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As dimensões da sustentabilidade aplicadas em produtos slow fashion

Köhler Schulte, Neide; Godoy, Ilma; Martinez Montanheiro, Adriana

Actas de Diseño Nº17

Actas de Diseño Nº17

ISSN: 1850-2032

IX Encuentro Latinoamericano de Diseño “Diseño en Palermo” V Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño Comunicaciones Académicas

Año IX, Vol. 17, Julio 2014, Buenos Aires, Argentina | 256 páginas

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Introdução

Reciclar, reutilizar, reaproveitar, customizar. São conceitos cada vez mais presentes no cotidiano dos profissionais envolvidos com o mundo da moda, e que de certa forma, estão presentes também em toda a sociedade. Cada vez mais os consumidores de diversas esferas sociais no Brasil estão se preocupando com o que utilizam, levando em consideração em sua decisão de compra, questões sócioambientais. Estamos vivenciando momentos de grandes mudanças climáticas, que geram grandes prejuízos, além da degradação do planeta em função do grande acúmulo de resíduos e poluentes. Todos esses fatores vêm dificultando a vida no planeta Terra.

O designer destes novos tempos, além de possuir a tarefa de criar coleções “vendáveis” e imagens do que poderá ser usado na próxima estação, gradativamente precisa conscientizar seus clientes e consumidores acerca da gravidade que envolve as questões ambientais e o consumismo na atualidade. Segundo Papanek (1997, p. 14),

(...) o designer tem sido sempre (...) um professor, estando em posição de informar e influenciar o cliente. Com a atual confusão ambiental é ainda mais importante que ajudemos a orientar a intervenção do design, de modo que seja natural e humana. Temos de alargar nossas próprias áreas de conhecimento, e simultaneamente reorientar os nossos modos de trabalhar.

Com o objetivo de investigar e propor um novo direcionamento para os produtos do vestuário o foi criado em 2005 o Programa de Extensão EcoModa UDESC, a partir do convite feito por Marly Winckler, presidente da SVB –Sociedade Vegetariana Brasileira– organizadora do 36° Congresso Mundial de Vegetarianismo, em 2004, para participar do evento com um desfile. Para o evento foi desenvolvido o projeto de extensão “Coleção de Moda para o 1° Veg Fashion”, coordenado pelos professores Lucas da Rosa e Neide Schulte. O evento foi realizado em Florianópolis, no Hotel Resort Costão do Santinho, no período de 08 a 12 de novembro de 2004. Desde então o Programa de Extensão EcoModa vem se destacando através de seus projetos, como um grande difusor dos conceitos de produção sustentável e do consumo consciente na área da Moda.

O presente artigo pretende relatar as experiências de trabalho do Programa de Extensão EcoModa UDESC com rendas de bilro, artesanato típico da cultura açoriana na Grande Florianópolis. A coleção de roupas “Primavera Silenciosa”, apresentada em novembro de 2010, na Università degli Studi di Firenze, Itália, foi o primeiro trabalho com utilização rendas de bilro nas roupas. O segundo trabalho será apresentado no Paraty Ecofashion em agosto de 2011. O diferencial em relação ao primeiro trabalho são as rendas feitas com fio de algodão orgânico e com algodão reciclado.

Ecodesign e sustentabilidade ambiental

Ecodesign

Segundo Traversim (2005, p. 1), o termo ecodesign: é uma junção entre a palavra grega “eco”, que significa “casa”, e a palavra inglesa “design”, que quer dizer “planejar, desenhar”. Resumindo, o ecodesign propõe um casamento entre a natureza e a tecnologia, tendo a ecologia como base. Os materiais devem ser escolhidos levando em consideração sua toxicidade, abundância na natureza, biodegradabilidade e possibilidade de regeneração ou reciclagem.

Como a moda é uma das indústrias de maior alcance nas camadas sociais e também a que tem um dos maiores índices de poluição em toda sua cadeia produtiva, os designers de moda precisam considerar as questões ambientais em suas criações em todo processo produtivo, utilizando tecidos ecológicos, evitando os sintéticos e as peles. Os consumidores estão buscando cada vez mais por inovações e por produtos menos poluentes.

Sustentabilidade ambiental

O conceito de sustentabilidade ambiental foi criado no início da década de 70, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, para sugerir que era possível conseguir o crescimento econômico e a industrialização sem destruir o meio ambiente. O modelo proposto para o desenvolvimento sustentável foi uma tentativa para harmonizar o desenvolvimento humano com os limites da natureza.

Na visão de Vezzoli (2005, p. 27), as ações humanas para serem consideradas sustentáveis devem atender aos seguintes requisitos: a) basear-se fundamentalmente em recursos renováveis e, ao mesmo tempo, otimizar o emprego dos recursos não renováveis (compreendidos como ar, água e o território); b) não acumular lixo que o ecossistema não seja capaz de reutilizar (isto é, fazer retornar as substâncias minerais orgânicas, e, não menos importante, as suas concentrações originais); c) agir de modo com que cada indivíduo e cada comunidade das sociedades “ricas” permaneça nos limites de seu espaço ambiental, bem como que cada indivíduo e cada comunidade das sociedades “pobres” possa efetivamente gozar do espaço ambiental ao qual potencialmente tem direito. O grande interesse pela questão ambiental através de encontros, trabalhos acadêmicos e reuniões envolvendo nações de todo o mundo demonstra uma crescente preocupação na utilização dos recursos da Terra e, apesar de todo o reconhecimento da importância de um desenvolvimento compatível com os ciclos naturais, caminha-se para um futuro que desafia qualquer noção de desenvolvimento sustentável, e de respeito à natureza. Diante de uma crescente necessidade de mais e mais produtos diferenciados no mercado, observa-se hoje, a grande preocupação, sobretudo na questão do gerenciamento ambiental adequado na conservação dos recursos naturais para futuras utilizações (e gerações).

Coleções ecomoda com rendas de bilro

Coleção Primavera Silenciosa

Partindo dos conceitos de ecodesign e sustentabilidade ambiental, a coleção “Primavera Silenciosa” homenageia a bióloga Rachel Carson, considerada pelo jornal britânico The Guardian, em 2006, como a pessoa que mais contribuiu para a defesa do meio ambiente natural em todos os tempos. Com sua obra “Primavera Silenciosa”, publicada em 1962, Carson inicia uma verdadeira revolução em defesa do meio ambiente natural, desencadeando investigações sobre os danos dos inseticidas e outros produtos químicos à saúde humana e para as demais formas de vida. Contudo, a indústria química multimilionária gastou milhares de dólares para difamar sua pesquisa e seu caráter. Por ser cientista, sem doutorado, mulher, amante de pássaros e coelhos, ter gatos, ser solteira aos 54 anos, foi considerada uma histérica cuja visão alarmista do futuro podia ser ignorada ou, caso necessário, silenciada. Rachel, ao mesmo tempo, lutava contra um inimigo mais poderoso do que a indignação das corporações: um câncer no seio que evoluiu rapidamente para uma metástase. Ela deixou o alerta de que “a humanidade parece estar se envolvendo cada vez mais em experiências de destruição de si própria e de seu mundo”.

Processo da criação e produção

Com a colaboração de alunos da UDESC, alguns já graduados pela instituição, outros graduandos, além de professores e a parcerias com fornecedores, a coleção “Primavera Silenciosa” foi desenvolvida como uma proposta para se repensar o sistema da moda diante da emergência por um modo de vida sócio-ambientalmente mais sustentável.

Foram pesquisados materiais com menor impacto ambiental, como os tecidos orgânicos, reciclados e reaproveitados. Também foram utilizados produtos da cultura local como as rendas de bilro e os acessórios feitos por artesãos. Além disso, buscou-se trabalhar com uma estética menos efêmera, mais atemporal, para que as roupas sejam usadas por mais tempo, não sujeitas à moda passageira. O Ipê, uma árvore da mata atlântica brasileira, que floresce durante os meses de agosto e setembro, geralmente com a planta totalmente despida da folhagem cujos frutos amadurecem a partir de setembro a meados de outubro, é o tema escolhido para criação da coleção “Primavera Silenciosa”.

Os estágios de transformação do Ipê durante o ano: no inverno, folhas e galhos secos, parecendo estar sem vida, então renasce na primavera com suas flores brancas, amarelas, rosas e roxas, e no verão, o verde exuberante das folhas e o marrom do troco harmoniza o calor entre o céu e a terra, inspiraram a estrutura da coleção “Primavera Silenciosa” que apresenta peças com formas básicas, baseadas na alfaiataria. Uma roupa feita para sair da passarela e ser usada por uma mulher consciente com o mundo que a cerca, que se veste bem e prima pela qualidade.

Em Firenze, no Palazzo Medici, no dia 12 de novembro, foi apresentado o Programa de Extensão EcoModa UDESC mostrando todo processo de criação e execução da coleção “Primavera Silenciosa”, desde a escolha do tema –uma homenagem à bióloga Rachel Carson; as referências –o Ipê com suas fases: seco, floração e verde; a escolha dos materiais –o algodão reciclado da Eco Simple, o algodão orgânico da Justa Trama, as rendas de bilro de Zéllia dos Santos e suas colaboradoras; até o uso de sementes nas bijuterias desenvolvidas por Andréa Alves, os chapéus artesanais de Yone Vecchi, as carteiras de retalhos de Isabel Possidônio e os sapatos forrados com algodão reciclado pela empresa Raphaella Booz.

Parceria e a coleção “Dia especial de Maria Morena”

Em março de 2011 formou-se a AME (ALICEong, Museu da UFSC e Ecomoda UDESC), uma parceria para desenvolver projetos de pesquisa e extensão entre as universidades UFSC e UDESC, e a Ong Alice. Entre os projetos está a coleção de roupas “Dia especial de Maria Morena” para o Paraty Ecofashion, de agosto de 2011. O objetivo do evento Paraty Ecofashion foi promover em Paraty um grande encontro de estilistas, designers e estudantes de moda, que tenham como propósito a Eco moda. Escolas e faculdades com seus alunos de moda de todo o Brasil mostram no evento o resultado de suas pesquisas traduzidas em vestimentas. A coleção de roupas “Dia especial de Maria Morena” apresentou roupas leves para dias quentes e foi desenvolvida com tecidos de algodão orgânico e reciclado, com ênfase no uso de rendas de bilro feitas com fios de algodão orgânico e reciclado. Na elaboração das peças da coleção também foram reaproveitadas rendas que foram produzidas para decoração. Além das roupas foram criadas outras peças para o vestuário, como bolsas, carteiras, bijuterias e sapatos.

Maria Morena é o nome de um tipo de renda típica de Florianópolis. Outra renda típica é a tramóia. Ambas foram utilizadas na coleção, além de outras rendas tradicionais, que apresentou roupas para um dia especial na vida da mulher, o dia do casamento. Desde o despertar, com uma lingerie, ao momento do “sim”, num vestido de noiva, a coleção apresenta uma proposta de roupas leves, estéticas e com rendas delicadas para serem usadas no dia muito especial para a mulher, e nos demais dias, enquanto a roupas durar.

Projeto “Vivo de Renda”

A Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação - ALICE é uma organização não-governamental sem fim lucrativo, que tem como objetivo desenvolver projetos alternativos e autogeridos de comunicação para discutir comportamento, ética e tendências da imprensa, formar leitores críticos e contribuir para democratizar e qualificar a informação no Brasil. A ONG ALICE está desenvolvendo o projeto “Vivo de Renda” que dá visibilidade à tradição das rendeiras de bilro de Florianópolis, por meio da produção de livro, documentário, exposição fotográfica, entre outros reunindo depoimentos, história, projetos, e um catálogo de rendas e de piques (moldes utilizados para elaborar os diferentes tipos de renda de bilro).

Ao amplificar vozes, imagens e modos de vida desses sujeitos e comunidades, interliga diversas propostas elaboradas por instituições da região, colaborando para a interação e o debate. Provocando a participação ativa das rendeiras, constrói uma rede capaz de transformar ações isoladas em processo comunitário, e processos comunitários em projetos institucionais. O projeto vivo de renda propõe documentar e –por meio da comunicação– compor uma parceria para a preservação de um patrimônio cultural através de sua difusão e discussão de projetos de geração de renda e sustentabilidade.

Conforme Andrea Zanella e colaboradoras, com relação à atividade –a renda de bilro– trata-se de uma manifestação cultural e, como tal, deve ser entendida como atividade social realizada por uma determinada coletividade. Desse modo, ao aprendê-la o sujeito apropria-se não somente de um fazer, mas de toda a história e valores que o caracterizam, sendo que, ao mesmo tempo, imprime a estes sua marca singular. Ser renderia consiste, assim, dadas as transformações que vêm re-organizando o viver dessas mulheres nesse contexto social específico, em saber tecer, envolver-se afetivamente com a atividade e comprometerse com a sua história (Zanella et. al, 2000). Fazer renda, segundo as autoras, é o movimento em que o trançar fios de significados produzem novas rendas, onde o sujeito que tece é tecido pela trama da história de que faz parte/participa.

Coleção de rendas de bilro Doralécio Soares

A renda de bilro também conhecida como renda de almofada, era no século XIX, uma atividade feminina praticada no âmbito doméstico. Surgiu provavelmente do bordado, porém diferencia-se deste por trabalhar com pontos no ar, sem tecido. Provavelmente sua origem remonta ao século XV, na Itália, e foram introduzidas na Ilha de Santa Catarina então Desterro, no século XVIII pelos açorianos. A confecção de renda é uma atividade que se desenvolveu principalmente nas regiões litorâneas habitadas por pescadores sendo que sua confecção contribuía com a renda doméstica. Também é uma atividade passada de mãe para filha, e é bastante comum encontrar gerações de rendeiras trabalhando juntas.

Com a aquisição da Coleção “Doralécio Soares”, em 2007, pelo Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) através da Caixa Econômica Federal, o acervo de rendas do museu tornou-se o maior conhecido no estado, constituindo uma referência para pesquisadores interessados nesta atividade. A referida coleção é constituída por 224 peças. Enfatiza-se a importância de da incorporação ao patrimônio do museu, por sua significação e abrangência. O fato de sua guarda ser de uma instituição pública, que tem como compromisso, entre outros, a difusão do conhecimento, é uma garantia de que este patrimônio possa ser usufruído pela coletividade.

Doralécio Soares, atualmente com 97 anos, é um pesquisador preocupado com esta atividade, tendo publicado uma série de trabalhos sobre a renda.

O novo espaço expositivo do Museu da UFSC, com finalização prevista para 2012, deverá constituir o maior espaço museal de Santa Catarina. Assim, os esforços têm sido dirigidos para os trabalhos de pesquisa, catalogação e captação de recursos para a informatização dos dados, visando sustentar, de maneira consistente e responsável, a ampliação do papel que desempenha no quadro científico e cultural do estado.

Considerações sobre a moda

Para compor a identidade de cada pessoa o sistema de moda atualmente oferece um modelo de comercialização que abastece o mercado com as novidades do mundo fashion de forma muito rápida, é a chamada “Revolução do Fast Fashion”, onde existe uma complexa estratégia de organização que reúne várias áreas de uma mesma empresa para que a produção de uma roupa seja muito rápida. Segundo Cietta (2010), nos anos 80 o mecanismo era copiar e vender o que havia sido definido como moda para a temporada seguinte. Já nos anos 90, o mercado passou a ter coisa demais para copiar. Atualmente, há o poder das marcas e, além disso, copiar apenas não basta, tornou-se um risco. Por isso, até as confecções menores passaram a investir no design. O fast fashion envolve o consumidor no design do produto, na medida em que é produzido aquilo que o consumidor deseja. O design é local, e a velocidade exige que a produção também seja feita no local. No Brasil ainda é um movimento recente, mas com a internacionalização da moda brasileira, o modelo de negócio no país vem aprimorando e se tornando cada vez mais importante para o consumo de massa. Com a fast fashion, prever as tendências de consumo, característica de muitas indústrias na cadeia têxtil-vestuário, é tarefa que vem se tornando cada vez mais difícil em razão da extensa variabilidade dos produtos, da forte segmentação, da grande quantidade de informações que é necessário levar em consideração, e dos ciclos de vida do produto, cada vez mais breves. É a diferenciação horizontal do produto, a variabilidade infinita, a participação do consumidor ao processo de produção que tornam a previsão da tendência da estação sucessiva muito mais complexa (CIETTA, 2010).

O fast fashion é a expressão máxima da efemeridade na moda e como antítese surgiu a slow fashion. É o conceito que define que a moda terá uma velocidade menor, com peças perenes, ou que pelo menos persistam mais de uma estação. É o movimento que defende peças duráveis, de qualidade para serem guardadas e não descartadas. Não se trata de tendência e sim de um movimento, pois têm consumidores que pensam mais na hora de comprar. A crise econômica e ambiental, certamente contribui para a mudança no comportamento de consumo. A quantia investida no consumo passa a ter importância e por consequência o produto será melhor avaliado pelo consumidor.

Existem definições tratando o slow fashion como moda sustentável, usando tecidos ecológicos, agindo eticamente com os trabalhadores (fairtrade), existe uma mudança em relação ao sistema da moda. É a indicação de que algo tem que mudar em relação ao planejamento das coleções, produção, calendários. Com o slow fashion também se deve reorganizar o conceito de luxo, apontando que o luxo não será ligado ao preço do produto, e sim à sua disponibilidade e acesso. O acesso deve ser restrito, atendendo aos desejos dos consumidores de serem únicos. É o que se pode chamar do luxo simples, sem grandes exageros, sem gastar enormes quantias para ter o produto, ter exclusividade é fundamental, ou seja, produtos que não estão à venda em lugares de grande acesso ou até mesmo nas lojas mais consagradas.

A estilista sueca Sandra Backlund está sendo chamada de precursora do slow fashion. As peças que cria são todas feitas a mão pela própria estilista. Faz peças por encomenda e se recusa a participar das temporadas de moda em Londres, porque é contra o ritmo alucinante da moda. Outro exemplo são os estilistas uruguaios Ana Livni e Fernando Escuder. Os produtos que criados pela dupla são quase artísticos e muitas vezes feitos à mão, tornandoos únicos, sem a preocupação da produção em massa e necessidade de novidades para o consumidor. O foco é diminuir o consumo em excesso e trazer ao mercado peças duráveis e versáteis. O julgamento da moda atual –como o de qualquer manifestação artística que se desenvolve sob nossas

vistas– é provisório e depende sempre de uma revisão futura, quando o afastamento no tempo, isentandonos das coerções do momento, mostra-nos até onde a aceitação ou rejeição dos valores estéticos dependeu das condições sociais (Souza, 1996, p. 22) Com a slow fashion parece que a lógica do sistema da moda começa a ser alterado, mas para que seja possível fazer uma avaliação se efetivamente está em curso uma mudança é necessário uma avaliação no futuro. 

Considerações finais

A sustentabilidade pode ser trabalhada na moda desde que as dimensões social, ambiental e cultural sejam consideradas no desenvolvimento de produtos para o vestuário com um ciclo de vida mais longo.

A proposta da slow fashion pode ser uma direção para um novo sistema da moda onde o ethos do novo seja substituído por outro ethos a ser definido (slow, ético, consciente...). O trabalho com a renda de bilro em peças para o vestuário estimulou as rendeiras tradicionais as ilha de Santa Catarina e também as “novas rendeiras”. Pessoas mais jovens começaram a se interessar em aprender a fazer um artesanato tradicional que estava acabando. Segundo as avós rendeiras, as netas não querem mais aprender a fazer renda.

Como a moda tem forte influência nos jovens, trabalhar as rendas de bilro em peças do vestuário com um visual jovem, traz para o universo deles um aspecto tradicional da cultura local, além disso, ao se utilizar materiais orgânicos e reciclados as peças terão um valor agregado a mais: a busca por uma produção e um consumo mais sustentável.

Referências

Brower, Mallory, Ohhlman (2005). Diseño Eco-Experimental: arquitetura/moda/produto. Barcelona: Editorial Gustavo Gili.

Cietta, E. (2010) A revolução do fast-fashion: estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias hibridas. São Paulo: Estação das Letras e Cores.

Ecodesign, Disponível em: < http://www.amigosdanatureza.org.br/noticias/358/trabalhos/382.Ecodesign.pdf > Acesso em: 17/02/2011.

ECOMODA, Disponível em: < www.ecomoda.limondamoda.com.br > Acesso em: 17/02/2011.

Limonada Moda Customizada. Disponível em: < www.limonadamoda.com.br/> Acesso em: 11/02/2011.

Marcos, J. R. (2008) Sobre Sustentabilidade, Ecodesign e o Planeta - Apresentação do Projeto Limonada. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Design) - Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.

Papanek, V. (1997) Arquitetura e design: ecologia e ética. Lisboa: Ed. 70.

Schulte, N. K. y Lopes, L. D. Sustentabilidade ambiental: um desafio para a moda. Actas de Deseño N° 9, año 5, Univesidad de Palermo, Julio 2010, Buenos Aires, Argentina.

Traversim, L. (2005) Ietec - Instituto de Educação Tecnológica. Apresenta textos sobre ecodesign. Disponível em: com.br/ietec/cursos/area_meio_ambiente/2005/08/05/2005_08_05_0001.2xt/materia_gestao/2005_08_05_0190.2xt/dtml_boletim_interna>.Acesso em:31/01/2011.

Vezzoli, C. y Manzini, É. (2005) O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: Os Requisitos ambientais dos Produtos Industriais. São Paulo: EDUSP.

Zanella, A. V. (1997) O ensinar e o aprender a fazer renda: estudo sobre a apropriação da atividade na perspectiva histórico-cultural.

São Paulo. Tese de Doutorado em Psicologia da Educação, PUC - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Abstract:

The purpose of this paper is to present the results of UDESC Accommodates Extension Program and about the research in conjunction with the museum and the NGO ALICE UFSC. The group worked on the rescue of lace, handicrafts from the island of Santa Catarina, accompanied the training of artisans, presented alternatives for implementing locks into other products and created several pieces as clothing, accessories, decorative objects and works art. The project was selected for 1st Paraty ECOFASHION that developed in August 2011 in Paraty-RJ, where the results were presented orally, on display and parade. The proposal that guided the study was the dimensions: social, cultural and environmental sustainability. The pieces were developed with yarns and fabrics from organic cotton and recycled.

Key words:

Sustainability - Fashion - Slow fashion - Research - Training.

Resumo:

O propósito deste artigo é apresentar os resultados do Programa de Extensão Ecomoda UDESC e da pesquisa em conjunto com o Museu da UFSC e a Ong ALICE. O grupo trabalhou no resgate da renda de bilro, artesanato típico da Ilha de Santa Catarina, acompanhou a capacitação das rendeiras, apresentou alternativas de aplicação das rendas em outros produtos e criou diversas peças como: roupas, acessórios, objetos de decoração e obras artísticas. O projeto foi selecionado para o 1° Paraty Ecofashion que acontece em agosto de 2011, em Paraty-RJ, onde serão apresentados os resultados oralmente, em exposição e desfile. A proposta que norteou o trabalho foram as dimensões: social, ambiental e cultural para a sustentabilidade. As peças foram desenvolvidas com fios e tecidos de algodão orgânico e reciclado.

Palavras chave:

Sustentabilidade - Moda - Slow fashion - Pesquisa - Capacitação.

(*) Neide Köhler Schulte.

Doutora em Design (PUC-Rio); mestre em Engenharia de Produção (UFSC); especialista em Moda (UDESC) e em Ensino da Arte (UNIVILLE); e graduada em Desenho e Plática (UFSM). É professora de desenho de moda e desenho têxtil no curso de Bacharelado em Moda (UDESC). Ilma Godoy

. Especialista em Moda (UDESC) e graduada em Moda(UDESC). É professora de pesquisa de moda e desenho(SENAC). Adriana Martinez Montanheiro

. Especialista; Universidade do Estado de Santa Catarina.

(**) El presente escrito fue presentado como conferencia dentro del Tercer Congreso Latinoamericano de Enseñanza del Diseño (2012). Facultad de Diseño y Comunicación, Universidad de Palermo, Buenos Aires, Argentina.


As dimensões da sustentabilidade aplicadas em produtos slow fashion fue publicado de la página 113 a página117 en Actas de Diseño Nº17

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