ao novo coronavírus (SARS-CoV2) sem precedentes na história recente. Mediante as orientações da Organização Mundial da Saúde, a população de diversos países foi orientada a permanecer em isolamento doméstico para que o contágio com o vírus fosse evitado. A grave epidemia na China e posteriormente em alguns países da Europa demonstrou que o isolamento social era imperativo para conter a pandemia, dentre outras medidas. No Brasil, além dos óbitos por COVID-19, houve grande preocupação com o colapso dos sistemas de saúde como um todo. É neste contexto que as aulas presenciais da graduação foram suspensas no final da segunda semana de março de 2020.

Na medida em que uma mudança de formato de aula não foi planejada, todo o corpo da universidade privada, alunos, professores, supervisores de curso, coordenadores de curso, laboratoristas, pessoal administrativo tiveram que se esforçar para dar conta desta nova realidade. Diferentemente do ensino público, o ensino privado gerou em um curto período de tempo um novo calendário de aulas para o período de quarentena.

No Brasil, as universidades se dividem em públicas, federais ou estaduais, ou privadas. As informações do censo da educação superior, coletadas em 2.537 instituições, apontam que 2.238 eram privadas. Neste grupo, estão matriculados 75% dos estudantes de ensino superior, aproximadamente 6,3 milhões de alunos (MEC, 2020).

Diversas universidades públicas, em um primeiro momento da quarentena, optaram por não dar continuidade às aulas da graduação no formato de aula remota.

A tradição de interações em EAD

A EAD (Educação a distância) recebe denominações diferentes em diversos países, como estudo em casa, estudo independente, telensino, ensino a distância, dentre outras. Maia e Mattar (2008) definem a EAD como uma modalidade de educação em que professores e alunos estão separados, planejada por instituições, e que utiliza diversas tecnologias de comunicação. Quanto à separação no espaço, a filosofia da EAD pressupõe que o aprendizado não deve ocorrer apenas na sala de aula tradicional. Quanto à separação no tempo, a EAD possibilita a manipulação do tempo e do espaço a favor da educação. O aluno estuda onde, e quando quiser ou puder, de acordo com o seu tempo e sua disponibilidade para estudar (Maia e Mattar, 2008). Além disso, os autores defendem que a EAD é uma modalidade de ensino e aprendizagem que precisa ter o apoio de uma instituição de ensino credenciada pelo Ministério da Educação, Brasil. Ademais, visando a superar a distância entre alunos e professores, no tempo e no espaço, a EAD utiliza-se de diversas ferramentas tecnológicas de comunicação. A EAD pode, portanto, envolver qualquer tipo de tecnologia, com o objetivo de mediar a relação entre alunos e professores, conteúdos e instituições.

Michael Moore (apud Maia e Mattar, 2008), influente pesquisador da EAD, nos apresenta o conceito de distância transacional, para refletir a distância física e temporal na EAD, que cria um novo espaço pedagógico e psicológico, que a distingue da educação presencial. O autor nos aponta três variáveis pedagógicas para refletir a distância transacional: a interação aluno-professores, a estrutura dos programas e o grau de autonomia do aluno.

Segundo Mattar (2008), existe uma longa tradição que inter-relaciona educação e interação em EAD. O autor relembra Moore (apud Mattar, 2008) que descreveu três tipos de interação: aluno/professor, aluno/aluno e aluno/ conteúdo. Por outro lado, quatro tipos de interação são categorizadas por Filatro (apud Muniz, Agner e Coelho, 2016) para os processos de ensino-aprendizagem: interações com conteúdos; interações com ferramentas; interações com o educador; interações com os colegas de estudo. Estas quatro categorias apresentadas serão utilizadas como base de análise das experiências nas duas graduações a serem relatadas.

PUC-Rio e a educação digital

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, é uma instituição comunitária de Educação Superior de caráter filantrópico e sem fins lucrativos. A produção e a propagação do saber a partir das atividades de ensino, pesquisa e extensão são objetivos da instituição (PUC-Rio, 2020). Desde 1941, a PUC-Rio vem atuando em diversas áreas do conhecimento que na contemporaneidade são divididas na forma de centros e departamentos. Os cursos de bacharelado em Comunicação Visual, Projeto de Produto, Moda e Mídia Digital são oferecidos pelo Departamento de Artes e Design.

Em meados de março de 2020 as atividades letivas foram interrompidas para que o corpo da universidade se mobilizasse no sentido de se reorganizar para as demandas de um ensino remoto. Professores e alunos tiveram um grande apoio da Coordenação Central de Educação à Distância (CCEAD) na forma de treinamentos e atendimento, além de suporte pontual de professores do Departamento de Artes e Design. A Coordenação Central de Educação à Distância desenvolve uma série de iniciativas na área do ensino a distância como a disciplina obrigatória para todos os alunos da graduação da PUC-Rio, Introdução à Filosofia (produzida em 2015). Apesar de a PUC-Rio contar com um ambiente virtual de aprendizagem institucionalizado (baseado em Moodle), desde o início da quarentena os professores tiveram a liberdade de escolher qualquer meio de aplicação das disciplinas no formato de educação digital, como chamado pela instituição. O retorno às aulas no formato não-presencial no dia 23 de março foi anunciado com diversas opções, plataformas oficiais da PUC-Rio e outras plataformas.

Por ser usuária do pacote institucional G Suite, a professora Barbara Necyk optou por manter a utilização do pacote que inclui os aplicativos Drive, Classroom e Meet. A conjunção do pacote parecer oferecer uma série de vantagens que superam a vantagem de um único aplicativo como por exemplo o Zoom. Após duas semanas de aulas presenciais, os planejamentos das disciplinas tiveram que ser refeitos, pois uma correlação direta entre o que era realizado presencialmente não seria possível na educação digital. As formas de avaliação também tiveram que ser redesenhadas na medida em que atividades síncronas obrigatórias se mostraram problemáticas. A professora Barbara Necyk ministrou as disciplinas de Cultura Moderna e Contemporânea, Linguagem e Comunicação Visual, Introdução a Gráfica e História do Design 1 (a professora assumiu a disciplina no meio do semestre).

Quanto à interação com conteúdos, a professora observou que a grande maioria dos alunos não teve problema. Os conteúdos foram disponibilizados no Google Classroom da turma (arquivos pdf na área do mural ou atividades), Google Drive (arquivos pdf) ou vídeos no YouTube. Em função do fato de atender alunos do primeiro período, a professora achou necessário produzir alguns vídeos explicativos sobre o uso dos softwares Adobe Photoshop e Adobe Illustrator e do aplicativo CamScanner. Alguns alunos da turma de Introdução a Gráfica relataram que os vídeos cumpriram com a sua função explicativa das técnicas de captura de imagem, edição e também de orientação sobre o exercício. Esta foi a primeira vez em que a professora produziu vídeos. Para tal, foram utilizados a gravação do Google Meet, a edição no Imovie e a distribuição em streaming no Youtube. Posteriormente, outros vídeos foram gravados para a turma de História do Design 1.

Quanto à interação com as ferramentas, a professora também avaliou que a experiência foi essencialmente positiva. Os alunos assimilaram rapidamente o uso do Google Meet na sua função de videoconferência. Os alunos interagiram por voz e também por escrito na área do chat. Na turma de Cultura Moderna e Contemporânea, grupos de alunos realizaram apresentações a partir da tela de seus computadores. O Google Classroom era uma ferramenta conhecida pelos alunos, com exceção de alguns alunos calouros. O Google Drive foi espaço de interação para acessar arquivos e realizar uploads. Para anúncios oficiais, a professora também utilizou a plataforma do sistema da PUC-Rio. Em raros casos, alunos entraram em contato por e-mail para tratar de questões das disciplinas.

A coordenação do Departamento de Artes e Design orientou os professores a padronizarem as formas de contato com os alunos dado o excessivo número de mensagens que eles recebiam ao longo da quarentena. Estas orientações eram fruto do feedback dos alunos. Alguns poucos alunos sofreram com o problema de falta de conexão ou com uma conexão sem banda larga. Ao longo do tempo, estes problemas de conexão tenderam a diminuir.

Quanto à interação com o educador, houve pontos fortes e fracos. A maior dificuldade enfrentada pela professora foi a interação individual dos alunos dentro da composição de turma na ocorrência de uma aula expositiva. O protocolo de uso geral das turmas, que coincidiu com o protocolo de uso determinado pela professora, era a desativação dos microfones. O aluno só deveria ativar o microfone no momento de sua fala. A ativação de vídeo foi estipulada como opcional. Dentre os 75 alunos de 4 diferentes turmas atendidas pela professora, apenas uma aluna mantinha a sua câmera ativa. A falta de visualidade dos alunos parece ser fator redutor da potencialidade dialógica nesta situação. Tanto para a professora quanto para os alunos, é difícil perceber quando alguém parece se dispor a falar. O único indício percebido pela professora era a mudança do status desligado do microfone para ligado. A percepção da atenção, engajamento e empatia dos alunos na aula era quase nula na medida em que permaneciam “mudos” com microfone desligado e com câmera inativa. Apesar de a professora estimular a interação de alunos com perguntas e questões, quase sempre eram os mesmos alunos que participavam espontaneamente. Em outras situações como atendimento de dúvidas ou análise de trabalhos da turma, a participação se mostrava mais profícua. Em situações de atendimentos individualizados não ocorriam problemas de interação, mesmo com a câmera desligada. Outra medida de interação foi estabelecer uma canal de comunicação com a turma através de um representante de turma (WhatsApp). A iniciativa funcionou bem na medida em que direcionou questões reivindicadas por alunos como prazo de exercícios.

Quanto à interação com os colegas de estudo, a professora percebeu uma experiência positiva. O incentivo à cooperação foi fomentado pela professora na forma de compartilhamento de informações de interesse comum. Principalmente na turma de Introdução a Gráfica, marcada por alunos de diferentes períodos (alunos calouros e alunos experientes) houve muita cooperação entre colegas. Por diversas vezes, alguns alunos assumiram a projeção de tela no Google Meet para demonstrar uma ideia para os colegas. As turmas de Introdução a Gráfica e História do Design 1 contaram com o auxílio de monitoras que também interagiram intensamente com a turma. Os exercícios realizados em grupo transcorreram bem com raras exceções. Na turma de Linguagem e Comunicação Visual houve a oferta de compartilhamento de equipamento (impressora).

Ao longo do tempo, ficou claro que o formato remoto de aula gera maior desgaste cognitivo do que o mesmo tempo em uma atividade presencial. Por diversas vezes, alunos relataram um certo cansaço em relação à postura do corpo e atenção na aula através de dispositivos como laptops, tablets ou smartphones. O problema de uma conexão estável também foi reportado por alunos. Outro fator que afetou negativamente as dinâmicas de aula online para os alunos foi a falta de privacidade no ambiente doméstico. A desativação da câmera colabora na preservação da privacidade do aluno.

Apesar de as dinâmicas de aulas terem passado por mudanças tão fortes, o resultado alcançado dentro da limitação do meio online pareceu dar conta dos objetivos das disciplinas. Parece ser evidente que uma comparação com a aula presencial não vale ser feita. A realidade da educação online neste semestre não foi escolhida nem por professores e nem por alunos. Esta realidade foi uma condição imposta pelo isolamento social forçado pela pandemia. Algumas avaliações foram realizadas entre professores e alunos sobre a experiência da educação digital. A PUC-Rio tem a preocupação de suprir as necessidades de alunos e professores e melhorar a experiência em curso.

“Educação presencial online” na graduação da Facha

A Facha (Faculdades Integradas Hélio Alonso) é uma instituição educacional privada situada em Botafogo (bairro de classe média na zona sul do Rio de Janeiro) e no Méier (bairro popular da zona norte do Rio de Janeiro). Tendo sido fundada no início da década de 1970, a Facha oferece cursos de graduação em Design Gráfico, Publicidade e Propaganda, Rádio, Tv e Internet, Jornalismo, Relações Públicas, Turismo, Processamento de Dados, Marketing, Gestão Desportiva, entre outros.

A partir do impacto da pandemia de coronavírus e dos efeitos econômicos negativos causados pela política de isolamento social, adotada pelos governos estadual e municipal, a Facha, como outras instituições particulares, se tornou vulnerável à decorrente recessão econômica, e viu na migração para a Educação online uma oportunidade de retenção das matrículas de seus alunos e uma forma de minorar a provável evasão de seus estudantes. Isto porque a recessão econômica e o desemprego impactaram intensamente as famílias, reduzindo seu poder aquisitivo e sua capacidade financeira de arcar com mensalidades do ensino superior. Desta forma, após duas semanas sem aulas, a instituição orientou seus professores a transformar as suas disciplinas acadêmicas presenciais, adotando tecnologias de comunicação online, de modo a evitar o cancelamento do semestre letivo e a minorar os efeitos recessivos que a crise do coronavírus produziu.

A Facha há tempos considerava a Educação a Distância como alternativa a seu projeto pedagógico, e já encaminhava a aproximação entre os cursos presenciais e a distância, em um ambiente bimodal (blended). O seu ambiente virtual de aprendizagem (AVA) havia sido construído sobre as bases técnicas da plataforma Moodle. Além disso, como plataforma de colaboração, a Facha já adotava a solução Microsoft Teams. Entretanto, diante da urgência imposta pela disseminação da pandemia, e a necessidade de uma migração suave, a instituição optou por dar maior liberdade de escolha a seus professores, com o objetivo de implementar a transposição do programa de aulas e conteúdos presenciais para o modo à distância, instituindo o que chamou de “ensino presencial online”.

Ou seja, um modelo de EAD onde a interação síncrona, em esquema de videoconferência, substituiu as interações físicas, em sala de aula, entre alunos e professores. Isto não aconteceu sem um grande esforço de adaptação às novas metodologias, por parte de coordenadores, técnicos, professores e alunos. Diversos professores preferiram utilizar a solução institucional Microsoft Teams, entretanto outros empregaram a plataforma de videoconferência Zoom, ou mesmo o Facebook, Whatsapp, e-mail ou a solução de live streaming do Youtube. Pesou nessa escolha a percepção de cada professor sobre a facilidade de uso (usabilidade) de cada software e a sua experiência prévia. Note-se que a plataforma Moodle foi a base da solução institucional de EAD implementada, na maior parte das vezes em combinação com as opções de plataformas de videoconferências acima citadas.

Para dar uma continuidade virtual ao semestre iniciado presencialmente -- e implementar a proposta de “educação presencial online”, aplicada à disciplina Convergência de Mídias e Novas Interfaces --, o professor Luiz Agner optou por empregar, em duas turmas, o sistema de videoconferência Zoom para garantir interação com seus alunos, em associação com a disponibilização de materiais didáticos e objetos virtuais de aprendizagem (textos, apresentações e vídeos) na plataforma Moodle. De modo complementar, foi utilizada a rede social Facebook como forma de reforçar a comunicação online com os alunos, pois a referida rede já constava do design instrucional desta disciplina na sua versão presencial.

No tocante à interação com as ferramentas, foi observado que os alunos não tiveram muitos problemas em relação à compreensão e ao aprendizado de uso dos recursos mais simples do sistema de videoconferências Zoom. Mais adiante, a turma teve que aprender a utilizar alguns recursos mais avançados, como o compartilhamento de telas. Entretanto, certos alunos tiveram problemas técnicos devido à instabilidade da sua conexão em banda larga com a internet e a limitações do equipamento que utilizavam para acessar a plataforma. Era comum que alunos realizassem o seu acesso ao curso tendo como único recurso o seu telefone celular (smartphone). Foi perceptível que alguns sofriam bastante com a instabilidade da rede pois tinham que se reconectar diversas vezes durante as aulas. Além desses problemas, devido a invasões de hackers ocorridas em outras disciplinas, na plataforma Zoom ou Teams, o professor passou a adotar como medida de segurança a geração de um link específico para o acesso dos alunos a cada dia, o que gerou certas dúvidas e confusões iniciais. No entanto, o acesso ao Moodle foi mais tranquilo pois a maioria dos alunos já conhecia este ambiente de EAD, que era anteriormente utilizado pela faculdade para oferecer determinadas disciplinas específicas em versão online.

Quanto à interação dos alunos com os conteúdos, não houve qualquer dificuldade pois os objetos de aprendizagem como links para vídeos do Youtube ou Vimeo, textos em pdf ou apresentações de aulas produzidas pelo professor foram disponibilizados no ambiente virtual de aprendizagem, organizados por uma linha cronológica dividida em semanas, com as devidas legendas e demais explicações. Apesar de as interfaces da plataforma Moodle não serem particularmente conhecidas por sua facilidade de uso, a experiência foi simplificada através da desativação de recursos que não iriam ser utilizados, como o fórum ou o calendário. Quanto ao chat, optou-se por utilizar o recurso existente na própria plataforma de videoconferência Zoom.

No que se refere à interação dos estudantes com o educador, acredita-se que, dentro das limitações impostas pela situação de crise e considerando o período especial de quarentena vivido, esta interação foi relativamente bem sucedida. Através da plataforma de videoconferência, na primeira fase da disciplina, os conteúdos foram apresentados pelo professor que, não raro, procurou estimular a participação dos alunos através de perguntas e comentários no chat ou reservando momentos de microfone aberto para a turma. Alguns alunos acionaram suas câmeras e proferiram comentários sobre o conteúdo apresentado, mas a interação em aula não chegou a ser maior do que o comum na sala presencial. Cabe ressaltar que as câmeras acionadas podem ser invasivas e sua operação poderia reduzir a largura de banda em caso de oscilação da internet. Alunos enfatizaram como ponto positivo da interação a clareza da comunicação, principalmente no tocante aos encaminhamentos da disciplina, às tarefas solicitadas e ao método de avaliação escolhido pelo professor.

Por fim, no tocante à interação com os colegas, foi proposto um trabalho em duplas, no qual cada grupo de alunos recebeu um texto e um tema a ser pesquisado, desenvolvido e apresentado aos demais, em modo de videoconferência, sobre assuntos atuais relativos à cibercultura e à convergência de mídias. Certas duplas realizaram apresentações ao vivo, com narrativa oral, outras as fizeram com apoio do aplicativo Powerpoint. As duplas mais dedicadas optaram por utilizar sistemas online de colaboração, como Teams ou o próprio Zoom, para gravar e editar (no software After Effects ou similar) as suas apresentações, com posterior upload na plataforma Youtube. Desse modo, os alunos puderam aproveitar a própria situação de emprego de ambientes online para estreitar a sua interação com os seus colegas e aprimorar suas habilidades no ciberespaço (o que se relacionava ao assunto abordado pela disciplina).

Conclusões e Pontos para Discussão

Os relatos das experiências de EAD durante a epidemia de COVID-19 nas duas instituições revelaram pontos em comum. Das experiências relatadas, a principal tecnologia de comunicação e interação foi a videoconferência, Zoom e Google Meet, subordinando as outras formas de interação nas dinâmicas pedagógicas. A comunicação síncrona lembra de alguma forma a relação estabelecida em sala de aula e, por este motivo, se assemelha com o repertório de vivências de alunos e professores. Um fator que afetou negativamente as dinâmicas de aula online para os alunos foi a falta de privacidade no ambiente doméstico, por conta da interferência de familiares ou ruídos. A desativação da câmera foi o expediente que possibilitou a preservação da privacidade do aluno que preferiu não se expor para a turma. Houve problemas de oscilação na qualidade da conexão de alunos e que não têm o equipamento compatível com videoconferência, upload e download de arquivos, visualização de vídeos no Youtube, dentre outros serviços. Era comum que alunos realizassem o seu acesso ao curso tendo como único recurso o seu telefone smartphone. Foi perceptível que alguns sofriam bastante com a instabilidade da rede pois tinham que se reconectar diversas vezes durante as aulas. As duas instituições de ensino se mostraram receptivas no sentido de dar apoio aos professores quanto às dúvidas e questões do meio online.

A negociação ocorrida entre professores e alunos no sentido de melhor adaptação das aulas também foi fator decisivo para o engajamento das turmas. O desgaste cognitivo dos alunos que permaneciam por horas online, incidiu na revisão das dinâmicas e das avaliações. Apesar de as dinâmicas de aulas terem passado por mudanças tão fortes, o resultado alcançado dentro da limitação do meio online pareceu dar conta dos objetivos das disciplinas consideradas, nas duas instituições. Parece ser evidente que uma comparação com a aula presencial não vale ser feita. A realidade da educação online neste semestre não foi escolhida nem por professores e nem por alunos. Esta realidade foi uma condição imposta pelo isolamento social forçado pela pandemia. As experiências relatadas pelos dois professores de graduação evidenciaram como a adaptação e a flexibilização das dinâmicas pedagógicas foram necessárias para dar prosseguimento às atividades acadêmicas, dentro das limitações e oportunidades apresentadas pelo contexto do isolamento social. A modalidade de educação a distância, que requer o prévio design instrucional, foi criada e testada, neste semestre, na confluência de recursos tecnológicos, conhecimento prévio e aprendizado in-time por parte de professores e alunos. Com efeito, a experiência foi profícua para todos os agentes do processo de ensino-aprendizagem.

Referências Bibliográficas

CCEAD. (2020) Introdução à Filosofia. Disponible en: https://ccead.puc-rio.br/home/portfolio-items/1/.

DAD PUC-RIO. (2020) Graduação. Disponible en: http://dad.puc-rio.br/graduacao/.

Educação a distância: Uma visão de futuro [online]. (2020) Faculdades Integradas Helio Alonso. Disponible en: https://www.facha.edu.br/educacao-a-distancia.

Filatro, A. (2008) Design instrucional na prática. São Paulo: Pearson Education do Brasil.

Maia, C. Mattar, J. (2008). ABC da EAD: A educação a distância hoje. Pearson Prentice Hall. 144p.

Mattar, J. (2008). Interatividade e Aprendizagem. In: Litto, F.; Formiga, M. Educação a Distância: O Estado da Arte. Pearson Prentice Hall. p. 112-120.

MEC. Censo da Educação Superior. (2020) Disponible en: http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/212-educacao-superior-1690610854/17238-censo-da-educacao-superior.

Muniz, M. I.; Agner, L.; y Coelho, L. A. (2016, set./dez.). Usabilidade pedagógica e Design de interação na educação a distância: Breve revisão conceitual. In: B. Téc. Senac, Rio de Janeiro, v. 42, n. 3, p. 6-27.

PUC-RIO. (2020) Missão, marco referencial: História e missão. Disponible en: http://www.puc-rio.br/sobrepuc/historia/.


Resumen: Este artículo trata de los procesos de adaptación y flexibilidad de la dinámica pedagógica de los cursos de licenciatura de Diseño y Comunicación en las universidades privadas brasileñas en medio de la pandemia COVID-19, en el primer semestre de 2020. En cuestión de semanas, los profesores de educación superior tuvieron que adaptar su dinámica de clase al entorno en línea debido al aislamiento social. El nuevo formato de clase por videoconferencia se estaba probando mientras se realizaba el curso. El texto examina cómo algunos principios de la educación a distancia funcionaron en un contexto sin planificación previa.

Palabras clave: educación a distancia - interacción - tecnología digital - tecnología educativa - universidad

Abstract: This article deals with the processes of adaptation and flexibility of the pedagogical dynamics of undergraduate courses of Design and Communication in the context of private Brazilian universities in the midst of the COVID-19 pandemic, in the first half of 2020. In a matter of weeks, higher education teachers had to adapt their class dynamics to the online environment because of social isolation. The new videoconference class format was being tested as the course took place. The text examines how some principles of distance education worked in a context without prior planning.

Keywords: distance education - interaction - digital technology - educational technology - university


Barbara Jane Necyk: Doutora em Design pela PUC-Rio (2013), Mestre em Design pela PUC-Rio, com bolsa CAPES (2007), pósgraduada em Propaganda e Marketing pela ESPM (1990), pósgraduada em Tecnologias Internet pela Coppe-UFRJ/IBPI (2000), graduada pela Escola Superior de Desenho Industrial - ESDI/UERJ (1986). Atua como professora do Departamento de Artes e Design, PUC-Rio, desde 2009. Atua como professora na Escola Superior de Desenho Industrial, UERJ, desde 2019 e é pesquisadora do grupo de estudos Deseduca. Seus interesses de pesquisa são: Design Editorial; Design e Educação. Luiz Agner: Com pós-doutorado em Estudos Culturais pelo PACC-UFRJ/ Programa Avançado de Cultura Contemporânea - UFRJ, e doutorado em Design pela PUC-Rio, integra o quadro de profissionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde atuou junto à Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), em projetos de Educação à Distância. Leciona Convergência de Mídias e Novas Interfaces na escola de Publicidade e Propaganda das Faculdades Helio Alonso (Rio de Janeiro), e é professor da pós-graduação lato sensu em Ergonomia e Design de Interfaces da PUC-Rio/CCE. Autor do livro “Ergodesign e Arquitetura de Informação – Trabalhando com o Usuário” (ed. Senac Rio, 2018).


Ensino de design e de comunicação em tempos de pandemia fue publicado de la página 120 a página124 en Actas de Diseño - N° 36

ver detalle e índice del libro