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Esticando o olhar: construindo conceitos ilustrados

Katianne de Sousa Almeida

Actas de Diseño - N° 36

Actas de Diseño - N° 36

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/

XVI Semana Internacional de Diseño en Palermo Foro de Escuelas de Diseño • Comunicaciones Académicas EDICIÓN ESPECIAL XI Congreso [Virtual] Latinoamericano de Enseñanza del Diseño 2020

Diciembre 2021 . Año 16 . Nº36 - Buenos Aires, Argentina | 414 páginas

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Resumo: O trabalho com as imagens é um caminho que desperta muitos sentidos, dois deles são, tanto tornar compreensível certo assunto, quanto transmitir conhecimentos sobre determinada área. Tendo esses dois aspectos como sustentação, a imagem, por meio de colagens e construções de painéis conceituais, assume aqui um caráter metodológico e exploratório, em que se reconhece as potencialidades das narrativas gráficas com o objetivo de proporcionar maior detalhamento sobre as pesquisas ou trabalhos desenvolvimentos pelos estudantes ou profissionais.

Palavras Chave: metodologia - imagens - narrativas gráficas - epistemologias - painel conceitual.


Quando se evoca a linguagem das imagens busca-se traduzir para além das palavras (estas que são canonicamente aceitas como instrumentos capazes de produzir e reproduzir o pensamento científico) interpretações visuais de conceitos. Sendo assim, é imperativa a necessidade em abrir o debate e forçar as concepções dos modos de se comunicar o pensamento científico. Posto isto, sabe-se da multiplicidade das linguagens de apresentação da diversidade cultural dos grupos sociais, contudo para o campo da produção científica essa pluralidade é questionada no momento de validá-la como argumento científico, quero dizer que, academicamente somente a escrita é o formato ratificado na ciência.

Tal aprisionamento das ideias é questionado pela filósofa, socióloga negra norte-americana Patrícia Hill Collins (2012). Em seus argumentos ela explicita a linguagem como um campo de disputa, portanto, a produção do conhecimento não deve ter seu alicerce ancorado apenas em um tipo de linguagem (a escrita), pois as epistemes são também táteis e não exclusivamente abstratas.

As diferentes linguagens e metodologias precisam ser celebradas, pois é por meio da ebulição das misturas heterogêneas que surgem os questionamentos, as criações, as inovações, logo os pensamentos críticos. Ilustrar conceitos é debruçar sobre os seus significados de dentro para fora. Quando nos colocamos diante do exercício de examinar linhas, formas, texturas e cores aprofundamos na análise dos temas que estamos nos propondo a estudar e, consequentemente, a analisar.

A palavra “ilustrar” tem origem latina e significa “iluminar”. Quando ilustramos, não estamos apenas retratando a realidade, estamos também produzindo algo novo, trazendo ao mundo uma visão nova e individual. Além de serem capazes de explicar e esclarecer, as ilustrações têm o poder de complementar, transmitir e aprofundar (SCHEINBERGER, 2019, pg. 4).

A produção de imagens é também um caminho para criar afetos com o desenvolvimento da produção do conhecimento. Essa linguagem mostra o quanto, muitas vezes, o processo de se expressar é tão complexo e tão profundo que as palavras não são suficientes.

O recurso às imagens – fotografias, vídeos, desenhos e bricolagens – tornou-se indispensável para dar conta da complexidade do fenômeno estudado, sobretudo a intensidade das trocas estabelecidas em campo, a profusão de sentidos e sensações oriundos dessa vivência da alteridade, a efemeridade de cenários, relações e vidas compartilhadas, difíceis de serem incorporadas pelo registro escrito e pela descrição realista (Magni, Herzog, Banemann, Barreto & Rodrigues, 2018, pg. 139).

As técnicas representativas utilizadas, para desenvolver os processos de ampliação do olhar, quanto ao processo de ensino-aprendizagem nesta pesquisa são:

1. colagens - técnica artística que possibilita várias percepções visuais e sensoriais sobre o tema de pesquisa ou de trabalho da participante ou do participante da oficina sem a necessidade de conhecimento prévio sobre anatomia de objetos ou de pessoas;

2. painel conceitual - é uma ferramenta de apresentação visual do tema de pesquisa ou de trabalho correlacionado-o a outras imagens que trazem alguns elementos de semelhança tais como: formas, texturas, efeitos e cores (KORNER, 2015).

Os painéis conceituais não são apenas estímulos visuais, eles ampliam o estudo ou o trabalho sobre determinado tema e auxiliam as pesquisadoras e os pesquisadores na construção de sentidos, por meio da decomposição dos elementos evocados nas imagens. Importante destacar que as imagens não tem um valor ou sentido em si mesmas, elas passam por um processo de significação que só existe pela relação estabelecida por meio da percepção, do contexto usado durante o processo de análise e pelas experiências as quais as pesquisadoras e os pesquisadores estão envolvidos (Sanches, 2012).

Sendo assim, os objetivos propostos neste trabalho são: a) considerar o uso da imagem como um método capaz de mostrar um outro caminho para a produção do conhecimento; b) explorar as potencialidades da apresentação do conhecimento científico para além do formato canônico e padronizada da escrita; d) propor o rompimento com os limites das palavras que, várias vezes, não são ditas ou pela dor ou pela disputa por narrativas universalizantes; e) desenvolver um espaço criativo de diálogo dentro das pesquisas ou produções profissionais. Trabalhar a imagem e a escrita em conjunto não é uma prática pedagógica-metodológica nova, contudo ainda é necessário desmistificar muitos cânones acadêmicos que não consideram o grande esforço analítico trazido pela produção e interpretação das imagens.

É observado, rotineiramente, nos cursos de Design de Moda o uso do desenho e da ilustração em trabalhos que expressam o desenvolvimento de uma coleção com seus conceitos, modelagens, cortes, moodboard, esboços, ou seja, o desenho ficou, superficialmente, preso ao desenvolvimento de produtos e, raras vezes, na produção teórica, ele tem sido considerado uma ferramenta investigativa.

A imagem, a partir de uma leitura inicial, que seria um exercício de identificação, admite a interpretação que resulta de um esforço analítico, dedutivo e comparativo. Logo, ela como documento, como fonte, revela aspectos da vida material que, algumas vezes, a compreensão de fontes escritas não revela.

Desta forma, o estudo das imagens e sua aplicação conceitual e metodológica contribui expressivamente para o entendimento dos múltiplos pontos de vista que as pessoas constroem a respeito de si mesmas e das outras, de seus comportamentos, seus pensamentos, seus sentimentos e suas emoções em diferentes tempos e espaços. As múltiplas dimensões de significados que orientam a produção e interpretação das imagens dependem da reconstrução do sistema cultural, do contexto em que elas surgiram e das identidades dos sujeitos envolvidos nas situações.

O desenho é uma das ferramentas mais importantes para o designer, “a capacidade de comunicar seus pensamentos e suas criações é essencial ao trabalho de um designer de moda” (Seivewright, 2009, pg. 144).

Logo, ao produzir desenhos como método de análise, a partir de uma leitura inicial, que seria um exercício de identificação, admite a interpretação que resulta de um esforço analítico, dedutivo e comparativo. Logo, ele como documento, como fonte, revela aspectos da vida material que, algumas vezes, a compreensão de fontes escritas não revela. Desta forma, as narrativas gráficas contribuem para a promoção do rompimento da construção canônica do pensamento científico e a ampliação dos horizontes epistêmicos.

De acordo com Novaes (2005) assim como os textos, há uma riqueza informativa quando se utiliza as imagens: Se um dos objetivos mais caros à Antropologia sempre foi o de contribuir pra uma melhor comunicação intercultural, o uso de imagens, muito mais que o de palavras, contribui para essa meta, ao permitir captar e transmitir o que não é imedia tamente transmissível no plano linguístico. (Novaes, 2005, p.110).

A perspectiva da abordagem epistemológica aqui proposta traz uma aproximação disciplinar com o campo da Antropologia Social, pois carrega consigo o princípio da alteridade, que coloca em tela a diversidade de se explorar a multiplicidade cultural humana. É na Antropologia que também foi possível entrar em contato com o conceito de narrativas gráficas, este que usa as ilustrações como uma construção conceitual para conhecer, compreender, apropriar, narrar e produzir.

O conceito de narrativas gráficas (Kuschnir, 2014), ou seja as aproximações epistêmicas entre escrita e desenho, é importante neste artigo, pois busca-se traduzir para além das palavras (estas que são canonicamente aceitas como instrumentos capazes de produzir e construir o pensamento científico) interpretações visuais de conceitos. Antropologia e Desenho são modos de ver e também modos de conhecer o mundo. Colocar esses dois univesos em diálogo permite um enriquecimento mútuo – isto é, desenhar contribui positivamente para a pesquisa antropológica, e vice-versa: pesquisar antropologicamente contribui para desenharmos o mundo à nossa volta. (Novaes, 2005, p.28).

O processo de criação no design acontece pelo intermédio da curiosidade, em que testar, misturar e combinar podem ser os ingredientes mágicos das mudanças de paradigmas pedagógicos.

Na contemporaneidade, o design precisa ser um campo disciplinar de novas ideias e ter um espírito inquieto, consequentemente, dos designers exige-se o máximo das suas capacidades de criarem meios para a fissura das metodologias clássicas de pesquisa e das epistemologias tradicionais, ou seja, experimentar o seu potencial criativo para aguçar o olhar diante do contexto à sua volta e das possibilidades de expressões conceituais. O desenho e a ilustração são caminhos em busca de alternativas aos cânones ortodoxos do mundo acadêmico. A pretensa neutralidade científica é um mito comum da retórica da ciência, contudo as linguagens são múltiplas e somos chamadas e chamados a articular os diversos conhecimentos de forma criativa e crítica. A resistência também nos obriga a reiventar-se.

Novas lentes epistemológicas são necessárias para enxergar alternativas para a construção de conceitos e teorias, com a intenção de forçar os limites da escrita e dos arcabouços disciplinares clássicos. É compreensível que se afirme que o design tem uma relação intrínseca e até mesmo constitutiva com o desenho, entretanto, ele ainda está condicionado ao caráter ilustrativo e não gerador dos conceitos. O avanço da promoção de um pensamento científico não hierárquico entre as formas expositivas precisa começar pelo rompimento dessa diferenciação.

Referências

Korner, Edson. (2015). O Painel Visual como Ferramenta para Desenvolvimento de Produtos de Moda, p. 10-29 . In: Anais do GAMPI Plural 2015 [Blucher Design Proceedings, v.2, n.4]. São Paulo: Blucher. Disponível em:< http://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/o-painel-visual-como- ferramenta-paradesenvolvimento-de-produtos-de-moda-22457>. Acesso em 17 de novembro de 2018.

Kuschnir, Karina. (2014). Ensinando antropólogos a desenhar: uma experiência didática e de pesquisa, Cadernos de Arte e Antropologia [Online], Vol. 3, No 2 | 2014. Disponibilidade em:< http://journals.openedition.org/cadernosaa/506;DOI: 10.4000/cadernosaa.506>. Acesso em: 17 nov. 2018.

Magni, C., Herzog, V., Banemann, N., Barreto, E., & Rodrigues, G. (2018). Desenhar para quê? Experimentações antropoéticas em pesquisa e ensino. Áltera Revista de Antropologia, 1 (6). Disponível em: < http://www.periodicos.ufpb.br/index.php/altera/article/view/38352>. Acesso em 24 de julho de 2019.

Novaes, Sylvia Caiuby. (2005). O uso da imagem na Antropologia. In: SAMAIN, Etienne. O Fotográfico. São Paulo: Hucitec.

Sanches, M.C.F. Projetando o intangível: as ferramentas da linguagem visual no design de moda. (2012). In LINDEN,J.C.S; MARTINS, R. F.F. 2006 In MARTINS, R.F.F.; LINDEN, J.C.S. (organizadores). Pelos caminhos do design: metodologia de projeto. Londrina: EDVEL.

Seivewright, Simon. (2009). Fundamentos de design de moda: pesquisa e design. Porto Alegre: Bookman.

Scheinberger, Felix. (2019). Ser ilustrador: 100 maneiras de desenhar um pássaro ou como desenvolver sua profissão. São Paulo: Gustavo Gili.

Truth, Sojourner; Et Al. (2012). Feminismos Negros: Una Apología. Madrid: Traficantes de Sueños, (Rasgos distintivos del pensamiento feminista negro. Patricia Hill Collins) pp. 99-135.


Abstract: Working with images is a path that awakens many senses, two of which are both to make a certain subject understandable and to transmit knowledge about a certain area. Having these two aspects as support, the image, through collages and constructions of conceptual panels, assumes here a methodological and exploratory character, in which the potential of graphic narratives is recognized in order to provide greater detail about research or work developments by students or professionals.

Keywords: methodology - images - graphic narratives - epistemologies - conceptual panel.

Resumen: Trabajar con imágenes es un camino que despierta muchos sentidos, dos de los cuales son para hacer que un determinado tema sea comprensible y para transmitir conocimiento sobre un área determinada. Teniendo estos dos aspectos como soporte, la imagen, a través de collages y construcciones de paneles conceptuales, asume aquí un carácter metodológico y exploratorio, en el que se reconoce el potencial de las narrativas gráficas para proporcionar un mayor detalle sobre la investigación o el desarrollo del trabajo. por estudiantes o profesionales.

Palabras clave: metodología - imágenes - narraciones gráficas - epistemologías - panel conceptual.


Katianne De Sousa Almeida: Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Goiás. Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal em Goiás, Especialista em História Cultural pela Universidade Federal de Goiás, Especialista em Processos e Produtos Criativos pela Universidade Federal de Goiás. Bacharel em Ciências Sociais com Habilitação em Antropologia, como também Licenciada em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília e Bacharel em Design de Moda pela Universidade Federal de Goiás. Mediadora/Orientadora EAD no curso de Especialização em Educação para Diversidade e Cidadania/Direitos Humanos, realizado pelo Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos/ UFG. Mediadora do Curso de Extensão: Tramas e Redes: Feminismos pelo Fim da Violência contra as Mulheres.


Esticando o olhar: construindo conceitos ilustrados fue publicado de la página 268 a página270 en Actas de Diseño - N° 36

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