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  4. Alfabetização visual: instrumento para o ensino em design

Alfabetização visual: instrumento para o ensino em design

Andreia Matos Barreira y Cassia Letícia C. Domiciano

Actas de Diseño - N° 36

Actas de Diseño - N° 36

ISSN Impresión 1850-2032
ISSN Online: 2591-3735
DOI: https://doi.org/

XVI Semana Internacional de Diseño en Palermo Foro de Escuelas de Diseño • Comunicaciones Académicas EDICIÓN ESPECIAL XI Congreso [Virtual] Latinoamericano de Enseñanza del Diseño 2020

Diciembre 2021 . Año 16 . Nº36 - Buenos Aires, Argentina | 414 páginas

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Resumo: O ensino em design é composto por um corpo de conhecimentos muito vasto. O objeto de estudo desse trabalho recai sobre os fundamentos da linguagem visual, bases que possibilitam a manipulação dos elementos e das técnicas visuais assim como a leitura de informações visuais. O objetivo é trazer os aspectos essenciais que devem ser tratados no processo de alfabetização visual que têm sido recorrentes entre os estudiosos nesse campo de estudo e destacar a importância do ensino da linguagem visual nos níveis básicos da educação, visto que essa é uma necessidade perante uma grande quantidade de informações, principalmente em meios digitais nos dias de hoje, em códigos visuais. Muitos temas que se relacionam com o processo de percepção da nossa visão ainda estão fora até dos currículos do ensino superior. Elencamos aqui diretrizes e princípios que julgamos pertinentes e primordiais para àqueles que buscam o letramento visual.

Palavras chave: Linguagem visual - Ensinamento - Alfabetização visual - Educação.


1. Introdução

As informações visuais estão presentes na vida cotidiana das pessoas, que as utilizam em áreas como educação, entretenimento, comunicação, arte. Contudo, é evidente a falta de habilidade das pessoas em ler imagens, pois muitos não dominam a linguagem visual.

Alfabetismo Visual, conforme Dondis (1997) consiste em entender e aprender o funcionamento da linguagem visual e suas nuances. Em vários estudos se identifica a necessidade do ensino dessa linguagem, uma vez que o letramento das pessoas em larga escala ocorre apenas em relação ao código escrito, negligenciando-se o código visual. O escopo deste ensino é integrante da formação em design, especificamente do Design da Informação, mas poderia fazer parte de conteúdos escolares muito anteriores ao ensino superior, em face ao uso crescente que se faz hoje de recursos visuais.

É importante refletirmos que dentro das escolas de design e do pensamento visual como um todo, se tem discutido e se questionado se existe ou não uma maneira universal de se estabelecer regras, métodos, conceitos para se trabalhar com os recursos visuais de maneira que essa linguagem possa ser adequada e garanta um nível elevado de organização estética e também de potencial comunicativo, principalmente no caso da comunicação gráfica. Este estudo tem como objetivo ser mais um aliado nessa reflexão, voltando-se a profissionais que lidam com o ensino do design. Elucidar sobre o real papel das estruturas constituintes da imagem e também sobre a importância do pensamento crítico e criativo favorece o surgimento de soluções ímpares e inovadoras na comunicação visual gráfica.

Este conhecimento permite também a aquisição de uma competência leitora do código visual, visto que o indivíduo se torna detentor de conhecimentos que o habilitam a interpretar e avaliar as mensagens visuais (Santaella, 2012).

2. Alguns fundamentos da linguagem visual

De acordo com alguns autores como Dondis (1997), Wong (1998), Lupton e Phillips (2008), Gomes Filho (2004), existe um arcabouço de conhecimentos primordiais sobre a linguagem visual que congrega designers ao redor do mundo e através da história e que veem lapidando cada vez mais algumas teorias sobre o funcionamento e processo da linguagem visual.

Na origem do design gráfico moderno, conforme Lupton e Phillips (2008) buscava-se um aparato de conhecimentos e normas comuns para se trabalhar com a linguagem visual e que pudesse ser transmitido e usado universalmente. A escola alemã Bauhaus em 1920 tinha esse objetivo. Com essa intenção ela traçou importantes bases para o estudo e para os experimentos com os elementos da gramática visual.

Essa escola abordava o “design gráfico como: a ‘linguagem da visão’, universal e baseada na percepção, conceito que continua, ainda hoje a moldar o ensino de design ao redor do mundo” (Lupton & Phillips, 2008 p. 8).

A Bauhaus promovia soluções racionais com base em planejamento e visando a padronização como forma de atender as exigências de uma indústria crescente e consumidores ávidos por produtos.

Ainda conforme Lupton e Phillips (2008), por muito tempo nas escolas de design seguiu-se os princípios da Bauhaus, e apartir dos anos 1940 muitos professores aperfeiçoaram suas prerrogativas, como Maholy-Nagy e Gyorgy Depes na Nova Bauhaus em Chicago, Johannes Itten, Max Bill e Gui Bonsiepe na escola de Ulm na Alemanha, para citar algumas. Desde então se vem buscando singularidades e inovações. Com as novas tecnologias desde a entrada da informática nos processos de criação e edição de imagens, houve uma estremecida no que muitos designers acreditavam serem bases sólidas para se ensinar design gráfico. A facilidade e abertura de possibilidades que os softwares gráficos propiciam fez com que se negasse e se rejeitasse a ideia de uma forma única de comunicação universal.

Contudo houve um tempo que esse abandono das bases de conhecimentos sobre a linguagem visual levou a um empobrecimento da criação de peças gráficas, em que muitos dispensaram o estudo e o pensamento crítico e criativo na elaboração de uma arte gráfica pela produção instantânea e técnica que a manipulação da linguagem visual, através de programas gráficos digitais, proporcionava e proporciona. Hoje se volta a valorizar conceitos básicos e universais sobre a linguagem visual, empregados e confirmados pelo seu uso e exercício historicamente, contudo embebidos num cenário cultural e social em constante mudança, se almeja idiossincrasias, trabalhos personalizados e espaço para rupturas que em meio a um contexto planejado são bem vindos e enriquecedores.

Portanto há lugar para uso de padrões e normas, mas também para devaneios e extrapolamento no uso dos elementos e materiais que podem visar tanto um resultado polido e perfeito como um resultado híbrido e complexo. Destacamos neste estudo alguns princípios fundamentais; as principais ciências e teorias que colaboram para a alfabetização visual e refletir sobre a necessidade do ensino da linguagem visual na educação básica. Esse consenso sobre as bases da linguagem visual está se alicersando cada vez mais e possiblitando que esse conhecimento faça parte da formação do indivíduo como um todo, uma vez que num mundo que se comunica visualmente se faz necessária essa habilidade tanto na produção de material visual quanto na leitura desse material.

3. Design da informação e linguagem visual

Para a construção da inteligência visual é necessário conhecer os fundamentos dessa linguagem como foi dito anteriormente, realizar exercícios de análise da imagem apoiando-se em metodologias adequadas e a produção de artefatos visuais como forma de se apropriar desse conhecimento.

O maior e mais conhecido estudo sobre a “psicologia perceptual da forma” (Gomes Filho, 2004 p. 13) foi feito pela Gestalt, uma escola alemã. Esta escola trouxe grande contribuição para as artes em geral e o design, porque com seus princípios é possível saber como funciona a percepção humana e ela declara que: a percepção de um todo não se faz apenas na análise da soma de suas partes, mas são as relações e interações entre essas partes aliado ao repertório histórico, cultural e pessoal do indivíduo, que promove a percepção total. A gestalt coloca que existem forças que atuam na organização formal de uma estrutura visual, e estudando essas forças através de muitos experimentos traçou certos princípios ou leis de organização da forma perceptual.

Além disso, segundo Frascara (2015) é necessário ainda o entendimento da capacidade informacional das imagens e como ela se articula com os elementos textuais, ou seja, tudo parte da perfeita combinação entre forma e conteúdo num processo comunicacional de articulação eficiente entre os elementos formais, transmitindo e enfatizando informações mestras da mensagem visual. O design da informação é uma área que aprofunda essas questões. Nas bases formais da inteligência visual encontramos:

1. Os elementos visuais básicos e seus papéis como o ponto, a linha a forma, a direção, a textura, a dimensão, a escala e o movimento, como aborda Kandinsky (1997) no seu trabalho “Ponto e Linha sobre o Plano”; Donis A. Dondis (1997) em “Sintaxe da linguagem Visual”. Ellen Lupton e Jennifer C. Phillips (2008), em “Novos Fundamentos do Design”, revigoram tais estudos e acrescentam elementos que puderam ser melhor explorados com as tecnologias contemporâneas, como as transparências e camadas;

2. As técnicas e estratégias necessárias para se transmitir a mensagem desejada, dando ênfase nos pontos de maior interesse, como por exemplo, figura/fundo, enquadramento, equilíbrio, sequencialidade, hierarquia e contraste. Algumas dessas estratégias são utilizadas na forma de pares de opostos conforme o significado que se quer dar, como simetria e assimetria, regularidade e irregularidade, simplicidade e complexidade, unidade e fragmentação, economia e profusão, minimização e exagero, transparência e opacidade, estabilidade e variação, dentre outros (Dondis, 1997).

3. Outros princípios e técnicas, fundamentados nas teorias da Gestalt: segregação, unificação, proximidade, continuação, semelhança, fechamento e pregnância da forma (Gomes Filho, 2004).

4. Entendimento dos processos e sistemas de significação das mensagens através dos estudos da semiótica (Joly, 2007).

5. Conhecimento sobre os principais estilos artísticos que influenciaram e influenciam a linguagem visual de uma época e de uma cultura e que hoje são usados e imbricados nos processos híbridos de criação (Dondis, 1997).

6. Embasamento sobre técnicas compositivas como o grid, a proporção áurea, a regra dos terços, colaborando no uso do espaço com razões matemáticas que implicam em beleza e harmonia visual (Noble & Bestley, 2013).

7. A teoria das affordances. Essa teoria explora a capacidade material de um projeto visual criar um efeito ou resposta emocional no usuário (Noble & Bestley, 2013).

8. Estudos da cor como canal de comunicação. Ela é o elemento visual mais expressivo, é capaz de exprimir uma atmosfera, despertar uma emoção, mas também tem grande poder de persuasão na medida em que seu uso serve para diferenciar e conectar, ressaltar ou esconder (Lupton & Phillips, 2008) Todas essas técnicas manipulativas dos elementos visuais consideram o tempo todo, os processos perceptivos do ser humano. Conhecendo a maneira como ele percebe, se engana, se distrai ou é influenciado pelo ambiente em que está é possível fazer o uso eficiente delas.

4. Considerações finais.

A relevância da alfabetização visual se acentua quando percebemos que ao longo da história a imagem tem sido usada como forte apelo informacional e principalmente persuasivo pelo seu caráter mais direto e de rápida assimilação. Desde a idade média e passando por várias situações políticas em muitos países se utilizou e se utiliza imagens para conduzir ideologicamente a grande massa que não é letrada.

O letramento visual associado ao verbal é mais um instrumento de educação para uma maior consciência do mundo que nos rodeia e tudo que nele se expressa, aumentando a visão crítica e mesmo artística da nossa sociedade.

Não se pode estipular um corpo de conhecimentos fechado como fundamental para o ensino do design gráfico, contudo diante do que se tem alavancado de várias escolas e estudiosos é possível elencar alguns princípios essenciais, e são por eles que se deve iniciar a alfabetização visual. Estes temas que até aqui foram colocados podem ser abordados no ensino básico de forma mais simples e acessível ao entendimento de cada faixa etária na forma de exemplos e da análise dos mesmos. O uso de exercícios e produções visuais também é eficaz nesse processo. Alfabetizar visualmente configura em uma tarefa árdua, com muitas variáveis, contudo o design imbricado com a arte é uma linguagem que pode colaborar, por ser parte do cotidiano de todos, considerando o usuário como elemento central. Esse ensino merece métodos e conteúdos específicos para cada etapa do aprendizado.

Referências

Dondis, D. A. (1997). Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes

Frascara. J. (2011). ¿Qué es el diseño de información? Buenos Aires: Ediciones Infinito.

Gomes Filho, J. (2004). Gestalt do objeto: sistemas de leitura visual da forma. São Paulo: Escrituras.

Joly, M. (2007). Introdução à análise da imagem. Lisboa: Edições 70. Kandinsky, W. (1997). Ponto e linha sobre plano. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

Lupton, E. & Phillips, J. C. (2008). Novos Fundamentos do Design. São Paulo: Cosac Naify.

Noble, I. & Russel B. (2013). Pesquisa visual: introdução às metodologias de pesquisa em design gráfico. Porto Alegre: Bookman.

Santaella, L. (2012). Leitura de imagens. São Paulo: Melhoramentos (Como eu ensino).

Wong, W (1998). Princípios de forma e desenho. São Paulo: Martins Fontes.


Abstract: Design teaching consists of a vast body of knowledge. The object of study of this work falls on the foundations of visual language, bases that allow the manipulation of visual elements and techniques as well as the reading of visual information. The objective is to bring the essential aspects that must be dealt with in the process of visual literacy that have been unanimous among scholars in this field of study and to highlight the importance of teaching visual language at the basic levels of education, since this is a necessity before a large amount of information, mainly in digital media nowadays, in visual codes. Many topics that relate to the process of perceiving our vision are still outside even the curricula of higher education. We list here guidelines and principles that we deem pertinent and essential for those who seek visual literacy.

Keywords: Visual language - Teaching - Visual literacy - Education.

Resumen: La enseñanza del diseño se compone de un conjunto muy amplio de conocimientos. El objeto de estudio de esta obra recae en los fundamentos del lenguaje visual, bases que permiten la manipulación de elementos y técnicas visuales así como la lectura de la información visual. El objetivo es acercar los aspectos esenciales que deben ser abordados en el proceso de alfabetización visual que han sido recurrentes entre los estudiosos de este campo de estudio y resaltar la importancia de la enseñanza del lenguaje visual en los niveles básicos de la educación, ya que es una necesidad ante una gran cantidad de información, especialmente en los medios digitales de hoy en día, en códigos visuales. Muchos temas relacionados con el proceso de percepción de nuestra visión siguen estando fuera incluso de los planes de estudio de la enseñanza superior. Enumeramos aquí las directrices y los principios que consideramos pertinentes y primordiales para quienes buscan la alfabetización visual.

Palabras Clave: Lenguaje visual - Enseñanza - Alfabetización visual - Educación.


Andreia Matos Barreira: Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Design da Unesp - Universdidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho. Graduada em Desenho Industrial – Programação Visual (1998) e em Artes Visuais – Licenciatura (2017) ambas pela UNESP. Professora de Artes para o ensino fundamental, na rede pública e particular, desde 2017. Experiência profissional como ilustradora (2003 a 2015) no estúdio A&A Design. Cassia Letícia Carrara Domiciano: Livre Docente em Design Gráfico e Editorial pela Unesp - Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Doutora em Comunicação Visual e Expressão Plástica pela Universidade do Minho, Portugal. Mestre em Desenho Industrial pelo Projeto Arte e Sociedade (1998) e graduada em Desenho Industrial - Programação Visual (1993), ambos títulos pela UNESP. Na UNESP, é docente da graduação e pós-graduação, e chefe do Departamento de Design na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, campus de Bauru.


Alfabetização visual: instrumento para o ensino em design fue publicado de la página 301 a página303 en Actas de Diseño - N° 36

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